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29.6.15

Enigma: Mundo Interdito [Rita Pinheiro]

Ed. Baraúna, 2014 - 298 páginas:
      "Enigma Mundo Interdito", traz a história de Johnny, que após ser salvo de um acidente de avião, se vê num mundo diferente de tudo que ele conhece. Mas, para piorar sua situação, ele não consegue se lembrar de onde veio e nem mesmo seu nome. Na luta para recuperar a memória, descobre coisas e conhece seres que acreditava não existir. E para sobreviver naquele lugar, ele precisa se desenvolver também descobrindo que o impossível não existe desde haja amor entre as pessoas e respeito à natureza. Por fim, encantado com o lugar e com sua salvadora, decide viver essa aventura, se tornando parte desse mundo. 


Onde comprar:


QUAL É O NOSSO BEM MAIS PRECIOSO?

Antes de mais nada, quero deixar claro que tive a ótima oportunidade de conversar com a escritora (Rita Pinheiro) e com isso satisfazer algumas dúvidas. Ela é uma pessoa absolutamente simpática e se mostrou bastante interessada nas minhas opiniões sobre o livro.

Enigma conta a história de Johnny, um jovem como a maioria, festeiro, irresponsável, brincalhão, etc, dono de um carisma incrível e que um dia, resolve que se tornará mais sério. Para isso, resolve fazer uma viagem para fora do Brasil e tentar a sorte em outras Américas, porém o destino se encarregou de mudar sua vida, levando-o a Enigma.

A aventura não para por ai, Johnny conhece várias pessoas, inclusive seu amor, Hera, com quem, ao longo da história, aprenderá muitas lições valiosas de vida que o transformará.

Gostei a escrita da Rita, achei bastante coesa e a história é envolvente e altamente recomendada para o público infanto-juvenil, pois ensina muitas lições como amar ao próximo, a natureza, respeitar as diferenças e o companheirismo. Leitores maduros, provavelmente não gostarão da história, pois ela apresenta uma miscelânea de personagens de universos ficcionais diferentes, o que, ao meu ver, deixa a trama com muito espaço para interpretações equivocadas.

Percebe-se também no livro, que Rita é uma escritora em evolução, e melhora sua aventura a cada novo capítulo. Descobri que a história de Johnny e Hera, continuara em outras edições, o que me deixa curioso para saber o futuro do casal.

Recomendo a leitura!

Página do livro no Facebook: https://www.facebook.com/pages/Enigma/406228062865358
Skoob: http://www.skoob.com.br/enigma-mundo-interdito-425364ed481730.html

Participe do sorteio de 1 exemplar do Livro Enigma: Mundo Interdito, válido até: 31/07/2015

a Rafflecopter giveaway

Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com

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26.6.15

Dois Garotos se Beijando [David Levithan]

Ed. Galera Record, 2015 - 224 páginas:
      Dois Garotos se Beijando - Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer. 

Onde comprar:



Harry e Craig são dois jovens, lindos, com um charme encantador. Os dois já se envolveram muito fisicamente e emocionalmente também. Eles não são verdadeiramente um casal, porém, são amigos que já ficaram e mesmo assim com toda essa situação, ainda continuam com essa linda amizade, porém ainda nutrem um sentimento talvez desconhecido, ou não. Eles convivem com o preconceito das pessoas diariamente... E é no meio de todas essas confusões que eles decidem fazer um grande desafio, ultrapassar o recorde de horas, minutos, segundos... se beijando. Smita, a melhor amiga de Craig, deixou logo sua opinião sobre isso, falando que eles eram malucos por fazerem isso... e tal, entretanto, mesmo com sua opinião dita ainda ficou do lado deles, e ajudando em tudo. Os pais de Harry também, apesar de acharem que os dois adolescentes estão expondo-se demais, deram também muito apoio.

Esse dia iriam marcar, pois ambos queriam reivindicar o preconceito, e ao mesmo tempo também queriam fazer esse grande desafio. Tudo já estava planejado e o grande momento estava prestes acontecer, planejaram o local exato, o dia, a hora... Tudo perfeitamente bem estruturado.

''Foi Craig quem sugeriu o gramado em frente há escola do ensino médio deles. Era publica, mas também familiar. A escola costumava ficar aberta nos fins de semana por um motivo ou outro: um jogo de futebol americano, um ensaio de peça de teatro, um torneio de debate. Más no gramado, eles não atrapalhariam ninguém. Havia acesso suficiente a água e eletricidade. E os Amigos saberiam onde encontrá-los ''

Quando o famoso beijo aconteceu, uma certa ansiedade contagiavam ambos, pois eles sentiam algo um por outro, porém não poderiam deixar nada atrapalhar esse recorde. Na internet, começou primeiro com umas 100 pessoas assistindo online, seus amigos compartilhavam com as pessoas e tudo iria sendo divulgado. E sem contar que também havia pessoas assentindo pessoalmente, deixando tudo mas perfeito.


O livro também fala de outros jovens, como o Avery e Ryan. Eles se conheceram em uma festa de LGBTS, um química forte começou a acontecer ali, entre eles. O que Ryan não imaginava, era que Avery nasceu em um corpo de menina, e que depois de vários tratamentos ele conseguiu chegar ao corpo que ele considerava certo.

Tem a historia dos dois namorados, Peter e Niall, eles são fofos, se amam de uma maneira linda, o amor deles contagia, a maneira como eles se tratam, os detalhes, tudo neles é verdadeiro.

Cooper é um jovem que tem relações sexuais com estranhos pela internet, uma pessoa que vive totalmente nesse mundo... ele cria vidas falsas, ele se sente bem assim, essas pessoas que ele ''conversa'', são pessoas que ele jamais ira ver na sua vida real. Depois que seus pais descobrem que ele faz isso, o seu pai (que nem sabia que ele era gay), expulsa ele de casa, e ainda quebra seu computador. Ele sai revoltado de casa e nessa ''fugida'' muitas coisas acontecem.

