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26.12.16

Nem Tudo Será Esquecido [Wendy Walker]

Wendy Walker
Ed. Planeta, 2016 - 288 páginas:
      Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.

Onde comprar:

Thrillers estão sempre no topo de minhas listas de preferidos, mas, quando se fala de seus subgêneros, os psicológicos não estão entre os primeiros. Mesmo assim, ao ler a sinopse desse livro, não tive a menor dúvida de que queria lê-lo. E só posso dizer que fui fisgado desde a primeira página.

Fui logo surpreendido, pois, de cara, não sabemos quem narra a trama. Só vamos descobrir de quem se trata apenas no sétimo capítulo. Sabemos apenas que o narrador não faz parte da cena do crime. Ele vai narrando os acontecimentos através dos relatos dos principais envolvidos no crime de estupro sofrido pela personagem Jenny. Jenny é uma típica adolescente de 16 anos, cheia de vida, que em uma infeliz obra do destino, acaba sofrendo abuso sexual após sair de uma festa. Tentando proteger sua filha, seus pais resolvem autorizar o uso de um tratamento químico experimental, que faz com que as memórias traumáticas do fatídico dia sejam apagadas. Como já era de se esperar, esse tratamento não deu muito certo, pois vestígios dos acontecimentos ainda incomodam Jenny, ao ponto de fazê-la cometer atos extremos, como a tentativa de suicídio, por exemplo.

Achei que o grande ponto positivo do livro foi mostrar que, em casos horríveis como esse, não é apenas a vítima que sofre (claro que a dor maior é sempre dela), mas também todos os que a rodeiam acabam sofrendo de alguma maneira. A autora teve sensibilidade de mostrar toda a angústia de Jenny, e também todo o sofrimento de sua família, principalmente do pai, que sentia-se culpado por não ter protegido sua filha como deveria, e a dor de, mesmo dedicando-se ao máximo a procura do agressor, não conseguir muitos avanços em suas buscas.

Outro ponto interessante abordado pela autora, foi ver até onde vai a ética das pessoas e dos profissionais que se envolvem em casos como esses. Não posso falar muito sobre isso, pois seria um baita spoiler. Só adianto que é uma discussão bastante interessante.

Em relação a parte gráfica a editora está de parabéns. A capa condiz muito com a história, pois faz alusão ao que se passa na cabeça de uma pessoa que foi submetida a um tratamento para apagar memórias traumáticas, mas que não deu muito certo. E a parte interna está com uma diagramação simples, mas muito bem feita. A revisão também merece nota 10, pois não encontrei erro algum.

Finalizo a resenha indicando para os amantes de um bom thriller psicológico, com um forma narrativa não muito usual (pelo menos para mim), e uma escrita leve e fluída como a da autora Wendy Walker.

https://www.skoob.com.br/nem-tudo-sera-esquecido-610235ed610543.html

 Cortesia da Planeta Livros Brasil
Nardonio Almeida
Pernambucano, formado em Artes Cênicas e apaixonado por teatro e livros. Descobriu-se leitor depois de um empurrãozinho de uma amiga. Virginiano, pé no chão e que adora a calmaria. Leitor de quase todos os gêneros literários. Afinal, quando a trama é boa, o gênero é o que menos importa.
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29.12.15

Star Wars: Tarkin [James Luceno]

Ed. Aleph, 2015 - 365 páginas:
      Após o golpe que deu fim à Ordem dos Cavaleiros Jedi, com os tempos da Velha República cada vez mais no passado, Wilhuff Tarkin é um oficial de confiança em um Império ainda jovem, e sua atual tarefa é gerir a construção de um empreendimento decisivo nos planos da nova ordem: a estação espacial conhecida como Estrela da Morte. A mando do próprio Imperador, o oficial divide com o perturbador Darth Vader a liderança de uma força-tarefa dedicada a encontrar e deter os responsáveis pelo atentado. 


Onde comprar:



TODO O MAL DO IMPÉRIO

As histórias do universo LEGENDS se passam em vários momentos e constam como parte do universo, podendo ou não ser usadas em filmes, desenhos ou quadrinhos.

Os fatos ocorridos neste livro se passam antes do filme UMA NOVA ESPERANÇA (SW 04). O Imperador tem que lidar com os rebeldes, enquanto Tarkin, gerencia a construção da arma suprema do império, A ESTRELA DA MORTE.

Quando pensamos em vilões de Star Wars, sempre nos vem a cabeça, Darth Vader ou o Imperador, as vezes alguns outros vilões em grau de importância menor, pois os filmes não exploraram a verdadeira maldade e intensão de alguns deles. Este é o caso de Wilhuff Tarkin. Uma das forças malignas mais devotas ao Imperador e por simples vontade própria.

