acompanhe o blog
nas redes sociais

23.3.17

Violent Cases [Neil Gaiman / Dave Mckean]

Violent Cases
Ed. Aleph , 2014 - 64 páginas:
      A verdade e a confiabilidade das memórias são o fio condutor de Violent Cases, a primeira e famosa colaboração do escritor Neil Gaiman com o artista Dave McKean. Pressagiando muito do estilo e dos temas que ambos viriam a tratar em criações futuras, a graphic novel mistura ficção e realidade de forma tão singular quanto combina texto e imagem, e traz em seu cerne o poder e a magia de contar histórias. O protagonista nos conta que, quando tinha quatro anos e meio, uma altercação com o pai levou-o a um osteopata para tratar o braço. Este médico dos ossos, de procedência incerta, aparência imprecisa e passado nebuloso, é o pivô das memórias do narrador que, mesmo sem muita segurança, entrelaça os mundos de violência na família, das festas infantis e dos famosos gângsteres do período da Lei Seca.

Onde comprar:

Quando quadrinhos deixaram de ser coisa de criança

Sempre vejo pessoas que nunca leram revistas em quadrinhos, considerar todo material assim, "coisa de criança". Quando Gaiman e Mckean fizeram este trabalho, em 1987, o mundo estava mudando, mas o mercado americano de quadrinhos ainda era completamente voltado para os Super Heróis.

Enquanto isso, na Europa, o mundo já experimentava a mudança. Um novo público já acessava material deste porte e se deliciava. Os supers eram bons, mas nada melhor do que ver a arte dos quadrinhos usada para expressar mais do que isso, para expressar a própria vida. Foi isso que aconteceu!!

Ainda estamos engatinhando no Brasil, na tentativa de mudar essa visão de que quadrinhos são "infantis", mas já é perceptível a mudança, mas ainda há muito a ser feito para que a mudança seja de todo aceita.

Violent Cases é um material de extrema qualidade, um texto delicioso e envolvente. Uma criança, que levada ao osteopata, descobre que este cuidava de Al Capone. Quando em sua inocência, questiona quem é essa figura, descobre que ele era um "cara mal". O interessante é que parece que a história é narrada pelo próprio Neil Gaiman o que a torna ainda mais interessante.

A arte de Dave Mckean é um show a parte. A revista, publicada originalmente em Preto e Branco, recebeu um tratamento de cores, tornando-se um belíssimo trabalho em tons sépia, que lhe confere um arde sonho e pesadelo ao mesmo tempo.

O título Violent Cases não foi traduzido para o português por se tratar de um jogo de palavras que pode ser entendido de várias maneiras. Inicialmente pensamos em "Casos Violentos", porém há a possibilidade de pensarmos em "Estojo de Violino" (Cases pode ser casos ou também pode ser traduzido como "estojo". Violents é traduzido como violento, mas os mafiosos americanos costumavam carregar armas em estojos de violino, que acabava nomeando estes estojos de Violent Cases 'Violin Cases'), então para preservar essa possibilidade, o título não foi traduzido.

Pessoalmente não gostei muito da fonte usada no texto, achei que ela dificulta um pouco a leitura, mas a edição, arte, papel, tudo é de extremo bom gosto e de muita qualidade.

Há, no fim da edição, comentários de Alan Moore e Neil Gaiman, para a edição de 1987, e mais outros textos de Gaiman de 2003 e posfácio para esta edição. Uma imensa galeria com artes de Dave Mckean, que são de encher os olhos. Tudo isso, confere a edição extremo bom gosto e qualidade.

Marcos Graminha
Marcos Graminha é leitor viciado em terror e vampiros. Conta com um acervo de mais de 1500 livros sobre esses assunto. Proprietário de um sebo na cidade de Vila Velha, dedica sua vida a desvendar os mistérios desses "filhos da noite". contato: marcos.graminha@gmail.com
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

22.3.17

Indesejadas [Kristina Ohlsson]

Kristina Ohlsson
Ed. Vestígio, 2014 - 400 páginas:
      Suécia, meados de um verão chuvoso. O inspetor Alex Recht e sua equipe, auxiliada pela analista criminal Fredrika Bergman, começam a investigar o que parece ser um caso clássico de disputa familiar pela guarda de uma criança. No entanto, quando a menina é encontrada morta no extremo norte da Suécia, com a palavra “indesejada” escrita na testa, o caso se transforma rapidamente no pior pesadelo da equipe de investigadores.


Onde comprar:

Crimes brutais marcam um verão sueco

Este é primeiro livro da série que tem como protagonista a investigadora Fredrika Bergman e já posso dizer que ficaria muito satisfeita em ler os que virão, pois não é apenas um romance policial com investigações intrigantes, mas também mostra o lado pessoal dos personagens fazendo com que seja possível perceber os "porquês" que envolvem as tramas e como alguma atitudes podem mudar o rumo dos acontecimentos.

Fredrika é a nova analista criminal da equipe do inspetor Alex Recht, que é especialista em casos de desaparecimento de crianças, e com os anos de casa e experiência, ainda não enxerga em Fredrika a sensibilidade para o trabalho investigativo. Por ser uma pessoa diferente e meio excêntrica, a personagem tem que conquistar a confiança de seus colegas ou mudar a área de atuação.


