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27.6.14

Diga aos Lobos que Estou em Casa [Carol Rifka Brunt]

Ed. Novo Conceito, 2014 - 464 páginas:
      1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma.  


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O peso que a ausência carrega

Livro todo construído em cima de sentimentos profundos, por isso minha lentidão, por isso várias releituras, por isso tanta intensidade ao me expressar. Diga aos lobos que estou em casa (Novo Conceito, 464 páginas) é um daqueles livros que a gente se apaixona de cara. Desde o título até o belo trabalho gráfico. A autora era pra mim uma incógnita e eu tenho aquela comichão para me arriscar em novas empreitadas, então subi ao trapézio, sem redes em baixo. E não me arrependi em momento algum.

June ou “Crocodilo”, como queiram, vive em função de seu padrinho Finn, o único que a compreende, seu confidente, seu melhor e único amigo (pelo menos que ela queira). Garota tímida, não se dá bem nos contatos que faz, nem nas festas as quais participa, por isso as evita:

“... para mim, não há festas boas. Fico bem com uma ou duas pessoas, mas mais do que isso e eu viro um rato-toupeira-pelado. Essa é a sensação de ser tímida... Alguém me faz uma pergunta e eu fico olhando para a pessoa, sem expressão, meu cérebro congestionado com a força que estou fazendo para tentar encontrar algo interessante a dizer. E, no final, tudo o que consigo fazer é balançar a cabeça para cima e para baixo ou encolher os ombros... E, depois, há mais uma pessoa no mundo que acha que sou um desperdício completo e total de espaço.”

Esse rato-toupeira-pelado (fiquei gargalhando ao ler isso) é a grande personagem do livro, junto ao “ausente” tio Finn. Ausente porque foi levado pela AIDS e June está sozinha novamente. Não pensem que o livro é um manifesto sobre a doença. Não é panfletário e nem quer levantar bandeiras, a autora, Carol Rifka Brunt, uma estreante com raro dom de escrever ardorosa e detalhadamente o universo adolescente, preocupa-se com as relações, com o ato de juntar os cacos, pedacinho a pedacinho.

June vive uma relação tumultuada e muitas vezes bélica com sua irmã Greta. O rancor de sua irmã ciumenta doi na carne:

“Às vezes, o que Greta falava era tão afiado que eu podia mesmo sentir suas palavras cortando meu interior, abrindo caminho até meu estômago e meu coração.”

Seu mundo desaba, não há remédio que cure, então June começa a procurar por tudo que possa religá-la de alguma maneira ao padrinho. Percebemos a necessidade do contato com alguém que já partiu dessa vida:

“E se houver... um único fio de cabelo loiro ou uma marca do lugar onde Finn costumava se sentar? E se houver um único átomo de ar que Finn costumava respirar ali dentro?”

E é aí que entra em cena alguém que poderá ajudá-la a fechar as feridas, mas June terá que confiar nele – Toby, o homem que estava no funeral de seu padrinho, mas que não se aproximou em nenhum momento, assistindo a tudo de longe, tremendamente devastado – o namorado proscrito de seu tio.

Através de Toby ela percebe que sua história não era única em relação a Finn e que, talvez, sua história não chegue nem perto ao que os dois tiveram. Descobre que, apesar de venerar seu padrinho Finn, Toby tem mais histórias que ela pra contar e se utiliza de uma metáfora brilhante para demonstrar a diferença e o ciúme:

“Observei-o sentado ali com cartas na manga. Baralhos e baralhos de cartas-surpresa que ele poderia tirar sempre que quisesse. Histórias sobre Finn que eu nunca ouvira. Meu baralho era fino. Gasto por ser embaralhado de novo e de novo na minha cabeça. Minhas histórias sobre Finn eram chatas e simples. Pequenas e idiotas.”

June se aproxima de Toby, tenta aceitá-lo, para saber quem foi seu tio Finn, sem saber o que pode acontecer quando fazemos uma escolha equivocada. Que avalanche podemos provocar ao empurrar uma pedrinha pelo penhasco. Ela se arrisca, investiga sua família, questiona a si mesma, vai a fundo sem nunca se deixar levar pelas aparências e principalmente tentando fazer a coisa certa:

“Não gosto de ouvir coisas escondida porque, na minha experiência, as coisas que os pais mantêm em segredo são coisas que a gente não quer saber. Não é gostoso saber que seus avós estão se separando porque seu avô perdeu a calma e deu um tapa na cara de sua avó depois de 52 anos de casamento sem problemas. Não é gostoso saber antes do tempo o que você vai ganhar de Natal ou nos aniversários de forma que você tenha de fingir surpresa apesar de ser péssima em mentir. Não é gostoso saber que seu professor disse à sua mãe em uma reunião que você é uma aluna mediana em matemática e inglês e que deveria ficar feliz com isso.”

