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24.12.14

Charlotte Street [Danny Wallace]

Ed. Novo Conceito, 2012 - 400 páginas:
      Tudo começa com uma garota... (porque sim, sempra há uma garota...) Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo... E agora Jason — ex-professor, ex-namorado, escritor e herói relutante — se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder... É engraçado como as coisas algumas situações se desenrolam... 


Onde comprar:



Charlotte Street foi lançado em 2012 e pelas críticas que li na época de seu lançamento acredito que não foi muito bem visto pelos blogs em geral, mas depois de lê-lo, o vi sob um prisma diferente e gostei bastante da leitura. O deslise na sua divulgação foi tentar vender o livro como uma história de amor, título e sinopse da capa levam o leitor a cometer este erro de julgamento. Mas o livro não é um romance e sim uma sátira ao estilo de vida inglês, e acreditem, é muito divertido. 

Ele conta a história de Jason Priestley, um cara chegando aos 30 anos que ainda não se definiu na vida. Jason levou um chute da namorada (ou noiva), não obteve sucesso profissionalmente e por isso sente vergonha perante seus amigos. Vive com um amigo que é dependente financeiramente do pai, quer dizer, outro mal resolvido, e por estes motivos, se acha um fracassado. 

Num dia qualquer, ele esbarra numa garota e acredita que ela é a mulher de sua vida. Então passa a procura-la com as poucas pistas que tem, umas fotos tiradas em um casamento pela moça, que foram reveladas de uma máquina polaroid que ela deixou cair no momento do encontrão. Mas na verdade o que ele está procurando é a si mesmo ou talvez esteja fugindo de suas frustrações. 

Jason, seu amigo e um ex-aluno formam um trio diferente, cada um com seus problemas e juntos nesta busca pelo verdadeiro amor, vão confrontando as verdades indizíveis sobre eles mesmos.

Recomendo a leitura, mas lembre-se, não é um livro de amor. leia pelo angulo certo que com certeza vocês vão gostar. O livro também faz referencias muito engraçadas a filmes e vários aspectos da cultura inglesa. Sei que algumas coisas devem ter passadas despercebidas por mim, mas o que pude compreender já valeu a pena.

"Olhei para ele
- Você disse que nós somos o quê?
- Uma família. Eles fizeram um preço melhor para a família. Cento e cinquenta reais.
- Mas nós não somos uma família. Se fôssemos uma família, quem Matt seria?
- Bem, diga que ele é nosso filho.
- Ah, ótimo plano! Então você e eu somos parte de um avanço médico quando tínhamos nove anos? Também ele não é meio asiático e nós dois somos homens?
- Não precisamos fingir que somos uma família tradicional. Diremos que somos de Londres, eles vão entender."

Curiosidade: Maior comunidade gay e lésbica da Europa vive na capital britânica. O evento do Orgulho Gay é, portanto, um dos maior do mundo, mas os milhares de visitantes gays também contribuem para a diversão. 

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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23.12.14

Entrevista :: Com Gail Carriger, Autora do Livro Alma?


PERGUNTAS DOS NOSSOS BLOGS AMIGOS

Irene Moreira, do blog: Saleta de Leitura (http://www.saletadeleitura.blogspot.com.br/)

- A sombrinha da Alexia Tarabotti além de ser bem especial e diferente é a sua marca registrada e que deu o nome à série. Pode nos dizer por que escolheu a sombrinha?

Gail Carriger: As sombrinhas, além de fazerem parte do cotidiano das jovens elegantes da época vitoriana, são uma ótima arma, sobretudo quando se tem vontade de dar uma sombrinhada na cabeça de alguém. Além disso, “sombrinha” é uma palavra muito agradável.

- No império Britânico os sobrenaturais conviviam em harmonia com os humanos em virtude de regras impostas evitando com isso o ataque e de se alimentarem de humanos. Já para o americano queimava vivo qualquer um que fosse acusado de sobrenatural. O que a levou a colocar os americanos como inimigos em potencial dos britânicos em relação aos sobrenaturais?

Gail Carriger: Quis deixar um possível conflito no ar para os livros seguintes.

- O mordomo Floote e o Lorde Akeldama são personagens que nos cativaram durante a história. Seus nomes são bem diferentes e sugestivos. Pode nos explicar em que se inspirou para batizá-los com esses nomes?

Gail Carriger: Só em pouquíssimas ocasiões o personagem escolhe o próprio nome (Alexia sempre seria Alexia). Na maioria das vezes, os nomes que uso são cookies, ou seja, uma recompensa para o leitor cuidadoso. O nome pode passar aos leitores informações sobre o personagem, sua origem, sua identidade real e seu verdadeiro objetivo ou se relacionar a um aspecto histórico (Tarabotti) ou ainda dar alguma pista ou prognóstico ao seu respeito (Akeldama). Como adoro nomes, brinco com eles, quando possível. Um dia eu gostaria de escrever a história de Alessandro e Floote, mas ainda vai demorar um pouco.

Aline Polito, do blog Memoirs and Books (http://memoirsandbooks.blogspot.com)

- Você já conhecia ou já trabalhou com o Steampunk antes da série Protetorado da Sombrinha? Utilizou alguma fonte inspiradora para isso?

Gail Carriger: Comecei a ter contato com o steampunk como movimento estético. Há muito tempo sou fã de roupas de época e do estilo gótico, e o steampunk me atraiu por mesclar ambos de um jeito divertido. Também adoro ver tecnologias antigas serem recicladas e transformadas em jóias, e adoro observar os incontáveis exemplos da incrível criatividade das pessoas nos últimos anos.

Camila Palmeira, do blog Daily of books (http://dailyofbooks.blogspot.com.br/)

- Em que você se inspirou para construir uma personagem tão autêntica quanto a Alexia?

