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| Ed. Galera Record, 2015 - 94 páginas: |
De Osho a Gandhi, de Jesus a Neil Young. O trabalho do artista se inspira em aforismos diversos, e as frases motivacionais se misturam a desenhos modernos e contestadores para espalhar luz, amor e gratidão. Guga traz consigo o dom de acender a esperança nos corações dos que o seguem, mas também sabe adotar um tom provocador, daquele que nos tira da zona de conforto do dia a dia e faz pensar. Sua arte, exposta ao público, vai além do contemplativo.
Veja o preço:
PARA PODER VER, OUÇA!
Interessante!!
Quando recebi o livro, em menos de 15 minutos o li e apreciei. O trabalho do livro é muito artístico e envolve arte e texto. São frases de várias fontes e que interagem de forma linda com os desenhos criados por Felipe Guga.
A qualidade gráfica do livro, os detalhes, agradecimentos, créditos, tudo... sim, tudo é de extremo bom gosto e me surpreendeu muito. É um livro daqueles que você presenteia alguém especial. Ele quase é um cartão, desses com mensagens, que damos as pessoas em datas especiais.
Recomendo bastante não apenas a leitura, mas o apreço da arte contida.
Interessante!!
Quando recebi o livro, em menos de 15 minutos o li e apreciei. O trabalho do livro é muito artístico e envolve arte e texto. São frases de várias fontes e que interagem de forma linda com os desenhos criados por Felipe Guga.
A qualidade gráfica do livro, os detalhes, agradecimentos, créditos, tudo... sim, tudo é de extremo bom gosto e me surpreendeu muito. É um livro daqueles que você presenteia alguém especial. Ele quase é um cartão, desses com mensagens, que damos as pessoas em datas especiais.
Recomendo bastante não apenas a leitura, mas o apreço da arte contida.

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Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!
O Lançamento de Fevereiro do Grupo Editorial Record está recheado de livros para todos os gostos. Destaque para a nova edição de “A cor púrpura” e para “Quarto”, livro que virou filme, além da série Mortal que é incrível.
Veja abaixo quantos livros legais temos para este mês!
Veja abaixo quantos livros legais temos para este mês!
| Ed. Arqueiro, 2015 - 377 páginas: |
Aos 17 anos, Liliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade. Mas para isso ela precisa seguir algumas regras- só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem. Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho- uma múmia na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos. A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis.
Veja o preço:
Colleen Houck é a autora da saga do Tigre, livro voltado para o público jovem. Li todos eles e gostei do estilo da autora que mistura romance e aventura com mitologia. O Despertar do Príncipe é o primeiro livro de sua nova série, chamada Deuses do Egito e tem os mesmo ingredientes da anterior, com a diferença que a primeira era voltada a Mitologia Hindu e esta nova saga trata da Mitologia Egípcia. Esse traço mitológico é que faz toda a diferença nas suas obras.
Foi difícil realizar a leitura sem fazer comparações com a obra anterior, inclusive a boa notícia para quem leu a Saga do Tigre e não gostou muito da Kelsey, pois achou a jovem um tanto mimizenta, pode ficar mais descansando, pois Liliana Young, sua nova heroína não é chata, pelo menos essa foi a minha opinião sobre garota, que sabia dos seus pontos fracos, mas que durante todo o livro se esforçou para supera-los. Ponto para Lily.
Outro ponto de comparação foram os personagens masculinos, sim, Colleen gosta de cercar a mocinha de lindos jovens milenares, com aparências bem jovens. Em O Despertar do Príncipe conhecemos três príncipes egípcios que nasceram antes dos faraós (mais de 2000 AC) e que foram amaldiçoados a renascer a cada mil anos para salvar o mundo das garras do maligno Deus Seth.Minha curiosidade maior agora é saber se eles ainda são virgens, como os nossos tigres eram (deletem isso, estou sendo irônica).
Agora chega de comparações e vamos falar somente dos Deuses do Egito. Há milhares de anos três jovens príncipes egípcios foram sacrificados pelos seus próprios pais para proteger o povo egípcio da ira de Seth, deus da escuridão. E nos tempos atuais, Liliana Young, uma jovem de 17 anos está sofrendo a tormenta de escolher qual universidade irá cursar. Ela é filha única, de pais milionários, não muito presentes em sua vida, mas que exigem dela certa disciplina. Liliana é culta e sensata, sabe que é privilegiada financeiramente mas se sente um pouco reprimida.
Um dos seus lugares prediletos para pensar é no Metropolitan Museum of Art, e foi justamente lá que acabou esbarrando com uma múmia milenar, que acabava de acordar de um sono de mil anos. Amon despertou meio desorientado, não conhecia este novo local e precisou realizar um encantamento que o uniu a Lily, de forma que esta se sentia compelida a ajuda-lo. E Amon precisava urgentemente encontrar seus dois irmãos adormecidos para realizarem uma cerimonia para salvar o mundo do Deus Seth.
Lily não teve nenhuma chance contra este lindo príncipe com poderes divinos, logo sentiu-se imensamente atraída por ele, mas como fazer para flertar com uma múmia ressuscitada?
Rompendo suas amarras, Lily parte para esta grande aventura no Vale dos Reis, no Egito.
Colleen soube tratar muito bem a ambientação de Amon neste milênio tecnológico, sem ser maçante, esse desajuste até criou alguma cenas divertidas. E livro é contado em primeira pessoa mas possui algumas partes que faz referencia o passado.
Para que gosta do estilo de Urban Fantasy e Young Adult, temperada de ação, romance e mitologia, aventure-se nesta jornada.
Foi difícil realizar a leitura sem fazer comparações com a obra anterior, inclusive a boa notícia para quem leu a Saga do Tigre e não gostou muito da Kelsey, pois achou a jovem um tanto mimizenta, pode ficar mais descansando, pois Liliana Young, sua nova heroína não é chata, pelo menos essa foi a minha opinião sobre garota, que sabia dos seus pontos fracos, mas que durante todo o livro se esforçou para supera-los. Ponto para Lily.
Outro ponto de comparação foram os personagens masculinos, sim, Colleen gosta de cercar a mocinha de lindos jovens milenares, com aparências bem jovens. Em O Despertar do Príncipe conhecemos três príncipes egípcios que nasceram antes dos faraós (mais de 2000 AC) e que foram amaldiçoados a renascer a cada mil anos para salvar o mundo das garras do maligno Deus Seth.
Agora chega de comparações e vamos falar somente dos Deuses do Egito. Há milhares de anos três jovens príncipes egípcios foram sacrificados pelos seus próprios pais para proteger o povo egípcio da ira de Seth, deus da escuridão. E nos tempos atuais, Liliana Young, uma jovem de 17 anos está sofrendo a tormenta de escolher qual universidade irá cursar. Ela é filha única, de pais milionários, não muito presentes em sua vida, mas que exigem dela certa disciplina. Liliana é culta e sensata, sabe que é privilegiada financeiramente mas se sente um pouco reprimida.
Um dos seus lugares prediletos para pensar é no Metropolitan Museum of Art, e foi justamente lá que acabou esbarrando com uma múmia milenar, que acabava de acordar de um sono de mil anos. Amon despertou meio desorientado, não conhecia este novo local e precisou realizar um encantamento que o uniu a Lily, de forma que esta se sentia compelida a ajuda-lo. E Amon precisava urgentemente encontrar seus dois irmãos adormecidos para realizarem uma cerimonia para salvar o mundo do Deus Seth.
Lily não teve nenhuma chance contra este lindo príncipe com poderes divinos, logo sentiu-se imensamente atraída por ele, mas como fazer para flertar com uma múmia ressuscitada?
"Lily, posso dizer com toda a sinceridade que nunca em toda minha vida longa vida encontrei uma criatura tão encantadora assim. Você é bela como um botão de flor beijado pelo orvalho de uma manhã dourada. Quando sinto seu cheiro, o sabor do sol, da vida e da esperança me preenche."
Rompendo suas amarras, Lily parte para esta grande aventura no Vale dos Reis, no Egito.
Colleen soube tratar muito bem a ambientação de Amon neste milênio tecnológico, sem ser maçante, esse desajuste até criou alguma cenas divertidas. E livro é contado em primeira pessoa mas possui algumas partes que faz referencia o passado.
Para que gosta do estilo de Urban Fantasy e Young Adult, temperada de ação, romance e mitologia, aventure-se nesta jornada.