Muitas vezes os sentimentos se confundem. O que sentir por Toby? Como se portar diante de alguém que se abre tão completamente, sem ressalvas, sem pudores? O doce sabor de um toque, do roçar de braços, do encostar de ombros:

“— Havia alguma coisa tão elétrica naquilo. Tão perigosa. Aqueles pequenos toques eram tudo. Eu vivia para eles. Você pode construir um mundo inteiro em volta dos menores toques. Sabia disso? Consegue imaginar?”

June consegue definir sua situação e é por frases como esta abaixo que digo que um livro vale a pena ser lido. Ela fica ruminando em minha cabeça, ganhando proporções que tomam meu dia de assalto:

“Eu gosto da palavra clandestina. Parece medieval. Às vezes, penso nas palavras ganhando vida. Se clandestina estivesse viva, seria uma garota pequena e pálida com o cabelo da cor das folhas no outono e um vestido branco como a lua. Clandestina era o tipo de relação que Toby e eu tínhamos.”

June é uma personagem doce e cativante, que irá fazer muita gente segurar o choro. E Finn não ficará atrás. Mesmo ausente ensinará através do que viveu com sua afilhada, o valor das pequenas coisas, a importância de se viver intensamente.

É um livro sobre o amor e a amizade, sobre como o amor pode estar escondido nos detalhes. Recomendadíssimo, com direito a lencinho aos mais emotivos.


Cortesia da Editora Novo Conceito
Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
26.6.14

Uma Bruxa Apaixonada, Vol. 2 - Trilogia Winter [Ruth Warburton]

Uma-Bruxa-Apaixonada-Ruth-Warburton
Ed. Leya, 2014 - 384 páginas:
      Anna ainda não acredita que o feitiço que colocou em Seth foi desfeito e que agora ele realmente a ama. Por isso, decidiu suprimir seus poderes, não importa como. Mas mágica - assim como o amor - é incontrolável. Enquanto Seth tenta convencê-la de que seus sentimentos por ela são verdadeiros, Abe deseja que Anna desenvolva e aprimore seus poderes. E não é apenas com feitiços e amor que Anna precisa lidar: em uma viagem a Londres estaria a resposta para as origens de sua mãe? E por que seu pai resiste em contar qualquer coisa a respeito dela? Poderia ele estar... enfeitiçado?  


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Uma Bruxa Apaixonada é o segundo volume da trilogia Winter, continuação de Uma Bruxa na Cidade. No primeiro livro, Anna, uma garota de 17 anos mudou-se com seu pai da interessante Londres para uma cidade costeira chamada Winter. Toda mudança por si só é um pouco traumática, imagina então para uma adolescente? Nova escola, novos amigos... Mas o pior de tudo foi a descoberta assombrosa de ser uma bruxa! Sem alicerces para suportar todos estes acontecimentos, ela só não desabou porque alguns outros bruxos da cidade a ajudaram. Além do mais, Anna se apaixonou pelo garoto mais bonito da escola, e depois de um desastrado feitiço de amor, Seth tornou-se seu namorado.

Seis meses se passaram e Anna agora tenta esconder que é uma bruxa, não quer usar mais seus poderes, mas ainda vive angustiada por pensar que Seth somente a ama por causa do antigo feitiço.

"- Você me ama de verdade, ou nosso relacionamento não passa de um efeito colateral prolongado de um encantamento acidental?"

Mas isso é de longe o menor dos seus problemas, pois, por mais que tente, é incapaz de controlar seus poderes, principalmente quando se irrita. Além do mais, ela precisa saber um pouco mais sobre sua mãe e o porque dela te-los abandonado. Seu pai acredita que ela está morta, mas se recusa a conversar sobre o assunto. Seus amigos bruxos também são contra seu relacionamento com um "apartado" e o avô de Seth a odeia. Mas não para por aí, um grupo anti-bruxas a está ameaçando, fazendo atentados a sua casa e pichando as paredes do celeiro com mensagens assustadoras.

