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12.8.14

Reconstruindo Amelia [Kimberly McCreight]

Ed. Arqueiro, 2014 - 352 páginas:
      Você conhece a pessoa que mais ama no mundo? Kate Baron achava que sim até receber a devastadora notícia de que Amelia, sua filha de 15 anos, cometeu suicídio pulando do telhado do colégio particular onde estudava. Poucos dias depois, entretanto, uma mensagem anônima em seu celular revela que a morte de sua filha talvez não tenha sido da maneira que as autoridades alegaram. Amelia pode ter sido assassinada? Como advogada, Kate está determinada a descobrir a verdade e, para isso, mergulha no passado da filha, recolhendo cada fragmento de e-mail, cada linha dos textos do blog, cada atualização de status do Facebook. Sempre um passo atrás da verdade, ela descobre um lado de Amelia que nunca imaginaria que existisse. 

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O que resta, para uma mãe, depois da perda mais cruel e dolorosa que pode enfrentar? Contrariando a ordem natural, a morte de um filho antes dos pais é devastadora. Tão pungente que não há designação para os pais após a partida de um filho. Uma criança que perde a mãe é órfã. Uma mulher que perde o marido é viúva. E mãe que perde o filho é o quê?

O suposto suicídio da filha ainda não foi assimilado por Kate. Apesar de desconhecer a identidade do pai e de ter uma mãe que trabalhava duro para garantir tudo, Amelia parecia lidar bem com a situação. Era uma garota estudiosa, atleta da escola, dócil e com futuro promissor. Então, que motivo teria para praticar o ato insano? Ao receber uma mensagem anônima afirmando que Amelia não cometera suicídio, Kate é acordada do torpor do luto e começa a prestar atenção aos detalhes que lhe escaparam.

Tentando reunir as informações que tem sobre a filha para entender o que aconteceu, conta com a ajuda do determinado detetive Lew. Mensagens pelo celular, postagens no Facebook e um blog de fofocas são algumas fontes que fornecerão as peças para que Kate e Lew montem o quebra-cabeça. Aos poucos, descobrirão o mundinho cruel das sociedades secretas na escola de Amelia, onde professores, diretores e alguns pais faziam vista grossa. Bullying, despertar da sexualidade e o mundo virtual estão bem presentes na narrativa, como elementos instigantes que levam o leitor a virar as páginas com o mesmo alvoroço com que a pobre Kate cata as respostas.

Amelia teria realmente pulado do telhado da escola? Foi empurrada ou foi um acidente? O que aconteceu, afinal? A autora alterna, com muita habilidade, o tempo presente (Kate) e passado (nos registros de Amelia), conduzindo o leitor nas descobertas da mãe e nos (des)caminhos trilhados por Amelia. Revezando as observações de cada uma, reunimos novos dados e provas, apontamos suspeitos e seguimos com Kate e Lew até o fim, quando, então, tudo será revelado. Nesse percurso, tensão e emoção caminham de mãos dadas, provocando a curiosidade do leitor.

Apesar da investigação que permeia todo o romance, o gênero do livro é mesmo o drama. Senti uma afeição muito grande por esta mãe, sofri com ela pela culpa que carrega e é desdobrada nas possibilidades do terrível “e se?”. Culpa por se dedicar muito à profissão, por não ter revelado à filha o nome do pai, por não ter percebido que havia algo de errado com Amelia (afinal, o “manual da boa mãe” supõe que as mães sejam capazes de intuir conflitos dos filhos). É tanta dor, tanto sofrimento, que buscar a “reconstrução” de Amelia, percorrendo seus últimos passos, passa a ser o reencontro com essa filha que não voltará mais. É nos segredos de Amelia que Kate descobre as dificuldades que a garota enfrentava, as tentativas de falar com a mãe sobre seus problemas e a descoberta do primeiro amor.