![]() ![]() Cortesia da Editora Arqueiro |
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Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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| Ed. Bertrand Brasil, 2015 - 252 páginas: |
Ainda mergulhada em medos oriundos de uma infância desprovida de afeto, Lulu, uma jovem de quinze anos, é seduzida por Pablo, amigo de seu irmão mais velho, que sempre nutriu por ela um fascínio secreto. Após uma primeira experiência, Lulu aceita o desafio de prolongar indefinidamente, em seu relacionamento, a iniciação sexual através de peculiares preliminares e submissão. Mas o encanto de viver em um mundo tão ilusório, de repente, se quebra, quando Lulu, aos trinta anos, adentra, desamparada e febrilmente, o inferno dos desejos proibidos. Apontado por toda uma geração de leitores como uma crônica sentimental e passional do seu tempo, As Idades de Lulu revelou ao mundo o talento de Almudena Grandes. Nesta, que é a edição definitiva da obra, o texto foi inteiramente revisto pela autora, que também acrescenta um prólogo no qual recorda sua importância para a literatura espanhola contemporânea.
Veja o preço:
QUAL O REAL LIMITE DAS DESCOBERTAS SEXUAIS?
As Idades de Lulu não é apenas um livro, é uma experiência das mais inebriantes e envolventes. Maria Marisa, mais conhecida por Lulu, descreve suas aventuras sexuais e descobertas do momento em que conhece Pablo, amigo de seu irmão mais velho, Marcelo e nos revela todo o limite dos seus desejos sexuais.
Mas o que vale para Lulu? O amor ou o sexo? A que preço Lulu busca suas fantasias mais profundas, seus desejos mais secretos? Qual o verdadeiro limite do desejo sexual?
Lulu revela uma personalidade insatisfeita, que busca incessantemente por mais atenção, e deposita tudo em suas fantasias sexuais.
O livro lançado originalmente no final dos anos 80, foi considerado muito forte e ousado. Proibido em muitos países, extremamente criticado por uma sociedade que se recusava a aceitar que mulheres pudessem ter tantos desejos. Essa era a Espanha dos Anos 80, um país religioso e opressor sexualmente. Isso não impediu de As Idades de Lulu receber tantos prêmios literários e ser publicado em várias línguas pelo mundo todo.
Recomendo completamente o livro e creio que qualquer um, fã de clássicos literários, vai adorar o livro.
As Idades de Lulu não é apenas um livro, é uma experiência das mais inebriantes e envolventes. Maria Marisa, mais conhecida por Lulu, descreve suas aventuras sexuais e descobertas do momento em que conhece Pablo, amigo de seu irmão mais velho, Marcelo e nos revela todo o limite dos seus desejos sexuais.
Mas o que vale para Lulu? O amor ou o sexo? A que preço Lulu busca suas fantasias mais profundas, seus desejos mais secretos? Qual o verdadeiro limite do desejo sexual?
Lulu revela uma personalidade insatisfeita, que busca incessantemente por mais atenção, e deposita tudo em suas fantasias sexuais.
O livro lançado originalmente no final dos anos 80, foi considerado muito forte e ousado. Proibido em muitos países, extremamente criticado por uma sociedade que se recusava a aceitar que mulheres pudessem ter tantos desejos. Essa era a Espanha dos Anos 80, um país religioso e opressor sexualmente. Isso não impediu de As Idades de Lulu receber tantos prêmios literários e ser publicado em várias línguas pelo mundo todo.
Recomendo completamente o livro e creio que qualquer um, fã de clássicos literários, vai adorar o livro.
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Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
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| Ed. Martins Fontes, 2013 - 158 páginas: |
O livro conta a história de Clementine, uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer. A novela gráfica foi lançada na França em 2010, já tem diversas versões, incluindo para o inglês, espanhol, alemão, italiano e holandês, e ganhou, em 2011, o Prêmio de Público do Festival Internacional de Angoulême. Em tempos de luta por direitos e de novas questões políticas, AZUL é a COR MAIS QUENTE surge para mostrar o lado poético e universal do amor, sem apontar regras ou gêneros.
Veja o preço:
O AMOR NÃO É ETERNO, MAS A NÓS ELE TORNA!
Escolher fazer resenhas de revistas em quadrinhos é algo bem inovador. A ideia é mostrar para o grande público que estas publicações que muitos tem como "gibi" e "infantil" aborda assuntos realmente incríveis que merecem nossa atenção.
Azul é a cor mais quente é uma publicação muito interessante por tratar de relações homo afetivas. Nesta história Clementine descobre que não sente atração por homens, mas por mulheres. Ao tentar se abrir para isso esbarra em vários preconceitos até conhecer seu grande amor Emma. Mesmo assim ela se sente mal no inicio até se entregar completamente a este sentimento.
O quadrinho tornou-se filme em 2013 e trouxe ao cinema a mais longa cena de relação homossexual da história. Interessante ver o filme após ler o livro, pois realmente, como homem, via as relações entre mulheres como algo apenas sexual (culpa de como o cine erótico/pornográfico explora essa imagem). Confesso que esse filme mudou completamente essa visão e passei a ver um amor e principalmente a ver estas relações com outros olhos.
Não vou entrar no mérito para não criar um debate sobre a questão sexual, o livro é excepcional, absolutamente interessante e incrivelmente lindo. Os quadrinhos são desenhados com uma mistura de sépia e azul, reforçando assim a ideia do azul como uma cor quente. O drama vivido pela personagem não foge do contexto e a beleza das cenas, tanto no quadrinho quanto no filme são muito lindas e de extremo bom gosto. Paras as pessoas com dificuldades para aceitar relações assim, recomendo apenas que leiam o quadrinho, uma vez que o mesmo não tem sexo propriamente. O filme realmente, como já disse tem mais de 30 minutos de cenas sexuais.
Considero altamente recomendado para todos os públicos, porém, não recomendo para menores de 18 anos.
Escolher fazer resenhas de revistas em quadrinhos é algo bem inovador. A ideia é mostrar para o grande público que estas publicações que muitos tem como "gibi" e "infantil" aborda assuntos realmente incríveis que merecem nossa atenção.
Azul é a cor mais quente é uma publicação muito interessante por tratar de relações homo afetivas. Nesta história Clementine descobre que não sente atração por homens, mas por mulheres. Ao tentar se abrir para isso esbarra em vários preconceitos até conhecer seu grande amor Emma. Mesmo assim ela se sente mal no inicio até se entregar completamente a este sentimento.
O quadrinho tornou-se filme em 2013 e trouxe ao cinema a mais longa cena de relação homossexual da história. Interessante ver o filme após ler o livro, pois realmente, como homem, via as relações entre mulheres como algo apenas sexual (culpa de como o cine erótico/pornográfico explora essa imagem). Confesso que esse filme mudou completamente essa visão e passei a ver um amor e principalmente a ver estas relações com outros olhos.
Não vou entrar no mérito para não criar um debate sobre a questão sexual, o livro é excepcional, absolutamente interessante e incrivelmente lindo. Os quadrinhos são desenhados com uma mistura de sépia e azul, reforçando assim a ideia do azul como uma cor quente. O drama vivido pela personagem não foge do contexto e a beleza das cenas, tanto no quadrinho quanto no filme são muito lindas e de extremo bom gosto. Paras as pessoas com dificuldades para aceitar relações assim, recomendo apenas que leiam o quadrinho, uma vez que o mesmo não tem sexo propriamente. O filme realmente, como já disse tem mais de 30 minutos de cenas sexuais.
Considero altamente recomendado para todos os públicos, porém, não recomendo para menores de 18 anos.
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Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
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| Ed. Arqueiro, 2016 - 272 páginas: |
Toda a alta sociedade concorda que não existe ninguém parecido com Hyacinth Bridgerton. Cruelmente inteligente e inesperadamente franca, ela já está em sua quarta temporada na vida social da elite, mas não consegue se impressionar com nenhum pretendente. Num recital, Hyacinth conhece o belo e atraente Gareth St. Clair, neto de sua amiga Lady Danbury. Para sua surpresa, apesar da fama de libertino, ele é capaz de manter uma conversa adequada com ela e, às vezes, até deixá-la sem fala e com um frio na barriga. Porém Hyacinth resiste à sedução do famoso conquistador. Para ela, cada palavra pronunciada por Gareth é um desafio que deve ser respondido à altura. Por isso, quando ele aparece na casa de Lady Danbury com um misterioso diário da avó italiana, ela resolve traduzir o texto, que pode conter segredos decisivos para o futuro dele.
Veja o preço:
Quem acompanha a série Os Bridgertons de Julia Quinn já deve estar ansioso pela leitura de Um Beijo Inesquecível, pois a caçula dos irmãos Bridgertons sem sombra de dúvida é a mais excêntrica de todos os irmãos. Hyacinth Bridgerton talvez tenha contado um pouco com a indulgência de sua mãe, afinal é a caçula de oito irmãos e ainda estava na barriga de Violet quando seu pai faleceu.
Hyacinth, na teoria, é considerada um bom partido em termos matrimoniais, é bonita, tem um ótimo dote, mas já completou sua terceira temporada em Londres sem uma proposta de casamento aceitável. Na verdade, Hyacinth é uma mulher admirada, mas ao mesmo tempo temida pelos homens, pois adora ter razão e raramente encontra um homem mais espirituoso, articulado ou bom de debate como ela.