No livro contam também partes de historias de outros garotos, porém o foco está concentrado nesses que acabei de citar. Ao mesmo tempo que está ocorrendo o drama da vida de Cooper, também está contando a historia de Peter e Niall, Avery e Ryan, e o beijo dos dois garotos.

Bom, ouvi muita gente criticar esse livro, porém eu achei desnecessário, claro, no começo não vou negar fiquei com uma certa preguiça de ler, pela maneira como David filosofou, mas no decorrer da historia, fiquei super animada para saber como seria o fim desse garotos que só queriam viver em uma vida normal, como todas as outras pessoas. Fico indignada quando vejo pessoas com preconceitos com homossexuais, bissexuais, raça... Enfim, qualquer preconceito que a pessoa tenha me deixar totalmente irritada. O livro do David tem muito isso, essa filosofia de dizer "não" ao preconceito. O livro me encantou e muito, a capa é bem fofa, e com uma pegada despojada, o contexto é muito bom, tem sua própria personalidade, além de também ter sido inspirado em fatos reais. O livro me deixou com muita vontade de ler outros livros do David. Espero que o autor encante vocês, o tanto que ele foi capaz de fazer comigo.

Cortesia da Editora Record

Meu nome é Kátia, sou uma típica garota que amam os livros, não vive sem filmes e seriados, adora a matéria de português. É viciada em musicas, também é uma directioner assumida. sua família é seu maior tesouro de vida.

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25.6.15

O Código Perdido, Vol. 01 - Trilogia Os Atlantes [Kevin Emerson]

Kevin-Emerson
Ed. Leya, 2015 - 352 páginas:
      Em “O código perdido”, primeiro volume desta distopia, Owen Parker precisa desvendar os mistérios que cercam sua descendência para evitar a aniquilação total da raça humana. Ele contará com a ajuda de Lily, uma garota tão encantadora quanto misteriosa, para entender o que está por trás de seu código genético e salvar o planeta Terra, devastado por mudanças climáticas. Para isso, ele precisará escapar do interesse da Corporação Éden nos seus conhecimentos ancestrais e fugir para o deserto pós-apocalíptico fora do domo do Éden.  



Onde comprar:




O Código Perdido é um livro voltado para o público Jovem onde o autor Kevin Emerson usou de suas experiências passadas no acampamento de férias na sua juventude para criar o jovem Owen Parker, o protagonista desta trama de aventura e mistério, que tenho certeza, irá cativar este público, pois mesmo eu, já adulta, fiquei ligada na história.

Owen é um jovem adolescente comum, com os mesmos problemas que angustiam todos nesta idade, se acha magro demais, fraco demais e ignorado pelas meninas. E tudo só piora quando é enviado para um acampamento de férias, onde sempre impera um clima hostil, os meninos mais fortes querem subjugar os mais fracos, com brincadeiras desagradáveis e desnecessárias. Owen acredita que até tem sorte, pois faz parte da turma dos invisíveis e só é ignorado e não maltratado como outros meninos pela gangue do "Sanguessuga", considerado o rei do lugar.

Tudo é muito parecido com o mundo em que vivemos se não fosse por um detalhe, Owen vive num mundo pós-apocalíptico, que devido a várias explosões solares, os seres humanos são obrigados a viver embaixo da terra, ou para alguns privilegiados, em Domos que simulam a natureza como ela era antes da Grande Ascensão, época em que o aquecimento global e as mudanças climáticas saíram de controle e as temperaturas exorbitantes e o esgotamento selvagem da camada de ozônio transformaram a maior parte da América do Norte em deserto. 

E o acampamento Éden é um destes Domos, fazendo de Owen um jovem sortudo, por ter a chance de passar suas férias lá. Mas logo no primeiro dia, querendo ser notado por Lilly, a bonita monitora do lugar, Owen participa de uma competição de natação e quase morre afogado. Lilly acaba salvando-o, mas algo de muito estranho aconteceu neste afogamento e Lilly alerta Owen para não confiar em ninguém.

"Eu me voltei para Lilly. Seu olhar ainda estava estranho... Então ela se abaixou depressa.
- Não importa o que aconteça nos próximos dias, não conte nada para eles. Ainda mais sobre o tempo que você ficou lá em baixo."

O Acampamento é uma verdadeira redoma, que Owen logo percebe ser rodeada de mistérios e mentiras. Coisas importantes e perigosas estão acontecendo, que colocam o acampamento e, talvez o próprio mundo, em perigo. E Owen em meio aos seus problemas de adaptação, paixonite pela garota mais bonita do lugar e transformações inimagináveis no seu corpo, descobre que é muito mais do que pensa ser, e mesmo sem querer, acaba se tornando numa das peças chaves para a salvação do mundo.

A leitura é envolvente e inteligente, recheada de surpresas e mistérios. É uma aventura que envolve adolescentes com guelras em um acampamento de verão com borboletas robóticas dentro de um domo que fica em cima de templo de dez mil anos de idade, enfim, contém todos os ingredientes que tornam a leitura ideal para os fãs do gênero.

Cortesia da Editora Leya

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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24.6.15

Pretérito Imperfeito [Gustavo Araujo]

Ed. Caligo, 2015 - 286 páginas:
      "Gustavo Araujo procura, com êxito, combinar numa só pancada a sobriedade do realismo barretiano com a habilidosa e visionária vocação dos autores contemporâneos. Em meio a isso tudo, Toninho, o menino de gênio doce, conduz o leitor pelas memórias mais ternas da infância. Que cheiram a café melado e pão com manteiga, com textura de muro áspero que esfola o joelho, deliciosas como o primeiro amor. E do tamanho da dor - a mais pura e sincera dor. Pretérito Imperfeito é a prova de que a alma dos clássicos não envelhece.


