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22.6.17

Belas Maldições [Terry Pratchett e Neil Gaiman]

Ed. Bertrand Brasil, 2017 - 350 páginas
Um descendente direto de O Guia do Mochileiro das Galáxias escrito por dois dos maiores autores britânicos de fantasia. O mundo vai acabar em um sábado. No próximo sábado, e ainda por cima antes do jantar. O que é um grande problema para Crowley, o demônio mais acessível do Inferno, residente na Terra, e sua contraparte e velho amigo Aziraphale, anjo genuíno e dono de livraria em Londres. Depois de quatro mil anos vivendo entre os humanos, eles pegaram um gosto pelo mundo, e o Armagedom lhes parece um evento bastante inconveniente. Então, para evitar o fim do mundo, precisam encontrar a chave de tudo: o jovem Anticristo, agora um menino de 11 anos vivendo tranquilamente em uma cidadezinha inglesa. Em seu caminho, acabarão trombando com uma jovem ocultista, dona do único livro que prevê precisamente os acontecimentos do fim do mundo, caçadores de bruxas ainda na ativa e, quem sabe, até os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Mas eles precisam ser rápidos. Não é só o tempo que está acabando.

Onde comprar:

As justas e precisas profecias de Agner Nutter, Bruxa

Gaiman é (pelo menos tem sido pelas últimos dois meses) meu autor predileto (o que não é motivo pra se ficar muito animado porque: 1. isso muda de tempos em tempos 2. minha opinião não é assim tão relevante). Isso se deve, em grande parte ao estilo de escrita dele. Não interessa sobre o que esse homem tenha escrito, eu vou querer ler simplesmente porque estou encantada com seus dotes literários, ou porque adoro piadinhas. Não decidi ainda. Provavelmente por ambos os motivos.


Mas esse livro aqui é de antes do Neil Gaiman ser o Neil Gaiman. Antes de Sandman ser um sucesso. Antes que eu descobrisse outra forma de me comunicar que não fosse através de berros (o livro, assim com eu, é de 1990). Esse é o primeiro romance de Gaiman, e foi escrito à quatro mãos com Terry Pratchett (que nessa época também não era “O Terry Pratchett”). Ainda assim, é um livro excelente! A obra é extremamente coesa e é praticamente impossível identificar o que cada um escreveu.

Na contra-capa, como em toda contra-capa, tem aquelas frases típicas de contra-capa, fragmentos retirados de críticas positivas (geralmente de um grande jornal ou autor) que ajudem a vender o livro. Devo dizer que nunca li uma contra-capa tão verdadeira e fiel ao conteúdo do livro.


Em primeiro lugar, por que o livro é realmente muito engraçado. Tem umas sacadas geniais, precisamente o tipo de “humor inglês” do qual eu sou absolutamente fã. Depois porque é possível ver claramente influências como Douglas Adams (que já foi meu autor predileto por um tempo) e Monty Python (se você assistiu “A vida de Bryan” sabe exatamente do que estou falando).

Eu tenho um fraco por bons diálogos, ironias, e histórias-que-poderiam-ser-chatas-ou-banais-mas-se-tornam-verdadeiros-estudos-de-caso-engraçadíssimos-sobre-a-natureza-humana (vide Douglas Adams) e esse livro é exatamente um compilado disso.


Imagine o seguinte cenário: O armagedom/apocalipse/fim-do-mundo está para começar, o anticristo foi enviado ao mundo, para ser educado pelos onze anos seguintes nos princípios da maldade e então iniciar o maior e mais definitivo de todos os cataclismas… Mas (por uma confusão envolvendo freiras satânicas) foi parar na família errada e criado exatamente como qualquer outra criança inglesa.

Crowley (demônio responsável pela adoção da criança e, outrora, serpente do paraíso) e Aziraphale (anjo do Senhor), ambos vivendo na terra desde o princípio dos tempos se meio que se apegaram ao estilo de vida mortal e não estão nada contentes com o fim iminente. Então decidem tentar “boicotar” o armagedom, sem é claro, chamar a atenção dos respectivos superiores.

No entanto, (por causa da supracitada confusão envolvendo freiras satânicas) eles não fazem ideia de onde o jovem anticristo possa estar.

“Existe um truque que se faz com um ervilha e três copinhos que é muito difícil de acompanhar. Uma coisa parecida, apostando muito mais que um punhado de trocados, está para acontecer"

Agora some a isso uma bruxa, caçadores de bruxas, uma médium/jezebel-pintada, os quatro cavaleiros do apocalipse (devidamente repaginados), algumas crianças (entre elas o próprio anticristo), um cão (infernal, ainda que não muito assustador), vários eventos estranhos próprios dos últimos dias e, é claro, justas e precisas profecias de tudo isso escritas por uma bruxa trezentos anos antes.


Belas Maldições foi publicado aqui no Brasil no começo dos anos 2000 pela própria Bertrand que o está republicando agora. Essa nova edição traz algumas correções na tradução e uma nova capa, que aliás, tá muito linda. É um livro maravilhosamente escrito e entrou direto pra minha lista de favoritos. Os personagens (embora sejam muitos) são bem desenvolvidos, cativantes e donos personalidades únicas e marcantes. As piadas são ótimas e algumas são recorrentes (como a das fitas deixadas em um carro por mais de 15 dias, ou sobre a inefabilidade dos planos divinos) e vão ser citadas durante toda a história. As notas de rodapé são um espetáculo à parte, recomendo veementemente que você não deixe de ler nenhuma delas.


Essa não é uma indicação de leitura, essa na verdade é uma intimação de leitura, ou melhor: uma previsão de leitura. Não sei se você sabe mas, recentemente descobriu-se que, entre os manuscritos não publicados de Agnes Nutter, existe uma passagem sobre você ler esse livro ainda essa semana (até porque pode ser que o mundo acabe no próximo sábado, antes da hora do jantar), e como são profecias justas e precisas, já sabemos que não será possível evitar.

Abraço e até a próxima!


Andressa Freitas
Mineira, aspirante à escritora e estudante de cinema. Se pudesse moraria em uma biblioteca, como não posso, estou empenhada em transformar minha casa no mais próximo disso possível. Viciada em séries e filmes, adoro ler, comer e viajar. Nerd assumida, fotógrafa de profissão, amo aprender coisas novas e imaginar histórias alternativas pra absolutamente tudo.
Cortesia do Grupo Editorial Record
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21.6.17

Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir, Vol. 03 - Série Os Números do Amor [Sarah Maclean]

Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir
Ed. Arqueiro, 2017 - 336 páginas
Juliana Fiori é uma jovem ousada e impulsiva, que fala o que pensa, não faz a menor questão de ter a aprovação dos outros e, se necessário, é capaz de desferir um soco com notável precisão. Sozinha após a morte do pai, ela precisa deixar a Itália para viver com seus meios-irmãos na Inglaterra. Ao desembarcar no novo país, sua natureza escandalosa e sua beleza estonteante fazem dela o tema favorito das fofocas da aristocracia. Pelo bem de sua recém-descoberta família britânica, Juliana se esforça para domar seu temperamento e evitar qualquer deslize que comprometa o clã. Até conhecer Simon Pearson, o magnífico duque de Leighton. O poderoso nobre não admite nenhum tipo de escândalo e defende o título e a reputação da família com unhas e dentes. Sua arrogância acaba despertando em Juliana uma irresistível vontade de desafiá-lo e ela decide provar a ele que qualquer um – até mesmo um duque aparentemente imperturbável – pode ser levado a desobedecer as regras sociais em nome da paixão.

Onde comprar:

Acredito que as autoras sempre deixam o melhor para o final, mas talvez seja eu que gosto demais de personagens femininas desafiadoras, daquelas que não levam desaforo para casa, principalmente quando se trata de Duques arrogantes, que pensam que são superiores aos reles mortais.

