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20.9.19

Vem Comigo [Karma Brown]

Karma Brown
Cortesia do Grupo Editorial Record

A primeira coisa que eu preciso falar sobre essa leitura é que ela me quebrou! Eu não sou de ler romances, mas depois que vi alguns comentários fiquei bem curiosa para conhecer essa história. Eu não poderia ter amado mais ter realizado essa história e acompanhar toda a dor que Teg leva dentro de si.
18.9.19

Trono Destruído: Coletânea definitiva da série A Rainha Vermelha [Victoria Aveyard]

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Trono Destruído é uma coletânea de contos da série A Rainha Vermelha. Ele contém dois contos já publicados (“Canção da rainha” e “Cicatrizes de aço”) e traz mais quatro outros inéditos. Além dos contos também apresenta mapas exclusivos, bandeiras e registros sobre a história de Norta coletados por Julian Jacos.
16.9.19

Algo Maravilhoso, Vol. 02 - Série Sequels [Judith McNaught]

Cortesia do Grupo Editorial Record

É difícil escrever duas resenhas seguidas sobre o mesmo autor, pois já deixei bem claro que sou fã do estilo de Judith McNaught, gosto do clima intenso que ela emprega na sua narrativa, seus personagens são sempre levados por fortes sentimentos e ela procura ser fiel aos costumes da época, por isso suas mocinhas geralmente são ingênuas, apesar de terem personalidades forte e os mocinhos muitas vezes extrapolam nossa paciência, pois são bem machistas.
13.9.19

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte XLVI - Arrebatamento


Engenharia Reversa

Parte XLVI - Arrebatamento

As ruas da capital estão vazias, porém, milhares de drones cortam os céus na noite de breu. Eles entram pelas janelas de vidro dos prédios residenciais e comerciais, pelas venezianas das mansões, pelas portas das moradias dos trabalhadores, através dos buracos nas paredes dos barracos que se amontoam nas favelas. Horas antes, o país inteiro parou para que a população pudesse aproveitar seus últimos momentos em seus corpos de carne e osso.

Em uma mansão, a família está reunida na lustrosa mesa de jantar. Pai, mãe, dois filhos e os avós terminam sua última refeição. A mãe, com um sorriso no rosto, explica para os filhos que em breve eles vão viver para sempre, que vovô e vovó ficarão livres das doenças e poderão brincar com eles eternamente, que eles poderão ser o que desejarem.

- Mãe! - grita a menina ao ver as máquinas aladas entrando pela janela.

- Calma, querida, lembra do que mamãe te falou mais cedo? É assim que vai ser nossa passagem para a vida eterna.

- Querida, vamos ? - diz o pai.

Calmamente, mãe e pai guiam seus filhos para sala, sendo logo seguidos pelos avós. Então, toda a família se ajoelha sobre a tapeçaria, formando um círculo e dando as mãos. Os drones, um para cada pessoa, posicionam-se sobre as cabeças. A voz do Marechal ecoa pela sala:

- Não temam, valorosos cidadãos. Esse é o momento pelo qual trabalhamos todos esses anos; para vocês, é o início da vida eterna, e para todos nós, é o marco da reconquista de nosso amado país, de nosso Brasil.

- Mãe! Não, por favor, eu não quero! - diz o garoto.

- Pelo amor de Deus, Otávio, não é o momento! Seja homem! - repreende o pai.

A mãe rompe o círculo, e sob os olhares de espanto dos demais, abraça o filho. Em um movimento sincronizado, tentáculos emergem dos drones e penetram as nucas dos membros da família. Imediatamente, os corpos caem inertes.

A esquadrilha deixa a mansão, encontrando no céu outros milhares de irmãos. Em um balé aéreo, grupos de centenas se encontram e se conectam, formando imensas estruturas no céu. Então eles piscam, enviando milhões de zetabytes de dados para o Útero, enviando as consciências da população do Brasil para seus novos corpos cibernéticos.

***

- Marechal, está terminado.

O androide prateado aproxima-se de Bel Yagami. Seus olhos brilham incandescentes.

- Você conseguiu. Você. Conseguiu.

- Oito milhões de robôs no total. Oitenta por cento com funções militares, o restante vai suprir as linhas de abastecimento e manutenção.

- Restou alguém ?

- Brasília, Campo Grande, Goiânia e Cuiabá estão vazias, assim como todas as cidades médias. Entretanto, duas cidades do interior, quase na fronteira, resistiram. Eles conseguiram destruir os drones.