Para não ser injusta, nossa heroína recebeu sim alguns pedidos, mas nenhum dos pretendentes a agradou, era melhor permanecer solteira do que mal acompanhada, afinal tudo que Hyacinth queria era um marido com "um pouquinho de inteligência" e isso estava difícil de encontrar. Até se sentar ao lado do belo e atraente Gareth St. Clair, neto de sua amiga Lady Danbury, num recital de música.
Gareth não é rico, apesar de ser o herdeiro do baronato de seu pai, pois seu irmão mais velho morreu tragicamente jovem. Ele teve desde cedo um relacionamento conturbado com seu progenitor, que sempre o tratou com desprezo, afirmando que nunca deveria ter tido um segundo filho, pois Gareth era uma mancha em sua reputação. Toda a sociedade conhecia que os dois tinham uma desavença, mas ninguém sabia o motivo.
Apesar de Gareth estar na idade de se casar, continua um libertino, com uma reputação abominável, nunca foi visto em companhia de uma jovem descente. Mas tudo isso acabava transformando-o numa figura romântica e cobiçável, além de sua admirável beleza, é lógico.
Hyacinth reconheceu em Gareth St. Clair um adversário a sua altura, alguém capaz de conversar com ela de igual a igual e, pasmem, deixa-la algumas vezes sem fala. Ele é engraçado e sarcástico, às vezes arrogante, mas compreendia o que é importante. E um diário perdido da avó materna de Gareth escrito em italiano e contendo um segredo de família acaba unindo estes dois numa aventura para lá de saborosa, transformando o que teria sido uma temporada enfadonha na primavera mais emocionante da vida de Hyacinth e levando Gareth à loucura.
Julia sabe trabalhar com situações que agradam bastante o leitor, é espirituosa, com diálogos engraçados, compõe personagens de bom carácter e a família Bridgertons mantém sua empatia com as trocas de alfinetadas zombeteiras entre si, mas com muito amor.
E como sempre, todas estas combinações resultaram em mais um livro imperdível da nossa querida Julia Quinn.
Clique sobre a capa para saber mais sobre os volumes anteriores:
Hyacinth, na teoria, é considerada um bom partido em termos matrimoniais, é bonita, tem um ótimo dote, mas já completou sua terceira temporada em Londres sem uma proposta de casamento aceitável. Na verdade, Hyacinth é uma mulher admirada, mas ao mesmo tempo temida pelos homens, pois adora ter razão e raramente encontra um homem mais espirituoso, articulado ou bom de debate como ela.
"- Nenhum homem gosta de mulheres mais inteligentes que ele - um dos amigos mais sagazes comentara - E Hyacinth Bridgerton não é do tipo que se faça de tola."
Para não ser injusta, nossa heroína recebeu sim alguns pedidos, mas nenhum dos pretendentes a agradou, era melhor permanecer solteira do que mal acompanhada, afinal tudo que Hyacinth queria era um marido com "um pouquinho de inteligência" e isso estava difícil de encontrar. Até se sentar ao lado do belo e atraente Gareth St. Clair, neto de sua amiga Lady Danbury, num recital de música.
"- Mãe - interrompeu Hyacinth, pousando a xícara firmemente sobre o pires -, não importa. Eu não ligo de não ser unanimidade. Se eu quisesse que todo mundo gostasse de mim, teria que ser boazinha e encantadora, sem graça e enfadonha o tempo todo, e isso não seria nada divertido, certo?"
Gareth não é rico, apesar de ser o herdeiro do baronato de seu pai, pois seu irmão mais velho morreu tragicamente jovem. Ele teve desde cedo um relacionamento conturbado com seu progenitor, que sempre o tratou com desprezo, afirmando que nunca deveria ter tido um segundo filho, pois Gareth era uma mancha em sua reputação. Toda a sociedade conhecia que os dois tinham uma desavença, mas ninguém sabia o motivo.
Apesar de Gareth estar na idade de se casar, continua um libertino, com uma reputação abominável, nunca foi visto em companhia de uma jovem descente. Mas tudo isso acabava transformando-o numa figura romântica e cobiçável, além de sua admirável beleza, é lógico.
Hyacinth reconheceu em Gareth St. Clair um adversário a sua altura, alguém capaz de conversar com ela de igual a igual e, pasmem, deixa-la algumas vezes sem fala. Ele é engraçado e sarcástico, às vezes arrogante, mas compreendia o que é importante. E um diário perdido da avó materna de Gareth escrito em italiano e contendo um segredo de família acaba unindo estes dois numa aventura para lá de saborosa, transformando o que teria sido uma temporada enfadonha na primavera mais emocionante da vida de Hyacinth e levando Gareth à loucura.
"Gareth estava certo de que seria quase impossível conviver com ela - embora soubesse, de alguma forma, que não seria nem um pouco difícil amá-la."
Julia sabe trabalhar com situações que agradam bastante o leitor, é espirituosa, com diálogos engraçados, compõe personagens de bom carácter e a família Bridgertons mantém sua empatia com as trocas de alfinetadas zombeteiras entre si, mas com muito amor.
E como sempre, todas estas combinações resultaram em mais um livro imperdível da nossa querida Julia Quinn.
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| Ed. Quinta Essência, 2013 - 272 páginas: |
Nicole Corisi pode ser deserdada caso não se adapte às exigências feitas por seu pai no testamento, e terá de se aliar a um irmão desconhecido para se adequar às regras. Stephan Andrade planeja sua vingança desde que Dominic Corisi assumiu, inescrupulosamente, a companhia de seu pai. A reputação da Corisi Enterprises depende do sucesso de um novo software desenvolvido pela China, e Stephan finalmente tem a chance de retomar seu legado. A irmã mais nova de Dominic, Nicole, pede que Stephan a ajude oferecendo a oportunidade de elevar sua vingança ao nível pessoal. Tudo corre bem, até que eles se apaixonam ao passo que o 'faz de contas' se torna dolorosamente real, Nicole terá de escolher entre Stephan e a família a qual ele está determinado a destruir.
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Amor por Interesse é o segundo volume da série Legacy de Ruth Cardello. Já tinha lido anteriormente os volumes um e três. Os livros seguem sim uma sequencia, mas a leitura fora de ordem não foi prejudicial e confesso que depois de ter lido Coração de Bilionário e Dormindo com o Bilionário, ambos relacionados com o bilionário Dominic Corisi (já que Jake Walton, protagonista do terceiro livro é parceiro de negocio de Dominic), fiquei extremamente curiosa para ler Amor por Interesse, por se tratar da história de Stephan Andrade, inimigo mortal de Dominic.
É notório que um bilionário faz muitos inimigos durante sua vida, e com Dominic Corisi as coisas não são diferentes, desde muito cedo ele construiu seu império e no caminho adquiriu alguns inimigos poderosos, entre eles, Stephan Andrade, que deseja a qualquer custo destruir o império e a vida de Dominic.
Esse ódio começou quando Dominic comprou inescrupulosamente a empresa do pai de Stephan, que até então não se interessava pelos negócios do pai, queria trabalhar produzindo documentários sobre o meio ambiente. Mas após este episódio, mudou sua vida completamente, criou a Andrade Global, ganhou milhões e agora tem o plano perfeito para enfim destruir seu inimigo. Ele só não esperava rever a irmã de seu rival, a bela Nicole Corisi, que procura-o para pedir ajuda em seus negócios.
Stephan e Nicole se conheceram na juventude, ela trabalhava na empresa do pai de Stephan e este foi logo seduzido pelo jeito inexperiente e tímido da moça, mas tudo terminou antes de começar, pois assim que Stephan descobriu que Dominic estava tomando o empresa de seu pai, afastou-se de Nicole, deixando uma sensação de alguma coisa inacabada.
Nicole agora é uma mulher formada, mas triste, desde muito cedo aprendeu a viver sozinha, seu irmão a abandonou depois que saiu da casa do pai para ir a procura de sua mãe desaparecida e seu pai, bem, este nunca foi aquilo que se espera de um pai, pelo contrário, sua morte foi quase um alívio para Nicole. Tudo que Nicole sempre sonhou foi ter uma família como a de Stephan, os Andrade sempre foram unidos, divertidos e era claro que amavam e apoiavam uns aos outros. E Nicole até sentia-se um pouco parte da família, mas tudo desmoronou quando Dominic comprou a empresa dos Andrade.
Mas o destino, com uma ajudazinha de Maddy, prima de Stephan, colabora para colocar Nicole e Stephan juntos, fingindo serem noivos, num plano para derrotar de vez o poderoso Dominic Corisi.