Já sabem então porque me encantei com Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir, o último volume da série Os Números do Amor. Juliana, a meia-irmã dos gêmeos Gabriel e Nick, não podia ser mais abrasadora, ela é quase um "escândalo" somente porque sua mãe abandonou o marido marquês para se aventurar mundo afora, casando-se em seguida com um mercador italiano, quando desta união Juliana nasceu. Mas sua irrequieta mãe também abandonou o pai de Juliana, que praticamente a criou sozinho. Quando ele morreu, foi enviada para Inglaterra, para morar com seus irmãos que ela nem sabia que existiam até então.

"Estava acostumada aos insultos, à especulação ignorante que lhe era dirigida por ser filha de um mercador italiano e de uma marquesa inglesa desonrada que havia abandonado marido e filhos... e repudiado a elite de Londres."

Gabriel, o marquês de Ralston, que já conhecemos do primeiro livro, acolhe a irmã com todo seu coração, mas para Juliana não estava sendo fácil se adaptar a aristocrática sociedade inglesa, eles eram feitos de gelo e Juliana era puro fogo, por isso a desprezavam abertamente. Ela esbarra com Simon Pearson, o décimo duque de Leighton, em uma livraria e desde o primeiro momento se encanta pela beleza do jovem duque, e ele parecia ter se encantado por ela também, até saber quem era: a meia irmã bastarda do marques de Ralston. Então Juliana passa a entender porque o apelido de Simon é "O Duque do Desdém".

"E fora naquele momento que ela decidira permanecer em Londres. Para provar ao duque e a todos os outros que a julgavam por trás de seus leques esvoaçantes de renda com seu frio olhar inglês, que ela era mais do que eles viam."

Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir

O Duque passou então a despreza-la, Juliana é o oposto de tudo o que ele representa, a antítese de tudo o que ele queria em seu mundo. E devido a um escândalo que ameaçava se abater sobre sua imaculada família, Simon precisava casar-se logo com alguma jovem aristocrata com uma reputação impecável, a fim de manter o bom nome de sua família. Porém Juliana, inconformada pela frieza do Duque, lhe propõe uma aposta, que acaba deixando seu coração despedaçado.

"Ela queria aquele homem perfeito e arrogante de joelhos.
- Prove - desafiou. - Deixe que eu lhe mostre que nem mesmo um duque frio pode viver sem emoção."

O livro é muito divertido pois as participações do marques de Ralston sempre garantem diálogos espirituosos, este é um daqueles personagens que marcam sua presença na trama. E Juliana já contava com minha empatia só por ser italiana, mas depois de conhecer sua língua ferina, minha admiração só aumentou. Ela em nenhum momento deixou de responder o Duque a altura.

"Ralston sentou-se e recostou-se na poltrona.
- Minhas desculpas. Tive a impressão de que você havia selecionado a sua futura duquesa como se ela fosse gado premiado."

Se você também é uma amante de romances de época, prepare-se para se deliciar com as peripécias de Juliana e Simon, que fecharam com chave de ouro mais uma saborosa série de romance de época.

Clique nas capas para ler as resenhas dos livros anteriores:



Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
Cortesia da Editora Arqueiro
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20.6.17

O Ano da Lebre [Arto Paasilinna]

Arto Paasilinna
Ed. Bertrand Brasil, 2016 - 208 páginas
Uma fábula sobre os prazeres da liberdade na meia-idade. Kaarlo Vatanen, jornalista, sente-se exausto, cansado da vida urbana. Em uma noite de verão, durante seu trabalho, atropela acidentalmente uma pequena lebre que atravessava uma estrada do campo. Ele, então, sai em busca da criaturinha ferida. Este pequeno incidente se torna uma experiência transformadora para Vatanen, que decide se libertar dos grilhões do mundo: larga o emprego, deixa a esposa, vende suas posses e parte em uma jornada pelas selvas finlandesas com sua nova companhia. Suas aventuras envolvem grandes queimadas, sacrifícios pagãos, jogos de guerra, ursos assassinos e muito mais.

Onde comprar:

Os valores estabelecidos pela sociedade postos em xeque

Ultimamente tenho me encantado com a literatura que vem do frio. Os países nórdicos têm nos dado tantos autores de qualidade nos romances policial e de horror que ao me deparar com “Clássico da Literatura Escandinava”, não tive dúvida em me aventurar. O ano da lebre (Bertrand Brasil, 208 páginas) seria uma leitura diferente, agora um clássico com letras garrafais.

De qualquer forma, procurei me informar um pouco mais sobre a literatura de Arto Paasilinna, um completo desconhecido para mim, assim como todos os outros escritores finlandeses. Não cheguei a lugar algum. Não há nada além das menções e elogios, seus prêmios para este livro e adaptações para o cinema. Continuei no escuro.

Algumas coincidências me deixaram atordoado: a) O ano em que o livro foi escrito é 1975 (ano da lebre ou coelho no horóscopo chinês); b) A personagem central do livro, Kaarlo Vatanen, nasceu em 1942 e era jornalista assim como o autor.

Teria ele escrito sobre si mesmo ou sobre a vontade de viver tudo aquilo? Haveria alguma ligação subliminar que eu deveria notar? Eram muitas perguntas sem resposta, assim como a literatura finlandesa. Tudo isso se mostrou pouco interessante diante da amplitude dos ensinamentos deste livro simples e objetivo, um libelo pela busca da liberdade e da felicidade.

Em 1975, o autor já refletia sobre a solidão e a tristeza impostas pelos grandes centros urbanos, a velocidade desenfreada da vida. Há certo viés político-social neste livro, mas não quis me ater a ele em minha leitura, por isso não entrarei em detalhes aqui. O que importa é a experiência da personagem e o impacto que ela me causou.

O Ano da Lebre

Poderíamos dividir este livro pelas mulheres que atravessaram a vida de Vatanen. No início temos a “esposa”. Representa a sua vida enfadonha, tudo o que ele quer de alguma forma apagar, mas falta-lhe coragem. Ele precisa romper com este passado, a questão aqui é a “desobediência”. É o momento da vida em que olhamos para trás e nos questionamos se valeu a pena o que fizemos para chegar aonde chegamos.

"Eles eram um jornalista e um fotógrafo que estavam na rua para realizar um serviço: dois seres humanos insatisfeitos, céticos, aproximando-se da meia-idade. As esperanças das suas respectivas juventudes não haviam se realizado, longe disso. Eram maridos, que traíam e eram traídos; ambos a caminho de úlceras estomacais, com muitas preocupações preenchendo os seus dias."

Durante a volta de um trabalho em que ele e o fotógrafo haviam terminado, atropelam acidentalmente uma lebre. Ela é o gatilho, o motor que enseja a ruptura, a transformação de Vatanen. Sua fidelidade ao animal, a entrega, o amor, tudo ali explícito e recíproco. É comovente a parceria homem-animal em contraste com a relação com seus pares.

"O jornalista pegou a lebre aterrorizada no colo. Quebrou um pedaço de graveto e fez uma tala para a pata quebrada, usando trapos rasgados do próprio lenço. O animal aninhou a cabeça entre as pequenas patas dianteiras, as orelhas tremendo com as batidas do seu coração."

A partir daí ele resolve dar um ponto final à vida que leva, larga a esposa, vende suas posses e parte para as selvas finlandesas em uma jornada de descobertas com sua única companhia – a lebre. Seu apego e relacionamento com o animal selvagem é de um humor frio, seco e irônico (seria esta a personalidade daqueles que nascem em países frios?). Ele não busca um sentido para viver, busca apenas viver, respirar. Uma viagem ao encontro de si mesmo.

