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29.8.14

Destino, Vol. 1 - Série Destino [Ally Condle]

Destino-Ally-Condle
Ed. Suma das letras, 2011 - 240 páginas:
      Cassia tem absoluta confiança nas escolhas que a Sociedade lhe reserva. Ter o futuro definido pelo sistema é um preço aparentemente pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável e pela escolha do companheiro perfeito para formar uma família. Aos 17 anos, ela já está pronta para conhecer seu Par. Romântica, sonhava há anos com a cerimônia em que a Sociedade aponta aos jovens com quem irão casar. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander, tudo parece bom demais para ser verdade. Cassia recebe um microcartão onde estão armazenadas todas as informações que precisa saber sobre seu futuro marido. Mas ao inseri-lo no terminal de sua casa, tem uma grande surpresa: a tela se apaga, volta a se acender revelando um outro rosto, Ky, um antigo vizinho, quem ela vê. Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. 

Onde comprar:

Sabe aquele livro que está na sua lista faz tempos, mas você sempre deixa passar? Destino era um desses livros, e quando tive a oportunidade de lê-lo, fiquei com um pouco de receio, pois já tinha visto vários comentários negativos sobre a obra, mas não custava nada dar uma chance, já que vi muitos comentários positivos também.

O livro é uma distopia - o gênero que mais amo no mundo, mas que já estou ficando um pouco cansado. É quase sempre a mesma história, com poucas mudanças: uma menina, um governo aparentemente bom, a menina descobre que o governo não é bom e sozinha causa uma revolução. Não que isso tenha acontecido com Destino, na verdade, a personagem principal, Cassia, não faz nenhuma revolução.

Em Destino, a Sociedade, como é chamado o governo, toma conta de todos os aspectos da vida da população, o quanto eles comem, com quem se casam, com o que trabalham e até quando morrem, e Cassia sempre seguiu estas regras e nunca teve pensamentos contra este governo. Isso acontece porque a Sociedade se baseia em estatísticas. Cada movimento de cada indivíduo é previsto pela Sociedade, visto que ela tem controle total sobre a população e que interfere em grande parte de suas escolhas. Mas há coisas que nem o governo poderia prever, ou será que previu?

Quando seu par é arranjado, é relevado que Cassia se casará com seu melhor amigo, Xander, mas tudo muda quando um erro acontece, um erro que poderia passar despercebido por qualquer outra pessoa, mas não passou para Cassia. Todo adolescente que é arranjado a um par recebe uma caixinha, contendo todas as informações de seu par, como foto, o que gosta de fazer, características físicas, etc... Cassia também recebeu uma destas caixas, mas quando ela a abre, não é a foto de Xander que aparece, é a foto de Ky, um outro colega de Cassia. E é claro que rola um triangulo amoroso no livro.

A personagem principal é muito bobinha e o romance também. A autora focou tanto no romance, que na minha opinião, prejudicou o livro. O amor entre Ky e Cassia é sem noção nenhuma, deixando tudo tão clichê e nada surpreendente.

Estava adorando o livro no começo, mas como já disse, o romance acabou deixando a história morna, nada empolgante e praticamente tive que me obrigar a terminar de ler, e a trama só melhorou nas últimas páginas. Apesar de já ter o segundo livro da trilogia, Travessia, confesso que estou receoso para começar a sua leitura.


Estudante carioca de 14 anos apaixonado por livros e por séries de TV. Li 23 livros em 4 meses de 2014 e 24 em 2013. Membro da Franqueza em Divergente, morador do Distrito 12 em Jogos Vorazes, Moroi em Academia de Vampiros e Caçador de Sombras em Os Instrumentos Mortais.

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28.8.14

Lições de Vida [Anne Tyler]

Lições-de-Vida-Anne-Tyler
Ed. Novo Conceito, 2013 - 368 páginas:
     Maggie Moran e seu marido são comuns, até um pouco tediosos. E é esse realismo que torna esta história tão eficaz e comovente... Começa em um dia de verão, quando Maggie e Ira viajam de Baltimore para a Pensilvânia para um funeral. Maggie é impetuosa, desastrada, desajeitada, propensa a acidentes e tagarela. Ira é reservado, preciso, respeitável, tem uma mania irritante de assobiar músicas que traem seus pensamentos mais profundos e acha que sua esposa transforma os fatos de maneira que se encaixem. Ambos sentem que seus filhos são estranhos, que a cultura das novas gerações está indo por água abaixo e que, de alguma forma, se enganaram com essa sociedade cujos valores não reconhecem mais. Mas esta viagem vai levá-los a refletir sobre estas angústias, e vai mostrá-los como é importante reavaliar seus sentimentos.  

Onde comprar:

Se você, assim com, eu gosta de livros eletrizantes, Lições de Vida não é para você. Lições de vida conta a história de Ira e Maggie, ele introspectivo ela tagarela.

A minha natureza agitada não consegue compreender como um casal tedioso, numa ida até um funeral podem render 368 páginas da Maggie falando o tempo todo sobre tudo e sobre nada. Para fazer sentido o título do livro deveria ser monólogos de Maggie. Você curte uma leitura mais condensada e longa numa narrativa mais calma vai ficar Feliz ao ler Lições de Vida, agora se você curte uma leitura cheia de acontecimentos, tramas, encontros e desencontros tenho uma palavra para você: CILADA.

A leitura demora a engrenar, afinal não dá para esperar muito de um livro onde a sinopse define os protagonistas como tediosos, bem, deixando de lado os monólogos da Dandára, vamos falar da história do livro para que vocês tirem suas próprias conclusões.