O Marechal dá de ombros.

- Ah, deixe-me adivinhar: Vila Dourada e Passo do Guerreiro?

- Essas mesmas.

- Cidades de ratos selvagens, primitivos, revoltosos. Nunca foram uma ameaça, e apesar dos diversos bloqueios que colocamos, aqueles miseráveis conseguiram sobreviver.

- E o que senhor pretende fazer com eles?

- Soraya já foi convertida?

- Sim, ela e os outros generais estavam no último lote.

- Excelente. Passe-me o arquivo de ID's.

Mentalmente, Bel obedece. Os olhos do Marechal brilham e ele aproxima-se de Bel, que está operandosentada um console de comando.

- Yagami, você foi esplêndida, e agora tenho uma missão para você.

- O que o senhor quiser, estou a disposição.

- É claro! Junte-se a Soraya. Vocês vão partir imediatamente para destruir Vila Dourada e em seguida Passo do Guerreiro, não deixem pedra sobre sobre, erradiquem essas cidades do mapa, exterminem todos os ratos.

Por um momento, Bel encara o androide prateado sem dizer palavra. Então ela se coloca de pé, encarando com firmeza o soberano.

- Considere feito, Marechal.

- Pense nisso como um teste. Quero ver do que minhas forças são capazes.

Bel segue em direção ao elevador, mas antes de entrar, ela se detêm e vira-se para o Marechal.

- Senhor, antes de partir, gostaria de saber o que faremos com Maestro e Davi?

- Maestro... Que decepção! Mas ele não representa perigo. Nada poderá fazer. Ele e o menino estão totalmente impotentes, talvez os deixe aqui para morrer de fome. Agora vá, não temos tempo a perder.

A porta do elevador se abre no andar térreo do Complexo Governamental. O salão, antes repleto de funcionários atarefados e guardas mal encarados, agora está vazio e silencioso. Com passos firmes, Bel atravessa o salão e chega ao portão principal. Com um comando mental, ela faz as duas imensas portas de ferro abrirem-se; Bel se assusta ao ver, alguns metros à frente, um imenso robô em forma de aranha, de pé, apoiado nas pernas traseiras. E atrás dele, dispostos em formação de falange, milhares de robôs de combate a perder de vista.

- Bem vinda, Yagami - diz a aranha.

- Soraya? Eu não esperava por isso.

- Agora é General Soraya, comandante do Primeiro Exército de Libertação.

- Está certo, general. Agradeço pela recepção. E então? Vamos marchar até Vila Dourada?

Soraya flexiona as pernas traseiras e volta para sua posição natural, ficando ainda com cinco de metros de altura. Seus milhões de olhos digitais, posicionados na cabeça retrátil, piscam emitindo padrões em sequência. No mesmo instante, as tropas obedecem e mudam de formação, virando-se para o sudeste.

- Estamos prontos. Em duas horas estaremos em Vila Dourada. Você não terá problemas em nos acompanhar.

- Por favor, vá na frente - sinaliza Bel.

***

- Senhor, você confia mesmo nela?

- Sem Yagami, você não teria esse corpo, Soraya. E nosso sonho de reunificar o Brasil seria apenas isso, um sonho. É claro que não confio!

- Obrigada por essa honra, senhor. Ela é perigosa, não podemos arriscar. E eu quis matá-la desde o primeiro momento em que a vi.

- Você não terá problemas. Assim que se livrar dela, seu próximo objetivo é Delta. Tome cidade e assuma o controle das minas de Tarlina.

- Assim será feito, senhor.

- Estarei partindo com o restante de nossas forças para a República de São Paulo, e depois para o sul.

- Eles não terão chance.

- De fato, mas vamos precisar da Tarlina para enfrentar as forças da GFA, portanto, Delta precisa estar sob nosso controle o quanto antes.

- Pode contar comigo, senhor. Encerrando a conexão.

- Soraya, espere.

- Sim?

- Seja rápida. Não a faça sofrer. Yagami não tem culpa de ter nascido.

***

As forças do Primeiro Exército de Libertação cercam Vila Dourada. Apavorada, parte da população buscou refúgio na imensa catedral erguida na praça principal da cidade. Porém a maioria, formada por mulheres e homens portando armas do tempo da revolução, espalhou-se pelas ruas do centro histórico montando um perímetro defensivo.

- Patético. Eles acham mesmo que vão conseguir se defender com aquelas relíquias - diz Soraya.

- Bem, conseguiram destruir os drones - responde Bel.