Não há como se encarcerar um espírito que nasceu para ser livre, indomável. Ele se envolve em uma sucessão de aventuras que só fazem corroborar sua personalidade anárquica, subversiva e revolucionária.

Num segundo momento, Irja, uma criadora de gado alegre e trabalhadora entra em sua vida, é o momento de “descobertas”. Descobrir que pode ser feliz, que as obrigações impostas pela vida o atormentam e o tornam um cordeiro, então é preciso se reinventar, buscar também ele a própria felicidade.

"Era um dia lindo. Eles cantaram enquanto andavam. O sol brilhava, não havia pressa. De vez em quando, deixavam as vacas passarem calmamente pelas valas e, ao meio-dia, os animais se deitaram por uma hora ou duas, ruminando. Enquanto isso, os vaqueiros foram nadar. Irja estava maravilhosa, afundando na lagoa da floresta com seus seios volumosos."

Vatanen ainda sofre horrores para seguir o destino que se impôs. Humilhações, sacrifícios e privações continuam uma constante. Ainda assim ele não deixa de viver um dia de cada vez e de enlouquecer em alguns deles, claro que ao lado de sua inseparável lebre. E nestas aventuras, por fim, encontra Leila, uma advogada que acredita em cada detalhe do processo de autoconhecimento dele e quer fazer parte de sua vida. Ela representa seu “amadurecimento”, caminho para a sabedoria.

"Pouco a pouco, a viagem começou a fazer sentido, à medida que a história de Leila se desenrolava. Vatanen caiu na gandaia em Helsinque por alguns dias, meteu-se em uma briga e foi levado para a delegacia, mas foi solto imediatamente. Então encontrou Leila e os dois foram a Kerava, onde uma coisa após a outra aconteceu, incluindo Vatanen ter caído debaixo de um trem. O trem o arrastou por vinte metros pelo trilho em baixa velocidade, e ele não teve nenhum ferimento além de hematomas."

Porém antes de chegar à sabedoria, ele terá que enfrentar a natureza inóspita, personificada por um urso, o grau mais elevado da vida selvagem. Sua caçada termina no embate com o feroz animal, observado de perto pelo exército russo, que acompanha passo-a-passo o desenrolar de tudo e terá importância capital ao final do livro.

"O urso estudou o corpo em seus braços, um pouco como um ogro que pegou uma boneca e não sabe o que fazer com ela. Experimentou uma mordida na barriga de Vatanen, provocando um grito agudo de dor. Chocado, o animal jogou o homem contra a parede da cabine e fugiu pela janela, para o campo aberto."

A leitura de clássicos deveria ser exercida pelo menos uma vez a cada três livros, para nos desintoxicar das aventuras ficcionais e nos nutrir, dar força para questionarmos nossa própria condição. Na maioria das vezes não são leitura fácil, nem sempre óbvias, porém sempre nos ensinam algo sobre nós mesmos.

Neste livro questiona-se tudo: a mesquinhez humana, a religiosidade, o descaso com o meio ambiente, o militarismo, o misticismo alucinado. Só não se questiona a justiça. A edição é simples, mas caprichada. Não se engane com a capa cartonada, pois dentro dela se esconde um tesouro. Leitura para um dia, reflexão para meses!


Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
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19.6.17

A Prisão do Rei, Vol. 03 - Série A Rainha Vermelha [Victoria Aveyard]

A Prisão do Rei
Ed. Seguinte, 2017 - 552 páginas
Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira. Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

Onde comprar:

Acreditava que este volume seria o último da série, mas me deparei com a surpresa que ainda não chegamos lá. Ouvi também muita gente reclamando sobre isso, mas como gostei muito da leitura deste livro e achei que seu conteúdo foi consistente, fiquei feliz por saber que ainda tenho mais um para me entreter.

Para quem achou a Mare chatinha e prepotente no último livro se anime, pois nossa protagonista cresceu bastante neste volume, aliás, acredito que este livro teve justamente este proposito, o amadurecimento da personagem principal. Sempre temos que nos lembrar de que Mare só tinha dezessete anos quando seu mundo virou de cabeça para baixo e ela foi obrigada e se transformar na salvadora da pátria, e este papel não é fácil nem para uma pessoa preparada, quanto mais para uma adolescente pobre.

O romance não é o tema central do livro, apesar de ser um triangulo amoroso. Mas antes que alguém já grite que não gosta de triângulos amorosos, eu digo que este é um pouco diferenciado, pois nas pontas estão dois príncipes prateados, dois supostos "inimigos". Um agora é rei e o outro, exilado entre os vermelhos, não decide a que lado dedica sua lealdade.

"Maven está entre eles. O Príncipe de que eu me lembrava, o qual amava e desejava que fosse real. E Cal. O que fiz para continuar com ele, o que ignorei e as mentiras que conto a mim mesma quanto a sua lealdade."

Até agora estou gostando demais desta série, toda narrada em primeira pessoa, o que favorece os aspectos psicológicos dos personagens. Neste livro a autora alternou a narrativa entre Mare, Cameron e Evangeline conseguindo assim cobrir todos os núcleos da trama, deixando o leitor informado do que estava acontecendo em lugares diferentes em momentos simultâneos e tivemos a chance de entender um pouco mais sobre os sentimentos de Cameron e principalmente de Evangeline, que é uma das grandes vilãs, enriquecendo ainda mais a história.

"Não quero ser a rainha de Norta. Não quero pertencer a ninguém. Mas o que quero não importa."

A Prisão do Rei

Quem chegou até aqui já deve saber que Victoria Aveyard criou um mundo dividido pela cor do sangue, prateado e vermelho. Os pateados possuem poderes sobrenaturais (como os X-Men), por isso são mais fortes e subjugam os vermelhos, que não foram agraciados com nenhum poder, tornando-os seus empregados, obrigando-os a servirem a elite prateada e a sobreviverem em meio a grande pobreza ao qual foram relegados.

Foi então que o improvável aconteceu, Mare, uma vermelha, descobriu-se com poderes especiais também e logo ficou sabendo que existiam outros como ela. Estes "sanguenovos" passaram a ajudar aos rebeldes vermelhos que pretendem derrubar a supremacia prateada. A luta tornou-se um pouco menos desigual, os vermelhos estão mais fortes e uma aliança com a República Livre de Montfort torna suas chances de vitória mais real.

"Prateados perseguidos por vermelhos. A ideia me dá vontade de rir. É idiota. É impossível. Vivi todos os dias da minha vida sabendo que eles são deuses e nós somos insetos. Não consigo nem imaginar um mundo em que o contrário seja verdade."

Agora Mare se vê prisioneira dos prateados, afastada de todos os que ama e a mercê das loucuras de Marvin, ela luta para mantar sua vida e sua sanidade mental.

"Agora, estou na prisão do rei. Mas ele também está. Minhas correntes são as Pedras Silenciosas. As dele são a coroa."

A Prisão do Rei

A Rainha Vermelha é uma série que envolve o leitor, constituída de uma gama de personagens secundários interessantes e bem construídos, possui muita ação e reviravoltas, e estou torcendo para que vire filme. É imperdível para quem gosta do gênero young adult com fantasia, sem contar que os livros possuem lindas capas, com letras de ótimo tamanho que facilitam a leitura e uma diagramação perfeita.

E aí? Quem já está lendo?

Clique nas capas para ler as resenhas dos livros anteriores:



Gisela Menicucci Bortoloso
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18.6.17

Promoção #229: Trilogia Crônicas de Amor e Ódio


Ler para Divertir está sorteando a Trilogia Crônicas de Amor e Ódio. Participe!