"Eu não confio nas pessoas. Elas só querem rotular os outros. Chamar disso ou daquilo. A partir daí é isso que você vira, para sempre." (Dylan, p. 217)

Apesar da escrita muito bem estruturada da autora, ainda fiquei com algumas perguntas sem respostas. Conversei com pessoas que leram o livro e ficaram com os mesmos questionamentos. Parece que alguns personagens estão ali para criar uma falsa pista. Ainda assim, isso não tirou o brilho do texto, a grandiosidade do drama levantado pela autora. Aliás, acho mesmo que esses detalhes são ofuscados pela realidade que a obra compreende: a crueldade da disputa por popularidade tão presente nas escolas, a dificuldade nos relacionamentos, tanto entre pais e filhos como entre os adolescentes. A necessidade de Amelia encontrar espaço para o diálogo soou gritante nessa história. Os leitores que têm filhos, certamente, serão mais profundamente tocados pelo texto, que não poupa em reflexões sobre nossas relações de afeto e responsabilidade com os filhos.

"Era tarde demais para mudar qualquer coisa. Tarde demais para fazer escolhas diferentes. Para ser uma mãe melhor do que havia sido. Kate só tinha como ser a mãe que era, a mãe de Amelia – curadora de suas memórias, guardiã de seus segredos, depositária de seu coração. E isso ela sempre seria. "

Atribuí quatro estrelas para o livro, na impossibilidade de dar outra classificação entre quatro e cinco. E fiquei com uma sensação dolorida no coração... coisa de mãe que tem filho adolescente e sabe bem como eles cultivam um mundinho particular – e com razão. E nós, os responsáveis, ficamos com a lição de prestar bem atenção a eles, de saber ouvi-los e deixar que expressem suas questões, que contrariem nossas expectativas, que sigam seus caminhos e sonhos. E que sejam apoiados para que as escolhas sejam responsáveis. Não podemos protegê-los das dores e dificuldades do caminho, mas podemos prepará-los para assumir riscos e conseqüências, mostrando que há possibilidades de recomeço, que podem contar conosco sempre. E que a vida é um jogo onde todos ganham e perdem em algum momento, que é preciso tomar as rédeas, confiar em si e seguir, sem medo das quedas.

Link no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/388284/

Cortesia da Editora Arqueiro

Cearense, fisioterapeuta e mãe. “Eu não tenho o hábito da leitura. Eu tenho a paixão da leitura. O livro sempre foi para mim uma fonte de encantamento. Eu leio com prazer. Leio com alegria.” Ariano Suassuna.

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comentários pelo facebook:

25 comentários em "Reconstruindo Amelia [Kimberly McCreight]"

  1. Gente, eu quero muito ler esse livro! Adorei a história, a capa, a trama, tudo me chama atenção. Realmente estava aguardando ansiosa uma resenha sobre ele, e depois que li a tua me deu ainda mais vontade de desvendar os segredos do livros.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Gostei muito da resenha, pois com ela pude sentir a essência do livro, sem contar sua declaração como mãe ao sentir a aflição de Kate! Tenho certeza que vale a pena ler o livro.

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  4. Gostei muito da resenha e fiquei com muita vontade de ler o lirvo, mas fico com receio de não conseguir ler, ja que drama me bloqueia totalmente! Se tiver a oportunidade tentarei ler essa história, porque só de ler a resenha fiquei curiosa XD

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  5. E o resultado dessa promoção aqui?? >> http://www.lerparadivertir.com/2014/06/promocao-108-selecao-de-livros.html

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  6. Que livro!
    Desde que li a sinopse pela primeira vez, já senti empatia com a história. Não posso nem imaginar o que um pai sente ao perder seu filho, ainda mais por conta de um (suposto) suicídio.
    A sensibilidade da história é algo que me atrai bastante. Mas além disso acho que o mistério (sobre a ocasião da morte de Amélia e também sobre quem ela realmente era e pelo que estava passando) deu um toque todo especial à trama.
    Apesar dos questionamentos sem respostas, parece-me que vale muito a pena.
    Espero ter a oportunidade de ler em breve.
    bjs

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  7. Quando vi esse livro nos lançamentos , me interessei bastante , deve ser um livro bem intenso, e como mãe sei que vou me emocionar .vou deixar para ler mais para frente . beijos

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  8. querida manuh, resenha forte, muito forte. tenho uma imensidade de medos, inclusive o de morrer. mas nada, absolutamente nada me dá mais pânico que a perda de um filho. a dor de se perder uma parte de si. não gosto nem de aventar tal hipótese. quem sofreu um pouco de bulling na escola, e eu sofri numa época em que isso nem estava na moda, sabe bem como é a busca de poder, o fracionamento das turmas, a arte de se dar bem em cima de um colega pra mostrar força para os outros. esse é um tema que me é muito caro. leio muito a respeito disso, mas confesso não saber se tenho coragem de me aventurar por uma trama em que há a perda de um filho. sei bem separar a realidade da fantasia, mas a empatia poderia me colocar pra baixo. livro em stand by, por enquanto, por falta de coragem. belíssima resenha, como sempre!