Tarkin de James Luceno revela a criação, educação e a perseverança deste, que é um dos personagens secundários mais importantes de Star Wars, mas pouco conhecido do grande público por sua pequena atuação nos filmes, como o Governador da Estrela da Morte.

No livro, a confiança do Imperador em Tarkin é tamanha, a ponto de Tarkin ter o mesmo poder que Vader. Isso me surpreendeu bastante, uma vez que o papel dele era tão pequeno no filme. Ver a dimensão da inteligência de Wilhuff e a sua capacidade estratégica, fazem compreender por que motivo ele é chamado de Governador Tarkin no filme e nos livros da franquia.

Parabéns mais uma vez para a Editora Aleph, pela diagramação, pelas imagens que dividem os capítulos, com aquela página preta, e desta vez a Estrela da Morte, de todo o tamanho. Simplesmente maravilhoso. Recomendo mesmo a leitura para quem quer saber mais sobre este personagem.


 Cortesia da Editora Aleph
Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
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28.12.15

Psicopatas do Cotidiano - Como Reconhecer, Como Conviver, Como Se Proteger [Katia Mecler]

Katia Mecler
Ed. Leya, 2015 - 256 páginas:
      Diz o ditado que de perto ninguém é normal. E, de fato, basta parar um minuto para observar o seu entorno e você vai identificar aquela pessoa que é instável demais, outra que é inflexível demais, outra ainda que é teatral ou insegura ou arrogante ou submissa... Às vezes são apenas características individuais, que não preenchem critérios para diagnóstico psiquiátrico algum, mas outras vezes são comportamentos repetitivos, peculiares e disfuncionais que causam danos físicos e psicológicos às próprias pessoas ou para aquelas que estão ao seu redor. Este livro identifica estes que são os psicopatas do cotidiano e explica em detalhes as características que levam essas pessoas a agirem assim. Para quem tem um deles ao redor, será uma oportunidade única de descobrir mecanismos que ajudem a manter a própria integridade, física ou psicológica, sem abrir mão da convivência 

Onde comprar:

O que você primeiro precisa saber é: mesmo que você seja um psicopata, não vai conseguir se identificar lendo este livro, porque estas pessoas não aceitam que tem algum tipo de problema psicológico. Mas o livro, além de bem interessante, ajuda nosso entendimento do assunto e facilita a identificação de pessoas próximas que possam sofrer de um dos transtornos aqui descritos. O simples reconhecimento de um tipo de transtorno numa pessoa de convivência próxima pode acarretar em uma melhoria na qualidade que vida de todos ao seu redor, seja através de tratamento ou simplesmente de aceitação.

A principal dificuldade é identificar os transtornos mentais, pois eles não são como uma doença física, como, por exemplo, a diabetes, onde sabemos claramente sua causa, sintomas, etc... Mas ao se falar das neuroses e das psicopatias (transtornos de personalidades), não é possível estabelecer uma etiologia definida, as pessoas que pertencem a este grupo são assim consideradas porque estão fora da norma sociocultural vigente, não funcionam como deles se espera, incomodam, criam problemas, infringem a lei e os costumes.

O Livro de Katia traça o perfil das psicopatias e fornece subsídio para a completa compreensão do problema, com linguajar simples, ajudando aos que convivem com estas pessoas "especiais", seja na família, no trabalho ou nos grupos sociais.

Os psicopatas do cotidiano são pessoas que convivem entre nós e sofrem de "transtornos específicos da personalidade". Podem com frequência e sem perceber, causar intenso sofrimento a quem convive com elas. Elas não perdem o juízo da realidade ou sofrem com surtos, delírios e alucinações. E não é uma condição necessariamente associada a crimes bárbaros e cruéis. A maneira como interagem com o mundo é que as torna de difícil convivência.

"Eles nos seduzem, manipulam, surpreendem, espantam, assustam, sufocam. Tudo em seu comportamento é exagerado: amor demais, carência demais, desconfiança demais, controle demais, raiva demais."

Para conseguir passar tanto conteúdo em poucas páginas e para um público leigo, Kátia inicia seu livro narrando uma história fictícia do cotidiano. Depois vai analisando as características de cada personagem desta história, enquadrando-os em um dos tipos de transtornos. Também recheia o livro com exemplos de personagens famosos de filmes, o que acaba facilitando a compreensão.

"Numa frase, seu mentor, Mestre Yoda, resume bem o que se passa na mente de um indivíduo com essa natureza: O Medo é o caminho para o lado negro. O medo leva à raiva. A raiva leva ao ódio. O ódio leva ao sofrimento."