O Sorteio está sendo realizado pelo Instagram do Blog.
Válido até 21/07/17

Regras e Inscrições em:


16.6.17

Lançamentos Harlequin Junho 2017


Esperamos que gostem dos lançamentos de Junho! A partir deste mês, a editora Harlequin lançará apenas 5 romances de banca por mês. Confiram os 5 lançamentos de romances para tornar o seu inverno mais saboroso:

Encontro inesperado – Emma Darcy 
Ao acordar do coma, Jenny Kent descobre que sua identidade foi trocada pela a de sua falecida melhor amiga. Para fugir de seu passado, ela decide viver como Bella Rossini… Essa era a chance que Dante Rossini estava esperando. Mesmo após saber que ela não passa de uma farsante, Dante precisa que ela continue com o fingimento. E usará todo o seu poder de sedução para convencê-la a colaborar.
Prelúdio do amor – Abby Green
A famosa modelo Kate Lancaster poderia ter o homem que desejasse. Contudo, há algo em Tiarnan Quinn que ainda deixa suas pernas bambas, mesmo após toda a humilhação que ele a fez passar, dez anos antes. Por isso, Kate aceita o convite para viajar até a exótica villa dele, na Martinica. Kate sabe que Tiarnan não pode realizar seus dois maiores sonhos: encontrar o verdadeiro amor e ter uma família. Ainda assim, durante as noites quentes que passam juntos, ela começa a perceber que há muito mais em Tiarnan do que ele deixa transparecer.


Encontros Inesquecíveis - Yvonne Lindsay
Sonho de Sedução
Para Holly Christmas, a noite que passou com seu sensual chefe, o milionário Connor Knight, foi quase um sonho. Ela sempre desejou tê-lo em seus braços, mesmo que fosse uma única vez. Porém, algumas semanas depois, Holly descobre estar grávida. Mas para terem um futuro juntos, ambos precisam derrubar as barreiras que construíram em volta de seus corações.
Verdadeira Paixão
Faltando nove dias para seu casamento, o noivo de Gwen Jones desapareceu, levando consigo todas as economias dela. Agora, para salvar a propriedade da família, Gwen precisa se casar com Declan Knight. Ele, por sua vez, só aceitou a proposta de Gwen porque quer colocar as mãos em sua herança. E, para isso, Declan precisa convencer a todos de que o amor entre eles é real…
Fruto da Atração
Mason Knight jamais perdoou Helena Davies. Após a noite inesquecível que tiveram, ela se casou com outro homem. Doze anos depois, Helena reaparece em sua vida, afirmando que o filho que tivera era, na verdade, de Mason. Agora, o poderoso magnata tem a oportunidade perfeita de se vingar… da forma mais sensual possível.


Os livros abaixo marcam a chegada da Harlequin às livrarias. Mais uma novidade da Editora!

Perigosa Atração - Maya Banks

Depois de ajudar a colocar na cadeia o monstro que a aterrorizou na adolescência, Eliza Cummings mudou completamente de vida. Com um novo nome e uma missão, ela torna-se especialista em proteger pessoas. Mas nem mesmo seus dez anos de treinamento poderiam prepará-la para a notícia que acabou receber: seu pior pesadelo está de volta, em liberdade. Agora, para salvar a todos que ama, ela precisa enfrentá-lo. Sozinha. Porém, ela não contava que Wade Sterling fosse insistir em ajudá-la.





Jogo de Sedução - Os MacGregors 01/10 - Nora Roberts

Uma mulher forte, inteligente e audaciosa. Um homem cínico, intenso e cativante. Esta é receita ideal para um romance explosivo e inesquecível. Justin Blade sabia exatamente o que queria quando sentou na mesa de blackjack comandada por Serena MacGregor… e não era vencer o jogo. Dona de olhos hipnotizantes, ela penetrou sua mente como nenhuma outra mulher já havia conseguido. Mas será que esse relacionamento irá resistir quando todas as cartas forem colocadas na mesa?



Cartas para uma Falsa Dama - Carol Townend

Ainda recém-casado, o conde Tristan deixou sua esposa para defender o ducado da Bretanha. Dois anos se passaram desde a última vez que Francesca vira o belo rosto do marido. Durante todo esse tempo, ela escreveu incessantemente para Tristan, mas não recebeu resposta. Nem mesmo após descobrir que não era a filha verdadeira do conde Myrrdin. Aflita, ela esperava receber o pedido de anulação do casamento a qualquer momento. Porém, quando Tristan retorna, Francesca percebe que não é a única assombrada por segredos do passado.

O Site Oficial da Editora também mudou, agora você vai comprar os livros físicos e também e-books numa loja virtual dentro do site da Amazon: Clique Aqui


15.6.17

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte XXXII - Todos Os Meios Necessários

André Luis Almeida Barreto


Engenharia Reversa


Parte XXXII - Todos Os Meios Necessários


Por um momento, o tempo parece parar. A imensidão de soldados fica desconcertada, em absoluto silêncio, observando os destroços do helicóptero atingirem o chão com um estampido seco. O ruído produzido pelos motores dos tanques estacionados preenche o ar como um mantra mecânico, e, sobre ele, o criptar das chamas nos destroços de aeronave abatida torna-se assustador, concretizando algo que todos aqueles soldados nunca imaginaram ser possível acontecer: o poderoso TH-2500, helicóptero blindado de combate, senhor dos céus da Terra Maldita, derrubado por um único inimigo.

Protegido dentro do blindado de comando, o coronel Fabrício, agora promovido a comandante em chefe, fica paralisado diante da visão. As palavras de Bel Yagami ecoam sinistras em sua cabeça: "Estou avisando, vocês estão cometendo um grave erro! Algo muito ruim pode acontecer", em seguida, a frase que ouviu a poucas horas atrás, dita pelo insolente companheiro da ciborgue, volta a mente do comandante como uma maldição : "Vocês não fazem ideia do tamanho da encrenca em que se meteram. "

Mil pensamentos passam pela mente de Fabrício, a maioria deles sombrios. Então, repentinamente, um sinal agudo e irritante invade o sistema de som do veículo, chamando o comandante de volta para a realidade:

- Senhor, invadiram nossa frequência! - grita o piloto do tanque.

- O quê? Como assim, sargento?

- Invadiram a frequência militar! Alguém quebrou a criptografia e está transmitindo para toda a tropa!

O sinal irritante termina, então, uma voz feminina surge no canal militar, ecoando por toda a tropa e além:

- Isso foi só um aviso. Essa batalha não é de vocês, ninguém mais precisa morrer. Entreguem-me Bel Yagami e os terroristas que estão com ela, em troca, todos vocês viverão. Vou esperar dez minutos pela resposta.

Perplexão e medo se espalham pela tropa. Oficiais entreolham-se, sem saber o que dizer para acalmar seus comandados. Lutando contra um medo que teima em não ir embora, o comandante Fabrício sente, pela primeira vez, um arrepio.

Um novo bip pulsa no receptor do veículo, indicando uma transmissão oficial. O sargento prontamente ativa os alto-falantes. A voz de Sharem surge potente, carregada de ira:

- Comandante, não negociamos com assassinos! Você tem suas ordens! Vingue nossos bravos homens que morreram na muralha; destrua essa invasora de uma vez por todas; use todos os meios necessários para salvar o seu povo!

- Sim, senhora! - responde o comandante enchendo-se de coragem.

Fabrício concentra-se, forçando-se a espantar os pensamentos negativos, motivando-se de que a vitória será certa, afinal, ela é só uma mulher vestida com uma armadura avançada. Já havia perdido sua poderosa nave frente uma parte das forças da Divisão Gavião, o que poderia ela fazer contra todos aqueles soldados, blindados e robôs? Ele se enche de coragem e, freneticamente, sobe até a torre das metralhadoras. Abre e escotilha e olha para os lados, vendo a imensidão de guerreiros e máquinas de guerra; lá na frente, uma parede de fumaça negra subindo dos restos do helicóptero oculta a posição de Amanda.