Mas quando o caso se complica, passando de uma disputa familiar pela guarda de uma criança para um assassinato com características, no mínimo peculiares, as diferenças do modo de pensar de Fredrika acabam por fazer com que o caso tome rumos que o inspetor não estava esperando. A analista passa a enfrentar as próprias “dificuldade de socialização” para que o caso seja resolvido sem que outra criança seja assassinada.

Uma historia intrigante de uma realidade brutal que nossa sociedade vive, onde nem as crianças são poupadas da violência doentia de pessoas que tem uma visão distorcida do mundo.

"Kristina Ohlsson nasceu em Kristianstad, no sul da Suécia, e hoje vive em Estocolmo. É cientista política, ex-analista estratégica de segurança da Polícia Nacional da Suécia e trabalha como agente contra o terrorismo na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Indesejadas, Silenciadas e Desaparecidas são parte da série que tem como protagonista a investigadora Fredrika Bergman."

 Cortesia da Editora Autêntica
Tainá Rodrigues Cunha
Guarapariense, gastrônoma e apaixonada por todos os tipo de arte. Ler é uma forma de escape prazeroso da nossa realidade. Assim como as comidas que cozinho me alimentam o corpo, os livros alimentam minha alma.
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

21.3.17

Coração de Aço, Livro I – Série Executores [Brandon Sanderson]

Coração de Aço - Série Executores
Ed. Aleph, 2016 - 392 páginas:
      Misteriosamente várias pessoas, de diferentes origens, recebem superpoderes, mas são corrompidas por eles e tornam-se vilões cruéis. Após tomarem o controle das cidades para si, eles criam uma nova realidade distópica, submetendo os humanos a uma vida de servidão. Isso aconteceu há dez anos, quando David viu seu pai ser morto por Coração de Aço, ditador de Nova Chicago. Agora, ele se dedica a estudar as fraquezas desse e de outros supervilões, planejando fazer parte do misterioso grupo dos Executores, pessoas comuns com a ousada missão de matar os tiranos um a um.


Onde comprar:



Coração de Aço é um livro que vai agradar a um grande número de leitores, pois mistura numa só obra, fantasia, distopia, super-heróis, ação e romance. E eu, como fã inveterada do autor Brandon Sanderson, assim que soube deste lançamento, corri para adquiri-lo, pois não canso de dizer aqui o quanto ele me encanta com suas obras, sempre inovadoras e extremamente prazerosas.

Quando você inicia um livro de Brandon Sanderson já sabe que vai viajar na leitura, mergulhar de cabeça na história e inevitavelmente se surpreender, pois este é um dos seus dons, sempre surpreender o leitor, deixando-o abismado. Ele é o mestre da adrenalina, com suas cenas de ação eletrizantes, dignas de filmes de ação.

Coração de Aço é o primeiro volume da saga Executores (seguido por Tormenta de Fogo e Calamidade), e nas primeiras páginas descobrimos que homens comuns estão começando a mudar, adquirindo poderes especiais, assemelhando-se aos super-heróis, só que invertidos, pois ao invés de ajudarem a combater o mal, eles são a personificação do mal. Estes seres são chamados de Épicos e desde que o primeiro deles apareceu no céu, o mundo como conhecíamos virou uma sociedade falida.

Há aqueles que ainda acreditam que serão salvos dos Épicos, por verdadeiros super-heróis, que ainda estão por vir.

"- Onde existirem vilões, existirão heróis - meu pai disse. - Aguarde. Eles virão."

O pai de David, um garoto de oito anos, era um dos que acreditavam nos heróis, fazendo com que o garoto também acreditasse que dias melhores virão, mas quando ele foi barbaramente assassinado por Coração de Aço, na sua frente, David perdeu todas as esperanças e passou a sobreviver com o único objetivo de matar Coração de Aço, o Épico mais poderoso de todos.

"Eu sei, melhor do que qualquer outra pessoa, que não há heróis vindo nos salvar. Não há Épicos bons. Nenhum deles nos protege. O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente."

Aos dezoito anos, David procura por um grupo secreto chamado de "Executores", serem humanos normais que tem por missão assassinar Épicos. Ele passou dez anos estudando os diversos tipos de Épicos, suas características e suas vulnerabilidades, pois acredita que todo Épico tem uma fraqueza, algo que anula seus poderes e os transforma de volta em pessoas comuns, mesmo que apenas por um momento. David deseja se integrar ao grupo, para que eles o ajudem a matar Coração de Aço.

"Os Executores - eles eram os heróis. Não eram o que meu pai imaginava: não tinham poderes Épicos, nem fantasias chamativas."

O grupo dos Executore é formado por cinco pessoas, e cada uma delas tem uma função dentro do grupo, além de um motivo pessoal para integra-lo. Jon Phaedrus é líder e fundador, Abrahan trabalha na tecnologia, Thia na pesquisa, Megan no recolhimento de informações e Cody faz serviços diversos. Com relutância eles acolhem David como membro da equipe.

Coração de Aço, como o Épico mais poderoso da terra, governa "Nova Chicago", ao lado de seus braços direitos Tormenta de Fogo e Punho da Noite. Inicialmente o grupo dos Executores rechaça a ideia de ataca-lo, afinal ele é invulnerável. Somente David acredita que eles podem conseguir este feito e tenta, a todo custo, convence-los a embarcar nesta empreitada.