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A reconstrução do tempo 

Podemos dizer que uma das personagens deste livro é o próprio tempo, na voz de Caetano:
    “E quando eu tiver saído / Para fora do teu círculo / Tempo, tempo, tempo, tempo /
    Não serei nem terás sido / Tempo, tempo, tempo, tempo
    Ainda assim acredito / Ser possível reunirmo-nos / Tempo, tempo, tempo, tempo /
    Num outro nível de vínculo / Tempo, tempo, tempo, tempo”
No Brasil, o realismo fantástico ou realismo mágico é quase uma lacuna, tem em Murilo Rubião e José J.Veiga seus maiores expoentes, hoje em dia pouco divulgados. Seríamos nós um povo de memória curta? É necessário um mea-culpa nacional, com urgência.

Enquanto lançamos nossos autores no esquecimento, nossos vizinhos hermanos provocam com o genial Jorge Luís Borges, os colombianos conclamam Gabriel Garcia Márquez, os peruanos alardeiam Mario Vargas Llosa. Isto só para ficar entre os mais badalados.

O que dizer então da literatura nacional contemporânea, em que os gêneros nem são assim tão estanques? Tudo se mistura numa fusão de cores vibrantes, estilos e ritmos dissonantes. Nesta nova vertente fantástico-realista é que vislumbro Gustavo Araujo, possuidor de palavras tão simples e belas que nos remete a recordações e memórias afetivas que nos são muito caras.

Pretérito imperfeito (Caligo, 286 páginas) já entrou para meu rol de livros inesquecíveis. Um início de leitura despretensioso, sem frases bombásticas, dessas que me deixariam congelado, foi me tomando de assalto em sua simplicidade e me encheu de algo semelhante ao deslumbramento, estou encantado.

O livro conta a história do garoto Toninho e sua amiga Cecília, do desdobramento desta amizade em algo mais consistente. Entre os dois, Pedro Vieira, pai de Toninho, personalidade controversa, torturador arrependido purgando seus pecados.

O passado de Pedro, ou melhor, Sgt.Vieira, insiste em retornar para assombrá-lo, imiscuindo-se no presente de tal maneira que o tempo é fatalmente desorientado, o que redunda na reconstrução do tempo, um novo tempo, um tempo mágico, fantástico. Passado e presente encontram-se em um “lugar especial”, ponto de encontro de Toninho e Cecília.

Como diria Rubem Alves: “Todo mundo gostaria de se mudar para um lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar”. A coragem e a inconsequência de Toninho consegue transportá-lo para lá, a impetuosidade e a inteligência de Cecília também. Pedro precisará encontrar o seu caminho, superar a perda de seu amor e os fantasmas de suas vítimas, sob pena de perder-se de seu filho. Mas como fugir de si mesmo e do passado que o persegue? Haverá alternativas, rotas de fuga?

Toninho é um garoto ridicularizado por seus colegas de escola. A cada leitura em sala de aula, o vexame e a vergonha que o fazem gaguejar:
    “... Toninho fechou o livro e se sentou. Sentiu vontade de quebrar a cara daquele garoto idiota. De dizer umas verdades à professora. Queria gritar na cara dela, perguntar-lhe se sentia prazer em fazê-lo passar por aquele sofrimento toda santa aula... ele apenas abaixou a cabeça e apoiou a testa com uma das mãos...”
Volta para casa e não encontra em seu pai, Pedro, um ponto de apoio. Não há um abraço amigo, um consolo paternal. O silêncio é o inferno, uma barreira intransponível feita de concreto e amargura. A relação entre eles é calcada na falta de contato, de tato, de carinho.

Seu único prazer é sair de casa com sua bicicleta rumo a seu “lugar especial”, observar passarinhos. E é neste lugar que um belo dia Cecília aparece, ou seria Mariana? O nome importa menos, o que realmente importa é que deste encontro surge a amizade, o desejo de estar juntos.
    “... era voluntariosa, espevitada, petulante – parecia sempre pronta a provocá-lo. E às vezes fazia isso de modo evidentemente manipulador, difícil de resistir. Talvez fosse por causa daqueles olhos castanhos enormes que ao mesmo tempo o assustavam e desafiavam... Estar com ela era experimentar a serenidade, mas também era sujeitar-se ao desconforto, às exigências que ela fazia para que ele vencesse suas dificuldades.”
Ali há a descoberta da satisfação que o ato de ler traz. A felicidade de aprender ou de se observar inserido no enredo. Para descobrir o que somos, é preciso descobrir aquilo que não somos. A leitura nos propicia tal inferência sem que nos machuquemos de verdade. Isso aconteceu comigo lendo Pretérito imperfeito, era como se estivesse olhando fixamente o espelho, mirando-me, descobrindo minhas imperfeições, sendo que esta visão especular se mostra a serviço de algo maior, que vamos reconhecendo lentamente:
    “Pensando agora, percebo a obviedade dessa receita. O que faz da leitura algo tão prazeroso é justamente imaginar a cena, as pessoas, as vontades, enfim, enxergar a si mesmo, identificar-se com as situações descritas...”
É engraçado como a literatura é feita de ciclos e retomadas. E é neste contexto que percebemos o quão próximos estão Marguerite Duras e José Saramago (em épocas totalmente distintas) de Gustavo Araujo. Não no conteúdo ou mesmo na forma, ambos herméticos naqueles, mas na similaridade de uma escrita emocional e catártica. Sentimo-nos desnudados.

Como se não bastasse, o passado de Pedro Vieira está repleto de personalidades históricas que se fundem à trama ficcional, algo que me apetece e sempre me faz mergulhar desvairadamente na busca de dados pelo Google.

