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1.7.14

Sociedade Secreta do Sexo [Marcos Nogueira]

Sociedade Secreta do Sexo [Marcos Nogueira]
Ed. Leya, 2014 - 224 páginas:
      Um é pouco. Dois é pouco. Três começa a ficar bom... Assim funcionam as orgias, festas em que cidadãos respeitáveis deixam de lado as convenções sociais para se entregar aos excessos do sexo em público e com parceiros múltiplos. Enquanto você lê estas linhas, há gente se entretendo em atividades menos intelectuais, tais como o swing, o ménage à trois ou o sexo grupal. Pode ser num hotel no Caribe. Pode ser no apartamento ao lado do seu. Mas você não recebe convites para essas festas porque não faz parte do meio. A sociedade secreta do sexo existe para proteger a identidade de seus membros, para evitar a exposição de suas vidas duplas. Durante a semana, esses indivíduos são profissionais bem-sucedidos e pais de família conservadores; no sábado à noite, transformam-se em seres hedonistas, em criaturas para as quais o sexo é a principal razão de existir. O jornalista Marcos Nogueira foi iniciado quase por acaso e entrou de penetra no clube.  

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O mundo colorido dos que não têm preconceito

Vejo o mundo em preto e branco, sou inocente, enquanto os swingers o veem colorido. E é com isso em mente que iniciei a leitura deste livro. Sou curioso por natureza e por escolha própria (talvez não, porque no fundo todos são assim), um voyeur que se compraz em observar pelo buraco da fechadura, rodrigueano nato. Seria eu um tarado? Para o autor Marcos Nogueira não, afinal de contas, como bem frisa na orelha de Sociedade secreta do sexo (Leya, 224 páginas):

“A gente que eu trato... pode ser aquela quarentona enxuta, com roupa de ginástica, que está à sua frente na fila do supermercado com dois filhos pré-adolescentes. Pode ser o gerente da sua conta bancária. Pode ser a linda morena de 25 anos que começou anteontem no departamento de marketing de sua empresa. Pode ser o chef de cozinha que já virou celebridade. Pode ser os seus sogros. Ou os seus pais. Pode ser qualquer um.”

Mergulhei de cabeça no mundo dos swingers, sim, porque este livro trata basicamente disso. É uma comunidade fechada e organizada, com normas estritas de conduta (nem sempre respeitadas, mas na grande maioria das vezes, sim). O difícil é me isentar dos preconceitos que martelam minha cabeça desde a tenra infância. A família se inicia de um casal, mas não para eles:

“Um é pouco. Dois é pouco. Três começa a ficar bom.”

Marcos Nogueira é um jornalista que por força da profissão (matéria para a Revista VIP) e por que não dizer da curiosidade, se aventurou pelo mundo das orgias para nos mostrar suas sensações:

“Eu estava... curioso para tentar entender o que movia aquelas pessoas a fazer o que faziam. Na cabeça do heterossexual latino, ceder o(a) próprio(a) parceiro(a) é uma ideia que vai contra a natureza possessiva e ciumenta – vide o extenso repertório de canções que falam da dor da traição em nossa música popular.”

Mas e o ciúme, aquele monstro de olhos verdes que Shakespeare tanto alardeava? O suposto “controle” da situação aboliria esse sentimento de posse? Já que se você consente é porque tem controle sobre o que está acontecendo:

“... a antropóloga Olivia von der Weid, estudiosa do meio, chama de ‘adultério consentido’. Ser um swinger é ter um relacionamento estável heterossexual e experimentar parceiros sexuais diferentes, com a autorização ou presença do outro esposo.”

No final das contas eu quis conhecer pessoas que se aventuravam corajosamente por este terreno. Não consegui nada. Fiz pesquisas pela minha cidade e o que achei foram apenas indícios, um disse-me-disse que me levou a lugar nenhum. E assim como no livro, aqueles que defendem este “relacionamento aberto” diziam que isso era mais honesto que o matrimônio tradicional ou que o matrimônio era uma instituição falida. Resposta pronta, da boca pra fora. Visão idealizada, romântica, mas ninguém quer ceder seu parceiro pra festinha alheia.

Tento enfrentar o dilema de separar amor e sexo, mas não consigo, seria eu um antiquado ou minha formação católica pesa? E se por acaso seu parceiro se apaixonar por uma pessoa que por ventura faça um sexo diferente ou melhor que o seu? Alguém vai sobrar nessa história. E não venham me dizer “eu me garanto” porque isso é uma falácia, a novidade sempre traz aquele gostinho de quero mais. O proibido cria um clima propício para as aventuras sexuais, além do mais o “rei” já propalou aos quatro ventos: “será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”?

O que podemos perceber é que o swing também esconde as mesmas armadilhas do matrimônio, ou seja, não difere muito de um relacionamento tradicional, passada a paixão, as mazelas, fruto da acomodação, começam a aparecer:

“Dentre as armadilhas... a mais perigosa não tem a cor vermelho-sangue da paixão. Nem o roxo profundo da traição. Sua tonalidade fica entre o amarelo esmaecido do desgaste e o cinza opaco do desinteresse.”