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  9. Manu, minha querida amiga.
    Suas resenhas, cada vez mais intensas enchem meu coração. Mais uma vez, revivi aqui tudo que Kate me apresentou, senti de novo suas dores, suas dúvidas, e sua culpa.
    Eu me identifiquei bastante com ela e com seus sentimentos, mesmo ainda não tendo filho adolescente, estou, por hora, livre de alguns sofrimentos, porém, a maternidade solitária, o dever de trabalhar para sustentá-lo, a culpa por desejar sucesso profissional e ainda mais por este ser incrivelmente responsável por tirar alguns minutos que seriam cruciais para mãe e filha me tocaram por demais.
    Como saber quando é nosso último beijo, nosso último olhar nos olhos... o melhor é nunca saber e respondendo sua pergunta, sem qualquer intenção em saber de verdade, acho que uma mãe sem um filho, arrancado precocemente de nosso colo é simplesmente um NADA!
    O livro nos traz diversos temas a serem refletidos: sexualidade, bullying, diálogo entre pais e filhos, limites da privacidade adolescente, crueldade, acidente... tanta coisa paralela que garantiu que alguns detalhes ficassem para trás!
    Foi uma leitura gratificante, apesar dos pesares.
    Amei a resenha, as palavras e a junção delas! Tocante! doloroso!

    Beijos
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  10. oeee manuh!

    eu tinha uma leve noção de como era esse livro, e já tinha a vontade de ler, mas agora, com a sua resenha fiquei mais interessada.
    por ser um livro de drama e policial, são gêneros que me chamam atenção (não sou a maior fã desses gêneros, mas quando leio fico extasiada).
    e assim que eu tiver a oportunidade de ler Reconstruindo Amelia, vou falar com você... caso eu tenha as mesmas perguntas sem respostas que você teve HUAEHUAEHAUE

    besos
    ~nathália n.
    www.livroterapias.com

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  11. Gente, que resenha ^^
    Gostei bastante da premissa do livro e sua resenha despertou a minha vontade de lê-lo. Quem sabe ele já vá pra minha lista de próximas aquisições.

    http://blogvagandoedivagando.blogspot.com

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  12. olha Manu estamos em transmissão de pensamento, como dizem meus pequenos!
    tava pensando em você e nas suas resenhas hoje mesmo e você voltou com uma resenha de um livro que muito me intriga! não gosto de livros com essa pegada no suspense, é fato! mas a carga dramática desse muito tem me envolvido! Kate parece uma mulher que mesmo com a dor não se deixou abalar e quer descobrir os segredos que estão à sua volta!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  13. Excelente resenha, Manuh!!!!
    Quando li a sinopse, imaginei que ele tinha uma pegada maior de suspense, mas, de acordo com sua resenha, o drama se faz mais presente. Você sabe que não é meu forte, mas eu achei tão interessante, que o leria assim que chegasse em casa. É inegável que essa história toque mais as mães do que nós, que somos apenas filhos, mas, mesmo assim, a mensagem passada chega bem clara pra qualquer um.