Tenho certeza que ao terminar a leitura você já terá reconhecido "alguém" próximo com algum dos traços de transtornos de personalidade aqui descritos.  E a boa notícia é que aprenderá como conviver da melhor maneira com estes indivíduos.


 Cortesia da Editora Leya
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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25.12.15

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte XX - De Volta ao Templo

André Luis Almeida Barreto


Engenharia Reversa


Parte XX - De Volta ao Templo


Maestro se movimenta cautelosamente pelo túnel. Quanto mais perto ele se aproxima da entrada do Templo, mais o cenário fica desolador. As lâmpadas que antes iluminavam o corredor agora estão quebradas, nas paredes, as tubulações utilizadas para os fios e cabos que levavam energia e dados para os confins da cidade subterrânea se partiram e estouraram, cravando nas paredes desenhos que lembram veias abertas.

Com a pistola em punho, o homem de dreadlocks finalmente se aproxima da entrada do Templo dos Filhos de Alfa Um, é o mesmo portão por onde, a cerca de uma hora atrás, ele e o grupo saíram. Um silêncio sepulcral preenche o ar. Ele olha em volta, o resultado da expansão de algum tipo de onda de energia está em todos os lugares. Fios desencapados brotam pelo chão, os monitores catódicos arcaicos presos nas paredes estão quebrados, um cheiro estranho, misto de carne queimada, pólvora e circuitos fritados entra por suas narinas, provocando uma expressão de asco em seu rosto, é o cheiro da morte que impregna o Templo.

De súbito, um faixo de luz emerge na escuridão. O deletador se abaixa, buscando proteção nas sombras, mas o corredor não possui nada que possa escondê-lo, sendo largo e plano. Ele segura a pistola com as duas mãos, mirando contra a luz, que se aproxima cada vez mais. Um, dois, três vultos agitam a penumbra, cambaleiam em sua direção. “O ataque é sempre a melhor defesa”, ele pensa.

Puxa o gatilho. A bala descreve uma trajetória ascendente e atinge uma placa de metal no teto, estourando bulbos de lâmpadas mortas. O eco do estampido viaja pelo ar. Choro agudo, estridente, infantil. Os vultos se dissipam correndo para os lados. Uma voz adulta, rouca e desesperada invade as sombras:

- Não atire! Por favor não atire!

“Droga, eram só crianças, foi por pouco.”, então Maestro se revela, erguendo-se frente ao feixe da lanterna. Pistola em punho, apontada para o portador do luz. O homem se assusta e abaixa a luzo, as crianças se jogam no chão e começam a chorar baixinho.

- Carrasco! O que faz aqui?

Maestro observa o interlocutor, um sujeito de meia idade, maltrapilho, cabelos crespos volumosos e o mesmo olhar triste dos demais habitantes do subterrâneo. Abaixa a pistola.

- Diga-me o que aconteceu e deixarei você e suas crianças passaram.

- Tá todo mundo morto. Os demônios da babilônia, diabos vermelhos, fantasmas, vieram do inferno e espalharam a destruição... Então veio o bum, e todos, até os demônios, caíram. Só cadáveres lá dentro, só irmãos mortos. - Então ele se ajoelha, e como os pequenos, começa a chorar copiosamente, implorando.

- Não me leve, carrasco, piedade!

Maestro continua sério. Encara o sujeito.

- E a “Mãe”? O que aconteceu com ela?

- A Mãe? Ela não... - o homem soluça - Ela não conseguiu nos salvar… Zardor mentiu pra nós! Aquele traidor!

“É só mais um pobre diabo, mas uma vítima das loucuras do velho”. A pistola se acalma, não mais mirando o indigente.

- Siga o seu caminho - diz rispidamente o deletador - Pegue suas crianças e suma daqui o mais rápido possível.

- Obrigado, carrasco! Obrigado! Perdoe a gente, não queríamos…

- Vá! Desapareça! - Maestro volta a apontar a pistola, seu rosto na penumbra ganha um ar ameaçador.

O penoso homem prontamente se levanta, recolhe suas crianças e some nas sombras.

Com pouco esforço o grande portão se abre, estava apenas encostado. Lá dentro, o cheiro da morte é nauseante, a ponto de Maestro cobrir o nariz com um dos braços, enquanto aponta a arma para os corpos próximos. Oficiais da UNI-Tron se misturam com muitos guerreiros de Alfa Um. Ao redor deles, pilhas de cadáveres se espalham pelo interior do Templo, são homens, mulheres, idosos e crianças que antes estavam em júbilo pelo retorno de sua Mãe. Maestro acelera os passos, passando com um pouco de dificuldade por um grupo de corpos espalhados.