O que posso dizer do livro? Sou bem suspeita pois nunca me canso destes romances, são leves e divertidos e cumpre bem sua função de entretenimento. Afinal, leio para me divertir.
Livros publicados da Série Legacy:
É notório que um bilionário faz muitos inimigos durante sua vida, e com Dominic Corisi as coisas não são diferentes, desde muito cedo ele construiu seu império e no caminho adquiriu alguns inimigos poderosos, entre eles, Stephan Andrade, que deseja a qualquer custo destruir o império e a vida de Dominic.
Esse ódio começou quando Dominic comprou inescrupulosamente a empresa do pai de Stephan, que até então não se interessava pelos negócios do pai, queria trabalhar produzindo documentários sobre o meio ambiente. Mas após este episódio, mudou sua vida completamente, criou a Andrade Global, ganhou milhões e agora tem o plano perfeito para enfim destruir seu inimigo. Ele só não esperava rever a irmã de seu rival, a bela Nicole Corisi, que procura-o para pedir ajuda em seus negócios.
Stephan e Nicole se conheceram na juventude, ela trabalhava na empresa do pai de Stephan e este foi logo seduzido pelo jeito inexperiente e tímido da moça, mas tudo terminou antes de começar, pois assim que Stephan descobriu que Dominic estava tomando o empresa de seu pai, afastou-se de Nicole, deixando uma sensação de alguma coisa inacabada.
Nicole agora é uma mulher formada, mas triste, desde muito cedo aprendeu a viver sozinha, seu irmão a abandonou depois que saiu da casa do pai para ir a procura de sua mãe desaparecida e seu pai, bem, este nunca foi aquilo que se espera de um pai, pelo contrário, sua morte foi quase um alívio para Nicole. Tudo que Nicole sempre sonhou foi ter uma família como a de Stephan, os Andrade sempre foram unidos, divertidos e era claro que amavam e apoiavam uns aos outros. E Nicole até sentia-se um pouco parte da família, mas tudo desmoronou quando Dominic comprou a empresa dos Andrade.
Mas o destino, com uma ajudazinha de Maddy, prima de Stephan, colabora para colocar Nicole e Stephan juntos, fingindo serem noivos, num plano para derrotar de vez o poderoso Dominic Corisi.
"Quando Stephan voltou a fechar os olhos, a única coisa que viu foi Nicole. Desta vez, ele não precisava se torturar com uma velha foto dela; ela havia voltado com todos os detalhes bem vívidos."
O que posso dizer do livro? Sou bem suspeita pois nunca me canso destes romances, são leves e divertidos e cumpre bem sua função de entretenimento. Afinal, leio para me divertir.
Livros publicados da Série Legacy:
![]() ![]() Cortesia da Editora Leya |
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Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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| Ed. Planeta, 2015 - 285 páginas: |
Adolf Hitler era um tirano com mania de grandeza, Winston Churchill era um grande estrategista, Franklin D. Roosevelt era um presidente bastante popular. Disso, todos sabem. Mas talvez você não tenha ouvido falar que Hitler adorava tanto o filme E o vento levou que até tentou copiá-lo. Ou que Churchill, em pleno racionamento de comida, comeu de uma só vez uma porção de carne que deveria durar uma semana. Ou ainda que o filho de Roosevelt chegou a tirar soldados americanos de um avião de guerra para transportar seu cachorro em segurança. A Segunda Guerra Mundial deixou o mundo em pedaços. Mas, debaixo dos escombros, há grandes histórias inusitadas, personagens incríveis e feitos absurdos. E foi a partir dessas partes mais bizarras do conflito mais importante da história que Otavio Cohen elaborou esse livro. Diversão e conhecimento “junto e misturado”!
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Fatos do zoológico humano
Os belicosos e belicistas de plantão que me perdoem, mas a guerra é o auge da ignorância humana. É preciso ler e reler sobre ela para jamais perpetuar momentos da mais completa estupidez. E seguindo esta máxima é que escolhi História Bizarra da 2ª Guerra Mundial (Planeta, 285 páginas) para me fazer companhia durante as férias.
Não se trata de curiosidade mórbida, trata-se de curiosidade pura, simples e até inocente, faculdade inerente a todo ser humano. Sabedor disso, Otavio Cohen nos presenteia com histórias pra lá de saborosas.
Quero deixar claro que li o livro em busca de histórias hilariantes, um pouco mais leves, sobre este período escuro. Porém, mesmo as histórias mais engraçadas têm um sabor amargo, deixam um travo na língua. O título do livro que melhor lhe traduzisse talvez fosse “História mais humana da 2ª Guerra Mundial”. Não percebi nada muito bizarro, mas sim situações inusitadas em tempos de guerra.
Há o caso do soldado que não matou Hitler. Fato ocorrido na 1ª Guerra Mundial e que repercutiu na 2ª. Imaginem como ele deve ter se sentido ao constatar anos mais tarde o crescimento do Nazismo e tudo o que disso decorreria, conviver com o fantasma de que poderia tê-la evitado:
Legal saber também que a enxurrada de cartazes e frases utilizando “Keep calm and...” vêm do tempo da guerra:
Quando criança, assisti ao filme “Fuga para a vitória”, em que participou Pelé, isso mesmo, o rei do futebol, entre outros jogadores, além de estar recheado de atores famosos como Max Von Sydow, Michael Caine e Sylvester Stallone, logo após o estrondoso sucesso Rocky. E não é que este filme foi baseado em um fato real:
Vocês já podem imaginar o desfecho disso não é? No filme os jogadores são carregados por todos os torcedores e conseguem fugir. Mas a vida real nem sempre é assim e diz a lenda que todos foram mortos ao final da partida dada como revanche em que os alemães tornaram a perder.
Há o caso de Berthe Fraser, uma simples dona de casa que virou símbolo da resistência e hoje povoa o imaginário popular através de um cartaz muito conhecido:
Berthe foi capturada duas vezes, torturada e nunca se recuperou do trauma sofrido na prisão.
Principal inspiração do escritor Ian Fleming para a criação de James Bond, o famoso espião 007, Forest Frederick Edward Yeo-Thomas é tudo aquilo e muito mais. Está lá no livro. Claro que nem tudo é charme, beleza e valentia. Após tanta tortura e violência sofridas, ninguém consegue permanecer saudável.
Durante a guerra tudo poderia ser utilizado como soldado e podem acreditar, o foi: crianças, cães, morcegos, sardinhas, gatos, pombos, galinhas e até um urso. Mas não para por aí não, coisas mais exóticas também poderiam ser vistas como coadjuvantes: vodka, coca-cola, fanta (bebida criada pelos alemães para concorrer com a coca), cannabis e gremlins (sim, os bichinhos estão lá, podem ver):
Já dizia Albert Einsten: “A 3ª Guerra Mundial eu não sei como será, mas a 4ª será com paus e pedras”. Fico imaginando temeroso uma 3ª Guerra cheia de drones e os alvos perfeitos inescondíveis. Cadáveres insepultos por todos os lados e alguns poucos líderes prontos a apertar o botão vermelho, aquele que dividirá a Terra ao meio aniquilando de vez a vida. E também penso: “e por que não utilizar toda esta tecnologia em busca da paz?”. Quem se beneficia com os conflitos? Quem é a favor desta política bélica? A ONU tem um dono e alguns países que se fingem de mortos sob a suposta alegação de frágeis acordos de paz feitos ao sabor do vento. Convenhamos, ninguém respeita isso, nem os países pertencentes e muito menos os que não fazem parte dela.
O que algumas vezes me faz acreditar na natureza humana é justamente o que me faz temê-la – o poder do enfrentamento e o grande apego pela vida:
Horace Greasley, ou Jim, escapou 200 vezes das mãos dos nazistas em Freiwaldau, um anexo do campo de concentração de Auschwitz, em busca de momentos com sua namorada, ludibriando e enfrentando ninguém menos que Henrich Himmler (conhecido como arquiteto do Holocausto), na célebre encarada da foto acima, que alguns historiadores dizem não ser de Jim, ao que Brenda, viúva dele, rebate: “Nem sempre esses historiadores estão certos. Você sabe... eles não estavam lá”.
Segundo teorias de conspiração, as mais variadas possíveis, Hitler apenas forjou seu suicídio. Ele teria vivido na Argentina e falecido em Mato Grosso, no Brasil. Ficara conhecido como o “Velho Alemão” e viveu até os 95 anos. Curiosidades à parte, o que realmente importa é que não devemos nos esquecer do número de mortos, da violência desmedida e de como o ser humano pode ser hostil. O mal vive incubado e quando menos se espera pode se instalar num hospedeiro qualquer.
Os belicosos e belicistas de plantão que me perdoem, mas a guerra é o auge da ignorância humana. É preciso ler e reler sobre ela para jamais perpetuar momentos da mais completa estupidez. E seguindo esta máxima é que escolhi História Bizarra da 2ª Guerra Mundial (Planeta, 285 páginas) para me fazer companhia durante as férias.