- Deram sorte. Enfim, chega de perder tempo.

- Vamos invadir a cidade?

- Não será necessário. Vou ordenar um bombardeio.

- Espere, general. Deixe-me cuidar disso.

Soraya move sua cabeça aracno-robótica apontando seus milhões de olhos para Bel.

- E como pretende fazer isso?

- Vou entrar na cidade, matarei todos com máxima eficiência. Assim pouparemos munição.

- Pois bem, isso eu gostaria ver. Mas não vai demorar? Tem umas dez mil pessoas aí.

- Não. Posso ser extremamente rápida com essa armadura.

- Se você diz. Mas leve alguns soldados junto.

Bel aquiesce. Ela avança na direção da periferia da cidade. Sob ordem da general, cinco robôs de infantaria, armados cada com com três metralhadores de grosso calibre, seguem logo atrás.

Soraya observa com paciência. Quando Bel se aproxima das primeiras construções, Soraya estabelece uma conexão criptografa com parte de suas tropas e envia uma mensagem de prioridade alta:

- Batalhão de artilharia, preparar para disparar carga completa ao meu comando.

- Ordem recebida. Municiando canhões - respondem simultaneamente duzentos e cinquenta robôs

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11.9.19

Vilão [V. E. Schwab]

Cortesia do Grupo Editorial Record

"Vilão" é um belo título para chamar a atenção de uma boa quantidade de leitores. Muitas vezes, essas personagens riquíssimas acabam ganhando um destaque maior do que os mocinhos. E o pior, alguns são até mais carismáticos que eles. Então posso dizer que fui conquistado pela possibilidade de ler algo sob a visão deles. E que bom que fui contemplado.
9.9.19

Agora e Sempre, Vol. 01 - Série Sequels [Judith McNaught]

Judith McNaught
Cortesia do Grupo Editorial Record

Judith McNaught tem um estilo próprio de escrever romances de épocas, mais longos e com personagens mais trabalhados do que o usual. E por isso talvez gosto tanto de seus livros, pois esbanjam emoção e sensualidade, que me prendem a suas páginas do início ao fim.

Este livro faz parte da série Sequels, contudo sua história é independente das demais, ou seja, é livro único.
6.9.19

Um Crime da Solidão: Reflexões sobre o suicídio [Andrew Solomon]

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Começo dizendo que Um crime da solidão não é para qualquer um, e sendo sincero, nem sei se era para mim. Nada que eu venha a dissertar por aqui, chegará aos pés da amplitude e magnitude do que esta obra de Andrew Solomon apresenta.
4.9.19

Resultado Top Comentarista: Agosto 2019


Números Sorteados:

720 - 964 - 666 - 688 - 964
437 - 169 - 876 - 406 - 909
372 - 696 - 766 - 068 - 096

169 - MARTA IZABEL :: 13 comentários válidos - Primeiro prêmio
068 - NIL MACEDO :: 12 comentários válidos - Segundo prêmio
096 - RAYANE B. DE SÁ :: 13 comentários válidos - Terceiro prêmio


3.9.19

O Pretendente (conto), Vol. 1.5 - Série Clube Dos Sobreviventes [Mary Balogh]

O Pretendente (conto
Cortesia da Editora Arqueiro

O Pretendente é um conto curto da série O Clube dos Sobreviventes, da autora Mary Balogh, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. A editora lançou simultaneamente o livro Uma Loucura e Nada Mais (terceiro livro da série) e também de O Pretendente; o conto se passa entre os livros um e dois.
2.9.19

A Altura Deslumbrante, Vol. 02 - Pegadas Misteriosas [Katharine Mcgee]

Katharine Mcgee
Cortesia da Editora Rocco

Após o trágico acontecimento do livro anterior, nossos protagonistas aprender a lidar com as consequências. Nessa continuação, senti que a história mostrou muito mais o amadurecimento dos personagens e eles aceitando seus defeitos e evoluindo a partir disso.
1.9.19

Top Comentarista: Setembro 2019


Venha Participar do TOP COMENTARISTA do mês de SETEMBRO de 2019, pois serão sorteados 3 (três) ganhadores, aumentando suas chances de ganhar. As regras estão logo abaixo.

Importante

Somente os post que contiverem a Tag: TC 0919 serão válidos para o sorteio e terão ao final da postagem o Texto indicando que ela é válida para o Top do mês.