A medida que se aproxima do corredor para onde Zardor levou Bel, ele começa a notar que alguns cadáveres estão retalhados, braços, pernas e cabeças arrancados, marcas vermelhas nos pontos de corte. “Sabres sônicos. Marca registrada das forças de segurança da VNR”, deduz com precisão.

Com mais alguns passos ele encontra o primeiro agente corporado. A armadura vermelha quase sumindo em meio ao sangue dos filhos de Alfa Um, provavelmente mortos pelo agente. Ao lado do corpo, o sabre sônico jaz inerte, apagado, mas ainda sujo pelo vermelho escarlate. Maestro se abaixa e examina a couraça. Faz força para virar o corpo, colocando-o de barriga para cima. Com curiosidade, procura por algum sinal de perfuração nas placas metálicas, não há nada. Então se aproxima da cabeça do operativo, a olha para o capacete por alguns segundos, nenhum sinal de dano aparente. “A armadura está perfeita. Por Zumbi, eu estava certo! Mas preciso me certificar”.

Após guardar a pistola no coldre, com extremo cuidado o deletador coloca suas mãos no pescoço da armadura, então, segura na parte de baixo de capacete e começa a fazer força, empurrando o elmo para cima. Sem energia, a trava magnética não está mais funcionando, e com um sonoro claque o capacete se desprende. Maestro o remove devagar, arregala os olhos ao ver os pequenos rios de sangue brotando dos glóbulos oculares do agente, um pequeno sorriso se forma em seu rosto.

A cabeça do homem está acomodada em uma fina touca de silicone, semelhante as utilizadas pelos mergulhadores. Um volume anormal é percebido na parte de baixo da peça, bem próximo das orelhas. Maestro remove a indumentária, e então um caldo grosso e vermelho repleto de pedaços de miolos esbranquiçados escorre de dentro dela. O sangue misturado havia escapado pelas orelhas do agente, o cérebro do homem, fritado durante o processo de superaquecimento de seu CND. “Bel. Ela acordou!”, pensa Maestro, um tanto satisfeito, um tanto apreensivo.

Com um pulo ele se levanta, abandonando o corpo e entrando no corredor. Novamente, muitos corpos espalhados pelo chão, mais membros mutilados denunciando que naquele ponto o combate foi terrível. Algumas lâmpadas milagrosamente ainda funcionam, deixando o ambiente parcamente iluminado. Alguns passos a mais e então ele se depara com algo inusitado, bem na sua frente uma armadura diferenciada chama a atenção, negra e com alguns detalhes amarelos, a couraça possui formas femininas, deixando bem claro que ali, caída como os outros, está a outrora poderosa Amanda Makarim, a letal Rainha de Fogo.

Maestro observa cautelosamente o corpo da rival, olha rapidamente ao redor, buscando por alguma arma mais poderosa que sua pistola; vê um fuzil de assalto, moderno, arrojado, arma da VNR, mas provavelmente bloqueada por código genético, não serve. Então acha o que procura: uma submetralhadora! Rústica, modificada, largada ao lado de um braço decepado. Pega o artefato, examinando-o rapidamente. Não possui nada eletrônico, nada digital, uma boa e velha arma mecânica. Será que ainda está municiada? Terá que arriscar. Se move na direção de Amanda, observa a oponente; ela está deitada de lado, a cabeça apoiada sobre o braço cibernético, a armadura completamente morta.

Todo o cuidado é pouco. Com a arma apontada para a cabeça da inimiga, Maestro posiciona o pé sobre o braço dela e então, com um leve movimento, empurra o corpo de Amanda, o fazendo ficar de barriga para cima. Um gemido abafado se faz ouvir. “O quê!? Ela ainda está viva!”, pensa surpreso.

Maestro se ajoelha ao lado da cabeça da Rainha de Fogo, então, desliza uma das mãos pelo pescoço dela para desprender o capacete, enquanto empunha a submetralhadora com a outra. Tal como no agente lá atrás, a trava magnética está inutilizada, e com um pouco de esforço o capacete é destravado. Ele o remove devagar. Ela não usa uma toca de neoprene como o colega, e seus cabelos vermelhos são revelados, agora rebeldes e um pouco desgrenhados.

A respiração de Amanda acelera, seu peito sob e desce em movimentos rápidos, os olhos cibernéticos, funcionando com apenas dez por cento da capacidade, focam no inimigo ao seu lado. Ela o reconhece. Calafrios. Se seus glóbulos oculares ainda fossem humanos, eles agora estariam arregalados, as pupilas estariam dilatadas. Adrenalina é despejada na corrente sanguínea nas poucas partes de carne que ainda restam em seu corpo, porém, sem energia nas partes cibernéticas não há o que fazer, não é possível lutar e tão pouco correr. Apavorada, ela reconhece o homem, é o líder dos terroristas, Maestro! Repara nos cabelos dele, “dreadlocks”.

