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27.6.16

Imprevisibilidade [Ana Ferrarezzi]

Ana Ferrarezzi
Ed. Autografia, 2016 - 121 páginas:
      Cada um dos contos traz uma nova trama, o que faz com que a obra consiga abordar uma quantidade expressiva de temas, que vão desde homossexualidade até a busca por independência. Ana apresenta contos que parecem não ter um fim claro e ficam abertos para a interpretação do leitor, levando este a exercitar sua criatividade. A autora se inspira em lendas urbanas para construir algumas de suas histórias, mas todas contam com personagens que vivem situações inusitadas, sejam elas angustiantes, como “Argumentando com a Morte”, ou cômicas, como “Resistência”. Imprevisibilidade é um livro para todos aqueles que desejam minutos de distração. Ana Ferrarezzi certamente sabe como prender seus leitores com sua escrita leve, de fácil fluidez e com gostinho de “quero mais”.

Onde comprar:


Livro de contos de Ana Ferrarezzi proporciona momentos de diversão

Imprevisibilidade é um livro de Contos e minicontos da autora Ana Ferrarezzi. Sempre acho difícil resenhar livros de contos, pois eles nos proporcionam várias histórias distintas e não temos como resumir cada uma delas, afinal já são curtas.

Mas aí é que se encontra a magia deste gênero, proporcionar ao leitor diferentes assuntos em um só lugar, onde, após a leitura de cada conto ou mini conto passamos a imaginar que estamos espiando um momento da vida de um desconhecido, participando junto com estes desconhecidos de fragmentos de suas existências. E a Ana foi muito competente em nos trazer esses pedacinhos de histórias que poderiam ser de qualquer um de nós, leitores. Talvez você até se identifique com alguma delas.

O Livro é composto por 21 contos e minicontos, falando de casamentos felizes, desfeitos e até mal assombrados, falam de família, amores, reencontros, traições, homossexualidade, loucura, enfim, uma gama de assuntos ligados ao dia a dia do cotidiano urbano.

Em “Argumentando com a Morte”, por exemplo, conhecemos uma mulher que deixa de viver por medo da morte. Todas as noites, apresenta uma série de argumentos para convencer a Morte de não levá-la logo. Depois de meses sem sair de casa, no entanto, algo inesperado acontece.

Neste trabalho percebemos a sagacidade da autora, também deixo uma dica para quem ainda não gosta de ler contos: São livros para lermos devagar, um conto por dia, deixando nos levar pela nossa própria imaginação ao final de cada um deles, completando todo o que não foi dito, mas somente pincelado. Por exemplo, depois do primeiro conto do livro: "A Despedida do Outono", fiquei imaginando o que aconteceu quando Gerson finalmente abriu a porta para receber Marcelo, como os dois resolveram seus problemas, se foram felizes juntos... E o bom nisso tudo é que completei a história com o final que "eu" quis.

Em “Resistência”, um louco conta seus delírios como justificativa para não tomar seus remédios. O rapaz acredita ser parte de um esquadrão especial do exército, acompanhado de dois cadeirantes pessimistas, um anão que carrega um facão de pesca e um russo chamado Napoleão, que jura ser descendente de Stalin, dentre outros.

Depois de ler Imprevisibilidade duvido que você não vai querer conhecer outra obra da autora.

Sobre a autora:

Escrever histórias é um hobby para Ana Ferrarezzi, que deseja que seus leitores se divirtam tanto quanto ela lendo seus livros. A autora se inspira principalmente em lendas urbanas e no folclore brasileiro para criar seus enredos e, com isso, quer fazer com que o povo brasileiro se interesse mais por sua rica cultura. Além de escritora, Ana Ferrarezzi é psicóloga e artista plástica. Para mais informações sobre a autora, visite o site www.anaferrarezzi.com.br.