    @_Dom_Dom

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  14. Manu, essa resenha me marcou muito. A história do livro é bastante envolvente. Fico imaginando como é para uma mãe, um pai, enfim, ver o seu filho morrer. Kate parece uma mulher de fibra, de garra, que não se abala pelas coisas ruins que já passou.
    O livro é uma grande lição, quero muito ler.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

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  15. Oiee
    Que história intensa,e não deve ser nada fácil para Kate descobrir esse mundo horrível que Amelia vivia e que ela nem se deu conta antes.Esses "E Se" são um grande dilema,pois poderíamos ter feito várias coisas para impedir tais situações,mas Kate não tinha noção disso,porém o que está feito está feito.E essa "amiga" da Amelia,que de amiga não tem nada merecia uns pelos tapas na cara.Quero muito ler o livro.
    beijos

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  16. Nossa, depois dessa resenha não sei se quero ler o livro ou não, com certeza é um livro profundo e para ser sincera, não sei se estou preparada para mergulhar nesse mundo de dor.
    Beijocas ^^

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  17. Ainda não sou mãe, mas sei que é uma responsabilidade sem tamanho. Não apenas por ter que cuidar de outra pessoa, mas pelo amor, pelo afeto, e tudo isso que o sentimento acarreta. Adorei a reflexão inicial da resenha, acho que a maioria nunca tinha parado pra prestar a atenção nisso (que se dão nomes para tudo, perda de marido/mulher, perda de pais, mas o de mãe realmente não. E sei que nunca vai ter. Agora sobre o enredo do livro, me deixou bem instigante... parece ser daqueles livros bem intensos, mas que não nos deixa soltá-lo em nenhum momento.
    Espero muito ter oportunidade de ler esse livro, acabou de entrar nos meus desejados após essa resenha. :)

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  18. Ai Manu eu sou louca pra ler esse livro desde a primeira vez que o vi. Realmente, devia ter uma designação pra mãe que perde o filho. Deve ser muito triste. Não tenho filhos ainda mas sei que minha mãe ia se ver perdida sem mim. Parece ser uma história muito boa, gostaria muito de ter esse livro. beijão

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  19. Oie...
    Também sou louca para ler esse livro desde a primeira vez que o vi.
    O título é muito instigante e a capa maravilhosa.
    Parece ser uma história muito envolvente e cativante! Com a resenha, fiquei com mais vontade de ler o livro.

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  20. Que resenha ótima, Manu. Você sabe mesmo nos convencer a ler um livro. Fiquei super curiosa para saber o final. O que realmente aconteceu naquele telhado??? Dá bem para perceber que a tensão e o suspense permeiam esse livro, afinal é uma busca por respostas. Mas ao mesmo tempo é o desespero de uma mãe que acaba de perder sua filha e nem sabe o porquê disso ter acontecido. Vou adicionar esse na minha lista de leituras.

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  21. Sempre arrasando nas resenhas, Manu!
    Eu fiquei comovida pela perda e a busca desta mãe em saber o porquê da morte da filha.
    Espero que no desenrolar ela se livre da culpa e encontre consolo e respostas.
    Achei o tema muito atual, conheço casos parecidos (talvez iguais, vai depender do que vou descobrir com a leitura) e é muito triste mesmo!
    Já add o livro na minha lista de desejados e sei que vou curtir.
    Não sou mãe, mas sei que valerá a pena!

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  22. Oi Manuuuuh!
    estou louca para ler esse livro, mesmo não sendo mãe, pois acho que deve mexer com a cabeça dos filhos também! Que muita gente não percebe o impacto das suas atitudes, palavras e ausencias em seus pais.... e como tudo isso pode refletir neles!
    acho que o sofrimento e a determinação por descobrir o que causou a morte da filha devem ser algo, imensuravel! não consigo expor o que deve ser sentir isso! espero que a autora seja melhor nas palavras do que eu!
    Aposto que ao ler, você correr dar um beijão nos pimpolhos... acho que seria algo que minha mãe faria! haha

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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  23. Não conseguia me desgrudar do livro e sofri junto com a mãe. É meio difícil não se identificar com ela já que sou mãe, e pelo visto com você foi meio assim. Um livro muito bom com certeza e que mexe com nossas emoções.
    Bjs Rose

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  24. Acho que você tem razão, Manu! A história está mais para drama do que um simples romance policial e meu coração já ficou apertado só de pensar na aflição dessa mãe que perdeu a filha. Já ouvi dizer que quando nasce uma mãe, nasce uma culpa e às vezes eu concordo porque queremos ter o controle de tudo e quando algo foge desse controle, lá vem a culpa. Não seria um livro que eu leria nesse momento porque tenho certeza que ele ficaria entranhado em mim e seria difícil de esquecer, mas deve ser uma história bem forte.

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