Os dois se encaram. Ele se levanta, dá um passo para trás e ergue a submetralhadora. Mira na cabeça de Amanda. Silêncio. O dedo flexionando o gatilho, o tempo parece congelar.

- Faça logo de uma vez. Eu não hesitaria se fosse você. - A voz fraca, quase murmurada.
Amanda não pretende implorar por sua vida. Maestro continua a observá-la. É estranho, mas por um segundo sente pena dela. “Não. Eu não sou um assassino. Não desse jeito”.

Ele abaixa a arma. Uma expressão de espanto se apodera do rosto da Rainha de Fogo. Maestro dá as costas para a inimiga caída, avança, seguindo pelo corredor. Amanda por fim fala:

- Eu não vou desistir até recuperar a executiva, e farei o que for preciso para isso.

- Sim. Eu sei. - responde Maestro, em tom sem emoções, distanciando-se da ciborgue.

Ele desaparece na penumbra. “Por que?”, pensa Amanda. Minutos depois, tiros ecoam pelo corredor. Ela fica alerta. Novos disparos. Silêncio. Um tempo depois, passos apressados, e de repente Maestro irrompe pela saída do corredor, em seus braços, Bel Yagami.

Maestro passa rapidamente por Amanda, que o acompanha como pode com seus olhos quase sem bateria, então ele desaparece em meio aos corpos. O silêncio novamente domina.

Dez minutos se passam desde a fuga do líder dos terroristas. Feixes finos e brilhantes de luzes verdes invadem a escuridão. Cinco vultos negros como a noite adentram o túmulo subterrâneo dos Filhos de Alfa. Armas em punho, movimentos sincronizados e precisos.

Amanda ouve os passos. Uma luz mais potente surge do nada e desliza por sua armadura, estaciona em seu rosto, os olhos cibernéticos refletindo como espelhos. Uma voz masculina abafada e equalizada reverbera nas paredes sujas de sangue.

- Sargento! Localizei a líder do grupo tático da VNR! Acho que ela está viva. Câmbio.

Alívio. Enfim, salva


https://www.facebook.com/engenhariareversalivro

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André Luis Almeida Barreto
Aspirante a escritor, inquieto por natureza, ainda tenho vontade de mudar o mundo ou pelo menos colocar um monte de gente para pensar. Viciado em livros, games, idéias loucas e sempre procurando coisas que desafiem minha imaginação.
24.12.15

Vire a Página [Rebecca Beltrán]

Ed. Verus, 2015 - 144 páginas:
      Um livro com mais de cem atividades para exorcizar os seus demônios e esquecer o seu ex. Escreva, recorte, cole, desenhe e pinte, mas, acima de tudo, divirta-se e espaireça. Quando terminar, você vai perceber que o sol continua nascendo todas as manhãs. Vire a página!


Onde comprar:



Vire a Página é um livro interativo destinado a quem está sofrendo com o fim de um relacionamento e deseja "superar" o seu ex de uma maneira divertida.

Nele você irá realizar diversas atividades manuais como: escrever, colar, desenhar, pintar que ajudarão a relaxar e libertar seu espírito para uma nova jornada.

Também encontrará frases de mulheres famosas incentivando a auto-estima feminina:

"Uma mulher sem homem é como um peixe sem bicicleta" - Gloria Steinem (Jornalista, escritora e especialista em ictiologia)

O Livro inicia com o enforcamento do seu ex.



Isso, depois de morto e enterrado, você passa para as próximas etapas, onde vai extravasando sua raiva, tirando de dentro do seu corpo e mente qualquer resquícios que ainda sobraram dele, que te impedem de seguir em frente.



E se no fim das atividades, você não riu nem um tiquinho, comece tudo novamente. Mas se ao terminar se sente livre e desimpedida, preencha seu diploma e SIGA EM FRENTE.

E aí, em vez de ficar chorando pelos cantos, triste e desanimada, Vire a Página e permita-se ser FELIZ.

 Cortesia da Editora Record
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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23.12.15

Supernova - A Estrela dos Mortos - Vol. 2 [Renan Carvalho]

Renan Carvalho
Ed. Novas Páginas, 2015 - 480 páginas:
      Após deixar sua cidade natal, Leran está perdido em busca de uma pessoa que possa ajudar sua irmã Luana a controlar seus poderes. Enquanto foge de caçadores colocados em seu encalço, o arqueiro conhecerá novos lugares e aliados para sua jornada. Ao mesmo tempo, Tlavi, a jovem Estrela da Cura, tenta desvendar os mistérios de um criminoso capaz de erguer as forças das trevas no território pacificado do Reino Central. O caminho desses personagens está ligado pelo destino. Será que poderão lutar juntos para descobrir como vencer os novos inimigos? Conseguirá Luana despertar sua verdadeira força? Como Leran agirá diante da evolução dos poderes da irmã? É o que você vai descobrir em Supernova: A Estrela dos Mortos.