Não se trata de curiosidade mórbida, trata-se de curiosidade pura, simples e até inocente, faculdade inerente a todo ser humano. Sabedor disso, Otavio Cohen nos presenteia com histórias pra lá de saborosas.
Quero deixar claro que li o livro em busca de histórias hilariantes, um pouco mais leves, sobre este período escuro. Porém, mesmo as histórias mais engraçadas têm um sabor amargo, deixam um travo na língua. O título do livro que melhor lhe traduzisse talvez fosse “História mais humana da 2ª Guerra Mundial”. Não percebi nada muito bizarro, mas sim situações inusitadas em tempos de guerra.
Há o caso do soldado que não matou Hitler. Fato ocorrido na 1ª Guerra Mundial e que repercutiu na 2ª. Imaginem como ele deve ter se sentido ao constatar anos mais tarde o crescimento do Nazismo e tudo o que disso decorreria, conviver com o fantasma de que poderia tê-la evitado:
“Os caminhos de Tandey de Hitler se cruzaram por acaso. Naqueles últimos dias do conflito iniciado em 1914, o inglês, que servia às Forças Armadas britânicas, encontrou um soldado alemão ferido tentando fugir do campo de batalha francês. Seus olhares se encontraram, e Henry (Tandey) baixou sua arma – o soldado assentiu em agradecimento e desapareceu. Por vinte anos, esse episódio foi apenas mais um motivo para Tandey ser considerado um herói...”
Legal saber também que a enxurrada de cartazes e frases utilizando “Keep calm and...” vêm do tempo da guerra:
“... publicado à exaustão nas redes sociais. A tipografia dificilmente muda, assim como o modelo da frase: quase sempre uma paródia da famosa ‘Keep calm and carry on’ (‘Mantenha a calma e siga em frente’)... usada em um pôster motivacional da época...”
Quando criança, assisti ao filme “Fuga para a vitória”, em que participou Pelé, isso mesmo, o rei do futebol, entre outros jogadores, além de estar recheado de atores famosos como Max Von Sydow, Michael Caine e Sylvester Stallone, logo após o estrondoso sucesso Rocky. E não é que este filme foi baseado em um fato real:
“Tudo começou com Nikolai Trusevich, goleiro do Dynamo... Para proteger o país, ele se alistou no exército, mas acabou capturado. Após assinar papéis prometendo lealdade ao novo regime ele retornou a Kiev e encontrou emprego em uma padaria. Em busca de trabalho, alimento e abrigo, outros ex-jogadores da cidade seguiram o exemplo e se juntaram a Nikolai. A base estava formada.
Enquanto nazistas ganhavam as batalhas nos campos de guerra, no campo de futebol seus oponentes triunfavam. A popularidade do time não passou despercebida pelos comandantes nazistas. Eles acreditavam que o Flakelf, time da Luftwaffe seria capaz de dar fim à série de vitórias do F.C.Start. O resultado não poderia ter sido pior para os alemães: vitória dos soviéticos por 5 a 1.”
Vocês já podem imaginar o desfecho disso não é? No filme os jogadores são carregados por todos os torcedores e conseguem fugir. Mas a vida real nem sempre é assim e diz a lenda que todos foram mortos ao final da partida dada como revanche em que os alemães tornaram a perder.
Há o caso de Berthe Fraser, uma simples dona de casa que virou símbolo da resistência e hoje povoa o imaginário popular através de um cartaz muito conhecido:
“Antes do início da guerra, ela levava sua vida comum na cidade de Arras. Depois da invasão alemã, Berthe continuou com sua rotina comum. Mas só para não chamar atenção. Quando não tinha ninguém olhando, ela organizava uma rede de ajuda aos pilotos e soldados britânicos que sofriam ataques alemães... O grupo de colaboradores liderado por Berthe era gigantesco. Por causa disso, eram grandes as chances de alguém entregar o esquema. Aconteceu duas vezes.”
Berthe foi capturada duas vezes, torturada e nunca se recuperou do trauma sofrido na prisão.
Principal inspiração do escritor Ian Fleming para a criação de James Bond, o famoso espião 007, Forest Frederick Edward Yeo-Thomas é tudo aquilo e muito mais. Está lá no livro. Claro que nem tudo é charme, beleza e valentia. Após tanta tortura e violência sofridas, ninguém consegue permanecer saudável.
Durante a guerra tudo poderia ser utilizado como soldado e podem acreditar, o foi: crianças, cães, morcegos, sardinhas, gatos, pombos, galinhas e até um urso. Mas não para por aí não, coisas mais exóticas também poderiam ser vistas como coadjuvantes: vodka, coca-cola, fanta (bebida criada pelos alemães para concorrer com a coca), cannabis e gremlins (sim, os bichinhos estão lá, podem ver):
“Desde o início do conflito, aviões aliados sofriam com falhas mecânicas misteriosas, que ninguém conseguia justificar. Se não tinham sido provocadas por nenhum sabotador humano, então era bem possível que as falhas fossem obra de alguma criatura não humana, tipo um duende... A lenda que começou a se espalhar é que monstrinhos malandros e horríveis viviam dentro dos motores do avião, dificultando a vida dos aviadores por pura maldade. O apelido carinhoso desses bichos era gremlins."
Já dizia Albert Einsten: “A 3ª Guerra Mundial eu não sei como será, mas a 4ª será com paus e pedras”. Fico imaginando temeroso uma 3ª Guerra cheia de drones e os alvos perfeitos inescondíveis. Cadáveres insepultos por todos os lados e alguns poucos líderes prontos a apertar o botão vermelho, aquele que dividirá a Terra ao meio aniquilando de vez a vida. E também penso: “e por que não utilizar toda esta tecnologia em busca da paz?”. Quem se beneficia com os conflitos? Quem é a favor desta política bélica? A ONU tem um dono e alguns países que se fingem de mortos sob a suposta alegação de frágeis acordos de paz feitos ao sabor do vento. Convenhamos, ninguém respeita isso, nem os países pertencentes e muito menos os que não fazem parte dela.
O que algumas vezes me faz acreditar na natureza humana é justamente o que me faz temê-la – o poder do enfrentamento e o grande apego pela vida:
“Greasley, mais conhecido como Jim, tinha 20 anos e trabalhava como cabeleireiro quando foi convocado para lutar pelo exército britânico... foram tomados como prisioneiros (Jim e parte de seu pelotão)... cruzaram a pé a França, atravessaram a Bélgica até chegar á Holanda, onde embarcariam num trem que os levaria para a Silésia... a caminhada tirou a vida de alguns soldados. Mas Jim resistiu bravamente.”
Horace Greasley, ou Jim, escapou 200 vezes das mãos dos nazistas em Freiwaldau, um anexo do campo de concentração de Auschwitz, em busca de momentos com sua namorada, ludibriando e enfrentando ninguém menos que Henrich Himmler (conhecido como arquiteto do Holocausto), na célebre encarada da foto acima, que alguns historiadores dizem não ser de Jim, ao que Brenda, viúva dele, rebate: “Nem sempre esses historiadores estão certos. Você sabe... eles não estavam lá”.
Segundo teorias de conspiração, as mais variadas possíveis, Hitler apenas forjou seu suicídio. Ele teria vivido na Argentina e falecido em Mato Grosso, no Brasil. Ficara conhecido como o “Velho Alemão” e viveu até os 95 anos. Curiosidades à parte, o que realmente importa é que não devemos nos esquecer do número de mortos, da violência desmedida e de como o ser humano pode ser hostil. O mal vive incubado e quando menos se espera pode se instalar num hospedeiro qualquer.
![]() ![]() Cortesia da Editora Planeta |
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Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
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Engenharia Reversa
Parte XXIII - Reboot
Masayoshi Ikeda está confortavelmente sentado na luxosa poltrona. Em suas retinas, várias telas virtuais exibem em tempo real os últimos dados empresariais das operações da VNR: vendas de robôs, vendas de sistemas de software, faturamento com flymobs, lucros trimestrais, semestrais, anuais, market share… Contudo, os números não são bons, e a reestruturação, que significou demissões em todo o planeta, não ajudou como o esperado.
Porém, diferente de todos os dias anteriores, o emaranhado de dados ruins não deixam o homem apreensivo, pois para ele, no atual momento, informações empresariais não significam nada. Sabe que precisa ser forte, que precisa fazer exatamente o esperado de um executivo em sua posição. Se segura para não chorar, mas mesmo assim uma singela lágrima desce por seu rosto. Como uma sequência de dominós em queda, uma a uma as telas virtuais perdem seus dados, deixando apenas a mensagem “Acesso Negado”.