Ira e Maggie tem 28 anos de casados, estão vivendo a fase da síndrome do ninho vazio, isto é, os filhos estão deixando o lar e a solidão está apertando, principalmente para Maggie, que sente falta da neta, Leroy, que foi levada para longe depois que seu filho Jesse e sua ex-nora Fiona se divorciaram. O ponto forte do livro é o fato de Maggie ser a típica mama italiana a mãezona protetora, que quer sempre ajudar os outros mesmo quando os outros não precisam de ajuda, com isso, às vezes, ela mete os pés pelas mãos com a melhor das intenções e acaba por colocar a prole em grandes saias justas (coisas de mãe... Quem nunca passou vergonha com uma foto de infância revelada aos amigos ou uma intervenção benigna ao seu novo relacionamento amoroso), Jesse e Daisy não escaparam dessas artimanhas (artemāes). Tenho que admitir que alguns dos deslizes de Maggie chegam a ser cômicos mais é pouca comédia para muito assunto.

Bom como não me identifiquei com os personagens, tampouco com a história e muito menos com estilo de narrativa deixo a lições de vida minhas duas estrelas e nada mais a declarar.


Cortesia da Editora Novo Conceito

Autêntica, Adora ler para divertir e escrever para refletir. Se esforça para ser cada dia melhor pois acredita que bondade também se aprende.

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27.8.14

Em Meus Pensamentos [Bella Andre]

Em-Meus-Pensamentos
Ed. Novo Conceito, 2014 - 288 páginas:
      Quantos de nós podemos contar com uma segunda chance? Grayson Tyler enfrentou uma tragédia três anos atrás. Agora, ele está recomeçando sua vida nas montanhas da Califórnia. Talvez a paisagem calma, com céu azul, mar e montanhas, o ajude a se esquecer do passado infeliz. Nesse refúgio, ele também deseja ser esquecido por todos que o fizeram sofrer. A tranquilidade vai embora para sempre no dia em que a energia vibrante de Lori Sullivan invade a sua vida. Uma bailarina tão linda quanto impertinente, que não costuma levar desaforo para casa e não está nem um pouco interessada em agradar. O magnetismo entre os dois promete tirar, literalmente, o sossego de Grayson, mas o fazendeiro solitário não está disposto a baixar a guarda. Ele não vai deixar essa novata virar sua vida de cabeça para baixo. 

Onde comprar:

Ela o Levava Além do Limite... Ao Exato Lugar Aonde Ele Jurou Nunca Mais Ir Novamente

Este livro foi uma grande surpresa, primeiro porque é o melhor da série, o único a ganhar minhas 4 estrelinhas e depois, porque onde nós menos esperamos é onde encontramos uma força para nos ajudar a vencer alguns obstáculos pessoais, e isso é o que é mais incrível nos livros, as vezes, uma história aparentemente boba, um simples romance, que nada tem de similar com sua vida, te ajuda a refletir sobre aspectos importantes dela.

Chega de blá, blá, blá e vamos para a história da última irmã solteira dos Sullivan. Como já deve ser do conhecimento de vocês, os irmãos Sullivan são oito, sendo seis homens e "infelizmente" todos já bem casados e duas mulheres, gêmeas, Sophie e Lori, apelidadas pelos irmãos de "Boazinha" e "Mazinha" respectivamente. Lori, fazendo jus ao seu apelido, é a única ainda solteira da turma.

"Será que era porque tinha muitos irmãos? Será que estava com tanto medo de ser invisível que fazia de tudo para ser barulhenta, teimosa, simplesmente mais do que qualquer pessoa normal?"

Mesmo sendo linda e bem sucedida na sua carreira de dançarina, Lori não está bem com sua vida amorosa, definitivamente sendo enganada por seu namorado a quase 2 anos, até que um belo dia, abandona tudo, aluga um carro e sai sem rumo para as montanhas da Califórnia, procurando um lugar calmo para refugiar-se de seu passado turbulento.

Ao chegar e parar numa lanchonete para lanchar, vê um anuncio de emprego para ajudante de fazendeiro. Bem, isso é tudo que Lori não é, mas sua determinação a faz querer a vaga, pois acredita que é capaz de fazer qualquer trabalho ao qual se desponha a aprender. Sem medo, Lori entra no seu carro e vai até a tal fazenda. Chegando lá tem uma enorme surpresa, pois o dono da fazenda era, além de jovem, o homem mais bonito e viril que Lori já tinha visto. 

Grayson mudou-se de Nova York para uma fazenda "no meio do nada" depois da morte de sua esposa. Ele passava nos últimos três anos, sete dias por semana reconstruindo a fazenda, gostava de sua vida solitária e sossegada. Ao ver Lori descer do carro e revindicar o emprego de ajudante, não pode entender o que uma mulher tão bela como aquela pretendia ao querer trabalhar de ajudante em sua fazenda. 

"Grayson era o último cara na terra por quem ela estaria interessada. Ele era tão ranzinza, mandão e dominador... e super, mega, totalmente gostoso."

Em face a determinação de Lori, Grayson deu-lhe uma chance de provar que era capaz. Mas tudo que este lindo fazendeiro queria era se livrar logo deste furacão chamado Lori, antes que ela acabasse por destruir sua tão valiosa tranquilidade

"Você não gosta de conversar nem de interagir com as pessoas. E eu adoro as duas coisa, o que você acha irritante - ela lançou um olhar para ele. - Você também concorda que é duvidoso que um de nós vai mudar tão cedo?"

