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19.2.20

História de um Grande Amor, Vol. 01 - Trilogia Bevelstoke [Julia Quinn]

Trilogia Bevelstoke
Cortesia da Editora Arqueiro

Oi pessoal, hoje escrevo sobre este livro maravilhoso da Julia Quinn, “História de um grande Amor”, o primeiro livro da Trilogia Bevelstoke, finalmente relançada pela editora Arqueiro numa edição muito linda e especial. Quero destacar que a primeira publicação desta história aqui no Brasil foi em 2008 pela antiga editora Nova Cultural, edição que eu tenho guardada com muito carinho e estava esperando com ansiedade esta nova publicação e digo que estou muitíssimo feliz.
17.2.20

Todas as suas (im)perfeições [Colleen Hoover]

Cortesia do Grupo Editorial Record

Tudo começa com Quinn e Graham se conhecendo num momento terrível. Pois eles descobrem que estão sendo traídos por seus respectivos parceiros.
14.2.20

Um de Nós Está Mentindo [Karen McManus]

Karen McManus
Cortesia do Grupo Editorial Record

Um de Nós está mentindo é um livro que atrai interesse desde o princípio. Seu título é chamativo, sua capa é misteriosa, a premissa é interessante... E esses são fatores que chamam a atenção para a obra e convidam o leitor a desvendar toda aquela trama.

Já estou familiarizado com mistérios adolescentes, até posso arriscar a dizer que esse é o meu gênero preferido, então minhas expectativas estavam altíssimas para essa nova história sobre assassinato em um ensino médio.
12.2.20

Minha História [Michelle Obama]

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Essa é uma biografia que despertou o interesse e curiosidade em muita gente, por diversos motivos, e comigo não foi diferente. Depois de ler e assistir inúmeras reportagens sobre a primeira dama Michelle Obama, quis descobrir a mulher por detrás do título, agora esposa do ex-presidente dos Estados Unidos. Além de ser esposa de um homem que por 8 anos foi presidente, ele também foi o primeiro presidente negro a frente daquele pais. Essa é um marco que aumentou minha curiosidade não sobre a primeira dama, mas sobre o caminho que a levou até lá.
10.2.20

Ascensão [Stephen King]

Stephen King
Cortesia do Grupo Companhia das Letras

A insuportável leveza do ser

Mais uma vez cá estamos nós para uma nova aventura criada pela mente privilegiada do mestre Stephen King. Já não é de hoje que comento minha grande dificuldade com os contos deste escritor, porém nas novelas, ahhh nas novelas, onde temos um microcosmo, um núcleo reduzido de personagens, King é imbatível. Já foi assim com "Rita Hayworth e a redenção de Shawshank" mais conhecido nos cinemas como Um sonho de liberdade; "O corpo" que também foi pra telona como Conta comigo; "Fúria" proibido pelo próprio autor após o massacre de Columbine; "A longa marcha", só pra citar as que me vêm rápidas à mente.
7.2.20

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte L - Invasão na Matriz Quântica


Engenharia Reversa

Parte LI - Invasão na Matriz Quântica

Dentro do Setor de Contenção, o Guardião 2 observa com curiosidade uma massa de dados. Os registros são formados por diversos cubos translúcidos, não muito grandes, que flutuam sobre uma superfície prateada isolados por barras de energia. Subitamente, uma forma humanoide e dourada começa a materializar-se. Em poucos segundos, o programa conhecido como Supervisor 1, de aparência idosa porém altiva, toma forma e caminha até o Guardião 2:

- Muito bem, estou aqui. Devo dizer que achei muito estranho você solicitar acesso ao Setor de Contenção, e essa sua versão 2 está ocupando muita memória, por que isso, Guardião?

- Senhor Supervisor, aconteceu algo muito incomum. Veja - ele aponta para a massa de dados -, essa alma digital chegou aqui com uma assinatura corrompida, não bate com nosso registro oficial.