 Cortesia da Editora Autografia
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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25.6.16

Promoção #194: KIT Olho por Olho


Ler para Divertir está sorteando o KIT OLHO POR OLHO.

O Kit é composto por:
Uma caixa personalizada + marcador personalizado + um boneco de Vodoo com coração com algumas alfinetes para você espetar + os livros Olho por Olho e Dente por Dente

Sorteio Realizado Somente pelo Instagram do Blog
Válido até 09/07

Regras e Inscrições em:


Regulamento:

1- Seguir o ig @lerparadivertir
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4- Residir em território nacional
5- Pode participar quantas vezes quiser!!!! Quanto mais comentar, mais chances de ganhar!
6- Sorteio a ser realizado pela loteria federal do dia 13/07/2016.
7- Quem não estiver cumprindo as regras na hora do sorteio será desclassificado.
8- O perfil deve estar desbloqueado para que possamos verificar as regras.
9- Os ganhadores serão anunciados aqui e contatados por inbox e terão um prazo de 72hrs para entrar em contato, senão será realizado outro sorteio.

24.6.16

A Jornada do Escritor - Estrutura Mítica para Escritores [Christopher Vogler]

Christopher Vogler
Ed. Aleph, 2016 - 484 páginas:
      Em 1949, no clássico O herói de mil faces, o estudioso Joseph Campbell conceituou a chamada Jornada do Herói: uma estrutura presente nos mitos e replicada em todas as boas histórias já contadas e recontadas pela humanidade. Em 'A Jornada do Escritor', Christopher Vogler faz uma detalhada e esclarecedora análise desse conceito, tomando como base diversos filmes importantes. Resultado de anos de estudo sobre mitos e arquétipos, somados à experiência de Vogler na indústria cinematográfica norte-americana, esta edição, revisada pelo autor, é uma obra de referência fundamental não apenas para quem deseja escrever boas histórias – bebendo da fonte dos mais belos e fascinantes mitos já criados pela mente humana –, como para quem quer entendê-las melhor, relacionando-as à própria vida.

Onde comprar:


Qual o limite para a capacidade de compreensão de livros

Quando optei em fazer resenhas de quadrinhos, romances, ficção, terror, esotéricos, etc, fiz por entender que é preciso expor pra vocês, leitores do blog Ler para Divertir, uma variedade maior de opções de leitura. Normalmente nos acostumamos a uma só vertente de leitura e isso pode tornar os entendimentos mais limitados. Nada contra, mas é importante variar, sair da zona de conforto e experimentar coisas novas e ter novas opiniões.

O que dizer desse livro? Sensacional seria tão pouco... A Jornada do Escritor é uma daquelas obras que todos os viciados em livros deveriam ler e ter do lado da cama, simplesmente para usar como guia de consulta. O livro deveria ser um guia prático de como escrever livros e roteiros, mas é muito mais que isso. Para vocês entenderem melhor, demorei trinta dias para ler (normalmente gasto sete dias com um livro, para ler, entender e depois escrever uma resenha). Mas, o que significa isso, demorar tanto tempo? O livro é incrível pois explica para o leitor todos os tipos de arquétipos encontrados nas obras de literatura, (herói, mentor, sombra, aliados, arauto, etc), explica cada um. Depois explica para você, detalhadamente, toda a jornada que deve estar contida em qualquer obra, para torna-la um sucesso. Tudo isso, com riqueza de exemplos. Impossível não ler e se pegar avaliando os últimos livros que você leu, filmes que viu, seriados, etc... Incrível mesmo!! Eu terminava de ler um capitulo e passava horas pensando em todos os filmes e livros, questionando tudo e vendo todas as ligações. Que trabalho incrível.