- Ligue-me com todas as unidades, a infantaria e a artilharia - ordena.

Em segundos, a voz rouca é transmitida para toda a legião espalhada ao longo do terreno desolado:

- Batalhões da Divisão Gavião, guerreiros honrados e herdeiros da maior força militar desse continente; nós temos um legado a zelar, temos um compromisso com nossos filhos, netos e antepassados, que construíram essa cidade, por isso, não podemos e não vamos recuar frente a esse inimigo covarde, esse invasor que destruiu nossa muralha e matou nossos irmãos! Vocês sabiam que esse dia chegaria, vocês foram treinados para isso. Divisão Gavião, chegou a hora de lutar! Nós somos muitos, ela é apenas uma! Sem piedade, todas as unidades, abrir fogo!

Imediatamente, os canhões de diversos calibres obedecem, disparando uma enxurrada de bombas e provocando um estrondo terrível, como o som de mil trovões. As palavras do comandante enchem os corações dos soldados com força e esperança, fazendo-os avançar com energia, gritando e disparando para o alto, certos da vitória.

O display nas retinas de Amanda se enche de milhares de pontinhos vermelhos. Mensagens de alerta pipocam. Compenetrada, ela mentaliza um comando: Ativar Foguetes. Duas pequenas turbinas fixadas nas costas da armadura respondem, lançando Amanda para o céu em alta velocidade. Segundos depois, as bombas atingem o local onde ela estava, criando uma parede de fumaça e fogo e propagando um estrondo aterrador.

Os soldados continuam avançando, seguidos pelos robôs de combate.

- Ela está lá em cima! - grita um oficial apontando para a inimiga.

Poucos homens ouvem o grito, e, quando miram na inimiga, são surpreendidos por uma enxurrada de pequenos mísseis que explodem contra suas armaduras, fazendo-os em pedaços.

Um caça se aproxima de Amanda; rápida, ela mergulha sobre a imensidão de soldados, escapando da rajada de metralhadora disparada pela aeronave. Naos braços da armadura da Rainha de Fogo, lançadores de micro-foguetes abrem fogo, derrubando centenas de homens e criando um rastro de corpos em chamas no meio do mundaréu de soldados. Os tanques ficam perdidos, sem saber para onde apontar seus canhões.

O contador de munição chega a zero nas retinas de Amanda. Ela aterriza, saca sua lâmina sônica e a segura com as duas mãos, dominada por uma fúria quase sobrenatural, a mulher se lança contra os inimigos desesperados, cortando fora braços, cabeças, troncos e pernas, fazendo o cortando metal como se o mesmo fosse papel. Ela avança contra um comando de robôs, arrancando as grandes pernas mecânicas com precisão cirúrgica, reduzindo-os a uma pilha de metal dilacerado. Então, sobe nas carcaças destruídas e se lança contra uma nova leva de soldados, impiedosamente matando um por um com a lâmina sônica, que emite um brilho estranho, um brilho negro envolto por uma áurea violeta.

"É um demônio!", "Não, isso não pode ser humano!", "Estamos perdidos!", "Atirem, atirem logo!" - gritam os soldados amontados e em pânico, sem conseguir mirar no inimigo.

Das costas da armadura negra pequenas esferas são lançadas, ao atingirem certa altitude, elas explodem liberando centenas de micro-mísseis, que então acertam os militares desorientados, matando muitos mais. Sem conseguir mirar ou mesmo ver o inimigo, amontoados em uma massa humana caótica, centenas de soldados atiram a esmo, acertando seus próprios companheiros.

Vendo toda aquela carnificina inacreditável, os oficiais ordenam que suas tropas recuem, gritando incessantemente ordens de retirada. Apavorado, o sub-comandante contacta Fabrício:

- Senhor, está um caos aqui! Ela é muito rápida e possui armas que nunca vimos antes. Os homens não tem como atirar; ela está no meio deles e eles estão se matando! Quais são suas ordens? Repito, quais são suas ordens!?

Surpreendido, o comandante supremo congela. Mais e mais mensagens desesperadas chegam até ele. Um monitor exibe um crescente número de baixas, que a cada segundo fica maior e maior. O suor frio escorre pelo rosto. Fabrício treme, deixa o comunicador cair e não consegue responder aos chamados de seus oficiais, que se tornam gritos pavorosos. As palavras de Bel voltam à mente do comandante, seguidas pelas proferidas pelo outro o forasteiro; ele procura esquecê-las. Cerra os punhos, sentindo o coração quase explodir no peito. Pega o comunicador e ativa uma frequência exclusiva:

- Águia Um.

- Águia Um na escuta, prossiga, comandante - responde o piloto.

- Você tem uma visão clara do alvo?

- Está uma bagunça, senhor, mas, sim, consigo ver perfeitamente.

- Não temos outra alternativa. Ordeno que a esquadrilha ataque com tudo!

Silêncio no rádio. Um minuto depois o piloto volta a falar:

- Senhor, desse jeito vamos atingir nossos próprios soldados!

- Abra fogo de uma vez! Quero toda a maldita esquadrilha lançando tudo! É uma ordem!

O rádio fica mudo. No céu, os caças entram em formação, liderados por Águia Um. Começam a descer em alta velocidade, executando um rasante sobre os destroços da muralha, ainda em chamas. Aproximam-se do novo campo de batalha, onde, em meio a imensidão de soldados, várias pequenas explosões e um brilho que se move freneticamente indicam o alvo. O piloto líder pressiona o botão de disparo repetidas vezes, lançando todos os mísseis de seu caça. Os outros dois aviões fazem o mesmo. Segundos depois, os três arremetem, deixando um rastro de fumaça branca no ar.

Um bip de alerta dispara no capacete de Amanda, contudo, é tarde de mais. Ela escuta a som agudo do primeiro míssil cortando o ar; em seguida, um tanque de guerra explode a poucos metros de sua posição. Novas explosões surgem por todos os lados, despedaçando homens e máquinas. A onda de choque derruba Amanda, que é envolvida por uma nuvem de fogo.

O comandante Fabrício avança cautelosamente, cercado por seus melhores homens. Respira ofegante dentro da armadura completa, ouvindo a estática que sai pelos fones de ouvido. O estrago causado pelo ataque dos caças deixou uma clareira de morte e destruição, ceifando a vida de mais da metade dos homens do primeiro batalhão.

- Senhor, recebemos confirmação visual. Estamos a vinte metros do inimigo - diz um tenente próximo ao comandante.

O grupo segue para a posição informada. Pelo caminho, a quantidade de corpos carbonizados impressiona, causando reações de angústia e raiva nos soldados. Fabrício sente a culpa, imaginando que terá que relatar cada uma daquelas mortes para as famílias das vítimas. Lembra-se das palavras de Sharem, e, embora concorde com elas, não consegue tranquilizar sua consciência. Respira fundo, desvia o olhar dos corpos. "Foi necessário, não havia outro jeito", diz para si próprio, forçando-se a acreditar.

- Senhor, ali, veja!

Os homens correm e formam um círculo ao redor de um corpo fumegante. Armas em punho, miras travadas. A armadura negra, inconfundível, parece estar morta, deitada de bruços sobre um tapete de cadáveres dos outrora bravos soldados do primeiro batalhão. Fissuras incandescentes ao longo da armadura produzem a fumaça branca, mas, fora as fissuras, ela não aparenta maiores danos.

- Comandante, quais são suas ordens? - inquere o tenente.

Um sentimento de alívio pouco a pouco vai invadindo Fabrício. Ele teve que tomar uma decisão dramática, porém, os fins justificaram os meios, e a temida inimiga agora jazia inerte e avariada diante dele, como um troféu de caça.

- Preparam as correntes. Vamos prendê-la.

Palavras de protesto surgem no ar.