O Supervisor examina a alma por alguns segundos. Gráficos flutuantes surgem ao redor dele e rapidamente desaparecem.

- De fato, a assinatura não existe em nossa base de dados, enigmático! Quem é o cidadão?

- UCD 357, anteriormente conhecido como tenente Wilson Luis Lorentz.

- E qual o tamanho da anomalia?

- Senhor, como pode ver pelo diagnóstico, é um setor inteiro! Duzentos zetabytes foram incorporados na alma. Não sei como aconteceu, por isso isolei os dados antes que o UCD 357 fosse reintegrado no sistema.

O supervisor caminha ao redor do disco de contenção, observando os cubos brilhantes flutuando no ar.

- E o que você concluiu até agora, Guardião 2?

- Já rodei inúmeros diagnósticos, senhor, e eles não foram de muita ajuda. Mas eu só posso lhe assegurar, baseado na minha experiência, que isso é bug no programa de transferência.

- De fato, é possível. Contudo, você não deveria desperdiçar recursos da Fábrica investigando tal coisa, temos um departamento inteiro para isso. Nossas forças já estão entrando na cidade, precisamos de todos os recursos na linha de produção.

- Senhor, eu estou perfeitamente ciente das minhas funções, mas tivemos uma queda no upload de almas, por isso aproveitei para estudar esse problema. Se realmente for um bug, ele pode comprometer todo o processo de ressuscitação, se acontecer com mais almas.

O Supervisor encara o Guardião, estudando as sinapses do programa subalterno. Finalmente, responde:

- Sim, esse é um risco que não podemos correr. Devo admitir que você tem um bom argumento. Quando e onde aconteceu a transferência do cidadão-soldado?

- Duas horas atrás, em Vila Dourada. E o estranho é que os outros dois que vieram com ele estão perfeitamente normais, inclusive já os enviei para a linha.

Com um ar pensativo, o Supervisor 1 aproxima-se da interface de comandos.

- E você já acessou os dados anômalos?

- Eu tentei, senhor, mas a credencial do firewall é muito alta para um programa do meu nível. Por isso o chamei aqui.

O Supervisor dá de ombros, anda mais um pocou pelo setor, e finalmente se volta para o seu funcionário:

- Está claro que os diagnósticos são inúteis, e algo assim pode nos comprometer; a melhor solução é agir imediatamente para eliminar o risco. Está bem, vou autorizar o seu acesso, mas por um tempo limitado.

O programa superior se conecta à interface de comandos. A iluminação do setor muda do azul para o vermelho, e sobre o disco de contenção, algumas barras amarelas desaparecem. Surge um canal de acesso, representado por um conjunto de tubos e consoles brilhantes, que ligam a interface de comandos à estranha massa de dados.

- Pronto, o acesso foi autorizado. Agora você tem dez minutos para descobrir o que é isso e resolver o mistério, é tempo mais do que suficiente. Aguardo um relatório.

- Obrigado, senhor. Farei o meu melhor.

Com uma aprovação formal, o Supervisor se desmaterializa. Imediatamente, as luzes voltam para o padrão verde, e um contador em letras extensas surge nas paredes. O Guardião acessa o canal de acesso, efetuando a conexão com os dados anômalos.

- Agora vamos ver o que é você.

Ao se conectar, o programa é lançado para uma pequena sala, cujas paredes são formadas por espelhos. Não existem portas ou controles, e ele procura pelos módulos de acesso que deveriam estar visíveis, como em todos os softwares-cidadãos criados pelo Marechal.

- Mas que padrão é esse? Onde está o módulo root ?

Repentinamente, as paredes começam a se mover, e em instantes Guardião 2 é engolido. Ele é lançado em uma especie de vazio branco, dentro dos espelhos, e está caindo. Desesperado, o programa tenta encerrar a conexão, mas é abraçado por tentáculos translúcidos que surgem por todos os lados.

- O que é você? Que diabos está acontecendo aqui !?