Este, como já disse, foi o melhor dos livros da série Sullivan. Os personagens principais tem estilos e características totalmente opostas, em comum, somente a determinação e teimosia que faz com que as cenas entre os dois tornem-se cheia de magnetismo. 

E Até que enfim uma capa bonita!

Curiosidade: Os furacões recebem nomes de mulher, uma prática surgida da crença de que as tempestades, assim como as mulheres, seriam imprevisíveis.

Já foram lançados:

Vol. 1: Um Olhar de Amor
Vol. 2: Por um Momento Apenas
Vol. 3: Não Posso me Apaixonar
Vol. 4: Só Tenho Olhos Para Você
Vol. 5: Se Você Fosse Minha
Vol. 6: Quero ser Seu
Vol. 7: Perto de Você

Cortesia da Editora Novo Conceito

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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26.8.14

A Culpa é das Estrelas [John Green]

A-Culpa-é-das-Estrelas-John-Green
Ed. Intrínseca, 2012 - 288 páginas:
      Hazel foi diagnosticada com câncer aos treze anos e agora, aos dezesseis, sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões. Ela sabe que sua doença é terminal e passa os dias vendo tevê e lendo Uma aflição imperial, livro cujo autor deixou muitas perguntas sem resposta. Essa era sua rotina até ela conhecer Augustus Waters, um jovem de dezessete anos que perdeu uma perna devido a um osteosarcoma, em um Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Como Hazel, Gus é inteligente, tem senso de humor e gosta de ironizar os clichês do mundo do câncer — a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Com a ajuda de uma instituição que se dedica a realizar o último desejo de crianças doentes, eles embarcam para Amsterdã para procurar Peter Van Houten, o autor de Uma aflição imperial, em busca das respostas que desejam. 

Onde comprar:

Como encarar a “indesejada” com ironia

Fui impelido a este livro, por força da sugestão de amigos, familiares e toda a fauna de leitores aventureiros, nostálgicos e sensíveis, engolido por seu sucesso estrondoso. Daí, munido de um espírito leve e solto, cheio de expectativas, apanhei o livro A culpa é das estrelas (Intrínseca, 288 páginas), abri a primeira página e não consegui mais largá-lo. O enredo é simples, as falas mordazes, inteligentes, engraçadas, cativantes. John Green, com alta concentração de ironia nos deixa completamente entregues a sua narrativa. E se você não acredita em minhas palavras, leia a contracapa (meu livro é o de capa azul).

Hazel é paciente terminal que possui câncer na tireoide com metástase nos pulmões. Isso é horrível e não quero aqui dissecar a doença, as palavras falam por si. Ela tem que carregar um cilindro com oxigênio que a ajuda respirar:

“O cilindro verde só pesava uns poucos quilos... A geringonça era necessária porque meus pulmões faziam um péssimo trabalho como pulmões.”

Como podem ver, a escrita é mais que divertida. Eu ficava rindo sozinho, pulmões horríveis que insistem em não trabalhar como pulmões. Após grande insistência da mãe, que só vive pra ela e por ela, decide frequentar o Grupo de Apoio. Hazel não se sente bem vendo sua mãe entregar a vida se dedicando exclusivamente a ela. Além do mais, seu pai apenas chora impotente por tudo o que está acontecendo.

Então lá vai ela ao Grupo, pra fazer seus pais felizes, ouvir a entediante cantilena de todos aqueles que tratam de falar de suas angústias. Tem a companhia de seu amigo Isaac, um garoto que deverá fazer uma operação em que ficará cego. A comunicação entre os dois acontece através de suspiros. Ri mais um pouco imaginando a cena sem ter visto o filme, é claro, era o meu filme mental:

“O Isaac e eu nos comunicávamos quase exclusivamente por meio de suspiros. Cada vez que alguém falava de dietas anticâncer, de cheirar cartilagem de tubarão em pó ou sei lá, ele me olhava e suspirava de leve. Eu balançava a cabeça em um movimento microscópico e dava um suspiro em resposta.”

Daí acontece algo inesperado, completamente fora do normal. Ela se depara com Gus, amigo de Isaac, livre de um osteossarcoma, após retirada de uma das pernas, alguém que irá virar do avesso sua vida entediante. Se o primeiro contato é o que fica, então o garoto ganhou muuuuuitos pontos:

“Na boa, vou logo dizendo: ele era um gato. Se um cara que não é um gato encara você sem parar, isso é, na melhor das hipóteses, esquisito, e na pior, algum tipo de assédio. Mas se é um cara gato... na boa...”

Só que esse gato é mais que um gato, é um cara sentimental, inteligente, carismático:

“— Eu tenho medo de ser esquecido — disse ele de bate-pronto. — Tenho medo disso como um cego tem medo de escuro.”

Uau... me identifico com isso. Tenho um medo enorme de perder algum dos sentidos, por exemplo, de ser privado da visão. E mais, não queria passar por aqui como coadjuvante, queria também não ser esquecido, na verdade tenho medo da morte, um medo de não realizar o que vim fazer, algo que naturalmente não sei, mas está aqui esperando que eu realize.

A natureza do encontro entre os dois em meio às agruras da doença é o mote que irá permitir ao autor desfilar toda sua filosofia e doçura. Gus está livre da doença e Hazel, mesmo milagrosamente tendo seu tumor diminuído, tem medo de que o garoto se apegue a um navio (ela) que está naufragando. Após cada negativa, após toda a resistência de Hazel, Gus se declara e o faz corajosa e poeticamente:

“... Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.”

E ela quer negar este Amor com “A” maiúsculo, mas Gus é indelével:

“... Seria uma honra ter o coração partido por você.”

