Todo mundo tem sempre um clássico que é referência para sua “estrada literária”. Aquele personagem que você conhece bastante, lê praticamente todos os livros do mesmo e fica esperando novas coisas acerca de sua história. Nesse caso, Sherlock Holmes é uma das minhas referências. Por ser classificado como domínio público (assim também como O Pequeno Príncipe, por exemplo), Sherlock é uma narrativa que passa por várias releituras. Com isso, tive a oportunidade de Ler
Moriarty, escrito por
Anthony Hopkins (também autor da série Alex Rider).
O autor, que é deveras fã do Sir Arthur Conan Doyle preparou uma grande história, bem entrelaçada, que se passa logo após do episódio da queda de Reichenbach (onde Sherlock e o Professor Moriarty – seu grande inimigo – lutaram na cachoeira de Reichenbach, na Suíça, culminando na morte dos dois). Veja que isso não é spoiler, pois o livro já é vendido em cima dessa premissa. Mas caso você não conheça a história desse livro inicial de Conan Doyle, não se preocupe. Logo no primeiro capítulo, nosso personagem principal faz uma grande recapitulação de tudo que aconteceu aquele dia na cachoeira.
Falando no personagem principal, temos o detetive Frederick Chase, que veio diretamente da Agência Pinkerton de Nova Iorque, seguindo uma pista sobre o Professor Moriarty e sua relação com um rei do crime americano. Em contrapartida, ao chegar a Reichenbach, ele encontra o também detetive da Scotland Yard londrina, chamado Athelney Jones, que veio à Suíça na intenção de concluir a investigação da morte do Professor Moriarty (na qual conseguiram recuperar o corpo, diferentemente de Sherlock). Logo é formada uma relação de amizade entre os dois, caricata, pois Jones é extremamente parecido com Sherlock, por quem ele tem um enorme fascínio. A partir disso, é proposto que os dois se ajudem na investigação um do outro, já que elas tomaram rumos iguais.
O livro tem um cenário digno de um livro de Conan Doyle, com perseguições de carruagens e tudo (emocionante, não?). Como disse lá em cima, a história é bem entrelaçada, nos dá uma perspectiva de Londres logo após a morte do famoso detetive particular e posso dizer que o autor acertou em cheio nas colocações, nas cenas de ação, de investigação e de mistério. É um livro feito de fã para fã. A única coisa que me incomodou um pouquinho foram os diálogos. Às vezes, algumas falas me pareciam forçadas e montadas. Mas vi que no final tudo tinha um propósito, então por favor, não desanimem se isso também pegar no pé de vocês durante a leitura.
Pelo que vi no Goodreads, esse livro é o segundo de uma série do autor, de releituras de Sherlock. Mas não se preocupem, pois não faz nenhuma diferença ler um antes do outro, pois os livros são uma espécie de antologia, cada um com sua história diferente, então um não interfere no outro. A única diferença no padrão é a cronologia. Esse primeiro que me refiro foi chamado no Brasil de “
A casa da Seda” (The House of Silk), e aqui foi publicado pela editora Zahar, para quem tiver interesse.
Moriarty é mais um livro que entra no clichê maravilhoso de “Não consigo parar de ler até chegar ao final”, e meus amigos, que final! Espero que os fãs de Sherlock também se surpreendam assim como eu me surpreendi.