Exemplo:

1 - No final da Postagem aparecerá o texto do Top do mês, clicando nele você é redirecionado para a página do TOP COMENTARISTA, facilitando a inscrição de seu comentário.
2 - A Tag: TC 0919


Regras

1. Deixar um comentário com algum dado de contato neste post e com os nomes dos 3 livros a sua escolha que gostaria de ganhar.
2. Fazer comentários NOS POST QUE CONTENHAM A TAG: TC 0919 publicados em SETEMBRO de 2019 (Só é válido 1 comentário por post publicado).
3. Cada participante só poderá ganhar um dos três prêmios sorteados.
4. No caso do sorteado ter realizado menos que 10 comentários no mês será desclassificado e o próximo ganha o prêmio.
5. Serão válidos inscrições e comentários até 01/10/2019.

Premiação

Primeiro lugar: O ganhador irá receber em sua casa 1 LIVRO das 6 opções indicadas abaixo.

Segundo lugar: O ganhador irá receber em sua casa 1 LIVRO das 5 opções restantes abaixo, depois da escolha do primeiro colocado.

Terceiro lugar: O ganhador irá receber em sua casa 1 LIVRO das 4 opções restantes abaixo, depois da escolha do segundo colocado.


1 LIVRO a sua escolha (Será enviado 1 dos 3 livros indicados na inscrição do participante)
A Guerra dos Tronos, Vol. 01 [George R.R. Martin]
Especial [Ryan O'Connell]
Namorada Podre de Rica, vol. 02 [Kevin Kwan]
Dez formas de fazer um coração se derreter [Sarah Maclean]
Box: Enigmas dos Sonhos [Tiago Haubert] + Sob os Acordes dos Anjos [Chirlei Wandekoken] + Chuta que é Carma! [Vanessa Bosso]

Inscrições

Primeira Inscrição: Deixar um comentário com algum dado para contato e o nome de 3 livros que gostaria de ganhar (A escolha de qual dos 3 livros enviar será realizada pelo blog). Pode ser qualquer livro que gostaria de ler e não deve ser os livros que já estão disponíveis na lista de prêmios. Ex:


Próximas Inscrições: Deixar um comentário com o nome do Post Comentado. Ex:


Sorteio

Você estará concorrendo com os números das suas inscrições no sorteio a ser realizado pela loteria federal do dia 02/10/2019.

O Método do sorteio pela loteria será como exemplificado abaixo:
Serão 15 números válidos, sendo obtidos 5 números referentes as centenas (são os números do retângulo verde) e depois mais 5 números contidos no retângulo abóbora e 5 contidos no retângulo azul. 
Se os 3 ganhadores não forem definidos nestes 15 números, pegarei o menor número sorteado válido e somarei +5, até obter todos os ganhadores.
No exemplo abaixo, os números seriam:

743 - 078 - 874 - 253 - 804 - 477 - 960 - 598 - 692 - 898 - 774 - 607 - 987 - 925 - 980


👉Boa Sorte👈
30.8.19

[Bookserie] Engenharia Reversa: Parte XLV - Delta


Engenharia Reversa

Parte XLV - Delta

Um grupo de paramédicos atravessa a praça com passadas aceleradas. Os músculos em seus braços estão tensionados, pois o peso da maca que transportam é demasiado. Sobre a maca, inconsciente, reside a forasteira meio humana, meio máquina, capturada além da redoma.

Os paramédicos evitam olhar para o corpo cibernético, muito parecido com aqueles que no passado trouxeram opressão para Delta, porém suas mentes estão inquietas, indagando quem ela realmente é. Alguns a consideram uma guerreira granitense de um novo tipo, enviada para destruí-los. Para outros, ela pode ser alguém das cidades de metal e concreto do outro lado da Terra Maldita, pois lá, ouviram dizer, é comum as pessoas trocarem carne e ossos por membros cibernéticos, afim de obterem vantagens. Contudo, todos eles concordam que ela é perigosa e que devem se livrar dela o mais rápido possível.

A medida em que se aproxima do hospital, o grupo é flanqueado por multidões curiosas, que ao reconhecerem as partes de metal no corpo da ciborgue, explodem em reações de protesto. Porém, os cidadãos exaltados não ousam se aproximar, pois guerreiros de alta patente estão escoltando os paramédicos.

Na entrada do hospital, uma tropa de enfermeiros supervisionados por um médico de idade avançada recebe Amanda. Aliviados, os paramédicos movem a ciborgue para uma cama motorizada, vigiados de perto pelo médico, e então afastam-se, aguardando que sejam liberados.

- Os batimentos, vamos, verifiquem os batimentos - ordena o médico.

