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26.5.12

Memorial do Convento [Jose Saramago]

Ed. Bertrand Brasil, 1982 – 347 páginas
       Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento de Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez. – Memorial do Convento, José Saramago

Não me sinto a vontade para opinar sobre este trabalho literário de Saramago, pois não se trata aqui de um livro qualquer, mas de uma grande obra, que cruza ficção com a História, narrando a construção do Convento de Mafra (hoje Palácio Nacional de Mafra), em resultado da promessa que o Rei D. João V fez para conseguir ter seu primeiro herdeiro.
Passa-se no início do século XVIII e o autor aproveita para fazer uma crítica à sociedade, mostrando com ironia e sarcasmo à abundância do rei e dos nobres em oposição à extrema pobreza do povo. Também A Igreja é fortemente criticada, tanto na figura de seus representantes sem escrúpulos, como na forma da inquisição exercer seu poder. 
E Saramago ainda nos conta muita mais, fazendo várias referencias ao Brasil, mostrando como o ouro retirado daqui fazia de Portugal um país muito rico, que esbanjava o dinheiro fácil (como, aliás, acontece até hoje com nossas riquezas).
Foi um livro difícil de ler, pois tive que prestar muita atenção em cada frase, senão não conseguia entender o seu significado. Também porque não tem diálogos, ou melhor, eles existem, mais não na forma normal deles. Então li devagar, tentando entender o que o autor queria mostrar. Apesar desta dificuldade, foi um livro que valeu a pena, mas comparo ele a "Cem anos de Solidão", pois são livros que falam muito mais do que conseguimos entender numa primeira leitura.
Quando acabei fui pesquisar na internet se Saramago era comunista, pois nesta obra ele deixa bem claro suas convenções (pelo menos foi a sensação que sentia a cada página) e se ele já havia me conquistado com seu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, passei a admirá-lo ainda mais.

Sinopse:
 
Nesta obra, Saramago retrata a personalidade do rei D. João V e narra também a vida de vários operários anônimos que contribuíram na quixotesca construção do Convento de Mafra. Entre esses operários estava também Baltasar, e o romance foca, entre outras coisas, o seu grande amor por Blimunda, mulher dotada do estranho poder de ver o interior das pessoas. Os dois conhecem um padre, Bartolomeu de Gusmão, que entrou na história como pioneiro da aviação. O trio inicia a construção de um aparelho voador, a Passarola, que sobe em direcção ao Sol, sendo que este atrai as vontades, que estão presas dentro da Passarola. Blimunda, ao ver o interior das pessoas, recolhe as suas vontades, descritas pelo autor como nuvens abertas ou nuvens fechadas. – Fonte http://pt.wikipedia.org


comentários pelo facebook:

12 comentários em "Memorial do Convento [Jose Saramago]"

  1. Sinto vergonha de dizer que eu nunca li nada de Saramago... Falta uma oportunidade - e tempo também.

    Bjos!

    www.silentmyworld.blogspot.com

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  2. Cara Gi, falar sobre Saramago é algo que me faz brilhar os olhos. Assim como quando li Marguerite Duras pela primeira vez, tive certa dificuldade, depois a gente vai se acostumando. O autor subverte cânones literários, cria sua própria escrita e não poupa esforços para que nos embaracemos por entre seus diálogos sem parágrafos, sem pontuação, enfim, sem nada para nos apoiarmos a não ser nossa própria memória. Devemos levar em conta também que Saramago é um erudito com cultura invejável. A igreja já o baniu, daí ele já ganha inúmeros créditos comigo, não que eu seja ateu, muito pelo contrário, tenho fé, mas não aprovo a maioria dos métodos de nossa igreja. Por outro lado, alguém na posição de Saramago poderia viver tranquilamente sem precisar cutucar dogmas. Mas ele o faz e de maneira magistral. Não sou um estudioso de Saramago e esta foi a única obra que li do autor e não me arrependi, aliás só me arrependo de não ter criado oportunidades para lê-lo ainda mais. Em breve isso será corrigido. Querida Gi, mesmo você confessando se sentir pouco à vontade em resenhá-lo o fez de forma brilhante, permeando todo o enredo. Parabéns!

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  3. Rodolfo, li este livro porque duas pessoas que admiro muito recomendaram: Você e Tiago (blog http://sugestaodeleitura.blogspot.com.br/). Quase pedi a você para fazer a resenha para mim, ficava pensando: "O Rodolfo vai ter as palavras certas para descrever o que penso". Mas como o blog é para cada um colocar suas impressões de cada obra, arrisquei a minha.

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  4. Ah, parece ser legal. Mas é a primeira vez que vejo esse livro. Gostei da história, é bem interessante.