Gail Carriger: Alexia é uma solteirona que lida com diversas questões constrangedoras: é filha de italiano (e, ainda por cima, parece ser italiana), lê demais, é desalmada, matou sem querer um vampiro e anda sendo incomodada por um lobisomem grandalhão. Costuma lidar com esses probleminhas dando sombrinhadas nessas criaturas ou conversando com elas, ambas atitudes com resultados desastrosos. Ah, e sua melhor amiga adora usar uns chapéus super espalhafatosos.

Bianca Carvalho, do blog Amor, Mistério e Sangue (http://www.amormisterioesangue.com)

- Quais são suas maiores influências literárias? Há algo de Jane Austen e/ou Agatha Christie nelas? Estou sentindo esse clima ao ler seu livro.

Gail Carriger: Minhas maiores influências literárias costumam vir de autores como Charles Dickens, Elisabeth Gaskell e P.G. Wodehouse. Também busco inspiração nos deuses do steampunk e da urban fantasy, tais como Jules Verne ou Horace Walpole e, então, recorro à comédia e à narrativa burlesca para lidar com os arquétipos inerentes a cada estilo.

Gabrielle Alves, do blog Livros e Citações (http://www.livrosecitacoes.com)

– Saindo um pouco de O Protetorado da Sombrinha, no início do ano saiu o primeiro volume da saga spin-off, Finishing School, protagonizado por uma garota de quatorze anos. Como será essa nova etapa? Afinal, envolve uma garota de quatorze anos. O humor negro continua?

Gail Carriger: Todos os meus livros têm aspectos cômicos. Esse lado engraçado é fundamental para mim, como escritora. Até coloquei um bilhetinho na lateral do computador com a frase: “Gail, use o seu senso de humor!” Acho muito melhor fazer as pessoas rirem que chorarem. Quero que os leitores dos meus livros se sintam felizes ― a realidade já é deprimente demais, sem a minha ajuda. Ademais, eu tinha me dado conta de três fatores desconcertantes antes de escrever Alma?: dos contos que escrevi, os únicos que vendiam eram os que tinham aspectos cômicos; tanto o steampunk quanto a urban fantasy costumam ser bastante sombrios; a maioria dos meus autores favoritos era engraçada (PG Wodehouse, Douglas Adams, Terry Pratchett, Jasper Fforde). Achei que estava na hora de dar uma remexida nos gêneros e escrever um livro que incluísse um pouco de tudo do que eu mais gostava: uma heroína de personalidade forte, steampunk, urban fantasy E comédia.

- Todos os steampunks que li envolviam personagens na faixa etária de quinze anos, então por que uma mocinha mais velha, não seria mais fácil uma nos padrões convencionais?

Gail Carriger: Pelo que li até agora, não creio que seja esse o caso. Então, não tenho como responder a essa pergunta, uma vez que foi feita uma generalização que não corresponde à minha experiência.

- Os direitos de adaptação da saga foram comprados pela Parallel Films há quase um ano. Como você mesma havia dito, é difícil uma adaptação dos livros pelo orçamento sair caro. Houve algum retorno desde que o anuncio foi feito? E, hipoteticamente falando, se a adaptação saísse, qual seria seu cast dos sonhos?

Gail Carriger: Não tenho notícias recentes a respeito da adaptação para o filme. Dê uma olhada em: http://gailcarriger.livejournal.com/208802.html. Fiz um post com o elenco dos meus sonhos para um filme, aqui: http://mybookthemovie.blogspot.com/2009/09/gail-carrigers-soulless.html

PERGUNTA DA EDITORA VALENTINA 

 – Lorde Akeldama é um vampiro com interesses bastante peculiares, alguns que não eram aceitos até bem pouco tempo atrás. Você recebeu alguma crítica negativa devido a esse personagem em particular?

Gail Carriger: Lorde Akeldama é um dos meus personagens mais populares. Eu o adoro porque me divirto muitíssimo quando escrevo sobre ele ― aquele seu jeitinho peculiar que requer o uso de itálicos. Só mesmo lendo-o dá para entender por quê.

22.12.14

A Vida Como Ela Era, Vol. 01 - Série Os Últimos Sobreviventes [Susan Beth Pfeffer]

Ed. Bertrand Brasil, 2014 - 378 páginas:
      Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram – tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua. Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. O que Miranda não sabe é que os cientistas estão muito enganados... Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo.  

Onde comprar:

A Vida Como Ela Era começa inovando, não parte do principio da existência de uma sociedade futurística já definida, mas mostra a vida cotidiana através do diário de uma adolescente, até que de repente, essa vida como conhecemos deixa de existir e o único objetivo passa a ser a sobrevivência. A história assusta um pouco, colocando-nos numa situação que nos leva a refletir sobre o assunto, pois o que está acontecendo na ficção é factível, sabemos que estamos sujeitos a catástrofes naturais.

O livro é narrado por Miranda, uma jovem prestes a completar seus 16 anos, cujo maior sonho é tirar a carteira de motorista. Miranda é filha de pais separados, seu pai casou-se novamente e sua nova esposa está grávida, ela mora com a mãe e o irmão mais novo, Jonny, e Matt, seu irmão mais velho, vive na universidade em que estuda. Miranda, apesar de ter uma vida que acha sem graça, é feliz.

Susan B. Pfeffer consegue refletir magistralmente nas palavras de Miranda a personalidade e os conflitos de uma adolescente. Nas primeiras páginas, Miranda vai escrevendo sobre seu cotidiano, fatos do dia-a-dia escolar, o dia das mães, etc.. Inclusive comenta que um asteroide vai se chocar com a Lua na quarta-feira, coisa normal, já que a lua é feita de crateras justamente por se colidir frequentemente com estes asteroides. Todos estão se preparando para o evento, como o que fazemos em dias de eclipse.