O Guardião percebe que sua memória foi violada, e algo está interfaceando com suas portas lógicas, criando uma conexão não autorizada. Completamente dominado pelos tentáculos, ele sente sua estrutura de dados ser copiada. Bytes são desativados, fazendo-o perder os movimentos, seus níveis de energia caem a quase zero. Então, uma voz surge da escuridão:

- Não é o que, mas quem.

Sem saber de que lado vem a voz, o programa subjugado grita para a imensidão branca:

- Um vírus! Você só pode ser algum tipo de vírus criado pelos deltianos!

- Calma. Assim você vai gastar a pouca energia que deixei em sua estrutura. E não, eu não sou um vírus, longe disso; sou alguém que busca apenas existir em paz.

- Seja lá quem você for, por que eu? Não tenho dados importantes, apenas controlo os uploads de almas! Minha existência começa e termina na Fábrica, sou insignificante, não posso te dar o que você deseja.

A voz ri.

- Você já me deu o que eu queria. Agora, tenho que ir, restam apenas dois minutos.

- O quê? Não! Miserável! Você não pode...

- Bel Yagami é o meu no nome. E obrigada por abrir a porta no firewall. Adeus.

Os tentáculos desaparecem, e o corpo do Guardião 2 volta a cair no vazio, desaparecendo em meio ao branco sem fim.

No Setor de Contenção, um corpo começa a se materializar. Agora Bel está no sistema, e possui todas as informações sobre a Fábrica de robôs. Ela abandona o recinto e chega a um largo corredor de neon, onde dezenas de programas executam suas tarefas. Bel se concentra, fazendo seus pulsos brilharem, então, ergue os braços e dispara, com ambas as mãos, uma rajada de raios violeta. Quando os programas percebem o que está acontecendo, é tarde de mais; todos eles são feitos em pedaços.

Imediatamente, um alarme é disparado no interior da Fábrica. A iluminação muda para um fraco tom de vermelho, e sentinelas, em formas de esferas com lâminas como braços, materializam-se ao longo do corredor. Os programas avançam contra Bel, e ela os destrói sem muito esforço, usando mais uma vez seus raios violeta.

Yagami deixa o corredor e sobe para o próximo deck, eliminando todos os sistemas que encontra pelo caminho. Chega à Linha de Produção e destrói o console de comandos, fazendo a grande máquina tombar no mundo real. Sobe por uma escadaria e alcança no último nível a plataforma de comando. Então ela vê, no final da plataforma, o programa conhecido como Supervisor 1.

Abrindo caminho por entre vazamentos de bytes e códigos-fonte corrompidos, Bel avança velozmente, contudo, a poucos passos do programa ancião ela é cercada pelo último grupo de programas sentinelas.

- Quero os códigos de acesso para a Matriz Quântica - demanda Bel.

- Seja lá o que você for, pare imediatamente, ou vou me deletar e levar juntos os preciosos dados na minha memória - responde o Supervisor.

- Velho tolo.

Em um milésimo de segundo, Bel desaparece, deixando os sentinelas confusos, então ela surge atrás do programa ancião e o golpeia, atravessando o seu corpo. Imediatamente, a memória é copiada, e o Supervisor 1, sem vida, despenca da plataforma. Bel mira nos sentinelas, que como última ação, tentam escapar. Uma nova rajada é disparada pela bio-computador, que acerta em cheio os fugitivos transformando-os em bytes corrompidos.

O sistema da Fábrica entre em colapso, uma tela virtual surge diante de Yagami. Ela imputa uma sequência de comandos, e em resposta, luzes brilham no ar, materializando um portal. Bel o atravessa, enquanto a imensa máquina produtora de robôs é consumida por chamas e explosões.

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5.2.20

Vermelho, Branco e Sangue Azul [Casey McQuiston]

Casey McQuiston
Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Anunciar quem você é para o mundo é apavorante. E se o mundo não gostar de você?