Como fugir disso, como não se entregar? Este livro trata há todo momento, de amor, amor verdadeiro e eu queria não bater nesta tecla, já que todos acabariam resenhando dessa forma, por isso quis escrever sobre ele de um ângulo diferente, porque o livro é genial e cabe falar dele de inúmeras maneiras.

Sim, há otimismo, há frases fortes de incentivo, faz com que saiamos de nossa zona de conforto pra realmente analisarmos o outro, pra nos colocarmos em seu lugar:

“... Tentei me convencer que poderia ser pior, que o mundo não era uma fábrica de realização de desejos, que eu estava vivendo com câncer e não morrendo por causa dele, que eu não deveria deixar que ele me matasse antes da hora...”

Sensacional – “vivendo com câncer e não morrendo por causa dele”. Outro ponto importante é a clareza com que se expressam, o ponto de vista de quem passa por esta doença séria, o contato artificial com os outros, a falta de tato de quem convive com eles, mas não sabem como lidar com a situação:

“... conversar com ela (Kaitlyn) não parecia mais uma coisa natural. Quaisquer tentativas de simular interações sociais normais eram deprimentes porque ficava óbvio que todo mundo com quem eu falava em qualquer momento da minha vida se sentia constrangido e desconfortável comigo, exceto talvez crianças... que simplesmente não sabem nada da vida como ela é.”

É difícil, mas de alguma maneira e de forma magistral o casal consegue me colocar em cheque, eles me enchem de coragem, que nem eu mesmo sabia existir, e assim como eles também me torno invulnerável.

O final é belíssimo e já imaginei esta cena no cinema umas cem vezes ou mais e em todas elas fiquei engasgado. Maravilhoso, livro recomendadíssimo. Lição de coragem e principalmente de alegria!


Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

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25.8.14

Desejo À Meia-Noite, Vol. 1 - Série Os Hathaways [Lisa Kleypas]

Desejo-À-Meia-Noite-Lisa Kleypas-Série-Os-Hathaways
Ed. Arqueiro, 2013 - 272 páginas:
        Após sofrer uma decepção amorosa, Amelia Hathaway perdeu as esperanças de se casar. Desde a morte dos pais, ela se dedica exclusivamente a cuidar dos quatro irmãos – uma tarefa nada fácil, sobretudo porque Leo, o mais velho, anda desperdiçando dinheiro com mulheres, jogos e bebida. Certa noite, quando sai em busca de Leo pelos redutos boêmios de Londres, Amelia conhece Cam Rohan. Meio cigano, meio irlandês, Rohan é um homem difícil de se definir e, embora tenha ficado muito rico, nunca se acostumou com a vida na sociedade londrina. Quando se muda com a família para a propriedade recém-herdada em Hampshire, Amelia se reencontra com o sedutor Rohan, que parece determinado a ajudá-la a resolver seus problemas. 

Onde comprar:

Estou tão apaixonada pelos livros da Arqueiro de Romances Históricos que me arrisquei numa nova série, Os Hathaways, que quero apresentar a vocês também, já que merece entrar na "listinha" dos fã do gênero, pois é simplesmente apaixonante.

Eu nunca conheci uma família tão desajustada como os irmãos Hathaways, o que os tornam únicos e também muito divertidos. Eles são cinco: Amélia, a mais velha, seguida por Leo, único homem, Win, Poppy e Beatrix. Cada um deles com características bem diferentes entre si e por isso mesmo com uma beleza singular.

- Não existe "calmo e sereno" na nossa casa - falou Poppy com tristeza. - Ah, Amélia, porque nossa família é tão esquisita?"

Depois que perderam os pais, Amélia, por ser a mais velha e responsável, passa a cuidar de seus irmãos como se fossem filhos e acaba se vendo solteira as 26 anos (para época era considerada uma solteirona). Mas isso tão pouco a incomodava, sua família preenchia todas as lacunas de sua vida, e depois de uma decepção amorosa, não pensava mais em se casar.

Leo, seu único irmão, que deveria estar fazendo o seu papel, além de ter herdado um Titulo amaldiçoado, aprontava todas, desperdiçando o pouco dinheiro da família com mulheres, jogos e bebidas, e na verdade, era quem mais trabalho dava a Amélia. 

Uma noite ao sair com Merripen, um cigano criado em sua casa quase como um irmão, para procurar Leo, desaparecido em mais uma noitada, ela se depara com Cam Rohan, também cigano, gerente de uma casa de jogo e talvez a única pessoa que pudesse socorre-los. Cam se mostra reticente em ajuda-los, mas ao ouvir Merripen falar em romani (língua cigana) decide faze-lo.

Cam Rohan, é um belo homem,  filho de mãe cigana com pai irlandês, criado pela avó cigana, é um tipo exótico, com um rosto que, com certeza, fora criado para o pecado, tendo o espírito de um homem livre. Cam com seu jeito irreverente me conquistou de cara. 

Cam e Amélia tiveram suas estruturas abaladas neste primeiro encontro, rolou uma atração forte entre eles, mas que de maneira alguma queriam admitir para si mesmos, já que eram como água e óleo. A sorte é que, provavelmente, nunca mais se veriam. 

A história não se concentra nos personagens principais, ela é bem distribuída e isso contribui para seu enriquecimento, criando aquela empatia necessária para deixar o leitor com o desejo de "quero mais", fazendo com que parta logo para a leitura do próximo volume da série.

Apaixone-se você também pelos Hathaways!! Porque eu já fui conquistada.