Podemos perceber aqui várias características de outros livros do autor, mesmo sendo eles completamente diferentes. Brandon gosta de construir sua trama baseada na lealdade de um grupo de amigos, que juntos, lutam por um ideal, foi assim em Mistborn, é assim aqui. Também não deixa de pincelar, durante toda a obra, pequenas críticas sociais com algumas reflexões sobre a dualidade da natureza humana.

"Isso não era nada parecido com o que eu imaginava. os gloriosos Executores, levando justiça aos Épicos. Eu nunca havia pensado na culpa que eles teriam que aguentar, nas discussões, na incerteza. Podia ver neles o medo que eu tinha sentido na usina de energia. A preocupação de que poderíamos estar piorando as coisas, de que poderíamos ser tão ruins quanto os Épicos."

O Conjunto da obra me conquistou, a empatia dos personagens, os diálogos sempre bem construídos, o pequeno romance, as fantásticas cenas de ação. Mesmo apresentando um começo um pouco lento, tudo foi compensado pelo final arrebatador.

Brandon Sanderson mais uma vez mostra porque é, em minha opinião, um dos maiores escritores de fantasia da atualidade.

 Cortesia da Editora Aleph
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

20.3.17

Pavões misteriosos: 1974-1983: a explosão da música pop no Brasil [André Barcinski]

André Barcinski
Ed. Três Estrelas, 2014 - 240 páginas:
      Em meados dos anos 1970, a música popular brasileira vive uma de suas mais radicais transformações. Um heterogêneo grupo de artistas desvia-se da tradição da mpb para abraçar a música pop, impulsionado pela crescente internacionalização da cultura jovem, a modernização da indústria do disco e a expansão maciça da tv no país. A cena musical é tomada por uma série de experimentações inéditas. As novidades não pararam aí e se estenderam até o início dos anos 1980 – com a explosão da discoteca, a fabricação de ídolos pelas gravadoras e a adesão de parte dos compositores da mpb “clássica” ao pop e ao mercado. Esse período até hoje menosprezado da cultura brasileira é o tema de Pavões misteriosos, do jornalista André Barcinski, que traz à tona uma série de revelações sobre a cena musical da época e seus personagens fascinantes. 

Onde comprar:

A revolução do pop ou o pop é a revolução

Mais uma vez um livro me escolheu para lê-lo. Bati o olho na capa, li o título e pronto, ele havia me escolhido. Foi simples assim. O livro em questão é Pavões misteriosos: 1974-1983: a explosão da música pop no Brasil (Três Estrelas, 240 páginas) do jornalista pra lá de antenado André Barcinski. O título vinha de uma canção de Ednardo, completa incógnita para mim, o qual conhecia pelo título em questão e pela canção Terral e mais nada. E lá vamos nós desbravarmos o universo da música, arte que me encanta. Na capa Ney Matogrosso, Rita Lee, Raul Seixas, na contracapa Guilherme Arantes, Fagner e Ritchie. É apetitoso demais pra evitar.

“Quem entrasse em uma loja de discos no Brasil em 1974 poderia imaginar que o país tinha enlouquecido. Na capa de um LP, veria a cabeça maquiada de quatro hippies andróginos, expostas em bandejas sobre uma mesa, como pratos de um banquete macabro. Outra capa trazia um desenho em que Sol E Lua apareciam no mesmo horizonte, ao lado de um estranho portal arqueado e de um texto enigmático: ‘A causa do ser humano é o micróbio’. Outro disco reproduzia ilustrações atribuídas a Nicolas Flamel, alquimista francês do século XIV que, segundo alguns, havia desvendado o segredo da pedra filosofal, transformando chumbo em ouro e tornando-se imortal. Havia ainda uma psicodélica pena de pavão que ilustrava a capa de um disco de sucesso... Por fim, uma capa exibia um sujeito magro e cabeludo, de óculos Ray-Ban e boné à Che Guevara, empunhando uma guitarra vermelha reluzente e levantando o dedo indicador. Entre o sagrado e o profano, parecia um misto de guerrilheiro e profeta.”

Esta época é meio que um buraco negro para mim. Eu, adolescente frequentador de matinês das discotecas, tentando de toda a forma entrar à noite. Havia raríssimas vezes em que eu até conseguia e me gabava para os outros de minha idade. O que eles não sabiam era que ao entrar eu me sentia um ET, por ser novo demais era tratado como um “pato”, gíria da época para os muito tímidos que não pegavam ninguém, ficavam no zero a zero.

A “disco” era tremendamente hedonista: salvar o mundo pra quê? Vamos nos divertir e ponto. Mas e os artistas que vieram antes, que pavimentaram o caminho de quem entraria de cabeça no rock?

“Secos & Molhados não foi o único disco ‘esquisito’ a enfrentar a caretice reinando no país. Também houve Lóki?, o primeiro LP de Arnaldo Baptista depois de sua saída do Mutantes e do fim de seu romance com Rita Lee. Um disco dilacerante, em que o compositor de 26 anos expunha sua fragilidade emocional... Outro disco importante foi Na rua, na chuva, na fazenda, do soulman Hyldon. O LP celebrava a vida idílica do interior... Do Recife veio o disco Paêbiru: caminho da montanha do sol, gravado por Zé Ramalho e Lula Côrtes, com ajuda de vários músicos nordestinos que depois se tornariam famosos, como Zé Geral e Alceu Valença.”