- Mas, senhor, ela é uma ameaça a segurança nacional! Devemos destruí-la imediatamente, usar os lança-chamas! - responde um sargento, seguido por palavras de apoio dos outros homens.

- Não! A tecnologia que essa armadura contém é incomensurável! Vamos tirá-la da invasora, depois, vou matá-la pessoalmente, fazendo-a saber o nome de cada um dos homens que matou!

Mais protestos.

- Senhor, com todo o respeito, ela é perigosa de mais!

Um sinal de alerta surge nos visores dos soldados, que, aturdidos, olham para todos os lados procurando por uma ameaça oculta. Fabrício arregala os olhos: em seu visor tático, dois objetos monstruosos surgem nos céus, exatamente sobre o local do bombardeio.

As sombras colossais produzidas pelas imensas naves cobrem toda a tropa, enchendo os batalhões de medo. Os soldados abrem fogo, os canhões disparam e os caças lançam seus misseis restantes. Os projéteis explodem no ar, barrados por algum tipo de campo de energia. Círculos brilhantes formam-se na parte de baixo da fuselagem das naves, então, quatro grandes explosões fazem o chão tremer, desmantelando tanques e robôs como se eles fossem feitos de plástico, despedaçando os corpos de milhares de soldados como se eles fossem feitos de papel.

Fabrício se joga de costas no chão, o coração quase arrebentando o peito. O rádio está mudo, um zunido agudo preenche seus ouvidos. Ele olha em volta: blindados em chamas, soldados em prantos tentando socorrer seus irmãos feridos, desespero, morte e caos. Os dois batalhões desmantelados, vencidos, de joelhos. "Não! Não pode ser!" Ele olha para o céu e vê uma das naves invasoras aproximando-se, descendo verticalmente e calmamente. A coisa lembra em sua forma um antigo navio de guerra, mas é muito maior, branca, cheia de antenas e turbinas. Então, ele consegue identificar três letras pintadas na barriga da nave, formando a sigla VNR.

Fabrício desmaia. Os soldados que ainda estão inteiros tentam recuar, fugindo para a cidade. Outros buscam abrigo nos destroços dos blindados. A nave de combate fica cada vez mais próxima do chão, levantando colunas de poeira e fumaça enquanto suas turbinas flexionam-se para o pouso.

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André Luis Almeida Barreto
Aspirante a escritor, inquieto por natureza, ainda tenho vontade de mudar o mundo ou pelo menos colocar um monte de gente para pensar. Viciado em livros, games, idéias loucas e sempre procurando coisas que desafiem minha imaginação.
14.6.17

Barba Ensopada de Sangue [Daniel Galera]

Barba Ensopada de Sangue
Ed. Companhia das Letras, 2012 - 424 páginas
No quarto e tão aguardado romance de Daniel Galera, um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista (cujo nome não conhecemos) se afasta da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores.

Onde comprar:

Do forno onde se gestam lendas

Ao finalizarmos a leitura de um livro como Barba ensopada de sangue (Companhia das Letras, 424 páginas) é inevitável julgarmos o quanto uma leitura pode nos atingir emocional e psicologicamente. Aquele pensar residual que permanece como quando olhamos inadvertidamente para o sol e ao fecharmos os olhos ainda há um flash vigoroso de luz.

A suposta morte do personagem principal, que em momento algum é nomeado, é ponto de partida para o início de uma narrativa densa e intensa que nos arrebata sem piedade, um rolo compressor de palavras, ideias e sentimentos, que nos envolve e nos faz reverenciar o nascimento de uma lenda:

Diziam que ele era capaz de passar dez minutos embaixo d’água sem respirar. Que o cachorro que o seguia por toda parte era imortal. Que tinha enfrentado dez nativos ao mesmo tempo numa briga com as mãos limpas e vencido. Que nadava à noite de praia em praia e era visto saindo do mar em lugares distantes. Que tinha matado gente e por isso era discreto e recolhido. Que oferecia ajuda a qualquer pessoa que fosse procurá-lo. Que tinha habitado aquelas praias desde sempre e para sempre habitaria. Mais do que uma ou duas pessoas disseram não acreditar que ele estivesse realmente morto.

Não se assuste tanto com o título, mas também não deixe de se assustar, porque ele não é irrelevante. Ele é parte do desconforto que Daniel Galera quer impor ao leitor através das ações das personagens que beiram à inconsequência.

A começar pela doença bizarra que aflige o personagem principal – a prosopagnosia – que serve tanto ao enredo, quanto aos diálogos menos cáusticos, já teríamos por si só material suficiente para nos sufocar de curiosidade:

Agora ele poderia dizer que vive distraído ou pedir desculpas uma segunda vez, mas as duas soluções são insatisfatórias, a primeira por ser mentira, a segunda por ser injusta. Até alguns anos atrás vivia pedindo desculpas por não reconhecer as pessoas, fazia parte de sua rotina, mas começou a se sentir ridículo e parou. O esquecimento não era culpa dele. Resta manter o silêncio diante da indignação alheia e esperar o que vem a seguir. Aprendeu que a maioria das pessoas não tolera não ser reconhecida.

A personagem principal procura um local calmo para que possa reorganizar sua vida após a morte de seu pai e uma dolorida decepção amorosa que envolve também seu irmão. O lugar escolhido é Garopaba, litoral catarinense. Rememora seu último encontro com o pai e há tanta poesia contida neste fato corriqueiro, que no fundo percebemos que um olhar aguçado aos detalhes é que dá sentido à vida:

O deslocamento pesado do pai ao largo dessas recordações de uma glória profissional distante, o animal fiel no encalço e a falta de sentido da tarde de domingo despertam nele uma comoção tão inexplicável como familiar, um sentimento que às vezes acompanha a visão de alguém um pouco aflito tentando tomar uma decisão ou solucionar um pequeno problema como se disso dependesse o castelo de cartas do significado da vida. Vê o pai no limite tênue desse esforço, navegando perigosamente próximo da desistência.

A partir deste derradeiro encontro entre pai e filho surge um compromisso que envolve a cadela do pai, afinal de contas o animal não pode cuidar de si após a partida de seu companheiro.

Tu pode deixar pra trás um filho, um irmão, um pai, com certeza uma mulher, há circunstâncias em que tudo isso é justificável, mas não tem o direito de deixar pra trás um cachorro depois de cuidar dele por um certo tempo, disse-lhe uma vez quando ainda era criança... Os cachorros abdicam pra sempre de parte do instinto pra viver com as pessoas e nunca mais podem recuperá-lo por completo. Um cachorro fiel é um animal aleijado. É um pacto que não pode ser desfeito por nós. O cachorro pode desfazê-lo, embora seja raro. Mas o homem não tem esse direito, dizia o pai.

Além do compromisso, o pai lhe diz que ele tem o temperamento do avô. Isso altera toda perspectiva de vida de nosso personagem sem nome. Munido de poucos pertences, pouco dinheiro e da cadela do pai ele chega ao balneário de Garopaba. A contemplação da calmaria da paisagem é diametralmente oposta ao que ele carrega dentro si – efervescência e raiva. Um misto de frustração pela perda da mulher que tanto amou somado à negação da morte do pai faz com ele atravesse o limite de quem pode perdoar. E ele não quer perdoar.

Não escolhe Garopaba ao acaso, foi lá que seu avô Gaudério, que tanto se parece com ele, encontrou seu destino. Encontra na investigação do desaparecimento do avô um sentido para sua vida:

Percebi entre uma visita e outra ele tinha se tornado uma figura malvista. Quer dizer, ninguém quer ter por perto um gaúcho grosso que acha bonito mostrar faca por causa de qualquer besteira. Eu disse pra ele parar com aquilo, mas pro teu vô era uma coisa à toa, ele nem se dava conta da própria estupidez. As pessoas aqui tão com medo de ti, eu disse pra ele, isso não é bom, tu vai arranjar problema sério.