Após fixarem a paciente-prisioneira na cama, uma enfermeira aponta um aparelho em forma de pistola para Amanda. Na parte de trás da arma, um largo visor de cristal líquido exibe os dados coletados em tempo real.

- Ela está muita fraca, mas ainda vive, doutor.

O velho sinaliza para os paramédicos, dispensando-os, em seguida, acena para sua equipe, que prontamente obedece. A cama motorizada começa a se mover ladeada pelos enfermeiros e por alguns guerreiros, os restantes, tomam posição na entrada do hospital encarando a multidão inquieta que acumula-se na rua.

Blips ecoam pela sala penumbrosa. Isolados em uma cabine de vidro, operadores em jalecos azuis manipulam controles que movem grandes braços mecânicos localizados no centro da sala. Os braços giram no ar orbitando o corpo de Amanda, deitado em ângulo obtuso sobre uma superfície metálica articulada, seus pés e mãos estão presos por travas magnéticas . Ao redor dela, homens e mulheres vestidos com jalecos brancos tomam notas e examinam os implantes cibernéticos expostos, enquanto um técnico aplica elétrodos e sensores ao logo do corpo

Quando o último elétrodo é posicionando, um alerta sonoro é disparado e, em resposta, a equipe sai da sala, restartando apenas os dois operadores na cabine de vidro.

- O diagnóstico está pronto para a execução - diz um homem.

- É, acho que podemos rodar. Vai ser melhor a gente se antecipar, assim teremos o resultado antes dos figurões chegarem - responde uma mulher.

- Figurões? Achei que só o Anteros viria. Os brutamontes dele estão aí fora montando guarda já tem tempo.

- Achei desnecessário.

- O quê?

- Esse monte de soldados. Ela não me parece uma ameaça - a mulher aponta para Amanda.

- Martha! Como não? Você viu os implantes? São diferentes de tudo que já encontramos, certamente são perigosos!

- Olhe bem pra ela, homem! Está quase morta e já sabemos que não é de Nova Esperança. E esses implantes na realidade são bem... bem fascinantes!

O homem meneia a cabeça, em seguida olha para a colega com reprovação.

- Você já se esqueceu de nosso passado, Martha? Foram essas - ele olha para Amanda - coisas que escravizaram nossos avós. Tenha mais respeitos por eles!

- Não seja ridículo, Antony! Não foi ela que escravizou nosso povo! O que aconteceu no passado morreu no passado. Ela pode ser uma aprimorada, mas não é parte da Divisão Gavião e muito menos uma granitense. Vocês precisam parar de viver no passado, caramba!

- Está bem, está bem. Agora, por favor, posso rodar o diagnóstico?

***

Anteros anda de um lado para o outro em seu escritório. Com os braços para trás e os dedos cruzados, os olhos voltados para o chão como se procurassem por alguma coisa. O som de sua respiração, através da máscara, ganha volume em meio ao silêncio do escritório. Então, abruptamente, ele deixa o recinto com passadas rápidas.

Cada soldado que cruza o caminho de Anteros o cumprimenta, e apressadamente ele responde, evitando parar e até mesmo olhar nos olhos dos subalternos. Ele cruza o corredor de chão de pedra e paredes de vidro verde e sai do quartel, chegando na praça central da cidade. Por algum tempo, observa as pessoas absortas em suas rotinas, seguras, certas de que a vida continuará boa e próspera. Anteros suspira, sentindo o peso da responsabilidade.

Um pequeno veículo alado surge alguns metros acima. Com o flexionar de suas asas, ele inicia uma manobra de pouso e rapidamente estaciona diante do militar. O veículo é pequeno, em forma de triângulo, possui um amplo assento na parte de trás, e um único banco na parte da frente, onde está o piloto. Não possui teto, e é inteiramente verde, da mesma cor do cristal utilizado na construção dos prédios de Delta.

- Para onde, senhor? - diz o piloto.

- Palácio do Governo, o mais rápido que puder.

Minutos depois, a pequena aeronave aterriza no jardim decorativo que rodeia o palácio do governo. O prédio situa-se exatamente no ponto central da cidade, e como todas as outras construções , tem suas paredes feitas de um cristal verde translúcido. Após uma curta caminhada pelo jardim, Anteros chega a entrada principal, onde dois guardas, ao reconhece-lo, abrem espeço para ele passar. O interior do palácio é amplo e decorado com vitrais que contam a história da fundação de Delta, e Anteros não se detêm para apreciá-los, como fez em outras ocasiões. Ele cruza o átrio e chega ao elevador panorâmico, e segundos depois entra no Salão Comunal, no último andar do palácio.