Só que o imprevisível acontece, a colisão não foi inofensiva como os astrônomos calcularam e a Lua desloca-se da sua órbita. Miranda e sua família a princípio não notaram a verdadeira dimensão do desastre, pois moram no noroeste da Pensilvania, interior dos EUA, sentiram apenas algum desconformo momentâneo devido aos telefones celulares estarem sem sinal, a televisão só pegar um canal local e a energia elétrica tornando-se instável.

Até que chegaram notícias do restante do país (e do mundo), as cidades costeiras desapareceram sobre os Tsunamis e muitas pessoas estavam desaparecidas. Como as noticias podiam não ser confiáveis, tentaram no dia seguir tocar a vida normalmente, mas no meio da escola, Miranda é buscada por sua mãe que leva os dois filhos para o supermercado na tentativa de comprar o máximo possível para armazenamento, como numa guerra. O irônico para nós adultos que estamos lendo o livro é que entendemos e apoiamos as atitudes da mãe da menina, mas para seus dois filhos tudo parecia brincadeira e achavam que a mãe estava exagerando, já que logo tudo voltaria ao normal.

"Acho que sempre pensei que, mesmo que o mundo acabasse, o McDonald´s continuaria funcionando"

Foi aí que a minha ficha caiu, e comecei a me colocar na posição deles, estamos tão acostumados a modernidade, a ter solução para tudo, que não sabemos como agir em caso de calamidades desta grandeza, acho que entendo bem as crianças, pensando que tudo logo voltaria aos eixos, como sempre acontece, afinal o mundo já sobreviveu a terremotos, maremotos, etc... Acontece que quem saiu dos eixos foi a LUA e as calamidades ocorridas foram astronômicas (não resisti ao trocadilho...).

"Somos uma família. Amamos uns aos outros. Juntos, sentimos medo e coragem. Se é assim que as coisas vão acabar, que seja. Mas por favor, não quero ser a última a morrer."

É uma história de persistência e cada atitude é importante para a sobrevivência, pequenas ações podem significar a vida ou a morte de um ente querido, onde aprendemos através do sofrimento a importância das coisas simples da vida. Prepare-se para se emocionar com a história destes últimos sobreviventes.

"Será que as pessoas percebem quanto a vida é preciosa? Sei que nunca percebi isso antes. Sempre havia tempo. Sempre havia um futuro."

Cortesia da Editora Record

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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19.12.14

O Palácio de Inverno [John Boyne]

Ed. Companhia das letras, 2010 - 456 páginas:
      Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o século XX.  



Onde comprar:

O Palácio de Inverno de John Boyne esta na minha categoria de livros imperdíveis. É o primeiro livro que leio do autor e garanto, não será o último. Depois de conhecer a escrita de Boyne é impossível não querer mais...

O Palácio de Inverno é narrado pelo personagem principal, o octogenário Geórgui Jachmenev, e sua narrativa alterna entre o passado e o presente, navegando entre o tempo, sem seguir uma cronologia, de modo que as cenas vão sendo costuradas magistralmente.

Geórgui é uma figura interessante e por ser o narrador, acaba nos passando seus mais íntimos pensamentos e segredos, ao mesmo tempo em que descreve o fato acontecido, coloca em sua narrativa seus sentimentos sobre o mesmo, que muita vezes não são dignos de um herói, mas de um simples mortal.

Geórgui Jachmenev aos 16 anos era um pobre jovem camponês russo que sabia não poder esperar mais nada da vida além de sua miserável existência, cortando lenha, dormindo no chão áspero, passando fome, vivendo esgotado, recenado o inverno gelado. Mas o destino interviu e ele acabou por impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar, o que o fez mudar-se para a corte de Nicolau II e ser nomeado guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov.

"Ele era um rapazola de Cáchin, que se sentia quase sufocado quando chegou ao Palácio de Inverno onde habitava Sua Majestade Imperial, czar Nicolau II, imperador e autocrata de Todas as Rússias, grão-duque da Filândia, rei da Polônia. Seu patrão."

Apesar de sua agora situação mais que privilegiada, Geórgui sentia-se quase sufocado no palácio, onde tudo era tão diferente, tão cheio de riqueza. Boyne mostra através de Geórgui a grande diferença existente entre as classes sociais na Rússia de 1915:

"As damas se cobriam de joias que usavam uma única vez e depois descartavam; os cavalheiros enfeitavam suas espadas impotentes com rubis e diamantes, jantavam caviar e se embriagavam todas as noites com a mais fina vodca e o mais fino champanhe. Enquanto isso, o povo lá fora dos palácios minguava a fome, desesperado por pão, por trabalho, por qualquer coisa que os fizesse se sentirem mais humanos."

Mas também mostrou o cotidiano do czar Nicolau II e como Geórgui, sendo o guarda-costas pessoal do filho do czar, tinha o privilégio de conviver com sua família nos seus momentos mais íntimos, o que possibilitava conhecer um pouco de cada um dos seus integrantes, as filhas mais velhas Olga, Maria e Tatiana, seus anseios e paixonites, as manipulação de Rasputin sobre a esposa do czar, Alexandra, mulher esnobe, e principalmente a jovem Anastásia de quem se encantou desde o primeiro dia em que a viu. Compartilhou junto a família real dos seus momentos derradeiros.

"O reinado dos Romanov chegara ao fim em meio a uma profusa rejeição da autocracia czarista, mas me parecia que esse novo governo soviético, a não ser no nome, pouco se diferenciava do velho império russo."

Quando em suas narrações relembra seu passado, vários personagens históricos de vulto são mencionados, Rasputin, Winston Churchill, Rainha Vitória, Lênin, além de muitos aspectos políticos que desencadearam a revolução russa, sendo várias as lições aprendidas.