O livro é extremamente agradável, quase temos a impressão de estar de frente para o Christopher, ouvindo seus argumentos e debatendo com ele. Parece que ele imagina qual pergunta faremos e logo já nos dá a resposta. Sério... eu ficava de boca aberta todo o tempo. E você pensa mais uma vez: Mas o livro chama "A Jornada do Escritor", ele ensina você a escrever? Engraçado isso, ele diz que "oferece a você a FORMA, mas não a FÓRMULA". Não é um livro de regras para escrever um livro, mas um verdadeiro guia para este caminho.

Mas ele não serve apenas para aqueles que querem escrever um livro. Acho que, como resenhista, o livro me ofereceu um conhecimento incrível. Por compreender a Jornada do Escritor e os arquétipos, agora posso ver mais claramente os objetivos que o escritor tem, ao nos presentear com suas obras. Posso fazer um julgamento mais preciso e melhorar ainda mais a qualidade das opiniões levadas a vocês.

Ponto positivo também para a editora Aleph, pela excelente escolha de lançamento. Edição impecável, com uma arte linda e com uma tradução ótima. Adorei tudo do começo ao fim e com certeza este é meu livro de cabeceira. Ainda há muito mais para reler nele e compreender melhor.

Se você me perguntar: "Então, devo comprar e ler o livro?", vou dizer: Não fez isso ainda??


 Cortesia da Editora Aleph
Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
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23.6.16

Encruzilhada # 1 [Kasie West]

Kasie West
Ed. Seguinte, 2015 - 304 páginas:
      A vida de Addison Coleman é um grande “e se…?”, graças à sua habilidade especial: Investigar Destinos. Addie é capaz de prever duas possibilidades de seu futuro toda vez que precisa tomar uma decisão. Quando os pais dela anunciam o divórcio, a garota deve escolher se vai morar com o pai entre os Normais ou se prefere ficar com a mãe no Complexo Paranormal. Para ter certeza do que a espera, Addie resolve Investigar. Em uma alternativa, ela conhece Trevor, um Normal sensível com quem logo sente uma conexão. Na outra, se envolve com Duke, o garoto mais popular da escola Paranormal. E agora, em qual futuro Addison estará disposta a viver?

Onde comprar:



Addison é uma jovem especial no meio de vários especiais. Ela mora em um complexo onde todos têm um poder/dom. São conhecidos como paranormais e o dom de Addie é investigar destinos ou prever o futuro.

Junto com a notícia do divórcio de seus pais, eles lhes dão a seguinte tarefa, escolher com qual dos dois deseja morar, já que seu pai vai para fora do complexo viver no nosso mundo, o mundo dos normais.

Inconformada, ela se refugia em seu quarto e chama sua melhor amiga, Laila, para ajudá-la nessa difícil escolha. Pois a ideia de Addie é investigar as suas duas opções, escolher qual lhe agrada mais, e qual lhe causará menor sofrimento. Já que a convivência com sua mãe é muito complicada, principalmente pelo poder dela ser o de persuasão. E, apesar de seu pai ser maravilhoso, deles se darem muito bem, se escolher ficar com ele e ir para o mundo normal, ela terá que desistir de seu dom e nunca contar sobre ele para ninguém.

"Às vezes sinto que estou flutuando lentamente para longe. Estou sempre procurando algo em que me agarrar para não me perder."

Laila tem o dom de apagar lembranças e é essa a ajudar de que Addie precisa. Porque depois de sua investigação, ela quer que sua amiga apague as suas lembranças, para não ficar pensando no que podia ter escolhido. E assim, ela se senta em frente à amiga e começa a investigar os próximos trinta dias com a mãe e os trinta dias com o pai.

O legal é que para Addie, para história e até mesmo para nós leitores, serão trinta dias intercalando capítulos entre seus dias com seu pai no mundo normal e com sua mãe no complexo. Mas para Laila, que está sentada e esperando não se passaram mais do que cinco minutos.

No complexo, Addie se envolve e se apaixona por Duke, um jogador de futebol americano e o garoto mais popular da escola, apesar de no começo ela sentir uma grande antipatia por ele, tudo muda conforme vão se conhecendo melhor.