"- O que isso significa? - perguntei automaticamente, embora tivesse quase certeza de saber a resposta. Não que eu conhecesse o significado do texto, mas sabia quem havia pintado as letras, e por quê."

Neste segundo volume Anna faz de tudo para levar uma vida normal, só que diversos acontecimentos não permitem. Ela está decidida a desvendar alguns mistérios relacionados a sua mãe, mas não sabe em quem pode realmente confiar. Como acontece na maioria dos livros do meio, ao invés de respostas, ela encontra somente mais dúvidas ...


Cortesia da Editora Leya
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
25.6.14

Desde o Primeiro Instante [Mhairi McFarlane]

Desde o Primeiro Instante [Mhairi McFarlane]
Ed. Novo Conceito, 2014 - 464 páginas:
      Rachel acabou de romper um noivado e está decidindo o que vai fazer da vida. Quando ela se encontra casualmente com Ben, um amigo dos tempos da faculdade, seu coração balança. Na época não rolou, mas agora ele parece tão mais interessante... O problema é que Ben está casado, “fora do mercado”, como se costuma dizer. Ok, hora de partir para outra. Rachel não é nenhuma mocinha ingênua, dessas que se deixam levar pela emoção. O fato de Ben ser lindo, educado, engraçado, nobre e fiel não é suficiente para tirar Rachel do seu eixo. Claro que não. Na verdade, ele é O Companheiro Perfeito. Pena que seja tão fiel! Apaixonar-se pelo melhor amigo é o sentimento mais gostoso do mundo, mas também é assustador. 

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Desde o primeiro instante, conta o que se passa no presente de Raquel e seu passado dentre esses momentos, ela acaba de romper um noivado depois de uma relação de 13 anos com Rhys, que na época que se conheceram era um cara mais velho e tinha uma banda, um homem possessivo e manipulador, que a tinha como mais um troféu.

Por 13 anos Raquel tenta manter essa relação, mas nos preparativos de seu casamento com Rhys perde a paciência não só com a falta de respeito com que ele trata suas escolhas mais também com anos de frustração com essa situação. Raquel é obrigada a sair de casa e se muda para o centro de Manchester, uma indicação de sua amiga Mindy.

Raquel tem 3 amigos inseparáveis desde a faculdade: Mindy, Ivor e Caroline, estes não apóiam sua separação, cada um por seus motivos, mas a ajudam a passar por essa fase. Caroline conta a Raquel que viu um velho amigo dela, Ben, na biblioteca, e Raquel tanta “disfarçadamente” reencontrar esse amigo.

Depois desse encontro “não intencional”, Raquel começa a relembrar a amizade deles, mas Ben agora está casado com a linda Liv. Levada pela emoção, ela se permite aproximar de novo, marcando um encontro profissional com Ben e seu amigo Simon, surgindo assim uma oportunidade exclusiva que pode mudar a carreira de jornalista de Raquel.

Mas nem tudo acontece como Raquel espera, quando tudo ia bem, numa sexta-feira as coisas mudam, quase perde seu emprego, descobre que Rhys a traia, seus amigos estão brigados, Caroline é traída e Ben se afasta novamente.

É um romance divertido, com os desencontros e as escolhas erradas. Não costumo dizer isso, mas escutem May you Never e Couldn’t Love you more  de John Martyn enquanto estiverem lendo, para entender melhor os personagens.

Cortesia da Editora Novo Conceito
Tainá Rodrigues Cunha
Guarapariense, gastrônoma e apaixonada por todos os tipo de arte. Ler é uma forma de escape prazeroso da nossa realidade. Assim como as comidas que cozinho me alimentam o corpo, os livros alimentam minha alma.
24.6.14

Eu Nunca, Vol. 2 - Série The Lying Game [Sara Shepard]

Eu-Nunca-Sara-Shepard
Ed. Rocco, 2014 - 286 páginas:
      Segundo volume de sua outra série de sucesso, The Lying Game, Eu nunca... traz a jovem Emma Paxton vivendo sob a identidade de sua irmã gêmea morta. Mas quanto mais revira o passado de Sutton para descobrir quem a matou, mais a vida de Emma está em perigo. Afinal, todos a sua volta são suspeitos, nesta intrincada trama de mistério, intrigas, romance e reviravoltas. 