Cortesia da Editora Arqueiro

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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22.8.14

A Verdade Sobre Nós [Amanda Grace ]

A-Verdade-Sobre-Nós-Amanda-Grace
Ed. Intrínseca, 2014 - 208 páginas:
      Madelyn Hawkins está cansada. Cansada de ser sempre perfeita. Cansada de tirar A em tudo. Cansada de seguir à risca os planos que os pais fizeram para ela. Madelyn está cansada de ser algo que não é, algo que não quer ser. E então ela conhece Bennet Cartwright. Inteligente, sensível, engraçado. A seu lado, ela se sente livre e independente. Uma história que poderia muito bem ter um final feliz, não fosse por um detalhe: Maddie tem apenas 16 anos, e Bennet, além de ter 25 anos, é seu professor. Pressionada pelos pais a participar de um programa para jovens talentos, Maddie pula dois anos do Ensino Médio e vai direto para a faculdade, onde conhece e se apaixona pelo professor de biologia. O sentimento é recíproco, e para dar uma chance àquele novo relacionamento que lhe faz tão bem, ela decide não contar para Bennet sua idade.   

Onde comprar:

Quem já se apaixonou por um professor vai encontrar nesta leitura um bom material para atiçar as lembranças, ainda que a paixão tenha ficado só no sonho adolescente, nos delírios pueris tão comuns para quem acabou de sair da infância.

Madelyn é uma adolescente de 16 anos, mora na pequena Enunclaw e já está na universidade por conta do programa Running Start: com as excelentes notas que sempre teve, pode cursar os dois primeiros anos da universidade, cumprindo créditos que valem tanto para validar seu certificado do ensino médio como para antecipar o curso universitário. Assim como o irmão Travis, Maddie cresceu num ambiente familiar de cobrança por notas altas, os pais planejando e conduzindo todos os passos da vida escolar dos filhos. A mãe é uma engenheira bem sucedida, mas o pai considera-se um fracassado professor, porém determinado a fazer dos filhos profissionais destacados e brilhantes.

No primeiro dia de aula na faculdade, Madelyn conhece Bennett Cartwright, o jovem e bonito professor de Biologia, por quem as alunas suspiram. Começa, então, uma bonita amizade entre ambos, que vira uma paixão arrebatadora e impossível. Pela lei, um professor não pode se envolver com uma aluna. Mas o que Bennett não sabe é que Madelyn só tem 16 anos e uma diferença de dez anos os separa.

“Não é fácil para ninguém romper com os costumes. Mas é nesse ponto que você se encontra.” (Bennet, p. 137)

Desde o início do livro ficamos sabendo que algo deu errado. É uma boa estratégia da autora, que deixa o leitor curioso para saber como tudo aconteceu. Por meio de cartas, num testemunho aberto de que tudo fora culpa sua, Madelyn conta sua versão dos dias passados ao lado do professor, da amizade que virou um grande amor.

Como o romance é narrado em primeira pessoa por Madelyn, temos uma visão unilateral, adolescente e intensa. O leitor avalia as atitudes da garota e do professor e, inevitavelmente, embarca nessa paixão proibida, cheia de sonhos e promessas. Não podemos decifrar Bennet, porque é uma Maddie deslumbrada que fala dele, interpretando todas as atitudes do amado como gentis e bem-intencionadas, uma construção tendenciosa própria dos apaixonados. A menina é egocêntrica e ingênua, presa fácil do julgamento dos leitores. Particularmente, aprecio personagens assim, cheios de conflitos, tateando o mundo.

Madelyn repete algumas ideias, convicta de que, assim, faz o leitor entender bem o que ela já disse antes. Isso pode ser cansativo. E para os apreciadores de clímax a cada final de capítulo, devo avisar: aqui o ritmo é bem linear, até o ponto em que as coisas mudarão. Por outro lado, do jeito que a autora construiu a narrativa, só a voz de Maddie funciona muito bem. É nessa parcialidade que o leitor mergulha no universo carente e pressionado da personagem para entendê-la em cada passo mal calculado, cada justificativa imatura. E acaba torcendo pelo casal.

Acho que eu estava no momento ideal para vestir a pele de uma menina coagida, criada para ser perfeitinha, mas que resolve viver de acordo com seu coração e “chuta o balde”. Quem não teve seu momento libertador, seu grito de independência, ainda que por uma atitude inconsequente? E quem pode condenar uma garota que acredita firmemente no amor que sente?

Numa escrita bem coerente com a idade da narradora-personagem, a autora nos remete às lembranças de nossa própria adolescência. E, a despeito das reclamações que li por aí, o desfecho me deixou muito feliz, porque nem sempre encontro finais tão afinados com a trama.

Link Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/393219-a-verdade-sobre-nos


Cearense, fisioterapeuta e mãe. “Eu não tenho o hábito da leitura. Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento. Eu leio com prazer. Leio com alegria.” Ariano Suassuna.

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21.8.14

Manuscrito do Mar Morto [Adam Blake]

Manuscrito-do-Mar-Morto-Adam-Blake
Ed. Novo Conceito, 2014 - 480 páginas:
      A ambiciosa policial Heather Kennedy está em seu trabalho mais difícil: seus métodos de investigação são criticados e ela está sendo assediada por colegas rancorosos porque não lhes dá atenção. Até que lhe é atribuída o que parece ser uma investigação de rotina, sobre a morte acidental de um professor da Faculdade Prince Regent, mas a autópsia deste caso volta com algumas descobertas incomuns: o inquérito vincula a morte deste professor às de outros historiadores que trabalharam juntos em um obscuro projeto sobre um manuscrito do início da Era Cristã. Escondido entre os pergaminhos do Mar Morto, um códice mortal pretende desvendar os segredos que envolvem a morte de Jesus Cristo. 