"Porque uma ilusão não passa de uma ilusão. A realidade sempre existe, não importa a fachada."

No mundo real ela conhece Trevor, um rapaz tímido que já foi considerado o melhor jogador de sua escola, mas que depois de uma contusão tenta levar a vida da melhor maneira possível. E seu relacionamento com Addie, que começa como uma linda amizade, aos poucos se transforma em lições de superação e uma inesperada paixão.

Porém os dois caminhos tem consequências terríveis, que vão causar sofrimento não só a ela, mas as pessoas a quem ela ama.

Então quando termina a investigação, diz a amiga apenas com qual dos pais deve ficar, escreve uma cartinha, lacra e escreve uma data específica na parte de fora do envelope e pede para que Laila lhe entregue essa carta nesta data. E por fim, desolada, pede que a amiga apague a sua memória.

"Só me prometa uma coisa: se isso for uma investigação e você não me escolher, se não escolher esse caminho por algum motivo, prometa que não vai me apagar."

Apesar de ter achado a história em si muito adolescente, a autora escreve muito bem e nos deixa o tempo todo envolvidos e curiosos com os acontecimentos. E só o fato de Addie não ser mimizenta já valoriza ainda mais a leitura. Outro ponto positivo é que o livro pertence a uma duologia, e o próximo volume "Fração de Segundo", já foi lançado pela editora Seguinte.

Adriana Macedo
Sou Adriana do blog Meu Passatempo blá blá blá moro em Vila Velha - ES. Troco qualquer balada pela tranquilidade do meu lar. Adoro ler, musica alta, series e filmes. Exatamente nessa ordem. Simples assim.
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22.6.16

Mr. Mercedes [Stephen King]

Stephen King
Ed. Suma de Letras, 2016 - 393 páginas:
      Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado. Mr. Mercedes narra uma guerra entre o bem e o mal, e o mergulho de Stephen King na mente obsessiva e psicótica desse assassino é tão arrepiante quanto inesquecível.

Onde comprar:

O gene que determina a vilania

Algumas vezes (principalmente quando vou iniciar um livro do mestre) me pego pensando o que tanto me atrai na escrita do velho e bom Stephen King. Ainda não tenho uma opinião formada. Mas sem dúvida nenhuma, algo que contribui e muito é saber que todas as personagens, sem exceção, terão uma história, mesmo que elas morram ou durem apenas algumas poucas páginas. Em poucas palavras King consegue dar vida a uma personagem, ela fará parte da trama e será fundamental para o funcionamento de toda a engrenagem.

No livro Mr.Mercedes (Suma de Letras, 393 páginas) o ex-detetive de polícia Bill Hodges, após sua aposentadoria, é assombrado pela morte de pessoas de crimes não resolvidos. Um deles é o crime de um lunático que investe um Mercedes para cima de uma multidão que aguarda desesperadamente na fila de empregos. O assassino mata oito pessoas, dentre elas um bebê, e deixa vários feridos. Hodges passa os dias em frente à TV, contemplando perigosamente a vontade de se suicidar:

“Hodges consome a merda televisiva durante todas as tardes da semana, sentado na poltrona com o revólver do pai (o que o pai usava quando era policial) na mesinha ao lado. Ele sempre o pega algumas vezes e olha dentro do cano. Inspeciona a escuridão redonda. Em duas ocasiões, o colocou entre os lábios só para ver qual era a sensação de ter um revólver carregado encostado na língua, apontado para o palato. Acostumando-se a ela...”

O ato de olhar para dentro do cano do revólver me faz lembrar a máxima de Nietzsche – “Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”. Acho esta frase assustadora. E não é que ela é citada no livro? Ponto para King novamente.