A liberdade criativa era levada ao pé da letra, os discos artesanais faziam as viúvas e viúvos da Jovem Guarda torcerem o nariz. Mas a Rádio FM vem surgindo, ela é a voz da nova juventude, combatente gigantesca das AM. os programas de auditório ganham corpo e novo formato e as novelas popularizam quem nelas adentra com uma canção. Há um realismo mágico nas canções da década de 70, capitaneadas por Gita (Raul Seixas), Pavão mysteriozo (Ednardo), Racional volumes 1-2-3 (Tim Maia) e A tábua de esmeralda (Jorge Ben, futuramente Benjor). Seria o contraponto, uma resposta poética à luta armada, aos anos de chumbo, à caretice da ditadura e sua censura.

“Por que tantos bons discos foram lançados na mesma época? Fiz a pergunta a todos os artistas e produtores que entrevistei... e a resposta foi quase sempre a mesma: ‘Porque havia liberdade para gravar’. Ednardo disse: ‘Ninguém da gravadora me dizia o que fazer. Eu gravava o que queria e entregava o disco pronto pra ela’. Pepeu Gomes descreve assim a reunião que os Novos Baianos tiveram com João Araújo da Som Livre – e pai de Cazuza –, quando assinaram contrato com a gravadora: ‘João disse que poderíamos gravar o que a gente quisesse, que ninguém ia meter a mão em nada. E ele cumpriu a promessa’. O resultado foi Acabou chorare, um clássico absoluto do pop-rock brasileiro.”

Era preciso descobrir o segredo do sucesso e mesmo, as gravadoras brasileiras , sendo amadorísticas, formaram um grupo de estudo: os jornalistas Zuenir Ventura, Artur da Távola e Dorrit Harazin, produtores musicais como Nelson Motta, o escritor Rubem Fonseca e, pasmem, a psiquiatra Nise da Silveira, ela mesma, do filme ‘Nise – o coração da loucura’.

“O crescimento da indústria do disco foi acompanhado por uma ‘profissionalização’ do setor, e logo o tempo romântico das gravadoras chegou ao fim... E de que maneira isso afetou a música? ‘Se você fizer uma linha do tempo e colocar os discos mais relevantes, verá que a maioria foi feita até 1976, e depois tudo foi ficando meio ralo’, diz Pena Schmidt... Ednardo lembra o exato momento em que sentiu essa mudança no ar: ‘Foi em 1978. Liguei para a Warner para combinar meu próximo LP, e eles pediram para eu mandar o ‘projeto’ do disco. Eu perguntei que diabo era o tal ‘projeto’, e eles disseram que eu deveria mandar um resumo completo do disco, com o repertório, quem iria produzir, qual era o público-alvo... Depois disso, as coisas mudaram e para pior’.”

A passagem do amador para o profissional deixou marcas e é neste meio que os dinossauros do rock – Lobão, Marina Lima, Lulu Santos – vão sendo forjados. Há uma briga grande entre os maiores vendedores de disco entre épocas, eles que ainda o são: Roberto Carlos que havia migrado para um som romântico; Tonico e Tinoco, com seu som regional; Nelson Gonçalves, crooner remanescente que “emprestava” sua voz para alavancar canções; Rita Lee, que se reinventara e estava mais próximo do som que se faria na próxima década; Nelson Ned, o rei do coração partido e Xuxa, a rainha que se fez cantora.

Muita água rolaria debaixo desta ponte. A época não tem um som que a definiria e ainda por cima plagiar nem era assim um pecado tão capital.

“Na trilha sonora internacional de Pecado Capital, em meio a artistas consagrados como Michael Jackson e The Trammps, um dos destaques era ‘Words of love’, uma balada melosa cantada por Dave D. Robinson. O que o público não sabia era que a música não tinha sido gravada em Los Angeles ou Nova York, e sim no estúdio da Gazeta... Poucos sabiam também que o verdadeira nome de Dave D. Robinson era José Eduardo Pontes de Paiva, também conhecido por Dudu França.”

Muita gente boa gravou com pseudônimo, cantando decoradinho sem saber nada de inglês, era moda no país. Fábio Jr. foi Mark Davis, Jessé foi Tony Stevens, Ivanilton de Souza virou Michael Sullivan e por aí vai. Os gringos falsos fizeram imenso sucesso e o mais famoso de todos foi Morris Albert, ou melhor, o carioca Alberto Kaiserman, que ganhou o concurso ‘O Homem mais bonito do Brasil’ no programa Flávio Cavalcanti. E qual a canção que o lançou ao estrelato? Nada mais, nada menos que ‘Feelings’.

O que dizer então do pessoal considerado brega, campeão de vendas, mas rejeitado pelos jovens sedentos de novidade? Odair José que gravava com músicos da banda Azymuth (excelentes músicos de estúdio e de shows) sofria com o defeito moral de ser tachado de cafona, vergonha popular. Daí chega com tudo um novo hitmaker, alguém como Leoni dos anos 80 ou Nando Reis dos anos 2000. Um cara que adoro e que sabia tudo de cor:

“No início de 1976. Um diretor da Som Livre... chamou Guilherme (Arantes) para fazer um compacto. A música foi ‘Meu mundo e nada mais’. Guto Graça Mello gostou e incluiu a canção na novela Anjo mau, da TV Globo. Os colegas de Guilherme na FAU caíram matando... ‘Eu era considerado um intelectual de segunda linha, um ídolo artificial criado pela Som Livre’, conta o compositor... Foi um sucesso imediato e transformou o cantor, aos 22 anos, em ‘ídalo’. Com sua pinta de galã teen, ele causava frenesi nos programas de TV, e sua imagem decorava pôsteres em quartos de adolescentes...”