Onde comprar:
Submarino, Saraiva, Fnac, Travessa, Cultura




A promessa: “Um thriller de tirar o fôlego, que vai faze-lo pensar: Será Possível”. A realidade: precisei de oxigênio.

A promessa você encontra logo na capa, junto com uma cruz que se assemelha a uma Cruz da ordem de Cristo ou a uma Cruz Pátea (me chamou tanta atenção que fui pesquisar), um pergaminho com escritas em aramaico e gotas de sangue, em um fundo que nos remete a uma praia, toda em tons terrosos. Linda! A realidade em 477 páginas, narrador observador que nos leva, a partir de quatro ângulos de visão, a uma trama eloquente. Adam Blake me deixou, literalmente, sem fôlego e angustiada para saber o desenrolar daquele quebra cabeça. Com a promessa de não ler a última página (sim, eu faço isso as vezes, muitas vezes) tive que me controlar.

A trama nos apresenta um xerife, Webster Gayler, lidando com os mistérios da queda de um avião em L.A. A policial, Heather Kennedy, investigando a morte acidental de um professor da Faculdade Prince em Londres. E, o ex-mercenário, Leo Tillman, em busca de vingança no México. E tem também, Solomon Kuutma, sua viagem começa em Paris e ele esta disposto a ir a qualquer lugar para proteger uma sociedade altamente secreta mantida a qualquer preço ao longo dos séculos. Desde os Illuminatis (com Dan Brown) não vejo uma sociedade antiga ressurgir com um conflito tão fascinante. E, em questão de ação, é um livro muito movimentado cheio de aventuras e ação, com um final realmente surpreendente.

Histórias diferentes, visões diferentes, que convergem para um único enredo envolvente. O ritmo é simplesmente empolgante. Como nos filmes de suspense que você não consegue tirar os olhos da tela, neste caso do papel, os capítulos acabam sempre em um clímax e a leitura é emocionante e empolgante. Para quem gosta de estilo, denominado “teologia-ficção”, que abrange teorias de conspirações, mistérios da antiguidade, manipulações ideológicas e o controle da humanidade e do mundo atual, é um prato cheio.


Cortesia da Editora Novo Conceito

Sou baiana e estou há 9 anos morando em Vitória-ES. Vim estudar e encontrei verdadeiros amigos que transformaram essa cidade num lar. Dizem que sou divertida, sonhadora e que falo demais. Apaixonada por livros, filmes e séries; e tentando conciliar esse amor com o trabalho. Uma pessoa me disse que "a leitura faz de nós todos emigrantes, mas mais importante que isso nos dá casas por toda parte".

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19.8.14

Arma de Vingança [Danilo Barbosa]

Ed. Literata, 2013 - 206 páginas:
      Como uma deusa cruel e vingativa, destruirei todos que estiverem em meu caminho... O que você seria capaz de fazer por vingança? Suportaria uma vida cercada de mentiras, traições, dores, crime e morte? Ana sobreviveu. Pagou o seu preço com marcas que o tempo nunca será capaz de apagar. Deixou para trás toda a inocência de criança para dar lugar a uma mulher fria e calculista, disposta a ser a perfeita arma de execução contra aqueles que tentaram destruí-la. Para conseguir os seus objetivos, não terá limites: irá mentir, enganar, seduzir e trair... Sem remorsos ou pena daquele que um dia julgou amar. Prepare-se para ouvir a história de Ana. Caminhe na tênue linha entre a paixão e a obsessão e veja como até os príncipes encantados tem o seu lado sombrio. Afinal, esta não é uma história de amor. 

Onde comprar:

Só a morte pode punir

Uma das leis mais antigas existentes é a lei de talião ou pena de talião, presente no Código de Hamurabi, 1780 a.C., que consiste na rigorosa reciprocidade entre a pena e o crime, é o princípio do “olho por olho, dente por dente”. É a vingança do Estado, uma justiça equilibrada, mas nem sempre justa.

O saudoso Don Vito Corleone em “O chefão” de Mario Puzzo, já aconselhava seu filho Michael — “a vingança é um prato que se come frio”. Sim, é a vingança preparada com calma, frieza, esperando-se o momento ideal, sem que o inimigo possa reagir. É a forma mais eficiente.

Em Arma da vingança (Literata, 205 páginas), o autor nos envolve lentamente, detalhando cada personagem, tecendo a teia que irá culminar num bizarro triângulo amoroso. A jovem e batalhadora Ana, sempre rodeada de amigos; o ex-namorado Rambo, violento e marginal; e por fim Ricardo, belo, charmoso e desequilibrado. Todos são, cada um à sua maneira, a personificação da morte e vocês entenderão o porquê.

De cara o capricho editorial nos chama a atenção e mais que isso a frase confessional nos coloca em estado de alerta:

“Já vou lhe avisando: esta não é uma história de amor...”

Pronto, fomos capturados, enredados. Ana observa seu anjo da guarda, Rafael, deitado na cama e começa a rememorar seus dias mais sombrios:

“Mergulho em um denso lago, rubro e revolto como sangue. Tento não afundar, mas é em vão. O ar me falta e a consciência vai sumindo, lentamente. Sei que não tenho mais chances de sair dali.”