Este modelo monogâmico é recente, fruto da mão pesada da Igreja que teve pouco ou nenhum sucesso junto aos povos pagãos da Europa – celtas e germânicos resistiram, assim como os romanos que possuía culto politeísta de natureza orgiástica.

Deixando a intelectualização de lado, o que realmente penso é que suruba é suruba, mesmo que receba nomes pomposos como swing ou lifestyle e ponto final. Muita gente se aproveita disso. Conheço uma amiga psicóloga que num de seus vários cursos me relatou que havia um exercício que consistia em se entrar num lugar completamente às cegas para tentar conhecer as pessoas através do “toque”. Isso me lembrou o “labirinto” tão propalado pelos swingers, em que todos entram em um lugar estreito, muito escuro e se tocam sem inibições. E este é o resumo da ópera pelo próprio autor:

“Orgias não dependem de uma comunidade física ou virtual que organize bailes caríssimos em palácios e castelos... Para começá-la, basta um grupo de pessoas dispostas a abrir três coisas: a mente, uma garrafa de vinho e a braguilha.”

Fico pensando em como seria fértil a ideia de uma casa dedicada ao hedonismo, puro e simples, nesta terra que literalmente, em se plantando tudo dá. É claro que muitos já pensaram nisso e realizaram tal façanha, com a participação de pessoas notórias da sociedade paulista e carioca e até mais além:

“Por todo o Brasil, virou lugar-comum dizer que no carnaval ninguém é de ninguém. Não em Balneário Camboriú (capital e reduto maior dos swingers). Ali todo mundo é de alguém. Mas, se pedir com jeitinho, a pessoa empresta.”

Estou realmente tentado a abrir uma casa dessas por aqui.

Cortesia da Editora Leya
Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

comentários pelo facebook:

22 comentários em "Sociedade Secreta do Sexo [Marcos Nogueira]"

  1. Não curto muito esse tipo de livro.

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  2. Oi, Rodolfo
    Acho que se você abrir uma casa dessa, vai ganhar muito dinheiro!
    Depois de ler sua resenha, vou olhar para as pessoas e ficar me perguntando se ela é adepta ou não.
    É um livro curioso, mas acho que não gostaria de ler.

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  3. Rodolfo, meu amigo, sinto como se fosse tirar uma travessa borbulhante do forno e estou sem luvas ou panos adequados para isso... rsrs.
    O tema é polêmico, sem dúvida alguma, por isso mesmo aumenta a curiosidade. O título do livro já gera pudores e olhares desconfiados, mas o conteúdo... nossa! Vai muito além do que eu imaginei a partir da capa.
    Sexo é tabu no Brasil e, partindo disso, farei referência às práticas que buscam somente o prazer físico, carnal. Não quero ser preconceituosa, aprovo quem vive a vida como bem entende, desde que não atinja, em qualquer nível, outra(s) pessoa(s). Gosto de ter a mente aberta e tentar entender a razão que move cada um e assim cultivar o respeito. Mas sabe o que eu acho? Que, no final das contas, fica vazio. Falta algo aí, a coisa não se completa, fica só no físico, não transcende. E a ligação emocional e espiritual têm sempre prevalência, para mim, são superiores. Ok, mas não estamos falando sobre isso... Mas não consigo, ainda assim, desvincular uma coisa tão íntima como o sexo e torná-la superficial.
    Não tenho vontade de ler o livro ou qualquer outra coisa ligada ao universo dos swingers. Desconfio que muita energia represada assim, que precise passar pelas turbinas dessas variações para ter sua vazão liberada, tem que ser melhor analisada. Para que gosta, o livro deve ser um deleite.
    As Meninas que Leem Livros

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  4. Esse não é o tipo de livro que eu gostaria de ler, o enredo do livro não me chama a atenção. Esse lance de swingers pra mim não me chama a atenção e nada, e concordo com você que apesar da prática receber inúmeros nomes, pra mim continua sendo suruba. rs É um livro curioso, mas não sou tão curiosa assim. Então passo.

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  5. Oi, Rodolfo!

    Eu amo ler! Leio demais mesmo! Mas não consigo ler livros deste tema... Estranho? Talvez. Leitor compulsivo (eu) lê de tudo. Porém este tema não me atrai. Honestamente, me dá repulsa ler livros assim...
    Mesmo assim gostei da resenha, embora jamais vá ler isso!

    Abraços.

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  6. Com certeza, esse livro eu não leria. O tema não me interessou nenhum pouco, respeito a opinião e os gostos dos outros, mas não simpatizo com essa prática.

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  7. Na minha humilde opinião 1 é bom,2 é demais e 3 pior ainda,sempre li livros que o tema central eram sexo,mas sempre a coisa normal nunca se tratando de orgias e blah blah blah.
    Mesmo não tendo uma forte expectativa no livro eu gostaria de lê-lo,gosto de explorar os vários universos da leitura.
    Agora fico imaginando se tivesse uma "casa" assim aqui na minha cidade(se é que já não tem),quem frequentaria,meus professores? os pais dos meus amigos? e um pouco estranho e curioso toda essa história.