O tempo segue seu curso até que o detetive recebe uma carta provocativa de alguém que se autodenomina Assassino do Mercedes:

“... A maioria das pessoas recebe Botas de Chumbo quando criança e precisa usá-las pelo resto da vida. Essas Botas de Chumbo são chamadas de CONSCIÊNCIA. Não tenho isso, então me permito fazer muito mais coisas do que a Galera Normal.”

É o estopim para que o ex-detetive volte ilegalmente a ativa e se dê o embate maniqueísta bem ao estilo de King. Aí entra a mão do mestre em comparações primorosas:

“Hodges leu que há poços tão fundos na Islândia que você pode jogar uma pedra lá dentro e nunca ouvir o barulho dela batendo na água. Ele acha que algumas almas humanas são assim...”

O nome real do assassino é Brady Harstsfield e confesso que não consegui compará-lo a nenhum dos outros vilões de King. Ele mais parece com um Professor Moriarty aloprado (inimigo do detetive Sherlock Holmes), sempre um lance à frente do ex-detetive, observando a natureza humana. Ele é frio, inteligente, porém completa e irremediavelmente maluco.

Na caça ao assassino, Hodges receberá ajuda de aliados improváveis, entre eles seu inteligente vizinho Jerome, de 17 anos, que algumas vezes corta a grama de seu jardim. Obviamente colocará a vida da família de Jerome em risco, mas são poucos os confiáveis e ele precisa arriscar:

“Ele tem certeza de que conversar sobre a atração da morte deixaria o Mr.Mercedes interessado, mas quanto demoraria para o sujeito reparar que estava sendo manipulado? Ele não é um imbecil doidão que acredita que a polícia vai mesmo dar a ele um milhão de dólares e um jatinho 747 para levá-lo a El Salvador. O Mr.Mercedes é alguém muito inteligente que por acaso também é maluco.”

O livro flerta com meu lado detetivesco pouco desenvolvido, mas fico de olho mesmo é em como King consegue me deixar ligado no texto. Ele parte de capítulos longos e vai deixando todos curtinhos no final e ainda entra com frases finais como esta:

“Ele sai de casa sem saber que não vai voltar.”

É uma afirmação e aí já ficamos loucos pra saber se a personagem irá morrer ou não. Suas descrições continuam objetivas, principalmente no que diz respeito às cenas violentas:

“Ele levanta a calça dela e a deixa decente de novo, tão decente quanto um cadáver de pijama encharcado de vômito pode ficar, e a deita na cama, grunhindo ao sentir mais dor nas costas. Quando ele se empertiga dessa vez, sente a espinha estalar. Ele pensa em tirar o pijama dela e colocar alguma coisa limpa, talvez uma das camisetas extragrandes que a mãe usa para dormir, mas isso significaria continuar a mexer e levantar o que agora não passa de quilos de carne silenciosa pendurada em cabides de ossos...”

King não é uma gracinha? Seu vilão dá um banho de vilania, coloca em cheque todas as frágeis convicções de Hodges e isso o torna um adversário perigoso e letal:

“Ele não é tão ingênuo a ponto de acreditar que todos os homicídios são resolvidos, mas, na maioria das vezes, os assassinos são pegos... É como se houvesse uma força universal aleatória e poderosa trabalhando, sempre tentando ajeitar o que está errado...”

Brady não é um assassino qualquer é hábil e mentalmente doente, desequilibrado, isso o torna imprevisível:

“Brady não acreditava em Deus, mas acreditava em destino, e às vezes o homem da casa tinha que ser a mão direita do destino.”

Como podem observar coloquei inúmeras informações para vocês saborearem ao máximo um pouquinho do que irão encontrar neste thriller maravilhoso. Os capítulos finais têm o ritmo acelerado de tal forma que perdemos o fôlego e caímos vertiginosamente na mente doentia de Brady:

“Tchau para vocês, assassinos e assassinados, para o cenário vazio universal que cerca um planeta azul solitário e todos os seus habitantes ocupados e alheios. Toda religião mente. Todo preceito moral é uma ilusão. Até as estrelas são miragem. A verdade é a escuridão, e a única coisa que importa é fazer uma declaração antes de se entrar nela. Rasgar a pele do mundo e deixar uma cicatriz. É disto que se trata a história, afinal: cicatrizes.”