Conhecer um pouco mais sobre seu avô, pessoa pouco querida na cidade, o faz conhecer a si mesmo. Ele parece alguém com energia represada, prestes a explodir. É como um rio que flui sereno e mais à frente torna-se cachoeira: violência, peso, explosão, inevitabilidade.

O grande clímax é observar como uma cidade que respira calmaria lida com um forasteiro que quer mexer num passado esquecido. Seria ele a repetição do avô com duas gerações de atraso?

De repente não há nada para fazer nem pensar e nesse hiato ele tem um vislumbre de como e onde irá morrer. A visão não surge em detalhes. É menos uma cena e mais uma combinação de circunstâncias indistintas que se encaixam num padrão nítido. Não é a primeira vez que fantasia a própria morte. Vive fazendo isso e está bastante seguro de que todo mundo o faz.

Ele não está em busca de redenção nem de perdão. E mesmo em meio ao caos o amor não dá trégua. E seu olhar sobre um novo ser amado, mesmo certo de que nunca iria amar novamente, é maravilhoso:

Não é uma mulher pequena mas seu corpo parece ser teatro insuficiente para todas as sensações que abriga. Quando finalmente dorme a narrativa íntima do sonho a liberta dos estímulos externos. O corpo sossega mas quando menos se espera ela troca de posição de novo. Às vezes ela fala e não dá para dizer se é consciente... O quartinho fica impregnado com seu cheiro terroso e cítrico na mesma hora em que ela tira a roupa, um cheiro que encharca a cama em instantes e toma conta de tudo mas que não sobrevive longe dela e vai no seu encalço quando ela levanta para ir ao banheiro ou passar café. Não deixa traço ao se retirar e sua ausência é concreta e instantânea... Ele dorme fácil mas tenta ficar acordado para poder vê-la dormindo, um animal do deserto em lençóis mofados... Achava que nunca mais se apaixonaria e estava de bem com isso, acreditava que uma vez basta para uma vida inteira, mas está acontecendo de novo, essa sensação que se aproxima de uma depressão leve e tinge de desimportância tudo que não tenha a ver com a mulher que abraça.

É por parágrafos como este que temos certeza de que a leitura vale a pena, que estamos no caminho certo ao escolhermos visitar o lugar onde reside a dor, porque sabemos que no fim do túnel haverá amor, o Amor é luz que a tudo abarca.

Literatura de peso, forçosamente escrita sem grandes saltos estilísticos, que atinge grau elevado de maturidade devido a esta escolha. Se havia aí grandes pretensões literárias, temos a consciência de que a meta foi atingida com louvor. Há redundância em dizer que este livro é imperdível, mas ainda assim o digo: IMPERDÍVEL!


Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
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13.6.17

Nossas Noites [Kent Haruf]

Nossas Noites
Ed. Companhia Das Letras, 2017 - 160 páginas
Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida — que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

Onde comprar:

Drummond, docemente, colocou: “Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons”. Na simplicidade, em perceber os pequenos prazeres da vida. É disso que trata o maravilhoso Nossas Noites, poucas páginas, escrita direta, sem floreios. Uma narrativa sem caricaturar a velhice, que não se prende à expectativa criada em torno de protagonistas senis. Sem sentimentalismo. Sabe aquele livro que traz um calorzinho no coração?

Dividir as noites de solidão. É o que propõe Addie ao vizinho Louis, ambos septuagenários e viúvos, morando numa pequena cidade do Colorado há mais de quarenta anos. Sem qualquer intimidade, mas também sem rodeios, Addie chega à casa de Louis e dispara:

“O que você acharia da ideia de ir à minha casa de vez em quando para dormir comigo?”

Louis aceita. No início sem jeito, às escuras, mas Addie sabe como corrigir isso:

“Eu falei para você que não quero mais viver daquele jeito - em função das outras pessoas, do que elas pensam, daquilo em que elas acreditam. Não acho que seja uma boa maneira de viver. Não para mim, pelo menos.”

Se você imaginou uma parceria sexual, faltou imaginação, hein? Sigamos com eles nessa aventura de proposta tão simples: compartilhar.

Então passam da estranheza ao companheirismo, da solidão às noites de conversas, confidências e cumplicidade. Conhecemos a trajetória dos personagens assim, à medida em que se revelam, contando passagens de suas vidas. Eles vão crescendo aos nossos olhos, admiramos aquelas pessoas. Passam a ser tão familiares que poderiam ser nossos pais, avós ou tios.

Os diálogos são francos, Addie dá o espaço que Louis precisa para essa abertura. Tudo é tão novo para ambos, sozinhos há tanto tempo, sobrevivendo aos dias lentos, quando não há mais filhos por perto. A solidão é abordada com muita ternura e o autor não carrega no drama. Há beleza nas conversas, há dor nas entrelinhas, a felicidade tão sonhada não fora atingida por ambos. A reflexão sobre a “envelhescência” - neologismo mais adequado para a nova situação que descobrem juntos – certamente vai tocar o coração do leitor. Nada de esperar que idosos vivam seus anos à espera do fim. É justamente quando estão aposentados e com tempo de sobra que precisam empreender novos projetos e fazer bater forte o coração. Como Louis é grato a Addie! Ela ousa e diverte-se com isso, já não se importa com a fofoca que, obviamente, se instala na vizinhança. E Louis topa, passando a desejar:

“(...) levar uma vida simples, e prestar atenção no que acontece a cada dia. E vir dormir aqui com você à noite.”

Sim, eles também têm suas inseguranças e medos. E outros personagens se juntam aos protagonistas, todos com sua cota de faltas, todos buscando proximidade, intimidade, algo que faça a vida valer a pena. O que esperar dessa amizade? Surgirá algo mais entre eles? Façam suas apostas.

Começo a olhar para os meus vizinhos mais velhos com um adicional de carinho. Tenho o desejo de presentear os idosos da minha vida e do meu trabalho com este livro. Fazê-los enxergar oportunidades, encontrar alegria e motivação em dias comuns e expulsar a monotonia para longe. Recorro mais uma vez à sabedoria dos escritores para tentar uma tradução do quanto a leitura me causou, e nas palavras de Oscar Wilde encontro o que preciso: “A tragédia da velhice consiste não no fato de sermos velhos, mas sim no fato de ainda nos sentirmos jovens”.

Em alguns bons anos serei idosa. Fiquei pensando na mulher que me tornarei. Talvez o leitor mais moço sinta que uma distância absurda o separa do tempo dos cabelos brancos. Nos sentimos jovens e dispostos o tempo todo, mas de repente já estaremos lá, o reumatismo e as rugas apontando que... Que nada! Ainda haverá muito para descobrir, experimentar e sentir. Haverá muito para viver!

Conselho: leia Nossas Noites, presenteie um “envelhescente” com esta joia de leitura!

Em tempo: este livro lindo já virou filme pela Netflix, estrelado por Jane Fonda e Robert Redford, e sairá ainda este ano.

Link do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/664498ED666787


Manu Hitz
Cearense, fisioterapeuta e mãe. “Eu não tenho o hábito da leitura. Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento. Eu leio com prazer. Leio com alegria.” Ariano Suassuna.
Cortesia do Grupo Companhia das Letras
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12.6.17

O Segredo de Heap House, Vol. 01- Crônicas da Família Iremonger [Edward Carey]

O Segredo de Heap House
Ed. Bertrand Brasil, 2017 - 384 páginas
Um livro espetacularmente esquisito, cheio de magia, humor astuto e personagens melancólicos e bizarros. Clod é um Iremonger. Ele vive nos Cúmulos, um vasto mar de itens perdidos e descartados coletados em Londres. No centro dos Cúmulos está Heap House, um quebra-cabeça de casas, castelos, cômodos e mistérios recuperados da cidade e transformados em um labirinto vivo de escadas e criaturas rastejantes. Uma tempestade está se formando sobre Heap House. Os Iremonger estão inquietos, e os objetos falantes estão gritando cada vez mais alto. Os segredos que mantêm a casa em pé começam a vir à tona para revelar uma verdade sombria capaz de destruir o mundo de Clod. Tudo, porém, começa a mudar quando ele encontra Lucy Pennant, uma órfã rebelde recém-chegada da cidade.