O andar é uma estrutura circular com janelas que proporcionam uma visão de trezentos e sessenta graus, no momento, apenas iluminado pelas luzes verdes que emanam da cidade. Ao centro, existe uma única mesa oval e cumprida, com doze cadeiras, onde em um dia normal os representantes do povo, a Comuna, deliberaria sobre os rumos da sociedade. Entretanto, apenas uma cadeira está ocupada.

- Viridia?

A mulher, vestida de preto dos pés à cabeça, sentada na cadeira do extremo oposto da sala, vira-se para Anteros.

- Isso é muito incomum. E só estou aqui sozinha porque o pedido partiu de você.

- Obrigado, Viridia, muito obrigado mesmo. Infelizmente, o assunto exige que seja dessa forma, máxima urgência.

- Estou vendo. E é tão importante que você descartou os canais oficiais de comunicação, que você mesmo garante que são seguros...

- Os riscos são demasiados altos, e apesar de tudo que fiz, não posso descartar a chance de que existam falhas na nossa estrutura, falhas tão pequenas que enganam nossas varreduras binárias. E eu preciso falar com você primeiro, antes de reportar à Comuna.

Viridia fica de pé. Com passos lentos, ela aproxima-se de uma das janelas e observa a cidade por alguns segundos.

- Entendo. Da mesma forma que os espionamos, eles podem nos espionar. É uma dedução lógica, na verdade. Mas não entendo porque quer falar comigo antes. Bem, de qualquer forma, vamos ao que interessa, diga.

- É o Brasil.

- O quê? Como assim o Brasil ?

- O Marechal.

- Certo. Sabemos que o Marechal está tramando algo, mas ele não possui poder suficiente para ser considerado uma ameaça.

- Não possuía.

Viridia aproxima-se do militar, ficando cara-a-cara com ele, algo que nunca fez antes. Seus olhos negros brilham como lâminas, refletindo as luzes da cidade. Intimidado, Anteros aguarda para falar.

- Continue, por favor - diz Viridia.

- Nossos contatos em Brasília reportaram que o Marechal conseguiu realizar uma gigantesca operação de transferência de consciências. Quase toda a população teve suas mentes inseridas em corpos robóticos, porém, a quantidade de robôs e cinco vezes maior que a população, então possivelmente ele copiou consciências para ocupar todos os corpos.

- Isso... isso é impossível! Como aquele miserável conseguiu essa tecnologia?

- Não foi tecnologia desenvolvida pelos brasilianos, disso tenho certeza.

- Então o que foi ?

- O Marechal... o Marechal conseguiu uma EBC, uma biocomputador.

Viridia dá de ombros, anda até a outra extremidade da mesa e senta-se novamente.

- Então a VNC fracassou em recuperar Bel Yagami, e ela foi coagida pelo Marechal?

- Sim, suponho que foi isso.

Viridia soca a mesa.

- Quais nossas chances ?

- As menores. Mesmo com os cristais nossas forças seriam superadas em números, e além disso, o Marechal possui canhões atômicos que podem acabar com nosso escudo em segundos, ele só precisa protegê-los de um ataque direto, e isso ele pode fazer agora. Então, só nos resta uma opção: devemos evacuar Delta imediatamente.

- Evacuar? Você está louco, Anteros? E para onde iríamos? Para outro planeta? Não. Tem que existir outra opção. Uma saída diplomática, talvez.

- O Marechal jamais aceitaria um acordo. Para ele, sempre seremos inimigos ideológicos. Por isso mesmo retiramos nossa rede do Brasil a tanto tempo. Me escute, por favor: Eu solicitei essa audiência somente com você pois você é a melhor estrategista de Delta, sua opinião pode influenciar a Comuna inteira, e você sabe que eles decidiram pela guerra, algo que nós dois não queremos, pois sabemos que e é uma guerra que não podemos vencer. Já tenho o plano de evacuação pronto, só preciso da sua ajuda para convencer a Comuna.

- Não, Anteros, fugir não é e nunca será uma opção.

Anteros esmurra a mesa.

- Você não está entendendo, Viridia, ou fugimos ou seremos massacrados!

Silêncio. Então, após vários minutos, Viridia volta a falar:

- E a ciborgue Amanda Makarim ?

- A prisioneira? O quem tem ela ?

- Leve-me até ela.

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