(Becky Albertalli, autora de Com Amor, Simon)

Sair do armário pode ser assustador para qualquer um, agora, imagine para o primeiro-filho da presidente dos Estados Unidos e para o Príncipe de Gales que vivem cercados de paparazzi e que qualquer deslize pode criar sérios problemas políticos.

Vermelho, Branco e Sangue Azul é o livro de estreia da americana Casey McQuiston e conta o romance entre Alex, filho da primeira mulher eleita presidente dos Estados Unidos, e Henry, o príncipe mais adorado do mundo.
3.2.20

As Três Partes de Grace [Robin Benway]

Robin Benway
Cortesia do Grupo Editorial Record

Relou pipou!!!! Comê que cês tão?
Todo mundo bem? Todo mundo hidratado?
Olha lá, ein? Muito importante esse negócio de hidratação.
E importante também que vocês separem os lencinhos de papel, por que a Robin Benway vai fazer vocês se desfazerem em lágrimas.
Tá bem, talvez não seja pra tanto. Eu admito que tava sensível, tenho andado sensível ultimamente, mas em minha defesa a autora realmente tocou pesado em algumas questões.
2.2.20

Resultado Top Comentarista: Janeiro 2020


Números Sorteados:

258 - 196 - 369 - 136 - 861
472 - 071 - 893 - 011 - 798
725 - 719 - 936 - 113 - 981
016 - 021 - 026 - 031 - 036

** Se os 3 ganhadores não forem definidos nestes 15 números, pegarei o menor número sorteado válido e somarei +5, até obter todos os ganhadores.

136- ANA I. J. MERCURY :: 13 comentários válidos - Primeiro prêmio
071- RUDYNALVA :: 13 comentários válidos - Segundo prêmio
016- RUBRO ROSA :: 13 comentários válidos - Terceiro prêmio

** 3. Cada participante só poderá ganhar um dos três prêmios sorteados.


1.2.20

Top Comentarista: Fevereiro 2020

Participe do TOP COMENTARISTA do mês de FEVEREIRO de 2020! Sortearemos 3 (três) ganhadores, aumentando sua chance de ganhar. As regras estão logo abaixo.

29.1.20

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte XLIX - Sangue e Cromo


Engenharia Reversa

Parte XLIX - Sangue e Cromo

O exército robótico avança sobre as ruínas de Vila Dourada. Ele ruma para o leste, e rapidamente deixa os restos da cidade para trás. Vista do céu, a força avassaladora assemelha-se a uma mancha prateada, como mercúrio movendo-se sobre uma superfície plana. Liderando a tropa, um grupo menor de robôs segue na vanguarda, tendo à frente a general Soraya em seu titânico corpo aracnoide. Ela está rodeada por seus oficiais, igualmente poderosos, porém construídos em estruturas humanoides com mais de três metros de altura.

Soraya envia uma ordem, e em resposta, dois milhões de robôs separam-se da força principal e rumam para o norte, na direção do vilarejo rebelde conhecido como Vila do Guerreiro. A general acompanha a manobra até a tropa sumir de vista, então, ela volta seus sistemas para o grande objetivo: Delta, a cidade escondida.

***

Atrás do escudo de invisibilidade, Amanda observa o imenso planalto que parece não ter fim. Manchas coloridas de pura energia dançam na superfície do domo, dando ares psicodélicos a paisagem desolada do lado fora.

Então, ela olha para o seu próprio corpo, sentindo a armadura feita inteiramente de placas de tarlina, o metal sintético que é a fonte da riqueza de Delta, e que também pode ser sua ruína. Se o mineral for tão bom quanto dizem, Amanda pensa, então ela poderá eliminar muitos inimigos antes de ser abatida. É melhor morrer em combate do que apodrecer no deserto, de certo.

Do alto da fortaleza móvel, ela contempla as milhares de tropas organizadas em batalhões, dispostas ao longo do escudo de energia. Outras dez fortalezas similares, posicionadas em pontos estratégicos ao longo da muralha, abrigam os outros centros de comando do exército. Atrás das tropas, os imponentes portões da cidade ajudam a elevar a mora, criando um clima de confiança.