Eu esperava um final apoteótico, bem ao estilo do King de “A dança da morte”, mas este é apenas o primeiro volume de uma série de três e tudo ainda pode acontecer. O certo é que não irei perder nenhum capítulo da saga. Então, preparem-se para mais esta paulada do mestre e corram, corram muito e não deixem escapar este livro. Sonhem com Brady, acordem tremendo e encharcados de suor, ele pode ser qualquer vizinho seu com cara de bom moço. Depois não digam que não avisei!


 Cortesia da Editora Companhia das Letras
Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
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21.6.16

Você Se Lembra de Mim? [Megan Maxwell]

Megan Maxwell
Ed. Essência, 2016 - 496 páginas:
      Alana é uma mulher independente que não acredita no amor e tem na profissão sua única razão de viver. Jornalista freelancer, é enviada a Nova York para escrever uma reportagem sobre a metrópole, onde conhece o atraente Joel Parker. Quando ela descobre que aquele homem bonito e sedutor que tem lhe feito companhia nos últimos dias é um militar, como seu pai uma lembrança que ainda a assombra , a jornalista desaparece sem deixar vestígios. Apesar de resoluta em sua vontade de se afastar do capitão da Marinha americana para não repetir a história de sofrimento de sua mãe, ela não conseguirá aplacar o desejo de seu coração por Parker. Quem vencerá essa disputa entre razão e emoção? O passado de sua mãe irá assombrá-la ainda mais ou irá ajudá-la a esclarecer muitas questões mal resolvidas? 

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Essa história se divide em duas partes, a primeira conta a historia de Carmem e a segunda de Alana.

A história de Carmen é uma homenagem da autora Megan Maxwell para sua mãe, então esta é uma linda história recheada de muitas emoções, além de ser verídica, porém como Megan mesma explica na nota da autora, ela deu uma romantizada, omitiu e mudou alguns fatos para não expor tanto a sua mãe. Sua proposta inicial foi perguntar a sua mãe o que ela achava de ter a sua história contada, porém com final feliz. Sua mãe gostou da ideia e aprovou o resultado. Já a história de Alana é de uma personagem fictícia.

Carmem é uma jovem de 20 anos que em um momento de crise na Espanha parte para Alemanha com sua irmã mais velha Loli, em busca de emprego e de novas oportunidades. No trem, elas fazem amizade com Teresa, uma espanhola que irá se hospedar na mesma pensão e trabalhar na mesma fábrica que as duas irmãs.

Na pensão elas conhecem Renata, uma alemã meio espanhola de sangue quente que fuma e usa calças compridas, mas com um enorme coração. E apesar das muitas diferenças e confusões, essas amizades permanecem firmes (ou quase isso).

Neste período Carmem conhece o cabo Teddy, paraquedista das Forças Armadas Americana que estão na Alemanha já faz algum tempo. No início ela não o suporte, pois o acha um imbecil, metido e convencido, mas depois de muita insistência de Teddy e de se conhecerem melhor, um belo romance se inicia.

Um romance avassalador que toma conta do coração dos dois. Sua irmã também se apaixona por outro militar, ambos muito apaixonados, ficaram noivos, marcaram as datas dos casamentos, mas antes da data prevista, Teddy é enviado para Guerra do Vietnã deixando Carmen grávida e sem saber o que fazer.

Trinta e cinco anos depois temos Alana, que cresceu ouvindo as histórias romantizadas que sua mãe sempre lhe conta sobre seu pai. Porém ao ver o sofrimento de sua mãe todos esses anos, Alana tem pavor de se envolver com qualquer militar. Sua mãe sempre procurou por respostas sobre o paradeiro de seu pai, mas pelo fato de não ser casada com ele, nunca as conseguiu.