Ikeda começa a remover as telas, liberando sua visão do mundo virtual e passando a enxergar seu escritório. O encosto da poltrona automaticamente começa a se mover, voltando para sua posição padrão, ficando totalmente na vertical. Ele olha para a superfície de sua mesa de trabalho, limpa, impecável. O escritório é todo ele um quadrado de vidro inteligente, que no momento está completamente transparente, permitindo que os subordinados de Ikeda o vejam. Ele olha para o único móvel da sala, um armário baixo. Sobre o armário, no vidro digital, fotos de sua mulher e filha são exibidas em sequencia em um pequeno retângulo. “Ela vai entender”, pensa. Então se levanta, anda para o pequeno móvel. Do lado de fora do quadrado, seus funcionários olham assustados, muitos já sabem o que vai acontecer, mutos já viram isso antes.
Ele abre uma das portas do armário, de onde retira uma caixa retangular, toda negra. Leva a caixa para a mesa, a abre e retira a arma, uma pequena pistola. Se volta para as fotos da família, ficando de frente para toda a equipe. Alguns funcionários se desesperam, mas sabem que não devem interferir. “Seja firme, Ikeda, o fracasso nunca foi uma opção”. Sente a mão tremer, e mesmo assim leva à arma até a cabeça, apontando-a para uma têmpora.
Fecha os olhos. Puxa o gatilho. O corpo de Masayoshi Ikeda tomba, gotas de sangue escorrem pelo vidro digital. Alguns colaboradores desmaiam. Cinco minutos depois uma equipe de segurança aparece no andar. Ele entram no quadrado, com muita naturalidade, removem o corpo do executivo, colocando-o sobre uma maca, enquanto isso, uma senhora limpa o sangue espalhado na superfície do caro vidro digital.
***
[Sistema reinicializando em dez segundos…]
Amanda abre os olhos. De imediato reconhece o teto. Está na enfermaria da sede da VNR, em Vix. Braços robóticos terminam de fazer as últimas soldas nas partes eletrônicas de seu corpo, corpo cada vez menos humano. Agora ela possui uma perna e dois braços cibernéticos. Atualizações de software, blindagem de última geração, placas de metal ultra finas, ainda assim super resistentes, sensores especiais. A empresa fez uma completa renovação de seu corpo cibernético, atualizou o sistema e ainda lhe pagou um adicional por danos em campo. “Se Masayoshi tivesse cumprido com sua palavra, eu estaria em alguma lixeira nesse momento”, pensa, sem entender o porquê daquilo tudo.
[Reinicialização concluída. Sistemas atualizado.]
Os braços robóticos se retraem para dentro das paredes. Amanda perde os sentidos por alguns segundos, como se morresse, como se experimentasse uma pequena morte.
Minutos depois ela recobra a consciência, é sempre assim depois de uma atualização demorada. Se senta na cama, rotaciona a cabeça, alongando o pescoço, estalando os músculos que ainda lhe restam naquela região. Toca o chão com seus pés descalços, sente o piso frio com a ponta dos dedos que ainda são de carne. Vê sua imagem refletida em um espelho na parede. Encara ela mesma. O cabelo curto e desgranhado a deixa com um uma aparência meio selvagem, apesar de seus implantes cromados e brilhantes. Um pensamento atípico invade sua mente: “O que eu me tornei? Quem eu sou, afinal?” As perguntas fomentam uma estranha tristeza, algo que a muito ela não sentia.
De súbito, uma porta que parecia não estar ali se abre, revelando um senhor oriental de avançada idade, ladeado por duas mulheres maquiadas e vestidas da forma tradicional japonesa, duas gueichas? supõe, espantando os pensamentos sombrios.
O senhor entra na sala, seguido pelas acompanhantes. Uma instantânea pesquisa no banco de dados corporativo alimenta Amanda com tudo que ela precisa saber sobre ele, é Seiji Nakashima, supremo diretor, um dos fundadores da VNR.
- Senhor - ela abaixa a cabeça em sinal de respeito.
- Por favor, sem formalidades. - Responde ele, tranquilo. Continua a falar - Como você já deve presumir, seu antigo chefe está morto. Era o mínimo esperado. - faz uma pausa - Hoje mais cedo fizemos uma conferência de imprensa. Para todos os efeitos, os terroristas foram mortos, assim como Bel Yagami.
Amanda franze a testa. Seiji prossegue:
- A uma hora dessas eles já devem estar fora de Vix. O alto escalão da UNI-Tron tem fortes convicções de que estão levando a EBC-25 para o Brasil, e essa é nossa única e melhor aposta.
A Rainha de Fogo continua em silêncio por alguns segundos, seu cérebro positrônico funcionando a plena capacidade, finalmente fala:
- É. Faz todo o sentido.
O velho produz um pequeno sorriso.
- Eu gosto de você, Amanda. Não foi culpa sua a decisão desastrosa que Masayoshi tomou. Por isso estou lhe dando essa chance. Liberei uma conta especial, não rastreável, com recursos mais do que suficientes para você montar um pequeno grupo de mercenários. Entenda, nada será oficial, e se por algum motivo isso vier a tona, a VNR vai negar qualquer envolvimento.
- Perfeitamente entendido, senhor.
- Bom! Também fizemos aprimoramentos em seu sistema. Agora você poderá desligar toda a parte eletrônica mas ainda assim seus implantes biomecânicos funcionarão, você manterá sua força e velocidade, e ficará imune aos ataques de Bel, mas terá que lutar como um ser humano a moda antiga, sem nenhum auxílio biodigital.
Amanda se lembra da onda de energia liberada pela garota biocomputador, que matou centenas de oficiais e agentes, e se não tivesse desligado seu sistema imediatamente estaria morta também.
- Me desculpe pelas perdas dos recursos, senhor Nakashima.
- Não se preocupe. Faz parte do ofício. Porém, você deve entender que dessa vez só poderá voltar com a missão cumprida. Estou apostando tudo em você, compreende?
Amanda se levanta da cama, assume uma postura de respeito, exatamente como um militar. Fixa o olhar em Seiji
- Compreendo, senhor. E muito obrigada por confiar em mim. Tenho apenas uma pergunta, de quanto tempo dispomos?
- Do tempo que for necessário, Para todos os efeitos, Bel já está morta. Apenas te falo que ela não pode, em hipótese alguma, colocar os pés na República Federativa do Brasil. Você deve matá-la e a todos que tentaram protegê-la.
- Estamos entendidos, senhor.
- Ótimo!
O ancião dá as costas,andando para fora da sala e seguido por suas acompanhantes, mas antes de sair ele se detêm, voltando a falar:
- Te peço apenas uma coisa, Amanda.
- Senhor?
- Seja rápida. Seja breve. Não quero que Bel sofra.
- Entendido.
Seiji e suas acompanhantes deixam a sala médica, a porta se fecha e Amanda respira fundo.
***
O homem caminha a passos vagarosos, grilhões em seus pés dificultam seus movimentos, mas é a dor proveniente das muitas fraturas que lhe foram impostas a principal causa da morosidade. Dos grilhões nos pés parte uma corrente que se une as algemas em suas mãos, e dessas uma outra corrente sobe até seu pescoço, fixando-se a uma coleira de ferro que abraça a carne, quase sufocando o condenado.
Os guardas ao lado do prisioneiro o empurram, tratando-o com o máximo possível de ignorância. Após andarem por um longo corredor, onde as outras pessoas, ao verem o homem acorrentado, desviavam de seu caminho, eles chegam a uma pequena sala, onde um agente de segurança monta guarda.
- Entre por favor, minha chefe o espera. - diz o sisudo segurança, a voz baixa, o olhar inexpressivo, abrindo a porta para a prisioneiro.
Os dois oficiais se olham, um deles confirma com a cabeça e então se volta para o homem grilhonado.
- Vamos, entra logo aí, Yuri.
O Coveiro obedece, e ao adentrar o recinto se surpreende ao ver Amanda Makarim sentada ao fundo. Ela aponta para a outra cadeira, próxima a entrada. O segurança fecha a porta.
- O que você quer comigo? - Pergunta Yuri, encarando a mulher, sentando-se.
O rosto dele está desfigurado pelos hematomas. Lhe falta um olho e outro está quase negro de tão roxo. Nenhum criogel lhe foi aplicado, foi tratado do jeito antigo. Amanda examina bem a fisionomia abatida. Repara que mesmo sem armadura aquele homem é quase um urso, talvez por isso aguentou o linchamento que os policiais da UNI-Tron lhe proporcionaram.
- Você foi condenado à morte. Será executado dentro de alguns dias. Eu estou aqui para lhe dar uma segunda chance.- diz ela, altiva.
Yuri flexiona o tronco para frente, levanta as sobrancelhas.
- E se eu te disser, cadela, que não quero porra nenhuma vinda de você? - Um sorriso provocativo se forma na boca deformada do Coveiro.