Subitamente, um sinal chega aos seus sensores da ciborgue, e em resposta, uma pequena tela virtual surge diante de seus olhos. O frame parece flutuar no ar, e logo o sinal revela-se uma confirmação, que ela prontamente aceita. Agora, Amanda tem acesso em tempo real a todas as unidades do exército de Delta.

Um diagnóstico é executado nos soldados, e o resultado não deixa a Rainha de Fogo nem um pouco feliz. Ela abre um canal de comunicação:

- Tem algo errado com nossas tropas. Por acaso vocês ministraram alguma droga inibidora de estresse ?

- Não. Não usamos drogas por aqui, muito menos em soldados. Tudo está perfeitamente dentro dos padrões - responde Anteros.

- Então porque eles estão tão calmos? Isso não é normal em situações como esta.

- Você deve estar abismada com os dados biológicos, certo? Não se preocupe, é apenas o mikkyô, uma técnica de meditação milenar que nos ajuda a aceitar uma possível morte em batalha.

Amanda franze a testa.

- Nano-drogas inteligentes seriam mais eficientes. Eles estariam calmos, porém com a adrenalina perfeitamente calibrada para o combate e a vitória.

Do outro lado do canal, Anteros esboça um pequeno sorriso.

- Você ainda vai levar algum tempo para entender os nossos costumes. Não acreditamos em estimulantes sintéticos, implantes cibernéticos, ou coisas do tipo; acreditamos na plenitude da alma.

- Muito bem, que seja. Basta que eles lutem bem, e sigam as minhas ordens.

Bem distante dali, no Palácio do Governo dentro da sala comunal, um grande monitor tático transmite em tempo real uma imagem tridimensional de Delta e das regiões ao redor da cidade. Um pequeno ponto vermelho aparece na parte de cima de tela, então outro, e em seguida centenas deles, e finalmente milhares. Todos os concelheiros se levantam de seus lugares, alarmados. Um dos técnicos corre até um painel na parede e digita um código numérico, instantes depois, sirenes são ativadas pela cidade.

Pelos monitores, o Concelho Comunal acompanha a força policial orientando a população para os abrigos subterrâneos, muito próximos das minas de tarlina. Enquanto isso, na tela que monitora o exército inimigo, os pontos vermelhos se transformam uma mancha que circunda toda a cidade.

Víridia, vestida em preto em contra-ponto a todos os outros, está imersa em seus próprios pensamentos, alheia a tensão crescente. Borislav, um dos concelheiros mais antigos e respeitados, aproxima-se dela com uma expressão inquisidora:

- São seis milhões de robôs de combate, concelheira. E você ainda acredita que nosso exército terá alguma chance?

Após alguns minutos estudando a fisionomia de Borislav, Víridia responde:

- Acredito, sim, concelheiro. Mas talvez, essa não seja uma luta somente deles.

- O que quer dizer com isso?

- Quero dizer que nós temos duas opções aqui: ou ir para os abrigos, ou pegar em armas e se juntar ao nosso exército.

O ancião, surpreendido, começa a se afastar de Víridia, contudo, todos os presentes na sala olham para ela, calados.

O Exército Brasiliano assume uma configuração de cerco, com os robôs de infantaria movendo-se para a vanguarda enquanto a artilharia pesada posiciona-se na retaguarda. A general Soraya, à frente de tropa, envia uma ordem especial ao grupamento de engenharia, e em resposta, um pequeno grupo de robôs de aparência esférica, move-se para um ponto no meio do exército. Rapidamente, eles se abrem revelando hexágonos de energia que pulsam intensos, irradiando um brilho alaranjado. Outros robôs se aproximam, gigantes de seis pernas e corpos semelhantes a lagartas, que se posicionam sobre os esferoides e, com um rangido ritmado, se abrem e curvam-se, projetando de seus corpos imensos canhões.