É claro que a ascensão de um cantor do porte de Guilherme Arantes acende uma luzinha nas gravadoras que começam a cortar custos e encher cofres. Surgem os ídolos realmente fabricados.

“...Sidney Magal era apenas mais um cantor de bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Foi em uma churrascaria na Barra da Tijuca que o produtor musical Roberto Livi o viu pela primeira vez. Livi achava que cantores brasileiros, com raras exceções, não tinham boa presença de palco. Costumava dizer que eles ‘chegavam até o microfone, jogavam a âncora, cantavam e iam embora”. Mas Magal acabou com isso. ‘Ele era o nosso John Travolta’.”

Olha só em que caldeirão estamos nos metendo. E tem muito mais. Eu ficaria horas aqui escrevendo um novo livro sobre todas as impressões e emoções que este livro me causou. É o retrato fiel de um tempo que vivi e que apenas senti falta por não ter nada do Clube da Esquina (mas é perdoável). Tudo isso vai redundar no campeão de vendas Ritchie e sua Menina veneno, que sofre boicote de artistas e gravadoras (inveja?) e tem o futuro estagnado. Mas aí já é outra história.

Fui pincelando trechos aqui e ali, sem muito critério, apenas para deixá-los com aquele gostinho de “quero mais, muito mais”. O livro é fantástico, principalmente para os aficionados por canções e por tudo aquilo que está por trás delas.

(Reprodução / Arte: Homero Esteves)
Este livro é dividido em capítulos com o que de mais interessante aconteceu em cada ano, de 1974 a 1983. Perfeito. Cheio de imagens e uma bibliografia extensa para os mais interessados em conhecer a fundo este universo. Como um aluno atento fui estudando o que as letras e canções diziam em determinada época e foi encantador, no mínimo, um acerto de contas existencial. Imperdível!
Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

19.3.17

Promoção #222: Escolha seu Livro

Sorteio

Ler para Divertir e Reino da Loucura estão promovendo um novo sorteio, onde um único ganhador irá escolher dois livros das opções indicadas pela promoção.

O Sorteio está sendo realizado pelo Instagram do Blog Reino da Loucura.
Válido até 05/04/17

Regras e Inscrições em:



18.3.17

Promoção #221: Série Completa Tangled

Promoção

Ler para Divertir e Meu Passatempo blá, blá, blá estão sorteando os quatro livros de série Tangled.

Sorteio Realizado Somente pelo Instagram do Blog
Válido até 07/04/17

Regras e Inscrições em:


16.3.17

Jantar Secreto [Raphael Montes]

Raphael Montes
Ed. Companhia Das Letras, 2016 - 376 páginas:
      Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.

Onde comprar:


Nunca havia lido nada do Raphael Montes. Os elogios que eu lia sobre ele sempre cresciam no meu conceito, me impulsionavam a comprar seus livros, mas até então ainda não havia tido o completo interesse. Quando me surgiu a oportunidade de resenhar Jantar Secreto, agarrei com todas as forças. E que livro.

Aparentemente nossos personagens são simples. Suas únicas ambições são crescer na vida profissionalmente e dar um futuro melhor para si mesmo sem depender de seus pais. Dante, Hugo, Miguel e Leitão se mudam de uma pequena cidade do interior do Paraná para o Rio de Janeiro. Cursando administração, desejo por culinária, medicina e ciência da computação, respectivamente aos nomes citados acima. Os quatro jovens decidem alugar um apartamento e se viram como podem para pagar o aluguel. Tudo estava indo perfeitamente bem. Se formam, sonham seguir carreira com suas profissões recém concluídas, entretanto ao se formarem encontram um país em crise, com números de desempregados aumentando a todo instante, e uma inflação absurda. Apenas Leitão acabou desistindo do curso, passando a ficar em casa comendo e engordando cada vez mais.

Certo dia o corretor de imóveis pergunta a Dante o que aconteceu para não terem depositado o dinheiro do aluguel nos últimos meses. Ele contesta, diz que foram realizados, mas o corretor se mantém firme. Leitão, o responsável pelos depósitos, confessa que gastou todo o dinheiro com uma prostituta que se chama Cora. Revoltados, os quatro amigos não sabem o que fazer para pagar a divida de quase trinta mil reais, senão serão despejados. E surge a ideia de fazer jantares, visto que era uma moda do momento onde você oferecia um jantar pela internet com um cardápio sofisticado, e pessoas pagavam para ir até sua casa comer. Lançam a ideia, mas Leitão faz mais uma burrada. Ao invés de carne de cordeiro, ele coloca no site carne humana, o que pega todos desprevenidos. O que choca mais ainda é que dez pessoas pagaram uma quantia de três mil reais cada para provar a “iguaria”.