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O segundo livro da Série The Lying Game me fez entender o porque do grande sucesso de Sara Shepard. Confesso que não achei o primeiro volume, O Jogo da Mentira empolgante, e nem estava muito animada para ler sua continuação, mas em "Eu Nunca" a autora mostrou todo o seu talento para criação de histórias de suspense, e pude verificar que seu grande sucesso é merecido.

Já perceberam que o livro me surpreendeu positivamente, é impressionante como a autora consegue criar um enredo baseado em fatos cotidianos da vida de jovens adolescentes e ao mesmo tempo elaborar situações de pura expectativa. Cada movimento, diálogo, tem uma razão de ser e se encaixam de forma brilhante em toda a situação de suspense criada no decorrer do livro.

A Série The Lying Game (O jogo da mentira) base-a se na vida de uma jovem chamada Emma, que foi abandonada pela mãe quando criança e desde então passou a morar em diversos lares adotivos. Emma descobriu, por um vídeo na internet, que tinha uma irmã gêmea idêntica, Sutton, e ao marcar um encontro para conhece-la, Sutton não aparece e ela crê que sua irmã está morta e provavelmente foi assassinada. As melhores amigas de Sutton a confundiram com ela, inclusive sua própria família. Emma resolve se passar por Suttan a fim de desvendar o que realmente aconteceu com sua irmã.

Isso não é nada fácil, pois Sutton era uma garota bem diferente de Emma. Era mimada, a popular da escola e muito, muito má. Muitos tinham motivos para matá-la, inclusive suas melhores amigas. Sutton criou uma brincadeira entre um grupo fechado de meninas chamado O jogo da mentira, onde elas se aplicavam trotes de muito, mas muito mal gosto mesmo.

"Sutton e suas amigas faziam parte de um clube secreto chamado Jogo da Mentira, que se orgulhava de apavorar seus membros e os outros alunos da escola"

Agora Emma era Sutton, se encontrava sozinha e sem amigos verdadeiros, sem saber em quem confiar. E ainda corre perigo de vida, pois quanto mais perto chega de descobrir o assassino de sua irmã, mas é ameaçada de morte. A autora passa estes sentimentos muito bem para o leitor, que a cada página se angustia tentando adivinhar os caminhos tortuosos da trama, pregando-nos assim as páginas do livro, onde só conseguimos parar de ler quando ele termina.

"Meus inimigos estão em todo lugar. E, às vezes, aqueles de quem menos suspeitamos acabam sendo as maiores ameaças."

O interessante no livro não é sua história, que é simples e até clichê. O que faz a diferença é a inteligencia da autora para montar suas cenas de suspense e intercalar todos os acontecimentos de forma a se encaixarem sem deixar furos. Sara Shepard ganhou meu respeito no gênero e agora entendo porque ela é tão famosa entre os adolescentes.

"- Regras são feitas para ser quebradas, vadias. Querem saber como eu fiz? Mal posso esperar para explicar. Passei semanas planejando este trote. É minha obra-prima."


Cortesia da Editora Rocco
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
23.6.14

A Extraordinária Viagem do Faquir Que Ficou Preso Em Um Armário Ikea [Romain Puertolas]

Romain Puertolas
Ed. Record, 2014 - 256 páginas:
      A figura de um faquir está associada à meditação, ao treinamento e à magia. Mas, no caso de Ajatashatru Ahvaka Singh, é mais provável que o público se depare com truques e trapaças. A última de suas artimanhas foi convencer sua aldeia a pagar por uma viagem a França para adquirir a Camadepregösa, um modelo de cama de pregos vendida pela Ikea. Só que ele não contava em ficar preso dentro de um dos armários da loja. Nem que o móvel seria despachado para outro país. Assim, o faquir e seu turbante partem para uma aventura, ainda que involuntária, pelo mundo, fazendo uma horda de inimigos, alguns amigos e aprontando muitas confusões pelo caminho. 

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O objetivo era bem simples: um faquir sai de sua pequena aldeia e vai até a França, mais precisamente até uma das lojas Ikea para comprar uma nova cama de pregos (inoxidáveis) e retorna em seguida para dar continuidade às suas funções.