Uma foto revela um sr.Pedro desconhecido para Toninho, que na verdade jamais conheceu o pai. No caso, uma foto de “Sgt.Vieira”, ao lado de Filinto Müller, o temido chefe da Delegacia Especial de Segurança Política e Social e seus asseclas – Cap.Teixeira, Cap.Miranda, Ten.Romano, Tem.Kruel – , definidos pelo repórter David Nasser, no livro “Falta alguém em Nuremberg”, como recrutados do Exército, indivíduos cujo servilismo ao governo e brutalidade com os presos contribuíram para as violações dos direitos humanos ocorridas na época.

Todos estes existiram realmente, com Filinto Müller à frente da chefia de polícia. Por diversas vezes foi acusado de promover prisões arbitrárias e utilizar-se da tortura no trato aos prisioneiros. Ganhou repercussão internacional o caso da judia alemã Olga Benário, militante comunista e mulher de Luís Carlos Prestes, que por sua ordem foi deportada para um campo de concentração nazista na Alemanha, onde foi executada em 1942.

O livro é repleto de mensagens subliminares querendo tocar meu passado, jogando com o menino que fui ou ainda sou, não sei. Afinal, somos frutos das escolhas que fazemos desde a infância, vamos nos moldando com cada acontecimento, cada estrada escolhida, cada caminho tomado.

Toninho, elo de ligação entre os três, deverá descobrir quem é Cecília. Esta, quem e onde está seu pai. E Pedro, quem de fato é ele próprio. E todos terão que encontrar, em si mesmos, força para tal revelação.

Este é um dos livros mais lindos que li neste ano, além de emotivo, romântico e poético. Grata surpresa! Gustavo Araujo, seja bem-vindo ao universo literário, bem-vindo ao meu mundo que parecia tão somente meu e que você tão bem soube despir. Como é bom ler um livro e se sentir redimido, redivivo, rejuvenescido. Por tudo isso e tantas outras coisas mais, agradeço de coração à Bia Machado, coração e mente da Editora Caligo, por me presentear com um livro tão “especial” (desculpem-me a redundância). Então segure minhas mãos e vamos saltar:
    “Com um leve impulso saltaram. Um salto que durou para sempre.”
Frases como esta são imortais, atemporais. Livro altamente recomendado!


Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
23.6.15

A Mais Pura Verdade [Dan Gemeinhart]

Dan Gemeinhart
Ed. Novo Conceito, 2015 - 224 páginas:
      Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha. Mas, em certo sentido - um sentido muito importante , Mark não tem nada a ver com as outras crianças. Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram. Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier.Nem que seja a última coisa que ele faça. A Mais Pura Verdade é uma história preciosa e surpreendente sobre grandes questões, pequenos momentos e uma jornada inacreditável.  

Onde comprar:

Esse livro conta uma historia de superação diferente, onde o personagem principal, um menino chamado Mark e seu cachorro Beau embarcam em uma aventura que poucos teriam coragem de encarar. E quando Mark foge de casa ninguém entende o que o motiva, ou sua amiga Jessie saiba, mais ainda não tenha ligado os pontos. Jessie é amiga de Mark desde sempre e ela é a única que sabe todos os segredos de Mark e a única em quem ele confia para guardar esse ultimo segredo, o que ele não sabe é se ela será capaz de manter esse segredo até que termine a sua jornada.

Mark planeja sua fuga com muito esmero, treina Beau, seu cão que tem um olho de cada cor, compra as passagens de trem (só de ida), e só leva sua maquina fotográfica, seu caderno, seus remédios, algumas frutas e barrinhas de cereal. É o que se precisa, ou o que ele acha que precisa para escalar o topo do Monte Rainier. Entre a revolta e a dor, ele vira as costas para tudo que conhece e pega a estrada.

São 423 km para chegar ao seu destino, e ele segue registrando e anotando eventuais ocorridos da sua jornada, e descobre o mundo como realmente é, como as pessoas podem ser boas e também terríveis e que não se pode lutar contra a mãe natureza. E o mais importante que é a amizade e lealdade de seu cão que o segue mesmo aterrorizado é maior do que ele imaginava.

Uma historia para chorar e torcer e mostrar outros lados da verdade.

Cortesia da Editora Novo Conceito

Guarapariense, gastrônoma e apaixonada por todos os tipo de arte. Ler é uma forma de escape prazeroso da nossa realidade. Assim como as comidas que cozinho me alimentam o corpo, os livros alimentam minha alma.

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22.6.15

O Pacto [Joe Hill]

Ed. Sextante, 2010 - 319 páginas:
      Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.  

Onde comprar:

AS COISAS BOAS SURGIRAM PARA FACILITAR O PECADO?

O que você faria se, ao acordar, depois de uma tremenda bebedeira, percebesse que tem um par de chifres?

E se percebesse que estes chifres lhe conferiam o estranho poder de fazer as pessoas lhe contarem as verdades e desejos mais sórdidos?

Esta é a história de Ignatius Perrish. Culpado injustamente pelo estupro e assassinato da mulher da sua vida, não há como comprovar sua inocência ou sua culpa. Um ano depois da morte de Merrin, ele deixou de acreditar em Deus, e um dia, acordou com um par de chifres na cabeça e ouvindo a verdade de todas as pessoas, inclusive de seus pais.

A trama é muito envolvente e o que deveria ser um livro de terror, torna-se muito interessante e muitas vezes divertido. O texto tem muitas referências criticas a religião, o que, a meu ver, tornou a história absolutamente genial.

O autor Joe Hill é filho de Stephen King, nada mais que o mestre do terror. Não vi qualquer comparação entre os dois, mas posso dizer que o filho herdou realmente o talento do pai para escrever livros que nos envolvem na trama e nos faz esperar, até o final, todas as reviravoltas assustadoras que vão ocorrer.