Onde comprar:


Fiquei interessada na leitura de Supernova quando vi o lançamento do primeiro livro "O Encantador de Flechas", mas somente fui lê-lo agora, quando recebi "A Estrela dos Mortos" para resenhar. O que mais me encantou no primeiro livro foi a sabedoria que um autor tão novo teve para transmitir. Sendo uma obra voltada ao público jovem, Renan Carvalho conseguiu através de seus personagens adolescentes e um novo mundo onde a magia existe, abordar temas sociais significativos, através das dificuldades que dois jovens enfrentam ao viver numa cidade onde a ditadura predomina.

"Para muitos, especialmente para os mais pobres, a guarda real é uma excelente oportunidade de futuro. Ver o líder do exército deve ser inspiração para eles. Já somos lobotomizados desde crianças para aceitar o governo e suas regras, mas aqueles que entram no exército sofrem uma lavagem cerebral ainda maior."

É nesse clima que conhecemos Leran, um garoto de 17 anos que está terminando o que seria o ensino médio. Leran é órfão de pai, mora com sua irmã mais nova, Luana e com a mãe. Na escola sempre gostou das aulas de arco e flecha e é considerado um exímio arqueiro. Depois de terminado os estudos, Leran pensa em trabalhar com seu avô paterno, que nas horas vagas, lhe ensina alguns truques de magia. O problema é que o uso da magia é extremamente proibido em Acigam, cidade em que vive e de onde seus cidadãos são proibidos de sair. Tudo que Leran sabe sobre o resto do mundo, conheceu através das histórias que seu avô lhe contou, quando este viajava para fora, antes do fechamento das fronteiras.

Em Acigam existem guardas especiais chamados de silenciadores. Eles fazem parte de um grupo de elite do exercito, especializado em capturar os considerados magos. Mas nada disso tinha muita importância na vida deste jovem arqueiro, ele estava feliz porque conheceu uma garota, Judra, ao qual estava se apaixonado, quando de repente seu mundo desmorona. Uma sucessão de acontecimentos levam Leran e Luana a serem perseguidos pela polícia, acarretando em sua união a rebelião dos magos contra o governo.

Em A Estrela dos Mortos, Leran e Luana conseguem fugir de Acigam e partem para procurar alguém que possa ajudar Luana a controlar os imensos poderes que a menina descobriu possuir. Logo no inicio da jornada os dois irmãos percebem que não vai ser nada fácil, pois já são atacados por caçadores de recompensa. Em contrapartida a trajetória dos dois irmãos, conhecemos Tlavi Hur, uma paladina especializada em combater as artes das trevas. Tlavi é uma estrela que representa a cura e possui grandes poderes. Quando Tlavi descobre que o culto as trevas estava ressurgindo, quase ninguém acredita nela, mas com obstinação, Tlavi luta pelo que acredita ser o certo e tenta a todo custo desvendar o mistério deste criminoso capaz de erguer as forças das trevas no território pacificado do Reino Central.

O livro é dividido em partes, onde cada uma delas é contada pela visão de um personagem, e aos poucos, o mundo de Tlavi vai se entrelaçando com o de Leran e Luana. Existem também algumas ilustrações bem legais de algumas cenas do livro.

Mas uma vez fiquei encantada com Renan, gostei da maneira como ele descreve a trama, mostrando sempre um pouco do interior dos personagens e principalmente como retrata os adolescentes, com suas atitudes curtumeiras, mesmo sendo eles uns dos heróis da história. A imaginação também rola solta, os inimigos são muito bem caracterizados e ação e adrenalina andam lado a lado nesta aventura juvenil.

"Minha fé não está em deus algum. Ela está entre os humanos. São eles que podem mudar as coisas, que escolhem fazer o bem ou fazer o mal. E, entre todos, tenho mais fé nos que se mostram amigos, pois são esses os que me fazem sentir-me em casa."

Não deixem de conhecer esta entusiasmante obra de um jovem talento nacional.


 Cortesia da Editora Novo Conceito
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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22.12.15

Confissões de Inverno [Brendan Kiely]

Ed. Arqueiro, 2015 - 224 páginas:
      À medida que sua família se desintegra, Aidan Donovan, um adolescente de 16 anos, procura consolo em estimulantes químicos, no estoque de bebidas do pai e nas atenções do padre Greg, o único adulto que realmente o escuta. O Natal chega e seu mundo entra em colapso quando ele reconhece o lado obscuro do afeto que o padre Greg lhe dedica. Enquanto tenta dar sentido à própria vida, Aidan conta com o apoio de um grupo de amigos desajustados: Josie, a garota por quem se apaixona; a rebelde e espontânea Sophie; e Mark, o carismático capitão da equipe de natação. Confissões de inverno mostra as formas pelas quais o amor pode ser usado como uma arma contra a inocência – mas também pode, nas mãos certas, restaurar a esperança e até a fé. 