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  5. Tem obras que por si só, nos deixam sem palavras, sem ação. Assim como quando admiramos uma obra de arte, cada um tem sua impressão. Também me sinto muito pequena e sem palavras para falar qualquer coisa que seja sobre qualquer das obras de Saramago. Mesmo assim, você se saiu muito bem e acho que passou seu verdadeiro sentimento com relação à obra. Gostei muito, Gisela. Ainda não li O Memorial do Convento, as está na minha lista de "obrigatórias'.

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  6. Ainda não consegui, infelizmente, ler nenhuma das obras de Saramago porque é necessário muito tempo e atenção pra poder realmente apreciar a obra. Apesar de ser um livro bem antigo, as obras do autor sempre são consideradas ótimas e um dia eu ainda vou ler!

    :D

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  7. Oi Gi ^^
    Hum, pela sua resenha é um livro um pouco difícil de ler né? Eu não vou ser hipócrita e mentir que esse é o meu estilo favorito de leitura, porque não é. É claro que já ensaiei pra ler Saramago mais de uma vez, tenho "Ensaio sobre a Cegueira" na minha lista de leitura há anos, mas ainda não me animei a lê-lo =\
    Acredito quando vc diz q "são livros que falam muito mais do que conseguimos entender numa primeira leitura" e que com certeza o lerei em algum momento da minha vida, mas não agora. Minha atenção anda zero e não vou correr o risco de começar uma leitura com o claro de risco de abandoná-la...
    Beijos amore, tenha uma ótima semana =*

    @morenalilica
    http://doceinsensatez.com/blog

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  8. Olá Gisela,

    Quando afirma: “são livros que falam muito mais do que conseguimos entender numa primeira leitura” concordo plenamente, aliás, o livro é tão rico que numa quarto ou quinta leitura descobríamos coisas novas. Eu também só o li uma vez.
    Além da história de sete-sóis sete luas ser magnífica, o que é mais surpreendente é a atualidade do romance. Numa entrevista que Saramago deu ai no Brasil, afirmou: “Dizem que o Memorial do Convento é um romance histórico, mas aonde é que começa a história?”
    A título de exemplo, tal como na época quem prometeu que construía a convento foi o rei, mas quem pagou com o suor foi o povo. Hoje acontece o mesmo, por exemplo, Portugal organizou o Europeu de Futebol de 2004 (atenção sou adepto do futebol, aliás foi ver ao vivo o Mundial de 2006, na Alemanha e o Euro 2008, na Suíça). Hoje já não há rei, mas os políticos assim o quiseram, mandaram construir estádios para o evento, hoje os estádios estão vazios, fala-se já na demolição de alguns, o país está a beira da banca rota (é obvio que não foi só por isso, este exemplo é um pingo de agua no oceano), mas quem pagou a fatura: os impostos dos contribuintes.
    Relativamente há sua pergunta, não me lembro da prisão de Baltasar, lembro-me de que a passarola para voar precisava de vontades, quantas coisas deixam de voar por falta de vontades e não deixa de ser normal que quem voa seja preso, pois incomoda muita gente.

    Nota: Também publiquei este comentário no meu blog.

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  9. Se eu não me engano, esse autor é do ensaio sobre a cegueira, não ? Fantástico!

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  10. Nunca li nada de Saramango. Alias só o conheci por alto quando passei a participar ativamente da blogsfera, mas sei que seus livros são classicos e adimirados por muitos.
    Relamente parece ser um livro para se ler com calma e analisar todo o contexto historico e tal. Confesso que não tenho muita paciencia com livros assim, gosto de coisas mais dinâmicas.
    Acho que por isso não costumo ler livros assim, mas parece ser algo para afrofundar nossos proprios conhecimentos.
    Bj

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  11. Olá Gisela,

    Sim, tirei a lista dos 10 melhores livros, mas criei o separador "os melhores livros que li. Dessa lista sei que já leu Os Capitães da Areia.
    Aconselho que lei O Principezinho, ai o Brasil o titulo é O Pequeno Príncipe, irei publicar amanha a minha opinião sobre esse livro. Se já leu o livro, aconselho O Banqueiro Anarquista de Pessoa, é um livro, tal como o Memorial do Convento atualíssimo.

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  12. Que saudades desse blog!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Resenha muito boa como sempre, José Saramago é um grande escritor. :)

    Gisela como as coisas mudaram aqui, suas promoções como sempre fodas, apenas!!! :)
    Espero conseguir mais tempo de frequêntar aqui novamente. Continue assim, vc está fazendo um ótimo trabalho. *--*
    Espero que não tenha esquecido de mim em, se não vou ficar muito bravo hahahahaha vou nada :P
    Beijooos.

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