Uma passagem me chamou especial atenção: "Desde o início, o Diabo e as mulheres se uniram contra Deus, desde quando Satanás, na forma de uma serpente, se aproximou do primeiro homem e sussurrou no ouvido de Adão que a verdadeira felicidade não estava nas preces, mas sim (no meio das pernas) de Eva". Tomei a liberdade de trocar o termo do livro por "no meio das pernas", pra não inserir um palavrão na resenha.

Se você imagina que de alguma forma esse livro é previsível, sinto lhe informar: Esse livro é maravilhoso e repleto de surpresas incríveis.

Recomendo completamente

Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com

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19.6.15

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte VIII - Demônio



Engenharia Reversa


Parte VIII- Demônio


A massificação do uso do CND nas cidades-estado e nos países membros da GFA possibilitou uma verdadeira revolução nos meios de comunicação e na forma como as pessoas interagem com eles. Milhares de "canais" com os mais variados conteúdos são criados a cada dia, alguns mantidos por indivíduos ou pequenos coletivos, outros são remanescestes bio-digitais dos antigos impérios midiáticos.

Os grandes canais voltados para as notícias foram oficializados, e alguns passaram a ser controlados pelo Estado corporativo, ou seja, o conselho de segurança da GFA. Certas transmissões, classificadas como de suma importância, são enviadas automaticamente para todos os CND's, e entram no ar no instante em que o usuário ativa seu sistema.

Apesar do uso ser obrigatório, muitas pessoas escolhem operar o CND apenas por poucas horas ao dia, e outros, mais radicais, quase nunca ativam seus bio-computadores, preferindo os meios mais tradicionais de comunicação, que ainda persistem. Devido a esse e a outros fatores, as autoridades instalaram vários mega-monitores pelas ruas das cidades-estado, que transmitem informações sobre o clima, eventos esportivos e, principalmente, comunicados do governo e notícias relevantes.

O maior monitor em Vix fica localizado na Praça do Papa, flutuando a quarenta metros do chão, que é um grande parque verde repleto de jardins e agraciado com uma lagoa ao centro, artificial, mas de águas transparentes e repleta de peixes ornamentais

O parque é delimitado por imensos arranha-céus e passarelas suspensas, com extensões que descem até ele. Muitas pessoas ocupam as passarelas, e o monitor foi posicionado de tal forma que seja visível tanto por quem trafega pela passarelas quanto para os que estão no parque.

Nesse exato momento, 16:40 da tarde, o local está repleto de cidadãos, muitos dos quais no espaço verde, apreciando a natureza sentados nos bancos na beira da lagoa e saboreando doces diversos, vendidos ali mesmo.

O telão exibe uma entrevista com um famoso ator local, algo já corriqueiro. Então, subitamente, as imagens são interrompidas, atraíndo a atenção de todos. Após a vinheta da RGC, o canal que detém os direitos daquele monitor, cenas de um sangrento combate são exibidas, deixando os expectadores ansiosos. Em seguida, a tela é dividida em duas partes, tendo na primeira, a esquerda de quem assiste, a figura de um conhecido jornalista local, a outra tela prossegue exibindo cenas de violência desmedida: homens armados atirando a esmo contra seguranças da VNR e em um flymob de transporte, claramente uma ambulância. Visivelmente transtornado, o homem começa a gritar:

- Terroristas! - seus olhos fixos na câmera, de forma e confrontar os expectadores, a expressão conturbada, a voz de trovão, tudo minuciosamente feito para impactar ainda mais os expectadores.

Nos CND's, todas as transmissões foram interrompidas, exibindo a mesma cena grotesca. O homem se contém, e agora assume uma expressão mais severa:

- Nossa cidade foi brutalmente atacada! Um grupo de assassinos, chefiados por um tal de Maestro, e, pasmem, com a ajuda do Coveiro, um conhecido caçador de recompensas que muitos pensavam estar do nosso lado, atacou covardemente um transporte médico da VNR, matou vários agentes - ele faz uma pausa, põe mais ênfase na voz - pais de família! Para em seguida, sequestrar uma uma mulher inocente, uma executiva acometida de uma grave doença, que estava sendo transportada para um hospital europeu, o único que poderia salvá-la. Covardes!

Imagens de Maestro disparando contra Amanda, do Coveiro matando violentamente um dos agentes, e de Jonas abrindo fogo contra o transporte, são exibidas em repetição. Em seguida, fotos de Davi e de Thiago Klein são apresentadas e marcadas como "cúmplices", várias imagens e videos de Bel aparecem, ela é classificada como vítima e refém.

As cenas brutais de violência, exibidas constantemente e sem cortes, impressionam, chocam os transeuntes. Imagens das famílias dos agentes mortos, suas esposas, seus filhos, intercalam a transmissão provocando ainda mais comoção nos expectadores.

A logomarca da UNI-Tron aparece, e então Daniel Schiavam, tenente-diretor da força policial em Vix, surge na tela. Sério, impecável em seu traje oficial, o homem de cabelos brancos e traços duros assume a palavra.

- Caros cidadãos, um ataque sem precedentes aconteceu ainda pouco em nossa pacata cidade, mas eu lhes asseguro que todas as forças da UNI-Tron estão empenhadas em capturar esses assassinos e resgatar a jovem executiva capturada por eles. Não vamos descansar até que nossa missão seja findada. Por hora, peço a todos que evitem a região de Alta Santa Maria, pois nossas forças estão nesse exato momento perseguindo os anarquistas naquele local. Além disso, estamos decretando oficialmente toque de recolher, que entrará em vigor as vinte e duas horas de hoje.