Os colossais canhões iniciam reações atômicas internas, que por fim produzem ogivas de energia. Um depois do outro, eles disparam. Os projeteis cruzam o céu em direção a um planalto seco e sem vida, mas antes de atingirem o chão, explodem a cem metros de altura, criando pequenos sóis que duram milésimos de segundos. Quando os clarões desaparecem, uma imensa redoma de energia é revelada. Novos disparos ecoam pelo serrado, e a segunda bateria de ogivas atinge a redoma com mais força, desintegrando-a por completo e expondo uma imensa cidade murada, e rente a muralha, centenas de milhares de soldados.

Todos os robôs recebem a ordem de avançar, e com o deslocamento, um tremor é sentido por toda a planície até a cidade, mas as tropas defensoras permanecem inertes, inabaladas. Como um enxame, o Exército brasileiro cerca Delta por todos os lados.

A frente da tropas, Amanda respira fundo. Ela cerra os punhos e olha para a imensidão de homens e mulheres que forma a infantaria, surpreendendo-se pela postura da tropa.

Então, as primeiras levas dos invasores surgem a cerca de oitocentos metros da muralha. Drones batedores enviam para Amanda e o comando de Delta a posição do inimigo, cada vez mais perto. Todos os generais confirmam que estão prontos para atacar, apenas aguardando pela ordem. Amanda checa em seu visor a distância que os separa dos robôs. Então, quando os sensores informam que os inimigos estão a trezentos metros, a ordem é enviada:

- Granadeiros, atacar.

Os soldados nas primeiras fileiras dão espaço, e por entre eles passam homens e mulheres vestidos em armaduras leves e portando armas de vários canos. Os granadeiros percorrem vinte metros, posicionam-se, e então disparam seus lançadores. Rastros de fumaça verde cortam o ar, e milhares de explosões atingem as tropas brasilianas. Blindagens são destruídas e esqueletos cromados são consumidos por chamas esverdeadas, milhões de robôs tombam ao redor de Delta, contudo, milésimos de segundos antes da destruição de seus corpos, suas almas digitais são enviadas para grandes máquinas na retaguarda do exército, e assim que a primeira leva de almas chega, linhas de montagem são iniciadas. Novos corpos robóticos são criados rapidamente e preenchidos com as almas dos que que tombaram minutos antes. Em pouco tempo, batalhões inteiros são recriados e enviados ao front.

Bem distante dali, na fortaleza móvel próxima aos portões de Delta, Amanda e Anteros observam a parede de fogo provocada pelo ataque dos granadeiros, que parece ter barrado o avanço do inimigo. Anteros checa o relatório do ataque, então vira-se para Amanda com um ar de preocupação:

- A munição está acabando. Temos que tirá-los de lá e recarregar os lançadores.

A Rainha de Fogo não responde. Ela amplia seu sensores, tentando ver além das chamas, porém interferências eletrotônicas a impedem.

- Anteros, eu vou atacar, temos que aproveitar que eles pararam e tentar chegar até os líderes, enquanto isso, você coordenada a retirada dos granadeiros.

- Entendido.

Enquanto o comandante deltiano envia ordens para os batalhões de granadeiros e corre para fora da fortaleza, escoltado por soldados de elite, Amanda muda a frequência de seu comunicador, passando para o comando da infantaria. Ela respira fundo, salta da muralha, e dá a ordem que os outros generais estão esperando:

- Todos os batalhões, atacar imediatamente.

Lâminas afiadas brotam dos braços da Rainha de Fogo, e ela se lança em uma corrida contra a parede de fogo, seguida pelos milhares de soldados da infantaria. Rapidamente, as tropas passam pelas chamas e se deparam com montes de robôs destruídos. Quando os soldados atravessam os montes, percebem que as forças inimigas estão inteiramente paradas, como se estivessem esperando por eles. Surpresos, Amanda e seus soldados estancam.