A ideia de inicio assusta os quatro. Ficam temorosos, tentam retirar o anuncio, contudo até o pagamento dos clientes já estavam em suas contas. Dante bate o pé, não quer dar prosseguimento, enquanto outros incentivam, achando genial terem conseguido o dinheiro do aluguel tão rápido. O mais difícil seria onde e como arrumar um corpo para ser a carne.

Só nessa premissa nós leitores já embrulhamos o estomago e decidimos que não queremos ler mais nada sobre. Certo? Enganado. É aí que nós queremos ler mesmo. A ideia torna-se tão louca que queremos saber onde aquilo chegará e onde irá parar. Raphael Montes já causa impacto e desconforto nas primeiras páginas. Nos perguntamos se isso fosse real e se descobrirmos o que faríamos? Nos perguntamos mais ainda se provaríamos, já que os pratos são descritos tão bem suculentos e com molhos tão exóticos. Indagamos mais ainda a ideia do autor o que ele quer passar sobre. É desconcertante, mas brilhante. A proposta arrepia e a autor não nos deixar dormir sem antes descobrir o final.


Raphael tem uma construção de personagens complemente única. A forma como conduz sua escrita, que sutilmente vai nos atiçando nos levando a mergulhar no enredo, é espetacular. Até quando a história se aprofunda em determinado assunto, cena, ou pensamento, e pensamos se aquilo realmente é importante, o Raphael vai lá e nos dar mais um tapa na cara. Tudo que o livro contém, é de extrema importância e valor.

O fato de o canibalismo ser explorado na literatura como forma de entretenimento, no caso o livro em questão, ele quer mais do que isso. Ele leva nós leitores repensarmos sobre o nosso estilo de vida, nos leva a refletir sobre assuntos primordiais do mundo como a fome, e também nos faz refletir até que ponto é capaz do ser humano chegar por status e poder, e de como nossas visões estão tão distorcidas de um parâmetro normal para a paz mundial.

Se existe isso por aí? Pra que duvidar? Já temos casos espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil como aquele casal que fazia coxinhas de carne humana em Pernambuco. É um tema que em minha opinião deve ser mais debatido.

O livro é mais dinâmico do que aparenta. Apesar de o foco ser os jantares, ou carne de gaivota como preferem chamar, a trama toda ainda possui temas como o bullying, homossexualismo, corrupção...

Raphael Montes é de fato um escritor de mão cheia, que não mede esforços para chocar seus leitores, e que não tem pena nenhum pouco deles também. Já estou louco para ler todos os outros livros dele.

A edição é uma belezura a parte, com corte em vermelho caracterizando fielmente o livro. Boa leitura. Devorem da mesma maneira que eu fiz.

 Cortesia do Grupo Companhia das Letras
Douglas Brandão
Geminiano, formado em Magistério e futuro professor de História. Mora na Bahia e louco por livros. Um pouco ciumento e orgulho. Fanático por Harry Potter e chegou a receber o apelido de "Vírgula" por sempre dar uma opinião ou comentário, porque sempre usa "Entretanto", "Contudo" e "Todavia" por ser sempre "Do Contra". Sincero ao extremo e venho para compartilhar meu gosto de leitura com vocês.
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

15.3.17

Macabra Mente [Vitor Abdala]

Vitor Abdala
Ed. Do Autor, 2016 - 102 páginas:
      MACABRA MENTE é a segunda coletânea de Vitor Abdala e reúne oito contos de terror, sendo cinco inéditos. O livro, lançado de forma independente, através do selo próprio do autor (VCA), traz os contos O Barulho na Casa de Máquinas, Zé do Peixe Quer o Seu Voto, Auto de Resistência, Disco de Vinil, Beta, Túmulo de Aço, Ilha das Focas e Despachos.


Onde comprar:




O horror que nasce do cotidiano

Tenho um pouco de medo de falar sobre obras de autores nacionais, receio afugentar o leitor ou um autor talentoso. E podem ter certeza, Vitor Abdala é um novo talento, um alento ao terror nacional.

Na mesma proporção tenho medo de resenhar contos porque nem sempre é possível encontrar algo que os unifique e falar de todos fica cansativo para quem lê.

Mas e quando os dois se unem em um só livro – contos e autor nacional? Bom, aí o medo cresce exponencialmente rumo ao pânico. De qualquer forma não poderia me furtar de dizer o que senti ao ler o livro Macabra mente (Ed. Do Autor, 102 páginas) do amigo Vitor Abdala. Minha dificuldade com contos vem de longa data, desde livros do velho mestre Stephen King, a probabilidade de eu me apegar a todos é quase nula. Para minha grata surpresa, todos, eu disse todos os contos deste livro prenderam minha atenção, me fizeram virar as páginas rapidamente até seu final.

Evocando o terror de coisas improváveis – um disco de vinil, um peixe beta, uma foca – Vitor Abdala se coloca como um Clive Barker tupiniquim, cheio de criatividade, sem abrir mão da surpresa pelo que reside debaixo de nossa cama: medo, meDO, MEDO...

No primeiro conto, uma velhinha presciente e inofensiva leva o síndico, após muita insistência, a verificar um barulho (de cavar) na casa de máquinas acima da laje de seu apartamento. E lá vai ele pra lá (é como olhar se o bicho papão está escondido dentro do armário).

“Não havia porteiro depois das 22h naquele prédio, o que significava que, quando havia problema depois desse horário, era o próprio síndico que tinha que resolvê-lo”.