Logo o apresentador aparece novamente, dessa vez, ele muda o tom de voz, ficando mais cordial, e dirige a palavra para o tenente:

- Mas senhor comandante, o que esses terroristas queriam atacando uma nave desarmada? E como eles conseguiram tal proeza? E mais importante ainda: Porque uma nave hospitalar, sem armamentos ou carga valiosa?

Prontamente, como se já tivesse a resposta na ponta da língua, Daniel responde:

- São terroristas, João Paulo, terroristas! Suspeitamos que eles estejam a serviço de forças externas à cidade, talvez até mesmo trabalhem para os brasileiros. Certamente estão atrás do CND da executiva, querem as senhas de acesso dos servidores do sistema de defesa da cidade.

- Como assim do sistema de defesa?

O tenente se mostra um pouco embaraçado, espera alguns segundos e então responde.

- Bem, não é segredo para ninguém que a corporação VNR administra os servidores da UNI-Tron...

- Entendo, tenente. Mas então estamos correndo um risco altíssimo, já que esses terroristas escaparam levando a moça junto!

O tenente Daniel fecha ainda mais a cara, olha fixo para a câmera, fica de pé, assumindo uma postura altiva:

- Não vamos descansar até capturar o último dos terroristas. Eu lhes dou minha palavra que Vix não vai sucumbir ao terror! Além do quê, a VNR nos garantiu que todos os seus executivos usam o bio-programa defensivo conhecido como Biocrom, impossível de ser vencido!

João faz mais algumas perguntas ao tenente, porém, a população fica em polvorosa. O pânico se espalha rapidamente. A cidade poderia ficar vulnerável as gangues criminosas que se escondiam nas Zonas de Exclusão, ou pior, poderia ser atacada sem trégua pelas milícias armadas que ainda ocupavam os territórios sem lei entre as cidades-estado.

No mesmo instante em que o tenente fala, centenas de flymobs da UNI-Tron, praticamente todo o efetivo da força, começam a preencher os céus da metrópole, cortando de norte a sul os eixos de cidade, tentando passar segurança para população. Outros milhares de policiais em motos-áreas surgem mais rente ao chão, entrando em ruelas e lugares de difícil acesso.

Mas muitos não acreditaram no que estava acontecendo, pois desde a guerra revolucionária, quando Vitória assinou o acordo de proteção com as Corporações Globais, não haviam decretado um único toque de recolher.

A figura do tenente se desfaz, voltando à frente o nervoso jornalista e as cenas da carnificina. Então, a imagem de uma repórter de campo, ao vivo, direto do local do ataque, é exibida em metade da tela. A mulher veste um traje de corpo inteiro, protegido em várias partes, com a logomarca da RGC bem visível no peito, e apesar da roupa reforçada, ela está bem maquiada e com os cabelos tratados, bastante atraente, é uma das principais repórteres da emissora. Na parte de baixo da tela, a frase "Rebeca Santos ao vivo da zona de guerra" aparece repetidamente durante a transmissão.

Ao seu lado, uma figura bizarra é o seu completo oposto estético: Um homem idoso, imundo, vestido com trapos rasgados repletos de restos de circuitos enferrujados, sujeira por toda a pele, que se apresenta enrijecida, castigada pelo sol. Os cabelos crespos acinzentados envolvem sua cabeça em um blackpower selvagem. Ele possui no rosto várias tatuagens em cor azul, que formam símbolos estranhos, lembrando a escrita árabe; no pescoço, um colar preteado com um pingente semelhante a um olho se destaca no conjunto, atraindo o foco dos milhares que acompanham a transmissão, mas no final, o mendigo é a personificação da pobreza, o avatar da miséria. A repórter, visivelmente incomodada, se afasta um pouco do homem. Ela olha para o drone-câmera que flutua em sua frente:

- Estamos aqui ao vivo do Campo do Nascente, na zona norte, onde ainda a pouco um transporte da VNR foi interceptado por um grupo de terroristas fortemente armados. João, esse senhor aqui ao meu lado alega ter visto tudo de perto, ele tem mais detalhes sobre o que aconteceu.

A repórter estica o braço, levando o microfone bem próximo da boca do sujeito, que arregala os olhos, como se estivesse intimidado pelo drone. Não diz nada durante prolongados segundos, a jornalista, um pouco constrangida, o indaga:

- Senhor... Senhor? Diga para a gente, o que o senhor viu?

O velho parece estar em transe, ele continua encarando a câmera, então, toma uma espécie de susto, piscando os olhos e sacudindo a cabeça; ergue um braço e aponta o dedo em direção a lente da câmera flutuante, Rebeca olha para o drone, exibe um sorriso envergonhado. A boca do velho finalmente se move, e com uma voz rouca, quase fantasmagórica, as palavras são pronunciadas:

- O demônio está solto! E ela vai pegar cada um de vocês, ela vai se vingar. Brincar de Deus tem um preço, homens do leste, e o de vocês não será barato!

A transmissão ao vivo é abruptamente interrompida. João, o jornalista que está no estúdio, aparece com uma cara perplexa, mas rapidamente ele volta para sua costumeira postura.

- Senhores expectadores, mil desculpas... tivemos alguns problemas técnicos com a transmissão da Rebeca...

Ele dá mais algumas explicações, muda de assunto, e logo as imagens do ataque voltam a ser exibidas, em seguira, a gravação do pronunciamento do tenente Daniel é novamente exibida.

Ainda mais assustadas, as pessoas pelas ruas, nos escritórios, nas fábricas e residências começam a se perguntar quem era aquele mendigo, o que ele estava dizendo afinal? Que delírio seria aquele? Quem ou o quê era o tal "demônio"? A Hypernet, a rede de informações mundial e interplanetária, é inundada por posts e mais posts comentando o ataque e tentando decifrar quem era o misterioso velho e o quê suas palavras significavam.