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  8. Esse livro eu realmente passo, nao curti nada nele não.

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  9. Acho que livros como esse são bem válidos para fazer pensar, discutir, enfim, abrir a mente para um assunto que realmente é polêmico, infelizmente.
    Mas apesar disso, confesso que não fiquei muito curiosa nem empolgada. Pela sua resenha já tive uma boa noção do que o livro trata e, no momento, foi o suficiente.
    bjs

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  10. Eu leria o livro com prazer, sou muito curiosa sobre este assunto e ler é sempre a melhor maneira de me informar. Também sou uma pessoa quase sem PRÉ Conceitos, gosto de ser aberta a ouvir opiniões e acredito que toda a forma de prazer valha a pena, desde que seja consensual. Pessoas são diferentes e tem gostos diferentes... A cada dia que passa descubro que existe tanta coisa que a uns 2 anos atrás nem sabia que existia... Bem, uma coisa é certa, agora vou olhar de uma maneira diferente para os meus vizinhos...

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  11. Rodolfo!
    Muito bom ter você por aqui também.
    Assunto bem controverso abordado nesse livro.
    Na verdade tenho uma mente bem aberta para a situação, embora minha criação não me permita o desfrute de tais orgias (e confesso que também nunca tive curiosidade ou desejo de tal), porém entendo, como psicóloga, que a natureza humana é carregada de vertentes, muitos querem novas experiências, gostam do mesmo sexo, sentem prazer em ver seus parceiros com outras pessoas e outras tantas 'curiosidades'.
    Fato é que o livro é intrigante e sua resenha fascinante.
    cheirinhos
    Rudy

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  12. Confesso que não é meu tipo de leitura, mas apesar so tema ser polêmico não teria problema nenhum em lê-lo. Vou olhar as pessoas agora de outra forma, mas concordo com vc que suruba é suruba e ponto final, rsrrsrrs

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  13. Realemente o tipo de livro quem nem tudo mundo leria mais sem duvidas acho que nem sempre devemos julgar o nome pelo conteudo hihihi . Mas somente depois de ler a resenha ai tudo bem . De fator e livro mais forte do que eu costumo ler mais acho que nao vejo nada de mais em ler este tipo de livro !

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  14. Acho assim o tema é polêmico mesmo.Sim nunca irei fazer Swing,mais amoo livros hots.Como eu digo leio pra fugir de realidade se quiser ler realidade lia jornal,entãooo leio mesmo rsrsrs
    Queia ler esse livro,não sabia qual era o tema.Tbm não me sinto confortável em ler esse tipo de coisa,mais leio sem problemas ;)

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  15. Não tenho interesse em ler esse livro, não pela proposta que apresenta, que é um tanto polêmica, mas porque realmente não sente nenhum interesse enquanto lia a resenha de embarcar na leitura desse livro.

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  16. Não senti vontade, necessidade, ou sei lá o que por esse livro. Ele não me chamou atenção, considerando que eu não tenho problema nenhum em ler algo do gênero.

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  17. Ai, Rodolfo! Apesar do tema sério, me permita dizer que sua resenha foi muito espirituosa e sinceramente, me arrancou alguns sorrisos aqui ("suruba é suruba" foi ótimo!) ... :) Eu gosto muito de pensar que não tenho preconceitos, que cada um é dono da própria vida e deve fazer o que bem entender com ela, desde que não prejudique outras pessoas, bichos ou plantas, mas você disse bem, temos algo incrustado no cérebro ou sei lá onde que nos faz ficar relutantes a certos assuntos, então ainda não cheguei a uma conclusão se leria ou não esse livro, apesar da curiosidade que você me despertou. Mas como sou adepta do lema "nunca diga nunca", quem sabe qualquer dias desses eu me aventure por essas paragens ... do livro, não do swing, né, Rodolfo?

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  18. "Ali todo mundo é de alguém. Mas, se pedir com jeitinho, a pessoa empresta.”: ri demais quando li esta frase.Bem, o tema é curioso e polêmico(para os conservadores) e já vi documentários a respeito,mas acho que ler é mais interessante.

    Bjs

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  19. A resenha ficou ótima, você passou bem do que se trata o livro, mas não me interessei nem um pouco. O tema não me deixou curiosa para saber mais, acho que não curtiria essa leitura não rsrs
    beijos

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  20. Não gostei do tema do livro. Achei muito forte e não me interessei em lê-lo

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  21. Parece até interessante para termos conhecimento sobre o tema... algo real, né?
    Mas não me agrada este estilo de vida, hehehehe...
    Não leria algo do tipo.

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  22. Adorei sua resenha, Rodolfo! Bem completa e divertida.
    Confesso que não sou muito fã de livros com essa pegada mais "pesquisa jornalística", mas o tema abordado é tão polêmico e interessante ao mesmo tempo, que fiquei com uma pontinha de curiosidade pra ler e embarcar nesse mundo swinger. kkkkk

    @_Dom_Dom

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