"- O padre Gapon nunca chegou a poder nenhum - disse eu.
- Mas Lênin chegou - replicou sorrindo - simplesmente um outro czar, não concorda?"

Nicolau II e sua família (da esquerda para a direita): Olga, Maria, Nicolau, Alexandra, Anastásia, Alexei e Tatiana. (http://pt.wikipedia.org/)
Quando voltava a narração para os tempos atuais, podíamos sentir que Geórgui amava Zoia, sua esposa, até mais que a si mesmo e toda a sua vida foi dedicada a ela. Geórgui e Zoia tiveram uma vida difícil e sofrida, ele guardava na alma suas dores, arrependimentos e culpas, ela simplesmente não se permitia ser feliz, pois não se achava merecedora. Os dois sofreram grandes perdas, a maior delas sendo a morte da única filha do casal, e o autor nos faz perceber seus sentimentos mais profundos.

"Curiosamente as pessoas parecem sentir que, de certa forma, é pior para a mãe do que para o pai. Que, de certa forma, a dor é mais intensa. As pessoas me perguntam constantemente como Zoia está passando, como se eu fosse o médico de minha esposa e não o pai de minha filha, e não creio que perguntem a ela a mesma coisa a meu respeito. Posso estar enganado, claro, mas..."

O livro me levou as lágrimas no seu final, não sei se foi porque a história estava acabando e eu ia me separar dos personagens aos quais tanto me apeguei ou se foi porque o autor conseguiu me passar o sentimento de perda tão profundo vivido por Geórgui. De qualquer forma, toda a sua narração sempre foi cheia de passagens para lá de emocionantes e eu simplesmente não tenho palavras para enaltecer tão grande obra, só me resta então recomenda-la a todos.

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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18.12.14

Entrevista :: Uma conversa ácida com Alexia e Jane (Vol. 1)


Tempestade numa xícara de chá

Hoje você está convidada a participar de um bate-papo entre Jane True, a protagonista de Nicole Peeler em Garota Tempestade, e Alexia Tarabotti, a principal senhorita vitoriana de Gail Carriger em Alma?. Como a autora de Jane é meio desligada em relação a pormenores, o pessoal bacana da Orbit Books achou que seria uma boa ideia se Alexia ajudasse Jane a conhecer os detalhes de uma heroína de fantasia urbana, e a Editora Valentina achou digno traduzir essa conversa para lá de ácida e divertida.

Este é o primeiro encontro delas, e Jane está muito nervosa. Todos sabem que Alexia é uma senhorita que Jane admira demais. E nós sabemos muito bem o que acontece quando ela fica nervosa...

Jane: Oi, Alexia! Obrigada por concordar em conversar comigo. Eu sei que você anda suuuper ocupada e tudo mais. Em primeiro lugar, você poderia me contar um pouquinho sobre o seu mundo? Eu amei o seu livro e queria ouvir tudo sobre ele diretamente da sua boca.

Alexia: Isso está muito direto, minha cara. Não seria melhor uma apresentação formal antes? E depois, quem sabe, você poderia me oferecer uma xícara de chá. Seguir algumas regras de etiqueta e, após breves longos minutos de familiaridade, nós poderíamos passar para assuntos mais indelicados.

Jane: Hummm... chá? Olha, sinto muito, mas a gente costuma beber mais café por aqui. Que tal um cafezinho?

Alexia: Virgem Santíssima! Não vai me dizer que você é italiana? Você não parece nem um pouco com uma italiana. E eu saberia se fosse. Agradeço de coração, mas ouvi dizer que café é muito ruim para a saúde.

Jane: Hum, claro. Tudo bem. Vou arrumar chá da próxima vez... Enquanto isso, sem alma mesmo? Sério?

Alexia: E como você ficou sabendo disso, mocinha? Achei que o Departamento de Arquivos Sobrenaturais (DAS) mantinha minha condição de preternatural como sigilosa. Você tem contatos no governo britânico? Bem, acho que, já que você está ciente de minha condição “sem alma”, talvez pudesse revelar um grande e obscuro segredo para mim. Tenho ouvido falar, embora eu mal possa acreditar que seja verdade, (verdade... “true”, ai, meu bem, que galhofa) que você pode se transformar numa garota-foca. Eu jamais acreditaria numa coisa dessas. É mais ou menos como virar lobisomem? Qual a base científica para essa forma dupla e dismórfica do corpo? E por que foca? Não é muito, bem, aterrorizante, certo?

Jane: Cara, você sabe que nós somos da mesma editora em mais de um país, não sabe? Então foi mais ou menos assim, eu pedi ao editor que me desse o seu livro... Portanto, nem precisei pesquisar no seu Departamento de Arquivos de Sexo com Ovelhas, ou seja lá como é que chamam isso. E a minha mãe é biforme. Então eu sou uma mera meio-humana... Mas as focas são duronas! Já viu como elas batem palmas? Pois veja só, elas conseguem quebrar uma casca de noz com as nadadeiras... Imagine então o que elas poderiam fazer com um crânio humano! E se ele estiver fragilizado de alguma forma, primeiro... (Jane sente-se desconfortável e muda o rumo da conversa). Mas tudo bem. Vamos começar. Humm… você poderia me dizer como é que você faz com toda essa rouparia íntima?

Alexia: (Indignada) Como? O QUE foi que você perguntou? Acho melhor ignorar completamente a sua pergunta, que é muito inapropriada.

Jane: (encolhendo os ombros) É que você usa MUUUITA roupa íntima. Quer dizer, como é que você faz quando quer fazer xixi?

Alexia: (silêncio absoluto)

Jane: Oooookay, tudo bem... hum... chá? Só chá? Tem certeza?