Alana tem uma carreira promissora como jornalista numa revista e em uma de suas viagens para escrever sobre uma matéria em Nova York, com sua melhor amiga, ela conhece Joel Parker.

Tudo ia muito bem, até ela descobrir que ele era um fuzileiro naval da Marinha e parte em retirada, e o deixa falando sozinho, ganhando a partir daí o apelido de ligeirinho. Joel (ou Capitão América, como Alana o apelidou) fica sem entender nada, mas também não desiste de sua Conquista.

Depois de muitas outras escapulidas/fugas de Alana, ela decide conversar com Joel e explicar o seu pânico, mas sem revelar muita coisa, afinal que culpa ele tem de ser simpático, charmoso e de ela não gostar de militares.

"- Está vendo meu dedo? [...] Pois daqui para lá é seu espaço, e daqui para cá, o meu. Portanto, adeus, e não me incomode!"

Joel é lindo, encantador e move céus e terras para ver Alana sorrir e, por esse motivo, a paixão entre os dois é inevitável. A pressão pela profissão dele, o medo de que algo lhe aconteça, e saber que o momento da despedida está se aproximando, também não ajuda muito amenizar o sofrimento de ambos.

Alana cada vez mais envolvida, decidi que Joel é alguém por quem se vale a pena lutar e esperar. Por outro lado também, ela terá a oportunidade de conseguir descobrir o que realmente aconteceu com seu pai, utilizando-se dos contatos de Joel.

A questão agora é: Ela quer mesmo saber? Será que vale a pena descobrir se ele está vivo ou morto? E se ele simplesmente abandonou sua mãe, como ela poderá lhe dar essa notícia?

Megan Maxwell fez uma história maravilhosa, você percebe a cada página que ela escreveu com o coração, com a alma aberta. Comovente, sensual, romântico, dramático, divertido e emocionante, tudo na medida certa. Diferente de qualquer outra coisa que eu tenha lido da autora.

E para quem não gosta, fique tranquilo, pois este livro não é erótico.

 Cortesia da Planeta Livros Brasil
Adriana Macedo
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20.6.16

A Filha do Norte, Vol. 01 [Luisa Soresini]

Luisa Soresini
Ed. Novo Século, 2015 - 496 páginas:
      Tudo começa quando Michelle e Meredith saem para ver as flores. Uma tempestade faz com que a bruxa perca Michelle de vista. A menina, desnorteada, sai em busca de ajuda e avista uma mansão enorme e antiga. Pensando que não mora ninguém na casa, Michelle entra no local para se abrigar e é surpreendida ao ser recebida por uma governanta tão sinistra quanto a casa, que a deixa com medo. Seu instinto lhe diz que há algo de errado, mas essa sensação passa quando entra na casa e se depara com um ambiente completamente diferente daquela fachada macabra que vira. O interior da mansão é maravilhoso, bonito e sofisticado, assim como os seus donos: os irmãos Vergamini. O que Michelle não imagina é que às vezes é necessário ouvir nossos instintos. Ela está em perigo e talvez nem suas amigas, Elza e Meredith, as bruxas do Leste e do Sul, consigam salvá-la.

Onde comprar:


A Filha do Norte é o primeiro volume de uma duologia. Tive o prazer de conhecer a autora, que por coincidência, mora no meu bairro. É interessante ler um livro de alguém que você conhece, pois percebemos que os autores colocam um pouco de si mesmos nas suas histórias. Digo isso pois A Filha do Norte mesmo sendo uma trama de mistério, onde vários personagens são egoístas e malvados, nos passa uma sensação doce, de sentimentos puros, sem malícias.