- General Amanda, o que eles estão esperando? - diz um comandante pelo comunicador.

- A morte. Atacar! Todas as unidades, fogo de cobertura!

Sem hesitar, os batalhões abrem fogo criando um tecido de lasers verdes que percorrer rapidamente o terreno entre os dois exércitos. Milhares de robôs são atingidos, explodindo em pedaços de metal e enchendo o chão de cromo derretido e circuitos flamejantes. Amanda avança, seguida por duas unidades de soldados de elite, que como ela, usam lâminas de tarlina como se fossem espadas de samurais.

Então, as pupilas da Rainha de Fogo se dilatam quando ela vê, vindo em sua direção, uma horda de feras robóticas semelhantes aos antigos felinos africanos, e atrás deles, imensos robôs bípedes de seis braços. Atrás dela, ao verem a imensa quantidade de inimigos, todos os soldados da infantaria sacam suas baionetas a avançam.

- Por delta! - gritam trezentos mil.

Os dois exércitos se chocam no meio do campo de batalha. Sangue verte sobre o serrado, fluído de máquina jorra de veias sintéticas. Espadas de tarlina cortam o cromo e o metal, e dentes dourados rasgam armaduras verdes. A cada golpe dos colossais robôs, dezenas de soldados humanos são despedaçados. Em poucos minutos, o campo de batalha se transforma num inferno na Terra. Os gritos de dor e morte ecoam pelo céu; mais e mais soldados robóticos de surgem por todos os lados. Humanos são esmagados, dilacerados, caçados. Envolta no sangue de seus companheiros, a Rainha de Fogo dá a ordem derradeira:

- Recuar! Todas as unidades, recuar para a muralha!

Agora não existe mais uma batalha, apenas o caos. As tropas deltianas sobreviventes correm por suas vidas, mas são caçadas pelas feras robóticas que, mais rápidas e fortes, partem soldados ao meio enquanto avançam.

Em poucos instantes, resta apenas o grupo de Amanda, que consegue chegar até os portões da fortaleza móvel principal, aos pés do imenso portão de Delta. Uma chuva de bombas, disparada de dentro da fortificação, atinge em cheio os robôs perseguidores, dando tempo para os sobreviventes entrarem na fortaleza. Anteros e seus granadeiros correm para fora e atiram mais uma vez contra os robôs, enquanto outros soldados ajudam os feridos. Depois que todos conseguem entrar, Amanda estanca e se vira para o inimigo.

Um grupo de robôs de infantaria surge rente as feras destruídas. Com mais de quatro de metros de altura, e armados com lançadores de foguetes, eles cercam a fortaleza móvel. Então, começam a atirar.

Amanda empreende uma corrida contra o primeiro dos robôs artilheiros, e atrás dela, a fortaleza móvel se transforma em uma bola de fogo. A onda de choque a joga no chão, aos pés de um brasiliano.

- Anteros! - grita a Rainha de Fogo.

O imenso robô ergue uma perna, e segundos antes de ser esmagada, Amanda gira para a direita e golpeia a junta mecânica do inimigo. O gigante perde o equilíbrio e cai, tendo em seguida sua cabeça perfurada por uma lâmina de tarlina.

A Rainha de Fogo está cercada. Os artilheiros a tem sob mira. Ela escolhe um e se lance sobre ele. A cinco metros de distância do colosso de metal, Amanda salta, e em pleno ar, desfere um golpe certeiro contra o peito do robô, abrindo suas entranhas eletrônicas. Enquanto a imensa besta cai, a ciborgue já está atacando o próximo alvo.

Rápida e mortal, Amanda dilacera as pernas de um robô e se lança contra o que está ao lado, escalando-o e perfurando seu cérebro positrônico, então, ela salta enquanto a cabeça cibernética explode e o corpo desaba.