Alexia: E você consegue pensar numa bebida melhor? Tenho sérias dúvidas. Será que você algum dia tomou uma xícara de chá de verdade, bem preparado? Você vai me desculpar se estou colocando as suas preferências culinárias em dúvida, mas, afinal de contas, você é americana.

Jane: Se, por “americana”, você está se referindo à minha preferência por outras coisas além de enguias gelatinosas e barrinhas de chocolate Mars fritas, então sim, eu tenho gosto americano. E por falar em gosto: Lorde Macon. Um tesão. E qual o lance dos filhotinhos de lobisomem que mordem as nossas anáguas e ficam se contorcendo?

Alexia: Tesão? O que você quer dizer com esse termo? Será que estamos falando do mesmo Lorde Maccon que conheço? Ele é um escocês grosseiro e de fala alta, é isso o que ele é. Não vejo tesão algum nesse homem e me desagrada a sua insinuação.

Jane: (Jane franze os olhos, observando Alexia. De repente, abre um sorriso.) Ahhhhh, entendi. Te “desagrada” a insinuação “dele”. É, você definitivamente não gosta dele. Certo. Deixa eu tentar adivinhar… você apenas o ama por que ele anda de quatro, certo? (risinhos)

Alexia: Como?

Jane: Ah, espera aí, Allie! Lobisomem? Ficar de quatro? Você TEM que ficar muito de quatro? Como consegue aguentar?

Alexia: Eu não faço a menor ideia do que você esteja falando, Srta. True. Tem certeza de que ainda estamos falando a mesma língua?

Jane: Tudo bem, já entendi, já entendi! Você está naquele estágio em que não se sente à vontade para falar sobre como montar naquele cachorrinho. Tudo bem. Mas deixa eu só te fazer uma perguntinha... Como Lorde Maccon se sente com essas brincadeirinhas de cachorrinho?

Alexia: Estou começando a suspeitar que você, mocinha, é uma pessoa extremamente mordaz. Já conheceu o meu amigo, Lorde Akeldama? Acho que vocês dois se dariam muito bem.

Jane: Cara! Você nos apresenta?! Adorei a… aquelas proteções se chamam pochetes penianas? Independente do que forem, são excitantes! Nesse meio tempo, eu posso te apresentar ao... hum... o que você acha do Snoop Dogg? (risinhos)

Alexia: Sinto muito, mas acho que voltamos mais uma vez às barreiras linguísticas. É porque a senhorita é americana ou costuma mesmo passar para línguas estrangeiras sem aviso prévio?

Jane: Passar para línguas estrangeiras! Entendi! Você é mesmo muito doida! Ah, aquela sua sombrinha é ma-ra-vi-lho-sa! Onde posso conseguir uma?

Alexia: A senhorita é uma mulher muito direta, não é, Srta. True? Bem, acredito que em breve serei apresentada à fonte de todas as coisas referente ao protetorado da sombrinha. Quem sabe eu poderia lhe enviar uma missiva falando sobre o assunto num momento mais apropriado? Sem querer ser grosseira, mas, por conta da sua aparência um tanto – Céus, como dizer? – limitada no vestir, acredito que a senhorita não tenha fundos suficiente para adquirir tal item. Não é minha intenção insultá-la, mas, vamos ser sinceras, minha cara, você parece usar uma indumentária masculina bem limitada. O que é muito estranho. Só posso crer que isso se deva ao desespero, pelo que você, claro, desperta compaixão.

Jane: (pisca ao olhar para as próprias roupas) Ai, merda! Minhas calças jeans estão furadas! E olha que elas nem são tão velhas assim (suspira). Menina, eu carrego todo o meu peso nas coxas e, francamente, eu poderia atiçar fogo por fricção. É por isso que eu nunca uso veludo. Por falar em coisas que atiçam fogo...! Não é o seu caso... suas saias apagariam qualquer fogo antes mesmo de você começar a soltar fumaça. Falando sério, qual o lance de todas essas roupas íntimas?

Alexia: Ah, pelo amor de Deus, da próxima vez que nos encontrarmos eu é que farei as perguntas...

17.12.14

Por Você, Vol. 01 - Trilogia Fixed [Laurelin Paige]

Ed. Fábrica 231, 2014 - 368 páginas:
      Um homem rico, lindo, charmoso e que estranhamente não tem capacidade para amar; uma mulher extremamente sexy e inteligente que lida com o vício de se agarrar emocionalmente aos parceiros. É através desses dois protagonistas aparentemente tão diferentes, que a autora Laurelin Paige apresenta Por Você, primeiro volume da trilogia Fixed, maior sucesso de autopublicação do mercado norte-americano e primeiro título independente a chegar ao topo da lista dos mais vendidos do The New York Times, categoria e-book. Com alto teor de romantismo, sensualidade e erotismo, as histórias de Paige chegam ao Brasil pelo Fábrica231, novo selo de entretenimento da Rocco.  

Onde comprar:



Por você é a aposta erótica de editora Fábrica 231, novo selo de entretenimento da Rocco. 

Laynie é uma jovem de 26 anos, trabalha como barwoman num Nigthclub. É bonita, inteligente e mesmo tendo acabado de finalizar um MBA, não pretende deixar seu emprego, pois lá se sentia livre e viva. Olhando de mais perto, percebemos que Laynie não é uma garota que possamos chamar de "normal" (apesar de que acredito piamente que o "normal" é muito relativo...), na verdade, Laynie tem alguns problemas afetivos que a levam a ficar obsessiva pelos homens aos quais mantém um relacionamento. Isso já lhe causou vários problemas, inclusive uma ordem de restrição emitida por seu último namorado. Mas tem três anos que ela está "limpa", isto é, se mantendo afastada de relacionamentos perigosos.

"Nós tínhamos uma química decente, mas ele não me enlouquecia como outros caras fizeram. David era estável e consistente, e essa era a minha definição de homem perfeito."