Ana está retomando sua vida, após a separação traumática de seu ex-namorado Rambo. Ele não irá deixar barato, mas ela vai superando com a ajuda de inúmeros amigos. E o destino resolve ser pai novamente e lança em sua vida alguém que irá forjá-la a ferro e fogo — Ricardo:

“O beijo veio esfomeado, longo e acelerado, como estava programado para acontecer. Bocas em combustão e meu coração explodindo com o contato do corpo dele junto ao meu.”

O mesmo destino que um dia fora pai, pode se tornar padrasto e aí uma história de amor, pode se tornar de terror. Ricardo esconde segredos:

“Se alguém me perguntasse por que sou assim, iria responder: ‘Você já perguntou a um escorpião por que ele fere? Por que o verdadeiro predador brinca com seu alimento e o tortura antes de abatê-lo?’
Essa é a minha natureza. Ter o poder de possuir vidas em minhas mãos é o que me dá o verdadeiro prazer. Não conheço amor, ódio, indiferença. Não sinto essas coisas. O que eu sinto e reconheço é força, poder e obediência. E não hesito em destruir quem atravessa o meu caminho.”

Como bom escorpiano que sou cresci com isso em mente — a vingança reside no DNA de todo escorpiano, é de sua natureza. É claro que não devemos misturar as coisas, mas essa analogia nos serve para poder observar de um ângulo inusitado a mente de alguém que não conhece ou não se importa com a diferença entre o bem e o mal.

“Psicopatas são predadores sociais charmosos, manipuladores, que brutalmente abrem seu caminho através da vida, deixando atrás de si uma extensa trilha de corações partidos, esperanças destruídas e carteiras vazias”. Por Robert D.Hare, um dos maiores especialistas em psicopatia, citado por Ilana Casoy. Não coloquei essa citação à toa, é apenas para vocês perceberem aonde irão se meter na leitura deste livro.

A partir de sua metade o livro torna-se vertiginoso, uma montanha russa toda queda-livre, como se isso fosse possível, um Niágara literário de tirar o fôlego:

“Não podia me render tão fácil. Esperei seus lábios roçarem os meus e bati o martelo com força na sua têmpora. Ele levou a mão aos olhos, meio tonto, e caiu no chão.”

A triste realidade de um animal ferido fundo. Será que alguém conseguirá demovê-la de seu intento de vingança? Encontrará paz de outra forma?

“Já estava na hora de parar de me comportar como uma criança e ser uma mulher. O amor nos enfraquece, os relacionamentos nos aprisionam.”

Frases como essa nos coloca em cheque, fazendo-nos repensar a vida, os amores, o relacionamento. Como um Sheldon tupiniquim, Danilo Barbosa, quem sabe em um “dia de fúria”, destila todo veneno, todo rancor à sua personagem principal. O autor gosta de nos subjugar e o faz através de Ana. Somos obrigados a questionar seus métodos, suas ações — os fins justificam os meios?

“Eu estava disposta a ver o sangue rolar. Sabia que iria enganar a todos, mentir, trair e magoar. Acabaram-se naquele dia os meus limites e pudores. A vingança estava à solta...”

Quando Danilo Barbosa me disse que iria se afastar do blog “Literatura de Cabeça”, que aglutina grande parte de minhas resenhas, para dedicar-se a sua grande paixão — escrever livros, parir mundos — eu gelei! Há dentro de tudo o que escrevo minhas ideias e inquietações, então me vi meio sem chão, como se elas fossem de alguma forma desaparecer.

Hoje, digo de coração — por que demorou tanto, meu amigo? Quero mais livros seus, quero beber de seu talento até me afogar. Não quero paz, quero a ansiedade, um mergulho insano por suas personagens, nunca nos prive disso!

“Ouvir aquela voz me deu a certeza de que agora não havia mais como voltar atrás. Sorrindo, respondi com a voz mais sexy possível ao chamado da morte.”

Em seu livro de estreia, Danilo Barbosa nos traz uma história avassaladora, um livro saboroso de se ler, como a própria vingança. Viciei nessa adrenalina, quero mais reviravoltas, quero montanha russa no estômago, quero desconforto na espinha, quero sangue!




Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

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18.8.14

A Primeira História do Mundo [Alberto Mussa]

A-Primeira-História-do-Mundo-Alberto-Mussa
Ed. Record, 2014 - 238 páginas:
      O romance baseia-se em parte da documentação de um caso real: o primeiro registro formal de um assassinato no Rio de Janeiro, de 1567, crime passional, história de adultério, que enredou, entre acusados e testemunhas, espantosos 15% da população da cidade (que não passava de 400). Uma deliciosa trama policial, em que os mitos fundadores do Brasil, sobretudo os indígenas, associados à própria tradição do gênero literário policial, serão fundamentais para a solução do caso. “A Primeira História do Mundo” é o novo livro do mais original e criativo ficcionista brasileiro. 

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Assassinato num país em formação

Nós, ávidos leitores, estamos sempre em busca de uma outra realidade, fora de nosso cotidiano, algo fantástico ou histórico ou ambos. Algo que nos impulsione, que nos faça sair do chão, que nos acalente ou nos ensine. Por isso lemos.

Então quando nos deparamos com um livro cheio de personagens históricos e com uma pitadinha de folclore, deixamos nos levar pelas mãos ou pelo estômago. Foi assim com A primeira história do mundo (Record, 238 páginas), que mescla um crime, lendas regionais e um romance histórico de formação da nação brasileira. Alberto Mussa foi muito feliz na escolha do tema, apetitoso por si só, vai trabalhando seu lado detetivesco no intuito de trazer à tona o primeiro registro formal de um crime ocorrido no Rio de Janeiro de, pasmem, 1567. Em meio a sesmarias, feitorias, almotaçarias, alcaide-mor, morgadio, nomes extravagantes e estranhos ao nosso tempo, mamelucos, Mem de Sá, Martin Afonso de Sousa e toda a casa de el-rei se dá a fatalidade.