No segundo conto a coisa ameaça ficar um pouco mais apavorante. Um candidato que só aparece em tempos de eleição encontra um provável eleitor e não se acanha em pedir seu voto. Mas hoje é dia do ajuste de contas e em tempos de Lava Jato, isso pode custar muito caro, rs. Este é o conto de que mais gostei – visceral e arrepiante.

“O dono da casa sorriu com seus dentes metade amarelos, metade pretos. — Prazer, João. Um anjo me disse que o senhor vinha hoje.”

No terceiro conto, dois soldados da polícia, após uma abordagem mal sucedida, resolvem forjar um cenário em que um jovem passa de vítima a réu. Só se esqueceram de combinar os detalhes com ele.

“— O que a gente faz agora, caralho?
O soldado Eurico suava sob sua farda azul...
— O que a polícia sempre faz, porra. Pega a merda daquele revólver! – gritou de volta o sargento Nélio com quinze anos de polícia e dezenas de tiroteios no currículo.”

No quarto conto, um garimpeiro de discos resolve comprar um vinil sem identificação, certo de que iria se deparar com uma raridade. Aqueles que ficam chafurdando em sebos à procura de alguma preciosidade sabem bem do que estou falando. O que ele não esperava é que isso poderia lhe causar certo desconforto e sangue espalhado, muito sangue.

“Lágrimas escorriam em seu rosto, enquanto ele olhava as lâminas da tesoura. A mão direita segurava a descontrolada mão esquerda.”

No quinto e mais inventivo conto um peixe beta passa a definir as escolhas de seu dono. Sua vida passa a girar em torno das vontades de um peixe fofinho de aquário. O problema é que quando não consegue traduzir as vontades do peixe a coisa fica um pouco dolorosa.

“A essa altura, eu já havia parado de tentar uma explicação científica para tudo aquilo. Era algo sobrenatural. E, quanto mais tempo eu passava imerso naquela irrealidade, mais eu parava de tentar compreendê-la.
Eu apenas entendi que aquele beta teria que fazer parte da minha vida e parei de tentar me livrar dele.”

No sexto conto, dois amigos que trabalham em uma plataforma de petróleo entram em desacordo quando um deles parece estar perdendo o juízo. Ele afirma que todos os outros estão mortos e que em breve estarão também. Assustador.

“— Nós nunca deveríamos ter explorado a camada pré-sal. Nunca deveríamos ter perfurado tão fundo – disse, de repente, Genésio, depois de interromper sua ladainha sobre a criatura.”

O sétimo conto é algo que pode sem dúvida mexer com a crença de muito leitor. E se por acaso reencarnássemos em um animal? Muitas vezes já me peguei pensando a esse respeito. Como minha formação tende ao espiritismo, tenho opinião formada, mas é sempre interessante tomar conhecimento de outras maneiras de pensar, religiosas ou não. Conto curiosíssimo.

“Meu corpo todo doía e eu sentia aquele medo humano novamente. Será que todos os homens que reencarnam como animais mantêm sua consciência humana? Ou eu tinha sido um caso extraordinário, alvo de um erro no processo de transmigração da alma do corpo de um homem para o de um bicho?”

No oitavo e último conto, temos alguém que inadvertidamente acabou por esvaziar a bexiga em cima de um despacho. Muitas pessoas se livram de algum acidente por segundos, por se abaixarem para pegar uma coisa qualquer no chão quando se inicia um tiroteio, por esquecerem a carteira em casa e voltarem segundos antes de um carro desgovernado rasgar a esquina, subir no passeio e acertar o poste, bem onde se estava encostado, entre outras coincidências incompreensíveis. Mas há aqueles, que ao contrário, por conta de um vacilo qualquer, acabam sendo arremessados no olho do furacão. Estão no lugar errado, na hora errada.

“— Na verdade, não importa muito quem eu sou. Pode me chamar de espírito, encosto, entidade. Pode me chamar do que quiser. O que me importa agora é que eu vou ficar com fome, porque você mijou na minha farofa.”

Todos são contos rápidos, tipo bateu-levou, cheios de inventividade, sem deixar dúvidas ao final. Não é preciso explicar o “porquê” do horror presente, ele existe e ponto. É preciso ser plausível e neste caso Vitor Abdala nos faz acreditar nele, por bem ou por mal.

Recomendado aos corajosos de plantão e aos nem tanto também.

Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

14.3.17

Trilogia Forever [Sandi Lynn]

Trilogia Forever - Sandi Lynn
Ed. Valentina, 2016 - 764 páginas:
      Um homem marcado por uma tragédia e decidido a nunca se apaixonar. Uma mulher que vive cada dia como se não houvesse amanhã. O amor salvou suas vidas. Agora, só um milagre pode salvar seu amor. 


Onde comprar: Trilogia



A Trilogia Forever inicia com o Livro Black para Sempre que é narrado pelo ponto de vista da protagonista Ellery Lane. A trama se inicia com Kyle, namorado de Ellery, deixando o apartamento em que os dois dividem em Nova York, alegando que precisa de um pouco de espaço, pois a relação dos dois está ficando complicada. Mesmo sabendo que não está apaixonada pelo namorado, Ellery o queria por perto, por medo da solidão. Amparada pela grande amiga Peyton, as duas vão a uma boate afogar as mágoas e lá ela acaba ajudando um lindo desconhecido, totalmente bêbado, a encontrar o caminho de sua casa.