Tudo começa com a chegada de uma jovem de dezesseis anos a uma vila, sozinha e sem ninguém no mundo, ela acaba sendo acolhida por duas bruxas, que não revelam sua natureza a Michelle. Também percebemos que Michelle esconde um segrego, ela não pode permanecer nos mesmos lugares por grandes períodos de tempo, ela está fugindo de algo para continuar viva.

Um dia quando Michelle e a bruxa Meredith vão fazer um passeio para colher umas flores raras, as duas acabam se separando, quando Michelle então se perde, indo parar na mansão dos irmãos Vergamini. Lá é recebida por uma sinistra governanta e é apresentada aos sete irmãos Vergamini: Frank, o mais velho, Wolf, o calado com olhar exótico, Danton, o líder, Luka, o de olhos sedutores, Ethan, o de pele morena, Christofer, o loiro e Carl, o mais novo. O mais velho tinha, no máximo, uns vinte e sete anos e o mais novo uns oito anos.

Michelle logo percebe que tem algo estranho neles, mas como são todos lindos e educados, acabam por convencer a jovem a jantar com eles e pernoitar por lá devido a forte chuva. Só que os sete irmãos não tem a mínima intenção de deixar a jovem ir embora, na verdade, eles escondem o que realmente são por detrás daquela fachada de bons moços.

"- Irmãos, qual o problema de vocês? Estão brigando pelo nosso jantar? - Danton disse, levantando-se da cadeira."

A história carrega um mistério que nos impulsiona a querer continuar lendo, a descobrir a verdadeira natureza dos irmãos Vergamini e o que vão fazer com a doce Michelle. Enquanto permanece cativa, a gentil e amorosa menina aos poucos vai conquistando seus captores, ao mesmo tempo não conseguia entender o que a impulsiona a continuar ali, já que sofre muito com as maldades dos sete irmãos. Mas é prazeroso ver nossa heroína mudando os mimados e arrogantes irmãos, que  não estavam acostumados a serem contrariados, transformando ódio em amor, passando uma mensagem positiva, de segunda chance, de perdão, de que amar ao próximo sempre vale à pena.

"No entanto, a maneira como ela afirmou aquilo quase me fez acreditar que eu podia ser uma boa pessoa, Michelle acreditava mais nisso do que qualquer um de nós."

É uma história young adult, demonstrada nas atitudes de seus personagens, ainda jovens, mas que me prendou pelo mistério, deixando-me curiosa sobre a natureza de cada um dos personagens. E a Michelle me lembrou Dorothy, de o mágico de Oz, pela sua bondade. Também tem um clima de romance que não é algo explicito e determinado, Michelle é muito ingênua e ninguém ainda despertou seu coração. Será que ela vai se apaixonar, será que algum dos sete meninos será capaz de despertar sua atenção? Os mistérios são muitos e me deixaram curiosa aguardando o segundo e último volume desta deliciosa história.

SOBRE A AUTORA:

Eu sou a Luisa, a maga e a autora. Tenho 23 anos, sou professora das letras sagradas, vulgo Português. Desenhista, poetisa e romancista, essas são as coisas que ocupam a maioria do meu tempo, o resto eu divido com minhas poções, minha irmã e minha linda gatinha Lana. Amante de livros de literatura fantástica, escondo meu romance com um lindo vampiro... E, as vezes, jogo umas cartas para quem pedir. Conheça meu blog: Aliança Mágica

Abaixo veja a ficha dos personagens principais:

               

Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
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19.6.16

Lançamentos Editora Harlequin - Junho 2016


Mês de Junho, início do inverno... Época perfeita para ler aquele livro de romance e tomar alguma bebida quentinha! Olha o que a Harlequin preparou para vocês, romances perfeitos para serem lidos neste início de inverno.

  • Históricos Medieval: Alma de Guerreiro
  • Desejo: Edição Especial com 3 histórias em um só livro
  • Em Rainhas do Romance: Corações Fortes de Diana Palmer

Gostou?? Tem muuuuuito mais no HR News! Veja abaixo! 








 
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