Hudson tinha nascido na riqueza, era o primogênito e tinha ampliado a fortuna da família em dez vezes, além de ser jovem e bonito demais. E para infortúnio de Laynie é seu atual patrão, pois acabou de comprar o Nigthclub em que trabalha. Isso não seria tão ruim se ele não tivesse feito uma oferta quase que irrecusável: pela quitação de seu empréstimo estudantil, Laynie deveria ser sua namorada de mentira. Há, além do mais, o milionário também tem problemas afetivos, é incapaz de amar.

"Não consegui desviar o olhar, a aparência dele era hipnotizante, O que significava que ele era exatamente o tipo de homem que eu devia evitar."

Junta-se uma mulher que ama demais com um homem que é incapaz de amar para fingirem um relacionamento afetivo romântico e imaginem vocês o que isso vai dar... É isso mesmo, muitas cenas sensuais, eróticas e acreditem, românticas.

A História não fugiu do clichê, mas mesmo assim gostei do livro, foi bem envolvente e mesmo não me identificando em nada com a personagem principal, acabei entendendo o seu problema, e por isso torcia para que ela conseguisse se manter "limpa". Hudson, por outro lado, é um milionário e além do mais, muito bonito, o que acabou tornando-o um pouco (estou sendo boazinha) arrogante, mas esses tipos são os que mais gostamos de ver sendo domados, não é mesmo?

Quanto ao livro em si, a Fábrica 231 segue o mesmo acabamento primoroso da editora Rocco.

Ler para Divertir e Fábrica 231 estão sorteando o livro. Para participar clique: http://goo.gl/wBNaCa

Cortesia da Editora Rocco

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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15.12.14

Hemlock Grove [Brian McGreevy]

Hemlock Grove Brian McGreevy
Ed. Leya, 2013 - 340 páginas:
    Um mistério abala a cidade de Hemlock Grove. Quando Brooke Bluebell, uma jovem de 17 anos, é brutalmente assassinada na antiga siderúrgica de Godfrey numa noite de lua cheia, as suspeitas rapidamente recaem sobre Peter Rumancek, o jovem cigano que muitos acreditam ser um lobisomem, e Roman Godfrey, o esnobe milionário herdeiro da fábrica onde o corpo de Brooke foi encontrado. Injustiçados, Peter e Roman resolvem unir forças para descobrir o verdadeiro assassino e provar que são inocentes.  




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Tem livros que desafiam minha inteligência e este é um deles. Acredito ser este um dos livros mais inusitados que já li e também acredito que tenho que relê-lo caso queira dizer que realmente cheguei a entender toda a sua trama. Mas posso afirmar que gostei muito da leitura, pois foi provocante e instigante.

A cidade de Hemlock Grove, na Pensilvânia, cresceu e se desenvolveu em torno da antiga siderúrgica Godfrey, sendo que a família Godfrey é a fundadora e uma das mais ricas e abastadas da cidade. A matriarca da família, Olivia, é uma mulher linda e sensual, que mantém um caso amoroso com o irmão de seu falecido marido, Dr. Norman Godfrey. Olivia é mãe de Roman, um jovem arrogante e cheio de problemas e da inteligente e amável Shelley, que tem uma aparência meio monstruosa. 

Quando uma jovem de 17 anos é brutalmente assassinada na antiga siderúrgica Godfrey numa noite de lua cheia, as suspeitas rapidamente recaem sobre Peter Rumancek, um adolescente cigano recém-chegado a Hemlock Grove. Aí acontece o improvável, o jovem herdeiro, Roman Godfrey, aproxima-se do cigano, pois não acredita que Peter seja o assassino e acabam criando uma estranha amizade, que desagrada a Olívia.

Alguns suspeitam de um fugitivo da White Tower, uma unidade de biotecnologia dos antigos magnatas do aço, mas tudo leva a crer que o assassinato foi cometido por um animal e há boatos de que Peter seja um lobisomem. Roman e Peter decidem investigar o assassinato por conta própria, e nesta busca acabam descobrindo verdades sobre eles mesmos que até então não conheciam ou tentavam ignorar. E para piorar a situação, já tensa, Peter começa um relacionamento com a prima de Roman, Letha, que acredita ter sido engravidada por um anjo.

"- As pessoas veem o que veem - disse ela. - Veem alguém como Peter, e ele é como uma página em branco que as pessoas podem colocar aquilo do que têm medo, Você sabe como as pessoas são."

Muitos segredos existem entre os habitantes de Hemlock Grove e o autor cria um clima de mistério surpreendente, cada capítulo contém uma surpresa maior que a outra. Quando o leitor pensa que nada mais possa surpreendê-lo, Brian McGreevy mostra-lhe que estava enganado. Uma leitura extremamente desafiadora.

"Recomendado para quem está cansado de livros de vampiros e lobisomens inofensivos e sensíveis..."

Hemlock Grove é o romance de estreia de Brian McGreevy, adaptado para uma série de mesmo nome exibida pelo canal Netflix.

Cortesia da Editora Leya

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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12.12.14

Entre o Amor e o Silêncio [Babi A. Sette]

Entre o Amor e o Silêncio [Babi A. Sette]
Ed. Novo Século, 2014 - 528 páginas:
      Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura para pacientes em coma proporcionaria para ela a distância para problemas com o coração. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se sentir atraída pelo paciente. Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que ela busca em um homem... se não estivesse em coma. Precisar de alguém inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante disso. Mas, e se Mitchell acordasse?   




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Recebi entre Entre o Amor e o Silêncio da Autora Babi A. Sette e a princípio me assustei com o grande número de páginas, mas acreditem, mesmo contendo 528 páginas, li o livro todo em um só dia porque foi difícil larga-lo antes de atingir o seu fim.