***

Na muito bem protegida e tecnológica sede da VNR, Masayoshi-Tono cerra os punhos. Ele desliga seu CND cortando a transmissão da RGC. Quase que imediatamente, uma série de mensagens surge em um grande monitor na parede da arrojada sala em que ele se encontra, todas provenientes da Europa e do Japão, todas originadas de seus superiores.

Ele havia apostado alto em usar Bel como isca, agora teria que assumir toda a responsabilidade por perder a bio-computador, sua última chance de recuperar a preciosa bio-máquinas da corporação era a chefe da segurança, todas as suas fichas estavam depositadas em Amanda Makarim.

As mensagens são automaticamente abertas e exibidas, em todas elas, uma única frase se destaca em letras vermelhas fosforescentes em um fundo negro: 48 horas.

Masayoshi começa a suar frio, sente o coração acelerar. Ele contacta Amanda.

- Makarim, você tem 48 horas para recuperar a EBC 25, nem mais, nem menos. Estou autorizando o uso das armas inteligentes, seu perfil agora tem acesso total ao projeto Hórus.

Perto dali, a Rainha de Fogo está prestes a embarcar em uma moderna nave de combate da VNR, um novo modelo. Escoltada por uma nova equipe tática, ela recebe a mensagem do superior e, indiferente, não a responde, apenas entra no veículo. Mas por dentro, Amanda é somente fúria, raiva, sentimentos impulsionados por um desejo de vingança. Tudo que ainda é humano em seu corpo anseia pelo castigo daqueles que mataram seus homens e quase a destruíram.

Do outro lado da linha, Masayoshi sabe que Amanda o ouviu, ele conclui a transmissão:

- Não existe espaço para falhas, Amanda. Conto com você.

Minutos antes da nave decolar, uma equipe de técnicos entra no veículo trazendo duas caixas de metal, em uma delas, a maior, seis rifles de última geração, proeminentes do projeto Hórus, são entregues aos agentes. Da caixa menor, um pequeno aparelho semelhante a uma tiara, com um design bastante sofisticado, é retirado e entregue a Amanda, que prontamente o coloca em sua cabeça. Em seguida, os técnicos pegam duas braçadeiras prateadas, que possuem o mesmo design da tiara; cuidadosamente, eles posicionam os artefatos nos braços de Amanda, para logo em seguida fixá-los na nova armadura. Os motores da nave são iniciados, o grupo de técnicos desce correndo, a rampa na parte de baixo do veículo se fecha. Em instantes o flymob decola, assumindo uma trajetória vertical para então projetar-se para fora do hangar. Outras duas naves, menores e mais parecidas com caças de combate, ladeiam o transporte de Amanda. As três aeronaves assumem uma formação de combate, com a nave da Rainha de Fogo à frente, então aceleram, desaparecendo no horizonte de arranha-céus. Na mente de Amanda, a maior certeza é que essa será uma missão de vida ou morte, pois ela não pretende retornar sem Bel Yagami, a executiva bio-computador, e sem exterminar, sumariamente, Maestro e seus comparsas.

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Aspirante a escritor, inquieto por natureza, ainda tenho vontade de mudar o mundo ou pelo menos colocar um monte de gente para pensar. Viciado em livros, games, idéias loucas e sempre procurando coisas que desafiem minha imaginação.
18.6.15

Dia 21, Vol. 2 - THE 100 [Kass Morgan]

Kass Morgan
Ed. Galera Record, 2015 - 288 páginas:
      Vinte e um dias se passaram desde que os cem escolhidos chegaram à Terra com a missão de recolonizar o planeta, e até agora não há nenhum sinal da Colônia. Eles acreditam ser os únicos humanos em solo terrestre, porém uma descoberta aterrorizante ameaça os novos colonos. Diante de um inimigo desconhecido, Wells assume a liderança, se esforçando para manter o grupo unido e Clarke vai à procura de outros sobreviventes. Octavia continua desaparecida e Bellamy está determinado a encontrá-la a todo custo. Enquanto isso, nas naves, a situação é bastante crítica. O oxigênio está acabando em Walden, e Glass e Luke criam um plano para entrar em Phoenix ilegalmente. Mas, mesmo que funcione, a solução é apenas temporária e a sobrevivência da Colônia está ameaçada. Em Dia 21, a sobrevivência atinge um novo patamar. À medida que os segredos impensáveis são revelados, os cem percebem que tudo aquilo em que acreditavam era mentira. 

Onde comprar:

Como fã assumido da série, minha ansiedade por Dia 21 não poderia ser maior. Desde o primeiro episódio da adaptação televisiva, The 100 me conquistou e prendeu, causando uma mistura de emoções. Raiva, surpresa, admiração pelos personagens e curiosidade me consumiam a cada momento que assistia a série tão bem aclamada pelos fãs. E, não para a minha surpresa, com o livro o mesmo aconteceu. Sabe aquele livro que você tem certeza de que vai amar mesmo antes de sequer começar a ler?

Uma terrível guerra nuclear exterminou a humanidade, e os sobreviventes passaram a viver no espaço, em uma nave chamada Arca, onde nenhum crime passa despercebido, e até mesmo a mínima infração causará a morte de quem quer se esteja atrapalhando a evolução da raça humana perante o conselho.

Cem jovens enviados á terra após mais de 300 anos no espaço. Isso é, basicamente, sobre oque a trilogia fala. Cem jovens criminosos e abandonados por seu lar em uma missão considerada suicida a um planeta que, para eles, é desconhecido. Suicida, pois a Terra é considerada tóxica, radioativa, e desconhecida, pois, bom, ninguém a habita á séculos, (ou era isso que eles acreditavam). Agora, sem comunicação e contato nenhum com sua família, amigos e governo, eles tem que encarar seus medos e seus inimigos na terra que eles sempre sonharam habitar.