Amanda cerra os dentes, afina o olhar.
- Eu posso te poupar da agonia da espera e matá-lo aqui mesmo. Porém, também posso providenciar que seja libertado e lhe dar a chance de matar Maestro e recuperar sua presa, a engenharia Marcela.
O sorriso desaparece do rosto de Yuri. Ele se joga contra o encosto da cadeira, levantando o rosto.
- Eu quero mais. Eu quero a cabeça da Fúria.
- Isso é com você. Se me ajudar, lhe deixarei livre nas Terras Ermas. Jamais poderá voltar à Vix ou a outra cidade controlada pela GFA, mas terá acesso as Zonas de Exclusão, poderá recomeçar a vida.
Ele pensa por alguns instantes.
- É, é uma boa oferta, ruivinha, e seremos só nos dois? - ele pisca o olho roxo, como um cafajeste. Ela ignora o gesto.
- Não. Preciso de mais mercenários, aliás, estava esperando que me indicasse alguns.
- Fácil. Eu quero Jonas e Rat Bones!
- Aqueles dois que sobreviveram ao ataque ao meu transporte? Eles estão na crioprisão, mas posso tirá-los de lá.
- E depois do trabalho os quero livres também! Vão ser a minha nova equipe!
- Tudo bem. Temos um acordo então, senhor Yuri?
- É, ruivinha, temos sim!
Amanda se levanta, anda em direção a porta, se aproximando do Coveiro. Ele olha para ela com um semblante divertido.
- Veja só como o mundo dá voltas! Um dia eu te dou uma surra, no outro você pede a minha ajuda! Que coisa, não? - Começa a rir, zombando.
Amanda flexiona os dedos da mão da direita, cerrando o punho, então se vira para a ele girando o tronco e projeta um potente cruzado no rosto do Coveiro.
Yuri cai da cadeira, os dentes que lhe restavam voam de sua boca e atingem o chão envoltos em sangue, sua mandíbula é deslocada. A dor é terrível, por pouco não o faz perder os sentidos.
- Nunca mais dirija à palavra a mim de maneira desrespeitosa, seu merda.
Ela dá as costas, o segurança abre a porta da sala. Amanda se detém por um momento, atraindo a atenção dos oficiais que trouxeram o Coveiro, então fala:
- Você é patético, Yuri. Mas nos veremos em dois dias. Minha equipe vai cuidar de você.
Desconcertado, o Coveiro olha para Amanda, vê os dois oficiais da UNI-Tron, que ao perceberem sua situação começam a rir copiosamente.
- Ei, Amanda - ele grita, a voz embolada, sangue escorrendo da boca - Temos que rastrear a Fúria, ela vai nos levar ao Maestro se a Marcela ainda estiver com ele!
A Rainha de Fogo desaparece entre os funcionários da VNR. Depois de um tempo os oficiais de UNI-Tron fazem o mesmo. Um grupo de agentes corporados entra na sala, levantando Yuri e o levando para outra área dentro das instalações da corporação. Porém, apesar da dor e da humilhação ele está feliz, e começa a sentir um desejo tomando conta de seu coração, um desejo que sempre o acompanhava nas caçadas, o desejo de matar, de trucidar, de esquartejar. Primeiro daria um fim em Maestro, o traidor, encheria o homem de porrada e então, lentamente, cortaria sua cabeça. Depois seria a vez da Fúria, ah, ela iria descobrir o significado da palavra dor, poderia torturá-la durante dias, até que Dianna implorasse pela morte, que seria degustada por Yuri com grande prazer; e por fim se voltaria contra Amanda, ele pensa em arrancar cada um dos implantes dela, desmontá-la, infligir dor de maneira minuciosa na carne que sobrou no corpo daquela ciborgue de merda, talvez até usando um bisturi laser! Sim, mostraria para a Rainha de Fogo com quem ela se meteu. O Coveiro sorri enquanto é carregado pelo corredor, causando espanto aos atarefados funcionários que cruzam o seu caminho.
https://www.facebook.com/engenhariareversalivroPorém, diferente de todos os dias anteriores, o emaranhado de dados ruins não deixam o homem apreensivo, pois para ele, no atual momento, informações empresariais não significam nada. Sabe que precisa ser forte, que precisa fazer exatamente o esperado de um executivo em sua posição. Se segura para não chorar, mas mesmo assim uma singela lágrima desce por seu rosto. Como uma sequência de dominós em queda, uma a uma as telas virtuais perdem seus dados, deixando apenas a mensagem “Acesso Negado”.
Ikeda começa a remover as telas, liberando sua visão do mundo virtual e passando a enxergar seu escritório. O encosto da poltrona automaticamente começa a se mover, voltando para sua posição padrão, ficando totalmente na vertical. Ele olha para a superfície de sua mesa de trabalho, limpa, impecável. O escritório é todo ele um quadrado de vidro inteligente, que no momento está completamente transparente, permitindo que os subordinados de Ikeda o vejam. Ele olha para o único móvel da sala, um armário baixo. Sobre o armário, no vidro digital, fotos de sua mulher e filha são exibidas em sequencia em um pequeno retângulo. “Ela vai entender”, pensa. Então se levanta, anda para o pequeno móvel. Do lado de fora do quadrado, seus funcionários olham assustados, muitos já sabem o que vai acontecer, mutos já viram isso antes.
Ele abre uma das portas do armário, de onde retira uma caixa retangular, toda negra. Leva a caixa para a mesa, a abre e retira a arma, uma pequena pistola. Se volta para as fotos da família, ficando de frente para toda a equipe. Alguns funcionários se desesperam, mas sabem que não devem interferir. “Seja firme, Ikeda, o fracasso nunca foi uma opção”. Sente a mão tremer, e mesmo assim leva à arma até a cabeça, apontando-a para uma têmpora.
Fecha os olhos. Puxa o gatilho. O corpo de Masayoshi Ikeda tomba, gotas de sangue escorrem pelo vidro digital. Alguns colaboradores desmaiam. Cinco minutos depois uma equipe de segurança aparece no andar. Ele entram no quadrado, com muita naturalidade, removem o corpo do executivo, colocando-o sobre uma maca, enquanto isso, uma senhora limpa o sangue espalhado na superfície do caro vidro digital.
***
[Sistema reinicializando em dez segundos…]
Amanda abre os olhos. De imediato reconhece o teto. Está na enfermaria da sede da VNR, em Vix. Braços robóticos terminam de fazer as últimas soldas nas partes eletrônicas de seu corpo, corpo cada vez menos humano. Agora ela possui uma perna e dois braços cibernéticos. Atualizações de software, blindagem de última geração, placas de metal ultra finas, ainda assim super resistentes, sensores especiais. A empresa fez uma completa renovação de seu corpo cibernético, atualizou o sistema e ainda lhe pagou um adicional por danos em campo. “Se Masayoshi tivesse cumprido com sua palavra, eu estaria em alguma lixeira nesse momento”, pensa, sem entender o porquê daquilo tudo.
[Reinicialização concluída. Sistemas atualizado.]
Os braços robóticos se retraem para dentro das paredes. Amanda perde os sentidos por alguns segundos, como se morresse, como se experimentasse uma pequena morte.
Minutos depois ela recobra a consciência, é sempre assim depois de uma atualização demorada. Se senta na cama, rotaciona a cabeça, alongando o pescoço, estalando os músculos que ainda lhe restam naquela região. Toca o chão com seus pés descalços, sente o piso frio com a ponta dos dedos que ainda são de carne. Vê sua imagem refletida em um espelho na parede. Encara ela mesma. O cabelo curto e desgranhado a deixa com um uma aparência meio selvagem, apesar de seus implantes cromados e brilhantes. Um pensamento atípico invade sua mente: “O que eu me tornei? Quem eu sou, afinal?” As perguntas fomentam uma estranha tristeza, algo que a muito ela não sentia.
De súbito, uma porta que parecia não estar ali se abre, revelando um senhor oriental de avançada idade, ladeado por duas mulheres maquiadas e vestidas da forma tradicional japonesa, duas gueichas? supõe, espantando os pensamentos sombrios.
O senhor entra na sala, seguido pelas acompanhantes. Uma instantânea pesquisa no banco de dados corporativo alimenta Amanda com tudo que ela precisa saber sobre ele, é Seiji Nakashima, supremo diretor, um dos fundadores da VNR.
- Senhor - ela abaixa a cabeça em sinal de respeito.
- Por favor, sem formalidades. - Responde ele, tranquilo. Continua a falar - Como você já deve presumir, seu antigo chefe está morto. Era o mínimo esperado. - faz uma pausa - Hoje mais cedo fizemos uma conferência de imprensa. Para todos os efeitos, os terroristas foram mortos, assim como Bel Yagami.