Onde comprar:

Em Confissões de inverno, Brendan Kelly nos mostra um pedaço da vida de Aidan. Além do protagonista temos alguns outros personagens que têm papel fundamental na história: Temos sua mãe, que é ausente em sua criação; Elena, a empregada e por vezes substituta da mãe quando se precisa de "amor materno"; Padre Greg, amigo e o qual é chefe de uma sessão da igreja onde protagonista trabalha e Josie, Sophie e Mark, que são da mesma escola de Aidan que ao decorrer da história formam um laço de amizade.

Uma tragédia acontece e é noticiada nos jornais, porém, segundo Aidan, os jornalistas não sabem toda a história. O livro então é um flashback dos principais fatos (na visão de Aidan) que culminaram no acontecimento. Começando na ceia de Natal, ao longo do livro vemos um envolvimento do protagonista com drogas, bebidas e confusões, mas também com dramas de uma realidade bem densa que por vezes nos faz questionar se há realmente erro nas ações dele.

Narrado em primeira pessoa, o livro segue o mesmo molde de obras como "O Apanhador no Campo de Centeio","As Vantagens de Ser Invisível" e "Perdão, Leonardo Peacock" (embora sem ser tão envolvente quantos estes). Pode ser dificil de ler para alguns, mas é mais uma opção de leitura Young Adult.


 Cortesia da Editora Arqueiro
Marcus Vinicius Casoto Zeferino
Marcus Vinícius é maranhense por nascimento e capixaba por criação. Gosta de distopias, ficção cientifica, quebra-cabeças, estatísticas esportivas e café (não necessariamente nessa ordem). É professor de matemática e espera o dia em que essa disciplina será uma paixão nacional.
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21.12.15

Birman Flint e o Mistério da Pérola Negra [Sérgio Rossoni]

Ed. Chiado, 2015 - 383 páginas:
      Após mergulhar num mundo sombrio cercado por assassinos e traidores, Birman Flint depara-se com uma estranha verdade em torno de um antigo legado transformado numa maldição. A busca pelo misterioso artefato conhecido como Ra´s ah Amnui pode ser a resposta para a conspiração em torno do Czar Gatus Ronromanovich e sua família, conduzindo Flint por caminhos obscuros muito além da sua própria compreensão. Um artefato, uma estranha seita e um assassinato, todos eles interligados por algo que parece representar a chave deste misterioso enigma. Uma jóia, um objeto de rara beleza ocultando em si um passado sombrio, lançando nosso herói numa corrida contra o tempo para salvar a dinastia Ronromanovich do desastre iminente. 

Onde comprar:

Confesso que não me lembro o que me fez escolher esse livro pra resenhar, mas só posso dizer que meu sexto sentido deu um tiro certeiro ao escolhê-lo. Fiquei bem satisfeito com o que o autor Sérgio Rossoni apresentou nesse seu livro de estreia no mercado literário, afinal, temos mistérios, suspense, investigações tipo enigmas em busca de artefatos históricos, e a já conhecida guerra do bem contra o mal.

A trama é ambientada em um mundo fictício, mas o cenário, as personagens e os conflitos da região foram inspirados no Império Russo do período que vai desde 1613 até meados do Século XX. Percebemos o incrível trabalho de pesquisa realizado pelo Sérgio. Tudo está muito bem encaixado e embasado.

Um ponto bastante forte são as personagens criadas pelo autor. Cada uma tem personalidade muito bem definida. Sabemos quem são os mocinhos e quem são os vilões. Pelo menos, até agora, não cheguei a desconfiar de algum que irá “mudar de time”, mas, isso só saberemos nos próximos volumes da série.

A narração é feita em terceira pessoa, e ela não se prende apenas ao protagonista Birman Flint. Pelo contrário, somos brindados com uma visão geral dos acontecimentos. A escrita do autor é simples e de fácil entendimento, porém é rica em detalhes. Confesso que a achei descritiva demais, e não sou muito fã dessa característica. Prefiro um meio termo entre objetividade e subjetividade.

Na parte gráfica, a editora está de parabéns. A capa é bonita, e a diagramação interna é bem legal. Temos um desenho da Árvore Genealógica da família Ronromanovich e o brasão da família. Já no quesito revisão houve algumas falhas. Percebi algumas palavras trocadas e alguns erros de digitação, mas que não atrapalharam em nada no andamento da trama.