“Francisco da Costa, serralheiro, casado na cidade com Jerônima Rodrigues, é a vítima. Seu corpo foi encontrado pelo mameluco Simão Berquó, numa manhã de sábado, a algumas braças da Casa de Pedra. Tinha sete flechas cravadas nas costas; e um ferimento na altura dos rins que pareceu corresponder a uma oitava flechada.”

Este evento abalou e envolveu toda a cidade, sendo que 15% da população estariam entre suspeitos, acusados e testemunhas. É um dado relevante, absurdo matematicamente falando. Seria o mesmo que falar que estariam envolvidos direta ou indiretamente no crime, aproximadamente 948.000 indivíduos nos dias atuais. Dá pra imaginar?

“Embora sejam personagens bem distintas, embora ocupem posições diversas da hierarquia social, paira sobre eles uma sombria coincidência: os dez acusados, todos eles, sem exceção, tinham alguma relação com a mulher da vítima — direta, presumida, teórica, potencial, consequente ou fictícia... O segredo, portanto, está nessa mulher.”

Os suspeitos ganharam um capítulo à parte cada um que explicará em grande parte o porquê de se tornarem suspeitos e também suas características mais sombrias. Seria então um crime passional?

“Foram rumores desse tipo que criaram o mito de Jerônima Rodrigues. É uma constante, aliás, na história das civilizações, esse fascínio pelas mulheres permissivas, dissolutas, depravadas, essas fêmeas com quem se pode fazer de tudo. E, no Rio de Janeiro, havia ainda a agravante de ser Jerônima meio índia — tendo as índias fama de insaciáveis, sexualmente, quando não prostituíveis, pela menor das ninharias.”

Adicione a isso as lendas mais diversas, como tempero especial, e um componente quente da época, o “choque de culturas” e é só acender o pavio:

“Os cristãos nunca entenderam essa verdade simples: que — para um tupi — matar e comer um inimigo era, antes de tudo, um ato de suprema piedade.”

Sim, nosso índio, declamado nos versos de I-Juca Pirama de Gonçalves Dias tinha por hábito e costume o canibalismo. O inimigo capturado, normalmente de uma tribo inimiga, eventualmente um homem branco (o mercenário alemão Hans Staden foi um dos poucos sobreviventes que retornou pra contar a história), vivia como membro da família e ganhava uma mulher, tornando-se um cunhado, antes de ser morto e devorado. Inconcebível para os jesuítas:

“... Sempre que os padres tentavam libertar um prisioneiro, era este normalmente quem primeiro rejeitava o favor, preferindo morrer e ser devorado. Com isso, diziam atingir a terra-sem-mal: ybymarãeýma, literalmente a “terra sem guerra”, onde não há morte, nem trabalho, as mulheres não envelhecem e os pais podem dar as filhas a quem bem entenderem. Ou seja, na terra-sem-mal também não há incesto. Isso é que os jesuítas não conseguiam compreender, porque também estavam arraigados às suas próprias superstições: no mito cristão, a condição humana e mortal surge com a eclosão da sexualidade (e consequentemente do pudor), antes oculta no fruto proibido. No pensamento tupi, ocorre quase o inverso: humanidade e mortalidade existem num mundo imperfeito, que reprime a liberdade sexual com a noção de incesto.”

Mas é claro, existiam outras tribos, extremamente primitivas, entre elas a mais hostil — goitacás. Se os tupis já eram primitivos, imaginem outros mais primitivos ainda:

“Eram, conforme todos os relatos, gentios crudelíssimos, bárbaros e primitivos, que não erguiam casas, não faziam roças, dormiam pelo chão e comiam carne humana — não por vingança, mas para o próprio sustento.”

O autor esmiúça a vida da época, contextualiza, pois a linguagem da época era de difícil compreensão e mergulha no processo para nos colocar em meio à cena do crime:

“Lemos no corpo do processo que, na época do sumiço de Jerônima Rodrigues, Francisco da Costa atribui a Gonçalo Preto a culpa do incidente. Não o acusou de sequestro, como fez com outros. Disse que o cirurgião teria dado à mulher um chá do mato, com a intenção de seduzi-la; e que aquilo a fez ter visagens, perder o siso e confundir o rumo.”

Por que os índios não foram nem cogitados como potenciais assassinos? Onde estaria a oitava flecha (havia apenas o ferimento por onde ela entrara)? Quais os motivos de cada um dos acusados?

Mais que um livro policial, é um romance histórico. Tomamos ciência do quão rude poderia ser a vida dos que por aqui permaneceram e desbravaram corajosamente nossa selva. Explorando, buscando espaço, visibilidade, nobreza, riqueza:

“Poetas de Portugal enalteceram muito os navegantes, os barões assinalados que cruzaram mares e descobriram mundos. Melquior Ximenes deve ter percebido, como outros bandeirantes, que o verdadeiro heroísmo não era apenas navegar — mas permanecer.”

Este é um livro para os amantes da história de gestação de nosso país ou daqueles que se divertiram e ainda se divertem com Agatha Christie ou Conan Doyle. Não esperem por muitas aventuras, nem por uma narrativa cheia de ganchos, pois este não é assim. É mais um caderno de viagem, em que se vai fotografando o ambiente e pincelando com cores, julgamentos e opiniões.


Cortesia da Editora Record

Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

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