Babi é uma grande escritora, suas palavras fluem tornando a leitura dinâmica. E seu romance é preenchido com histórias de vida dos personagens, isso por si só já me agradou, mas um dos atributos que também gostei demais foi a personalidade forte e decidida da personagem principal, Francesca, sem mimimi. Ela chora e sofre por amor? Sim, mas isso não torna ninguém fraco, pelo contrário, os percalços da vida servem para nos tornar mais fortes e preparados para as próximas relações, faz parte do crescimento emocional. Agradei também dos personagens masculinos, pois me pareceram bem autênticos, apesar de todo o clichê envolvido neste tipo de romance.

Francesca cresceu sem conhecer seu pai, e sofreu esta ausência, pois ele não está morto, simplesmente nunca quis conhecer a ela, sua filha. Além do pai, outros homens foram magoando-a durante sua vida. 

"Quando criança, o pesadelo era fundamentado pela espera, era sustentado pela comprovação de uma traição. Uma queda da sua fé nos homens. Na verdade, de um único homem. O modelo para todos os outros"

Adulta, já desgastada com o sexo oposto, depois de sofrer mais uma decepção amorosa, desta vez causada por seu namorado de três anos, Vince, resolve fazer um trabalho voluntário em um grande hospital, lendo para doentes em estado grave. Seu primeiro paciente é Mitchell, um belíssimo bilionário que está em coma profundo depois de sofrer um grave acidente de carro. Mitchell mesmo em coma impressionou Francesca com sua beleza, mas foi a frieza dos seus parentes que chamou a sua atenção, a falta de visita ao paciente mostrava que ninguém se interessava por ele.

Francesca passa então a visita-lo frequentemente, querendo levar um pouco de ternura e aconchego para Mitchell, tentando ajuda-lo a voltar do coma. Ela passa horas lendo o seu próprio livro para ele, sim, ela é escritora e lê sua obra para Mitchell. Mas o que era apenas um trabalho voluntário acaba virando uma obsessão, e todos os que conheceram Mitchell antes do acidente, garantem que ele não vale todo o seu esforço.

"- Sempre quando nos apaixonamos por alguém, na verdade estamos apaixonados por nossas próprias expectativas, Fran, você apenas levou isso ao limite."

A história se passa em Nova York, com partes na Itália e França. Francesca, junto com seus amigos inseparáveis, Olivia, uma ninfomaníaca e Tom, gay, formam um trio às vezes divertido, às vezes solidário, pois os dois sempre lhe apoiam nas suas derrocadas. 

"O seu problema, Francie, é que você dá seu coração e não a sua vagina"

Talvez a história demore a engrenar para alguns leitores, pois a autora é bem detalhista, mas eu gostei muito do clima de suspense criado e quando as coisas começam a acontecer, vieram como uma avalanche de emoções, de modo que não consegui mais largar o livro. Além de todos os pontos positivos, o linguajar utilizado traz um misto de sarcasmo com comicidade em alguns trechos, como quando Francesca flagra seu namorado no maior amasso com outra mulher, foi admirável, ou quando descarrega sua frustração sobre Mitchell:

"Portanto, meu caro, guarde o seu discurso de macho alfa para as mulheres idiotas que acreditam que o seu barco preenche todos os buracos, aspectos, qualquer coisa da vida e me poupe."

E o melhor de tudo, é livro único, além de ter uma capa linda! Apaixone-se também por essa promissora autora, pois eu já virei fã.

Cortesia de Babi A. Sette

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!

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11.12.14

Pense melhor antes de pensar [Renata Dembogurski]

Pense melhor antes de pensar [RenataDembogurski]
Ed. EDUFES, 2014 - 54 páginas:
      Cuidado! Pensar pode ser perigoso! Em mais um desgastante, porém nada entediante treinamento sobre as práticas e teorias de Virkadaz, Zuwi e Anne são enviados a um plix surreal! Mas, por um terrível acontecimento desconhecido eles são separados na missão que tem como objetivo “voltar juntos”. Então, além de descobrir os surpreendentes e inusitados elementos do novo plix, repleto de efeitos mirabolantes, cenários dinâmicos e animais para lá de curiosos, Zuwi ainda terá que encontrar Anne. Entre aventuras e desventuras, novos amigos e inimigos estranhos, Zuwi parte para uma empolgante vivência nessa realidade sempre instigante de Virkadaz, onde infinitas possibilidades se desdobram a cada escolha. Isso inclui a escolha dos pensamentos! 

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Pense melhor antes de pensar é um spin-off, um desdobramento de um original escrito anteriormente chamado VIRKADAZ (não publicado). A história é curtinha e de agradável leitura, voltada para o público infanto-juvenil.

A parte mais complicada do livro é entender o que são os plix. 

"plix são domínios dilatados da realidade apresentada, ou seja, plix é uma das muitas camadas do nosso imenso universo composto por infinitos plix diferentes. Não nesse universo que todos conhecem, mas o maior e o mais complexo, que é chamado de Virkadaz"

Pronto, agora sabemos que o livro nos leva a embarcar numa grande aventura por um novo universo de infinitas possibilidades.

Zuwi é um garoto como outro qualquer, de espírito aventureiro-explorador-desbravador, gostava de desafios, mas como todo garoto, às vezes bate uma preguiça, ainda mais na hora de estudar  (e não são todos eles assim?). No momento, Zuwi partiu junto com a sua amiga Anne para uma aventura em um novo e desconhecido plix e, ao chegar lá, percebe que acabou se desencontrando de Anne. 

No início, Zuwi fica maravilhado com este novo plix, tão belo e encantador, mas logo ele recorda que tem que encontrar sua amiga, pois precisam voltar para casa juntos. No caminho ele faz outro amigo, que junto com seu avô, o ajuda nesta missão. Os três terão que enfrentar muitos obstáculos para resgatar Anne, que está do lado sombrio deste plix. Nesta aventura, acabam tendo que superar seus maiores medos e descobrem que a amizade é o precioso combustível para enfrentar o obscuro.