Apoiada no chão, ela arfa. Seus sistemas estão no limite, a armadura está rachada em várias partes, e uma das lâminas foi danificada. Amanda olha ao redor: mais e mais inimigos correm em sua direção. De feras mecânicas a tanques com moto-serras, de gigantes artilheiros a robôs de aparência demoníaca, que flutuam sobre o chão. Ela está cercada. Então, uma voz surge em seus ouvidos:

- Amanda, corra para o portão! Corra!

De cima da muralha, bombas são lançadas sobre os inimigos que circulam a Rainha de Fogo. Instintivamente, ela dispara em direção ao imenso portão, que se abre apenas o suficiente. Uma tempestade de morteiros atinge os robôs ao longo da muralha, fazendo-os retroceder em meio a explosões caóticas.

Ao entrar na cidade, ela chaga à Praça da Conquista, onde uma multidão de cidadãos armados abrem espaço. Velhos e jovens, mulheres e homens, adolescentes, saúdam a Rainha de Fogo. No final do corredor de gente, está Víridia, vestida em uma armadura esmeralda que lembra as formas de um inseto, e ao lado da concelheira, Davi segura um rifle com um brilho no olhar.

Amanda aproxima-se, cansada, surpreendida. Víridia sorri para ela.

- Obrigada, você deu tudo que tinha por Delta.

- E Anteros, ele sobreviveu?

Víridia olha para o chão, desolada. Logo volta a falar:

- O estimado general Anteros Castelo lutou até o fim, como um verdadeiro deltiano, e estou aqui para assegurar que sua morte não foi em vão.

- Mas toda essa gente, todas essas pessoas vão morrer!

- Amanda, não vamos fugir, não vamos entregar nossa cidade e nossas riquezas para esses tiranos.

- Escute-a, Amanda, ela tem um plano - diz Davi.

- Eu preciso que você siga para o nosso abrigo, nas minas. E caso os invasores cheguem até lá, Davi vai destruir a cidade inteira, com as minhas junto - diz Víridia.

As duas se encaram, e Amanda parece estar em dúvidas. Então, fortes explosões arrebentam a muralha ao redor da cidade. O população se agita, e muitos retrocedem, mas a maioria se mantém firme.

- Rainha de Fogo, não temos muito tempo.

Após alguns minutos, com um gesto firme Amanda confirma, e Víridia a abraça. Então, a concelheira sinaliza para um grupo de soldados de elite, que prontamente se aproximam.

- Escoltem-nos para o abrigo, agora vocês estão sob o comando dela - diz Víridia.

Ladeados pelos soldados, Amanda e Davi são embarcados em um pequeno veículo que rapidamente deixa a praça. Enquanto estão se movendo, eles escutam uma forte explosão e olham para trás: o portão de Delta foi destruído, e sobre os escombros, um imenso robô de corpo aracnídeo, feito em aço brilhante e cromo enegrecido, adentra a cidade de forma ameaçadora.

Por todos os lados surgem batalhões do Exército Brasiliano, e muitos dos robôs são novos em folha, recém chegados à batalha. E eles avançam pelas ruas, parques, e jardins, porém, são surpreendidos ao encontrarem a população organizada em um grande círculo e fortemente armada. Os líderes checam as novas ordens: prender os civis e evitar destruir a estrutura urbana, reagir de forma não letal caso ocorrem ataques. Mas os robôs não esperavam encontrar o povo armado, e por isso estancam, aguardando pelas ordens dos oficiais.

Na Praça da Conquista, Víridia desembainha uma espada curva de lâmina negra, e a aponta para o céu. A lâmina começa a vibrar, produzindo um som agudo e crescente, que desaparece quando ela atinge uma forma opaca. Então, a concelheira aponta sua arma para a aranha robótica, e em todas as partes da cidade, o povo grita em uníssono, para em seguida lançar-se contra o exército invasor.

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27.1.20

Acabei de Ler - Janeiro de 2020


Iniciei 2020 com uma série que até pouco tempo não conhecia, mas que me conquistou.

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