Em Dia 21 é mais abordando o ambiente dentro da Arca, com Glass lutando para salvar a vida de sua mãe e de seu namorado, Luke. Nas naves, a situação é crítica. O oxigênio se torna cada vez mais escasso, e em breve, toda a população deverá ser enviada á Terra, como os 100, mesmo sem a certeza de que é segura ou até mesmo habitável. O ponto é que: não há lugar para todo mundo nos módulos de transporte para a Terra, o que causa o total pânico e terror em toda a nave.

Com Clarke, Bellamy e Wells, vemos o ponto de vista dos jovens após descobrirem que não estavam sozinhos na Terra, e eles passam grande parte do livro se perguntando como alguém sobreviveu à uma guerra que, segundo todos que conheciam, exterminou qualquer um que respirava oxigênio terrestre. Até que suas perguntas são respondidas quando eles capturam um dos "terráqueos" que estavam supostamente os atacando. Esse terráqueo capturado é na verdade uma garota, uma jovem chamada Sasha, que conquista Clarke e Wells, mas mantém todos os outros habitantes, e até mesmo os leitores, desconfiados. Pois não dá para saber se a personagem é quem diz ser, não dá para saber se podemos realmente confiar nela, mesmo após "provas" de que Sasha é realmente a mocinha da história.

A narrativa é simples, compartilhada em terceira pessoa entre seus 4 protagonistas (Clarke, Wells, Bellamy, Glass). Não é daquelas que cansam de tanto enrolar e de tantas partes desnecessárias. Manteve-me preso na leitura e fez o papel que um livro em minha opinião tem que fazer: entreter, emocionar e mexer com o leitor.

Como uma trama pós-apocalíptica, o livro contém, sim, seus mistérios e momentos de ação, porém são bem poucos. A autora preferiu focar nos conflitos internos de cada personagem, desvendando seus passados e determinando seu futuro. Na série de tv também acontece isso, porém de uma maneira mais suave, e apresentando mais ação e perigo.

Resumindo, Dia 21 conseguiu superar seu antecessor, The 100, e me fez ainda mais ansioso para o terceiro livro da série, e para a  terceira temporada da adaptação televisiva, que tem suas diferenças, tanto em relação aos personagens, quanto em relação a trama e ao desenvolvimento dela. Diferenças que são vistas em qualquer adaptação, mas que não tiram o brilho nem do livro e nem da série. Se você gosta de um clima apocalíptico, ou até mesmo distópico, pare o que está fazendo e procure saber mais sobre The 100. Eu fiz isso e não me arrependi.

Estudante carioca de 14 anos apaixonado por livros e por séries de TV. Li 23 livros em 4 meses de 2014 e 24 em 2013. Membro da Franqueza em Divergente, morador do Distrito 12 em Jogos Vorazes, Moroi em Academia de Vampiros e Caçador de Sombras em Os Instrumentos Mortais.

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17.6.15

Entrega, Vol. 3 - Trilogia Sr. Estranho [J. C. Reed]

J. C. Reed
Ed. Única, 2014 - 288 páginas:
      Brooke Stewart pode dizer que já viveu uma verdadeira montanha-russa de sentimentos desde que conheceu Jett, o homem mais envolvente e arriscado de sua vida. Como agente imobiliária workaholic em Nova York, ela não havia conhecido o amor até cruzar com os olhos verdes que lhe tiraram o bom senso: alto, sexy e arrogante, Jett era tudo aquilo do qual ela havia jurado ficar longe. Jett Mayfield sabe que finalmente encontrou alguém capaz de envolvê-lo e desafiá-lo no momento em que coloca os olhos em Brooke, e não mede esforços para mantê-la em sua vida... e em sua cama. O futuro parece maravilhoso, mas quando o passado começa a persegui-los é preciso fazer escolhas difíceis. Salvar a quem se ama significa se despir de limites.  


Onde comprar:


Entrega é o terceiro e último livro da Trilogia Sr. Estranho da autora J. C. Reed. Depois do final surpreendente de Conquista, onde um fato muda a vida de Brooke e Jett, o casal deseja manter uma relação de confiança, sem segredos, mas alguns mistérios ainda terão que ser desvendados sobre a propriedade Lucazzone, que Brooke está prestes a herdar, localizada na Itália, mistérios que colocam a vida de Brooke em perigo. Jett deseja protege-la, mas primeiro precisa descobrir contra quem está lutando.

E Brooke precisa acreditar que é merecedora de todo o amor de Jett, pois viver achando que ele a trocaria por outra mulher, mais bonita e mais adequada ao status social e ao estilo de vida dele não é uma opção que lhe agrada. E mesmo estando morando no apartamento de Jett, ela sabe que pouco conhece sobre o passado de seu namorado.

Mas Jett precisa recorrer ao seu passado para salvar a vida de Brooke, o que permite a ela conhecer o lado escuro que ele esconde. Jett teme perder o amor de Brooke quando ela finalmente souber quem ele foi e tudo que fez.

"- Aqueles que você está prestes a conhecer eu costumava chamar de amigos. Alguns deles ainda são, mas não confie neles até que o diga." 

J. C. Reed fecha sua trilogia com chave de ouro. Neste último volume, movido a muita ação e cenas hot de amor, ela cria um verdadeiro thriller de sua história, deixando o leitor mais interessado em desvendar o mistério da trama do que com o final romântico do casal, e isso me surpreendeu positivamente e acredito que esta mistura de suspense e ação com romance e erotismo é que a levou a tornar-se um best-seller.

Conheça a resenha dos primeiros volumes da trilogia clicando sobre as capas:

   

Cortesia da Editora Única

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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