Neste inicio de história, a autora Sandi Lynn já traça um esboço da personalidade de Ellery, mesmo no fundo do poço, a moça é cheia de humanidade, e se preocupa com a integridade de um indivíduo que ela nunca viu na vida, resolvendo ajuda-lo. Sabemos também que as pessoas gostam dela e que ela faz trabalho voluntário.

Já o individuo ao qual estamos falando é Connor Black, um cobiçado milionário que está habituado a conseguir tudo que quer. Para Connor, as mulheres são descartáveis, e ele as trata conforme algumas regras que criou. Pela manhã, ao encontrar Ellery em seu apartamento, Connor acredita ser mais uma de sua longa lista de conquistas.

"- Não aceito que ninguém durma aqui. Você devia ter ido embora depois que transei com você, portanto quer fazer o favor de me dizer porque ainda está aqui, na minha cozinha, se comportando como se estivesse em casa?"

Black para Sempre
Ed. Valentina, 2015 - 256 páginas
Assim o leitor já sabe com quem está lidando, Connor é daqueles protagonistas antipáticos que se acham o dono do mundo. Aí já podemos traçar o perfil do romance, dado as características dos protagonistas.

Mesmo não fugindo do clichê, Sandi Lynn consegue construir uma história cheia de embates, com dois personagens fortes que guardam segredos responsáveis por torna-los o que são.

E o interessante é que toda a trama se desenrola neste primeiro livro.

Onde comprar: Black para Sempre - Trilogia Forever - Vol. 1


No segundo livro da Trilogia, Você para Sempre, a narrativa é realizada pelo milionário Connor Black. Basicamente é contada a mesma história do livro anterior, só que pelo ponto de vista de Conner, com isso várias partes que não existem no primeiro volume são acrescentas, preenchendo aqueles hiatos onde conhecíamos só o que estava acontecendo com Ellery.

"Dou a lista às mulheres antes do jantar, para que elas tenham plena consciência de minhas expectativas. Se uma mulher não aceita qualquer uma dessas regras, tem toda a liberdade de ir embora. Mulheres não são mais do que criaturas sexuais para mim. Nunca me apaixonei, nem vou me apaixonar."

Você Para Sempre
Ed. Valentina, 2015 - 272 páginas
Eu particularmente sempre prefiro as histórias quando elas são contadas pelo gênero masculino, gosto de saber o que estava passando na cabeça deles, mesmo já não contando mais com o fator surpresa, pois a maioria dos segredos já foram desvendados no volume anterior. Contudo Sandi ainda guarda alguns ases na manga para nos entreter, ela aqui desnuda os sentimentos de Connor.

"O que há para contar? Sou um CEO de trinta anos de idade, tenho mais dinheiro do que jamais vou precisar, não entro em relacionamentos e faço tudo que quero."

Onde comprar: Você Para Sempre - Trilogia Forever - Vol. 2

Nós para sempre, terceiro volume da trilogia Forever, continua a partir do fechamento dos livros anteriores e pretende conferir se este casal, apesar da química perfeita, irá conseguir manter um relacionamento duradouro, já que os dois possuem temperamentos bem fortes.

Algumas coisas podem abalar um relacionamento por mais forte que ele seja e algumas atitudes podem destruí-lo. Saber lidar com as expectativas um do outro e respeitar a opinião de cada um é difícil, mas imprescindível para manter um relacionamento saudável.

Ao longo de dois volumes já sabemos que nossa Ellery é uma mulher que não leva desaforo para casa, e quando ameaçam sua família ela vira uma leoa. Connor Black por outro lado, não está acostumado a ceder o controle para ninguém, acabando por tomar algumas decisões que desagradam a Ellery.

Nós Para Sempre
Ed. Valentina, 2016 - 256 páginas
Cada capítulo do livro é narrado por um dos protagonistas. Os personagens coadjuvantes também tem seu destaque e apesar de não ser absolutamente necessário, o livro nos faz passar alguns momentos bem agradáveis. O último capítulo, passados vinte anos, é a cereja do bolo.

"- Desculpe. Minha vida era muito diferente naquela época. Você me salvou de mim mesma.
Ele olhou para mim, seus lábios roçando os meus.
- Nós salvamos um ao outro.

Onde comprar: Nós Para Sempre - Trilogia Forever - Vol. 3



Mesmo sem mostrar nada de novo, a Trilogia Forever agrada aos fãs do gênero, usando e abusando da velha fórmula do milionário rico e arrogante que é conquistado por uma mulher forte e desinteresseira. O que faz o leitor se divertir não é o final, mas sim o caminho utilizado para chegar nele e Sandi Lynn soube pavimentar bem sua estrada, por isso o grande sucesso da trilogia.

 Cortesia da Editora Valentina
Gisela Menicucci Bortoloso
Capixaba, leonina, analista de sistemas e mãe. Apaixonada por livros, sou uma leitora compulsiva e como o tempo é curto, leio em todo o lugar: esperando o elevador, dentro do ônibus, no salão de beleza... Ler é meu prazer e minha paixão!
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!
 
Ler para Divertir © 2015 - Blog no ar desde 31.10.2010
topo giovana joris • design e código gabi melo