Onde comprar:

Cheios de regras e acostumados a fazer casamentos entre primos para preservar a linhagem, os Iremonger seguem suas vidas mais ou menos isolados do resto do mundo. Enriqueceram tomando para si o que os outros consideravam lixo e cobrando dívidas. Construíram uma mansão com pedaços de outros edifícios e se estabeleceram no meio dos Cúmulos.

E é nesse estranho lugar que vamos encontrar Clod Iremonger, um garoto adoentado, órfão de pai e mãe que mora com sua (gigantesca) família em Heap House. Ele tem quinze anos e meio e, se sente um pouquinho diferente do restante dos Iremonger. E de fato ele o é: Clod pode ouvir “as coisas”.

O Segredo de Heap House

Quando um Iremonger vem ao mundo, recebe um objeto de nascença, uma coisa qualquer que ele deve carregar consigo pelo resto da vida. Pode ser um relógio, um alfinete de gravata ou coisas mais estranhas como um fórceps, uma frigideira, ou um porta-torradas. Não interessa qual é o objeto de nascença, um Iremonger jamais deve se separar do seu. E Clod pode ouvir todos eles.

“Os Iremonger sempre julgavam outro Iremonger pela maneira como ele cuidava do se objeto pessoal, seu objeto de nascença, como era chamado.”

Em paralelo à história de Cloud, temos a narrativa de Lucy Pennant, uma órfã que vai morar e trabalhar em Heap House após os pais perecerem de uma estranha doença. Lucy é rebelde, questionadora e desconfiada. Vai tirar o sono de algumas pessoas na velha mansão e complicar um pouquinhos mais a situação.

O Segredo de Heap House

O livro alterna entre a narrativa de Cloud e a de Lucy, sendo um capitulo no ponto de vista de cada um, vez por outra intercalados com anotações ou narrativas de outros personagens.

A história é intrigante e te prende pela estranheza. Heap House, os Cúmulos e os próprios Iremoger são cheios de peculiaridades e segredos. Você está sempre sendo surpreendido por algo novo durante a leitura.

O Segredo de Heap House

A encadernação é muito bonita e combina muito com a história. No início de cada capítulo, tem uma ilustração do próprio autor, retratando algum personagem da trama (geralmente alguém que aparecerá no capítulo seguinte) e o traço é tão peculiar quanto a própria história. No começo e no fim do livro tem representantes da parte interna de Heap House para que o leitor possa se localizar.

A revisão poderia ter sido um pouquinhos mais cuidadosa (peguei dois ou três errinhos de português), mas isso não estraga a narrativa de forma nenhuma.

O Segredo de Heap House

O livro é a primeira parte da trilogia Crônicas da Família Iremonger e terminou com gostinho de quero mais. Já estou ansiosa pra ler as próximas parte dessa história e espero sinceramente que não demorem a ser publicadas!

O Segredo de Heap House

O Segredo de Heap House é deliciosamente estranho. Tem um arzinho de fantasia creepy que poderia facilmente ter saído de um dos filmes do Tim Burton. Os personagens são desajustados e esquisitos, cada um com sua peculiaridade. E são muitos! A família é imensa e a criadagem também. Talvez você leve um tempinho pra se ajustar, mas não se preocupe, você logo acostumará com toda essa esquisitice.

Meu objeto de nascença está excepcionalmente tagarela hoje e preciso descobrir qual o problema antes que as coisas se compliquem. Então, vou ficando por aqui. Te desejo ótimas leituras, que os objetos permaneçam em silêncio ao seu redor. Até a próxima resenha ;)


Andressa Freitas
Mineira, aspirante à escritora e estudante de cinema. Se pudesse moraria em uma biblioteca, como não posso, estou empenhada em transformar minha casa no mais próximo disso possível. Viciada em séries e filmes, adoro ler, comer e viajar. Nerd assumida, fotógrafa de profissão, amo aprender coisas novas e imaginar histórias alternativas pra absolutamente tudo.
Cortesia do Grupo Editorial Record
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8.6.17

O Bom do Amor [Chris Melo e Laís Soares]

Ed. Fábrica 231, 2017 - 88 páginas
“O bom do amor é aumentar o volume do rádio quando a música preferida do outro toca. ” “O bom do amor é gostar de dormir agarradinho no inverno e saber dividir o ventilador no verão. ” “O bom do amor é apreciar cada qualidade, mesmo rodeada de defeitos. ” O bom do amor reúne tirinhas de Chris Melo, autora de romances de sucesso entre o público feminino, e aquarelas de Laís Soares que retratam, de forma delicada, sincera e bem-humorada, os pequenos gestos que dão real significado a palavras como companheirismo e cumplicidade na vida de um casal. A cada página, o leitor encontra uma tirinha mostrando uma situação do dia a dia que comprova que o amor – e a felicidade – está nos pequenos prazeres do cotidiano.

Onde comprar:

Sabe quando você está no seu Facebook ou em algum site aleatório e encontra, assim sem querer, uma imagem fofinha que te lembra do seu próprio relacionamento e você não resiste e chama seu(sua) namorado/namorada/marido/esposa/companheiro/companheira pra ver? Ou dá um print na tela, salva a imagem ou copia o link e manda pra ele ou ela? Então, esse livro aqui é basicamente uma coletânia dessas imagens.

O Bom do Amor é um livro lindíssimo sobre as pequenas coisas que tornam um relacionamento feliz. É sobre aqueles gestos simples que são prova diária de um amor maior. Sobre ser feliz junto e ser feliz por estar junto. Sobre apreciar a beleza do cotidiano. Sobre valorizar quem está ao seu lado e se dar conta de que na maioria das vezes pequenas atitudes podem conter declarações maiores que demonstrações espalhafatosas.

“O bom do amor é deitar um do lado do outro e sentir que não há outro lugar que possa ser mais seguro no mundo…”


As situações relatadas são tão corriqueiras que qualquer casal conseguirá se identificar como uma ou outra coisa. Impossível não encontrar aqui algo que você já tenha passado ou sentido.

O livro começou como uma webcomic e acabou sendo publicado. O texto é da Cris Melo, que já tem alguns livros publicados pelo selo Fabrica 231. As ilustrações são da Laís Soares, desenhos super lindinhos em aquarela que dão todo um charme à publicação. A impressão também tá muito bonita e faz jus às ilustrações e todas as páginas são de “papel revista”.


De leitura fácil e rápida (são só 88 páginas), O Bom do Amor é daqueles livros que compensa você deixar à vista para consultas diárias. Como o livro é composto de pequenas frases, você pode ler fora de ordem, sem problema nenhum.


Além de uma ótima dica de presente para o dia dos namorados, esse livro também supre a carência fofuras diárias e funciona como um lembrete do quão bom é ter alguém especial ao seu lado.

Beijinhos e até a próxima.


Andressa Freitas
Mineira, aspirante à escritora e estudante de cinema. Se pudesse moraria em uma biblioteca, como não posso, estou empenhada em transformar minha casa no mais próximo disso possível. Viciada em séries e filmes, adoro ler, comer e viajar. Nerd assumida, fotógrafa de profissão, amo aprender coisas novas e imaginar histórias alternativas pra absolutamente tudo.
Cortesia da Editora Rocco
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