Mas tudo saiu de forma completamente diferente do programado. O faquir em questão, na verdade é, digamos, um picareta, que em vez de pregos engole parafusos e porcas feitos de carvão (mais fáceis de engolir do que os pregos de verdade) e chama-se Ajatashatru Ahvaka (pronuncie "acha já a tua vaca"). Ele acaba preso dentro de um dos armários da loja, seguindo viagem da França para a Inglaterra. E esse é só o início das peripécias desse indiano e seu turbante.

O autor soube contar uma história inusitada de uma maneira muito inteligente e divertida, mas o enredo não se resume a Ajatashatru (pronuncie "achata o tatu"), seus trambiques e trapalhadas. O livro também trata de diferenças sociais, imigração ilegal na Europa e relações humanas.

Tem uma pitada de drama, uma pitada de romance, muita aventura e humor, e com todos esses elementos a narrativa se torna muito interessante e nada cansativa. Assim, podemos acompanhar a evolução do "faquir" como ser humano, a partir de pessoas que ele conhece durante essa viagem involuntária e que o fazem perceber que o mundo é muito maior e mais complexo do que aquele visto de sua pequena aldeia.

Eu recomendo a leitura para aqueles que querem ler um gênero diferente, com um texto inteligente e bem humorado. Em pouco mais de duzentas páginas temos uma história sobre o poder transformador da amizade e da fé nas pessoas.


Cortesia da Editora Record
Vanilda Procópio
Paranaense, administradora financeira e mãe. Não consigo imaginar minha vida sem os livros e leio por puro prazer, vivendo histórias e conhecendo novos lugares e pessoas a cada página aberta.
20.6.14

Destino Mortal, Vol. 1 - Série Destiny [Suzanne Brockmann]

Ed. Valentina, 2014 - 536 páginas:
      Expulso de um grupo de elite de forma desonrosa, o ex-Navy SEAL Shane Laughlin consegue um emprego para participar de um programa de testes no Instituto Obermeyer (IO), uma fundação de pesquisas e desenvolvimento que trabalha com atividades secretas. Logo, Shane descobre que existem certos indivíduos que têm a habilidade de conseguir acesso a regiões inexploradas do cérebro, conhecidos como Maiorais. Essas raras figuras conseguem cultivar seus poderes e usá-los de forma responsável. No entanto, nas profundezas da segunda Grande Depressão dos Estados Unidos, ricaços imprudentes descobriram uma alternativa sedutora na forma de um novo produto: Destiny. Trata-se de uma droga capaz de transformar qualquer pessoa num Maioral, além de oferecer a juventude eterna para o usuário. O cartel sinistro conhecido como a Organização começou a produzir Destiny em larga escala, e a demanda pela droga se tornou epidêmica. 

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Mais um livro da editora Valentina que amei. Realmente fiquei triste quando terminou, apesar das 536 páginas de letras pequenas, queria mais e mais. Gostei da trama, de como a autora expor os personagens, de modo que me apaixonei pela história de cada um deles, e agora que a leitura acabou, já estou com saudades e querendo mais.

Destino Mortal é o primeiro volume de uma série, mas acredito piamente que esta será daquelas que vou torcer para não acabar nunca, porque os livros não devem se focar somente em um par de personagens, mas sim contar várias histórias, pois foi exatamente isso que aconteceu com o primeiro, além dos 2 personagens ditos "principais", outros tiveram igual respeito na trama, de modo que as histórias ficaram bem balanceadas, girando em torno de um objetivo comum.

A série se ambienta em algum tempo futuro do século XXI, na cidade de Boston, depois de uma segunda Grande Depressão dos Estados Unidos. São tempos difíceis, a população está sem dinheiro e os empregos são escassos, cenário perfeito para a corrupção governamental e surgimento de novos milionários.

Neste futuro, algumas pessoas têm a capacidade de conseguir acesso a regiões inexploradas do cérebro, um talento natural, que lhes proporcionam algumas habilidades, como telecinesia, contato telepático e reversão do processo de envelhecimento. Eles são chamados de Maiorais e existem cerca de oitocentos deles identificados vivendo nos EUA.

Alguns destes Maiorais trabalham no Instituto Obermeyer (IO), uma fundação de pesquisas e desenvolvimento que trabalha com atividades secretas. Seu principal objetivo é desenvolver esses talentos naturais em indivíduos da sociedade que estão mais inclinados a desenvolver estes poderes. Estes indivíduos são chamados de Potenciais. 