Indico para quem gosta de uma trama cheia de mistérios, aventuras e investigação do tipo enigmas, e para quem também aprecia narrativa ricamente descritiva.

Nardonio Almeida
Pernambucano, formado em Artes Cênicas e apaixonado por teatro e livros. Descobriu-se leitor depois de um empurrãozinho de uma amiga. Virginiano, pé no chão e que adora a calmaria. Leitor de quase todos os gêneros literários. Afinal, quando a trama é boa, o gênero é o que menos importa.
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18.12.15

Cyberstorm [Matthew Mather]

Ed. Aleph, 2015 - 336 páginas:
      Em meio a uma forte tensão política internacional, os Estados Unidos sofrem um grande ataque cibernético- todos os meios de comunicação começam a falhar. Ao mesmo tempo, uma forte tempestade de neve assola a cidade de Nova York, e uma possível epidemia de gripe aviária parece se aproximar. Presos na cidade e quase sem contato com o resto do mundo, os moradores de repente se veem imersos em um cenário verdadeiramente apocalíptico. Enquanto rumores e especulações correm sobre a origem desses ataques, Mike Mitchell se concentra em questões que para ele parecem mais urgentes. A crise o atingiu em um momento crítico de sua vida, complicando seus já confusos problemas pessoais e financeiros. Agora, sua prioridade é manter a família unida e viva no crescente caos que se que se forma a sua volta.

Onde comprar:

QUANTOS APOCALIPSES PODEM EXISTIR?

Quando recebi o livro já sabia que se tratava de um novo tipo de apocalipse. Já conhecemos naturalmente o apocalipse zumbi, o nuclear, a extinção por cometa, tempestade solar, etc... Mas apocalipse por CYBER TEMPESTADE???

O que é uma Cyber tempestade? O termo é novo e apenas hipotético, mas muito falado e estudado pelos países. Trata-se de um ataque direcionado a toda a rede estrutural de computadores de um país. Não é apenas a implementação de um vírus, mas um ataque pontual a estrutura cibernética de um país.

Começa com um ataque direto a estrutura logística, seguido de um ataque de lentidão da rede de computadores gerais. Com isso, o transporte de gêneros de necessidades, ficam parados. Alimentos apodrecem nos centros de distribuição antes de chegar as cidades. Não chega combustível, remédios, etc.

Depois o ataque se estende as redes de informação, derrubando celulares, TV, internet, rádios, etc. Ao retirar a comunicação, todos ficam isolados e o isolamento é pior.

Agora misture a isso os boatos. Primeiro de doenças como gripe aviária, rubéola, dengue, em níveis calamitosos, com uma quantidade de mortos além da conta. Pronto!! Essa é a receita para o caos e para que cada individuo se torne um potencial assassino para salvar seus entes queridos.

No livro CYBERSTORM, isso tudo acontece em Nova York, em meio ao Natal e na pior nevasca da história, deixando tudo o que já é muito ruim, ainda pior. Um grupo de amigos, que moram em um prédio, tomam para si, o objetivo de proteger suas famílias, das pessoas que acabam por enlouquecer.

Além dessa questão, o livro trás como pano de fundo, um debate sobre os grupos hackers existente e o controle real da internet. Algumas das questões que ele levantou foram:

- As empresas de software, quando dão algo de graça pra você, na verdade não é nada grátis, eles retiram informações de você e fica a pergunta: "Se você não paga por um produto, então você passa a ser o produto?"

- Muitas pessoas sacrificaram suas vidas para estarmos onde estamos, com a tecnologia que temos. O que precisamos de verdade: de medo, e deixar que os governos nos projetam, ou arriscar mais e ter a liberdade de decidir sobre nosso futuro? Freud já dizia que "para termos liberdade é preciso que nos tornemos responsáveis por nossos atos, por esse motivo as pessoas permitem que outras tomem decisões por elas abrindo mão de sua liberdade".

E deixo a todos uma última frase marcante do texto: "A violência... não deveria ter me surpreendido. Seres humanos eram violentos... cada um de nós só estava vivo porque nossos ancestrais tinham matado e comido outros animais, vencido todo o resto para sobreviver... éramos assassinos, matando antes de sermos mortos!" Na minha opinião, um livro muito interessante e chocante ao mesmo tempo, só prova o quanto não estamos preparados para um real "fim do mundo", mas todos os dias, construímos nosso fim!

Agradeço a todos por seguirem minhas resenhas e aproveitem para retornarem depois que lerem a série ou livro, pois gostaria muito de debater com todos vocês sobre suas opiniões. Abraços!


 Cortesia da Editora Aleph
Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
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