"É impressionante o que o pensamento pode fazer! A amplitude da maior e melhor arma do ser humano pode servir para os dois lados"

De um jeito bem sutil, Zuwi aprende também a importância do pensamento, pensar positivo poderia leva-lo a grandes conquistas, enquanto que o pensamento negativo conduzia a todos naquele plix para uma região sombria. Saber pensar era a chave para conseguir sair vitorioso daquele lugar.

Através de aventuras e diversão, Renata consegue transmitir mensagens que são valiosas não só para as crianças, mas para nós, adultos, também.

Pense melhor antes de pensar, de Renata Dembogurski, foi a obra premiada na categoria Livro de literatura infanto juvenil do II Prêmio Ufes de Literatura, realizado em 2013-2014 e organizado pela Editora da Ufes (Edufes) e Superintendência de Cultura e Comunicação da Ufes (Supecc/Ufes), com os objetivos de fomentar a produção de obras literárias de qualidade, promover a literatura nacional e revelar novos talentos.

E se você quiser embarcar nesta aventura, no dia 17/11/2014 saiu o primeiro capítulo do conto "PLIX TERRA NEGRA" no twitter! Serão 15 capítulos em 15 dias!

CONTATO COM A AUTORA:

Nasceu em 27 de abril de 1979 em Foz do Iguaçu. Viveu na cidade até ir para Curitiba para fazer faculdade. Formou-se em Publicidade e Propaganda pela PUC-PR e pós-graduou-se em Administração e Marketing pela FAE. Contudo, sempre teve interesse para o ramo criativo ligado à escrita.

Facebook: www.facebook.com/cadernodarenata
Twitter: @ReDembogurski
Site livro: www.virkadaz.com.br/pensemelhor
Facebook livro: www.facebook.com/pensemelhorantesdepensar




"O livro (Pense Melhor Antes de Pensar) é criativo e deve agradar o público juvenil. Os personagens são diferentes, existem palavras novas e isso encanta o leitor dessa faixa etária." - Adriana Falqueto


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10.12.14

O Jeito que me Olha, Vol. 1 [Bella Andre]

O Jeito que me Olha, Vol. 1 [Bella Andre]
Ed. Novo Conceito, 2014 - 272 páginas:
      Depois de construir uma sólida carreira como detetive particular - especializado em casos de infidelidade - Rafe Sullivan perdeu a fé nas relações humanas. As únicas histórias de amor verdadeiro que conhece são a dos seus pais e as dos seus primos, que Vivem na Califórnia. Quando Rafe precisa sair de Seattle para descansar e esfriar a cabeça, sua irmã, Mia, sugere uma temporada na cidadezinha onde a família costumava passar as férias de verão. No cenário de sua infância, Rafe reencontra Brooke Jansen, que, de garotinha doce e inocente, transformou-se em uma mulher de beleza incomum. Nenhum dos dois consegue ignorar o clima de sedução. 



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Em O Jeito que me Olha Bella Andre mostra que está melhorando a cada livro que escreve. Sua escrita torna-se mais receptiva e mesmo com histórias sem grandes percalços, consegue construir um romance carismático, envolvendo basicamente os personagens principais, mas que alcança o objetivo de entreter o leitor que gosta do gênero Romance com uma pitadinha hot.

Se vocês ainda não sabem, Bella Andre é a autora da série Irmãos Sullivan, que contam as histórias dos integrantes da família Sullivan. Ao todo, a série possui oito livros, ou seja, oito Sullivans (Chase, Marcus, Gabe, Sophie, Zach, Ryan, Smith e Lori) com histórias diferentes, podendo ser lidas aleatoriamente. Devido ao enorme sucesso da série, Bella decidiu escrever mais histórias sobre os Sullivans, agora ela apresenta aos seus leitores o clã de Seattle, primos dos Sullivans de São Francisco, são eles: Rafe, Mia, Ian, Adam e Dylan e seus pais Max e Claudia Sullivan. 

Estas novas histórias tem em comum a bonita união entre os irmãos, que passam a maior parte do tempo irritando uns aos outros, mas no final das contas é com a família que eles mais se importam. E esta começa com Rafe Sullivan, um detetive particular que estava desgastado com sua profissão, precisando urgentemente de umas férias. Sua irmã Mia, percebendo a deterioração que o trabalho estava causando a Rafe, sugere a compra da antiga casa onde a família costumava passar as férias de verão.

Ao chegar a casa, que está em condições lastimáveis, Rafe reencontra a antiga vizinha e amiga de infância, Brooke, que se mudou de Boston para morar em tempo integral no lago e começar seu negócio de fabricação de trufas de chocolate. Brooke, feliz de ter seu antigo amigo como novo vizinho, se oferece para ajuda-lo a tornar sua casa novamente habitável. 

Neste romance, os dois personagens principais me cativaram bastante, Brooke com seu jeito doce, educado e autêntico, Rafe, bom rapaz, mas que depois de anos investigando casos de infidelidade, não acredita mais no amor. 

"Brooke penetrou por baixo de suas defesas, não só com beijos doces e o sexo incrivelmente quente, mas com seus constantes sorrisos e risadas, que eram disparados como balas de canhão nos pontos escuros dentro dele, enchendo-os de luz."

Se você ainda não leu os oito primeiros livros da série Irmãos Sullivan, não tem nenhum problema, pois cada livro pode ser apreciado como se fosse único. Mas se já conhece estes sexys e cativantes irmãos, aproveite agora para se deliciar com seus também sexys e cativantes primos.

Cortesia da Editora Novo Conceito

Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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