Mas em tempos difíceis, um cartel sinistro conhecido como a Organização começou a produzir uma droga chamada Destiny, capaz de transformar qualquer pessoa num Maioral, oferecendo juventude eterna para o usuário, desde que este tivesse muito dinheiro para compra-la. O problema é que esta droga é altamente viciante e uma única dose pode enlouquecer seu usuário. Os Maiorais do Instituto Obermeyer, chefiados pelo Dr. Bach, trabalham secretamente para conter os usuários desta droga, escondendo da população em geral a sua existência.

Neste primeiro volume conhecemos Shane Laughlin, ex-Navy SEAL que não consegue arrumar nenhum emprego depois que foi expulso de forma desonrosa e entrou na lista negra do governo. Ele conhece acidentalmente num bar a Maioral Mac, que faz parte da equipe de elite do Dr. Bach. Shane e Mac vivenciam uma torrencial noite de amor, mas no dia seguinte ela o dispensa. Até que os dois voltam a se encontrar no Instituto Obermeyer. Apesar da atração explosiva que existe entre eles, Mac tem seus motivos pessoas para se afastar de Shane.

O enredo do livro desenvolve-se em torno da equipe do Dr. Joseph Bach, formada pelos seus segundos em comando: Stephen Diaz e Michelle “Mac” Mackenzie, além do médico Dr. Elliot Zerkowski. Enquanto trabalham para desvendar o rapto de uma adolescente de 13 anos, provavelmente realizado pela Organização, e ajudar sua irmã mais velha Anna Taylor a encontra-la, também vivenciam seus dilemas pessoas. A mistura de muita ação, suspense, romance e drama fazem do livro uma combinação perfeita. E o final é eletrizante, daqueles dignos de filmes de ação.

"- Bem, só para o caso de você estar mentindo... - disse ela. - Desculpe, - virou-se para Elliot e explicou: - Cometi o erro de pensar nele sem roupas antes de saber que conseguia ler minha mente."

No fim somos brindados com um bônus especial: Uma narrativa dividida em 5 capítulos que conta como Shane foi expulso do pelotão que chefiava nos SEALs.

Cast dos sonhos da autora (da esquerda para direita): Mac, Shane, dr. Bach, Anna, Diaz e dr. Elliot

Foto Retirada do site: www.SuzanneBrockmann.com

Cast dos meus sonhos:

Michelle “Mac” Mackenzie: Scarlett Johansson
"Seu cabelo claro muito curto estava charmosamente despenteado. Esguia, frágil e pálida, ela era instigantemente feminina."


Shane Laughlin: William Levy
"Alto, esbelto, com ombros largos, quadris estreitos e pernas compridas. Também era quase absurdamente lindo de rosto, com cabelo pesado ruivo-aloirado, nariz reto, queixo firme e uma boca em formato gracioso, quase elegante e rápida demais para formar sorrisos sedutores."


Dr.Joseph Bach: Ben Barnes
"Seu cabelo cortado na altura dos ombros era escuro e os olhos pareciam castanhos. Apesar dos olhos castanhos, sua pele era muito pálida, adequadamente britânica, com rosto fino e feições fortes, mas aristocraticamente perfeitas. O fato era que aquele homem era bonito de forma quase sobrenatural"


Anna Taylor: Shay Mitchell
"Era linda, com uma profusão de cachos escuros que lhe desciam em cascata sobre os ombros, e tinha olhos castanho-escuros que teriam revelado tudo o que sentia. Seu rosto por si só era lindíssimo, com a pele muito lisa em tom de café. E quando Sorria..."



Stephen Diaz: Channing Tatum
"O Maioral era alto. Tinha mais de 1,90. Caminhava com pernas que pareciam troncos de árvores, e exibia braços e ombros que provavam sua excelente forma física. Se acrescentar o cabelo cortado á escovinha e os olhos verdes da cor de mar tempestuoso, o nariz perfeito e as feições que pareciam ter sido esculpidas..."


Dr. Elliot Zerkowski: Chace Crawford 
"Todas as imagens se focavam em Elliot. Seu cabelo louro-escuro um pouco despenteado, seus óculos tortos, seus olhos azuis, suas roupas desarrumadas.  É tão lindo, jovial..."


Amei! E vocês?
Cortesia da Editora Valentina
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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