Amanda franze a testa. Seiji prossegue:
- A uma hora dessas eles já devem estar fora de Vix. O alto escalão da UNI-Tron tem fortes convicções de que estão levando a EBC-25 para o Brasil, e essa é nossa única e melhor aposta.
A Rainha de Fogo continua em silêncio por alguns segundos, seu cérebro positrônico funcionando a plena capacidade, finalmente fala:
- É. Faz todo o sentido.
O velho produz um pequeno sorriso.
- Eu gosto de você, Amanda. Não foi culpa sua a decisão desastrosa que Masayoshi tomou. Por isso estou lhe dando essa chance. Liberei uma conta especial, não rastreável, com recursos mais do que suficientes para você montar um pequeno grupo de mercenários. Entenda, nada será oficial, e se por algum motivo isso vier a tona, a VNR vai negar qualquer envolvimento.
- Perfeitamente entendido, senhor.
- Bom! Também fizemos aprimoramentos em seu sistema. Agora você poderá desligar toda a parte eletrônica mas ainda assim seus implantes biomecânicos funcionarão, você manterá sua força e velocidade, e ficará imune aos ataques de Bel, mas terá que lutar como um ser humano a moda antiga, sem nenhum auxílio biodigital.
Amanda se lembra da onda de energia liberada pela garota biocomputador, que matou centenas de oficiais e agentes, e se não tivesse desligado seu sistema imediatamente estaria morta também.
- Me desculpe pelas perdas dos recursos, senhor Nakashima.
- Não se preocupe. Faz parte do ofício. Porém, você deve entender que dessa vez só poderá voltar com a missão cumprida. Estou apostando tudo em você, compreende?
Amanda se levanta da cama, assume uma postura de respeito, exatamente como um militar. Fixa o olhar em Seiji
- Compreendo, senhor. E muito obrigada por confiar em mim. Tenho apenas uma pergunta, de quanto tempo dispomos?
- Do tempo que for necessário, Para todos os efeitos, Bel já está morta. Apenas te falo que ela não pode, em hipótese alguma, colocar os pés na República Federativa do Brasil. Você deve matá-la e a todos que tentaram protegê-la.
- Estamos entendidos, senhor.
- Ótimo!
O ancião dá as costas,andando para fora da sala e seguido por suas acompanhantes, mas antes de sair ele se detêm, voltando a falar:
- Te peço apenas uma coisa, Amanda.
- Senhor?
- Seja rápida. Seja breve. Não quero que Bel sofra.
- Entendido.
Seiji e suas acompanhantes deixam a sala médica, a porta se fecha e Amanda respira fundo.
***
O homem caminha a passos vagarosos, grilhões em seus pés dificultam seus movimentos, mas é a dor proveniente das muitas fraturas que lhe foram impostas a principal causa da morosidade. Dos grilhões nos pés parte uma corrente que se une as algemas em suas mãos, e dessas uma outra corrente sobe até seu pescoço, fixando-se a uma coleira de ferro que abraça a carne, quase sufocando o condenado.
Os guardas ao lado do prisioneiro o empurram, tratando-o com o máximo possível de ignorância. Após andarem por um longo corredor, onde as outras pessoas, ao verem o homem acorrentado, desviavam de seu caminho, eles chegam a uma pequena sala, onde um agente de segurança monta guarda.
- Entre por favor, minha chefe o espera. - diz o sisudo segurança, a voz baixa, o olhar inexpressivo, abrindo a porta para a prisioneiro.
Os dois oficiais se olham, um deles confirma com a cabeça e então se volta para o homem grilhonado.
- Vamos, entra logo aí, Yuri.
O Coveiro obedece, e ao adentrar o recinto se surpreende ao ver Amanda Makarim sentada ao fundo. Ela aponta para a outra cadeira, próxima a entrada. O segurança fecha a porta.
- O que você quer comigo? - Pergunta Yuri, encarando a mulher, sentando-se.
O rosto dele está desfigurado pelos hematomas. Lhe falta um olho e outro está quase negro de tão roxo. Nenhum criogel lhe foi aplicado, foi tratado do jeito antigo. Amanda examina bem a fisionomia abatida. Repara que mesmo sem armadura aquele homem é quase um urso, talvez por isso aguentou o linchamento que os policiais da UNI-Tron lhe proporcionaram.
- Você foi condenado à morte. Será executado dentro de alguns dias. Eu estou aqui para lhe dar uma segunda chance.- diz ela, altiva.
Yuri flexiona o tronco para frente, levanta as sobrancelhas.
- E se eu te disser, cadela, que não quero porra nenhuma vinda de você? - Um sorriso provocativo se forma na boca deformada do Coveiro.
Amanda cerra os dentes, afina o olhar.
- Eu posso te poupar da agonia da espera e matá-lo aqui mesmo. Porém, também posso providenciar que seja libertado e lhe dar a chance de matar Maestro e recuperar sua presa, a engenharia Marcela.
O sorriso desaparece do rosto de Yuri. Ele se joga contra o encosto da cadeira, levantando o rosto.
- Eu quero mais. Eu quero a cabeça da Fúria.
- Isso é com você. Se me ajudar, lhe deixarei livre nas Terras Ermas. Jamais poderá voltar à Vix ou a outra cidade controlada pela GFA, mas terá acesso as Zonas de Exclusão, poderá recomeçar a vida.
Ele pensa por alguns instantes.
- É, é uma boa oferta, ruivinha, e seremos só nos dois? - ele pisca o olho roxo, como um cafajeste. Ela ignora o gesto.
- Não. Preciso de mais mercenários, aliás, estava esperando que me indicasse alguns.
- Fácil. Eu quero Jonas e Rat Bones!
- Aqueles dois que sobreviveram ao ataque ao meu transporte? Eles estão na crioprisão, mas posso tirá-los de lá.
- E depois do trabalho os quero livres também! Vão ser a minha nova equipe!
- Tudo bem. Temos um acordo então, senhor Yuri?
- É, ruivinha, temos sim!
Amanda se levanta, anda em direção a porta, se aproximando do Coveiro. Ele olha para ela com um semblante divertido.
- Veja só como o mundo dá voltas! Um dia eu te dou uma surra, no outro você pede a minha ajuda! Que coisa, não? - Começa a rir, zombando.
Amanda flexiona os dedos da mão da direita, cerrando o punho, então se vira para a ele girando o tronco e projeta um potente cruzado no rosto do Coveiro.
Yuri cai da cadeira, os dentes que lhe restavam voam de sua boca e atingem o chão envoltos em sangue, sua mandíbula é deslocada. A dor é terrível, por pouco não o faz perder os sentidos.
- Nunca mais dirija à palavra a mim de maneira desrespeitosa, seu merda.
Ela dá as costas, o segurança abre a porta da sala. Amanda se detém por um momento, atraindo a atenção dos oficiais que trouxeram o Coveiro, então fala:
- Você é patético, Yuri. Mas nos veremos em dois dias. Minha equipe vai cuidar de você.
Desconcertado, o Coveiro olha para Amanda, vê os dois oficiais da UNI-Tron, que ao perceberem sua situação começam a rir copiosamente.
- Ei, Amanda - ele grita, a voz embolada, sangue escorrendo da boca - Temos que rastrear a Fúria, ela vai nos levar ao Maestro se a Marcela ainda estiver com ele!
A Rainha de Fogo desaparece entre os funcionários da VNR. Depois de um tempo os oficiais de UNI-Tron fazem o mesmo. Um grupo de agentes corporados entra na sala, levantando Yuri e o levando para outra área dentro das instalações da corporação. Porém, apesar da dor e da humilhação ele está feliz, e começa a sentir um desejo tomando conta de seu coração, um desejo que sempre o acompanhava nas caçadas, o desejo de matar, de trucidar, de esquartejar. Primeiro daria um fim em Maestro, o traidor, encheria o homem de porrada e então, lentamente, cortaria sua cabeça. Depois seria a vez da Fúria, ah, ela iria descobrir o significado da palavra dor, poderia torturá-la durante dias, até que Dianna implorasse pela morte, que seria degustada por Yuri com grande prazer; e por fim se voltaria contra Amanda, ele pensa em arrancar cada um dos implantes dela, desmontá-la, infligir dor de maneira minuciosa na carne que sobrou no corpo daquela ciborgue de merda, talvez até usando um bisturi laser! Sim, mostraria para a Rainha de Fogo com quem ela se meteu. O Coveiro sorri enquanto é carregado pelo corredor, causando espanto aos atarefados funcionários que cruzam o seu caminho.
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André Luis Almeida Barreto
Aspirante a escritor, inquieto por natureza, ainda tenho vontade de mudar o mundo ou pelo menos colocar um monte de gente para pensar. Viciado em livros, games, idéias loucas e sempre procurando coisas que desafiem minha imaginação.
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