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21.10.14

Infância Interrompida [Cathy Glass]

Ed. Fundamento, 2014 - 288 páginas:
      Uma história profundamente comovente de como o grande amor de uma mulher revelou os segredos mais obscuros e doloridos de uma pequena menina. E mudou a vida delas para sempre! Jodie tem apenas 8 anos. Colocada para adoção, violenta e extremamente agressiva, passou por cinco famílias em quatro meses. Como última esperança antes que a menina seja levada para uma instituição, Cathy vai recebê-la em sua casa. No início as coisas vão mal, muito mal mesmo. Mas, apesar das imensas dificuldades para lidar com Jodie, Cathy não desiste e usa todo o seu amor, paciência e experiência para ajudar Jodie. E, quanto mais a pequena confia em Cathy, mais esta descobre fatos medonhos sobre o triste passado da criança. Os pais – que deveriam ter cuidado com muito amor da frágil Jodie – são as mesmas pessoas que interromperam sua infância, que acabaram com sua vida. O futuro de Jodie é nebuloso, mas Cathy irá ficar ao lado dela. Até quando puder. 

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Receita para se fazer um monstro

Deixo claro aqui que eu sabia, desde o início, com o que iria me deparar quando iniciei a leitura deste livro, portanto não embarquei desavisado. Mesmo assim fiquei chocado, muito chocado. Pensei comigo – “isso é um relato, aconteceu”! Então passei a lê-lo como se fosse uma ficção, não funcionou. Eu ficava imaginando as cenas, cada detalhe sórdido delas. Este livro é, definitivamente, para maiores de 18 anos e que estejam preparados porque é chocante na acepção mais cruel da palavra. Ficamos carregando uma carga negativa que custa a passar durante a leitura, mexe com nossa energia.

Infância interrompida (Fundamento, 288 páginas) de Cathy Glass (pseudônimo que a protege) conta a triste história de Jodie, uma menininha problemática de 8 anos, entregue a Cathy, que talvez seja sua última e única chance em sua vida sofrida, pois ela já havia passado por 5 famílias em 4 meses e ninguém conseguia controlar sua violência e agressividade.

Imediatamente liguei este livro ao caso, amplamente divulgado na mídia, do padrasto de Araçatuba, felizmente atrás das grades, que torturava uma criança, forçando-a a comer cebola, impedindo-a de dormir, entre outras barbaridades, todas gravadas em vídeo (podem procurar, está na net). Quando resgatada apresentava queimaduras na genitália e no chão do quarto onde ela dormia, restos de cola instantânea levaram os investigadores a crerem que ele tentava grudá-la ao chão.

O que será desta criança? Como sua mente irá trabalhar o inferno pelo qual passou? Não sou psicólogo, mas andei pesquisando. Resumidamente maus-tratos como este e o que Jodie suportou acarretam: pouco respeito pelo corpo; problemas com o sono (porque vivem com o mecanismo de defesa sempre ligado, além do mais confundem pesadelo com realidade); perda de sensibilidade, empatia e vínculos; mistura de presente, passado e futuro (como se o horror que viveram continuasse se repetindo, vivendo emocionalmente no passado).

Bom, essa é apenas a ponta do iceberg. No original o nome do livro é “Damaged”, numa tradução livre quer dizer “Estragada”. Então o que fazer? Cathy tem uma receitinha para todas as crianças que acolhe:

“... proporciono estabilidade e um ambiente positivo em que o bom comportamento é recompensado com elogios. As crianças, em geral, desejam aprovação e querem ser amadas; a maioria consegue desaprender os padrões negativos de comportamento e aceita um comportamento diferente quando percebe quanto a vida fica melhor com essa nova ordem... está atrelado a ser elogiado, aprovado e recompensado.”

Assim que Jodie chega é apresentada à família e levada ao seu quarto novo. Logo Cathy percebe que Jodie não responderá da mesma forma que as outras crianças:

“... Deixei que olhasse tudo. Eu não estava preocupada com a curiosidade, que era natural, o que mais me incomodava era a fúria que havia em todos os seus movimentos. Eu nunca tinha visto uma fúria tão pronunciada.”

Dessa vez seria diferente, depois de 20 anos de experiência, Cathy está em parafuso, amedrontada e refém de uma situação inusitada:

“... Havia algo no vazio dos olhos de Jodie que era de arrepiar. Eu nunca tinha visto aquilo antes, nem em uma criança nem em um adulto. .. Ela sorriu e, antes que eu me desse conta do que fazia, a mão dela estava enfiada nas calças e depois passava as fezes pelo rosto.”

O filho de Cathy, Adrian, resume bem qual sua primeira impressão sobre a criança:

“― Ela me lembra o boneco Chucky daquele filme de horror. Você sabe qual, aquele que é possuído pelo demônio. ― Adrian! — adverti, mas senti um arrepio gelado de reconhecimento.”

Cai a ficha e Cathy se depara com a enorme responsabilidade que tem pela frente:

“... Parte dos problemas dela certamente vinha do fato de que as pessoas falhavam no primeiro obstáculo que surgia ao lidarem com ela, passando-a adiante para outros. Eu não poderia fazer isso com ela de novo.”

Seu sexto sentido teria que ajudá-la, pois inúmeras vezes ela acordaria assustada, pronta a saltar da cama e sair correndo ao quarto de Jodie:

“Talvez eu estivesse preocupada pela imagem do boneco possuído... Virei e olhei o relógio: quase 2h25 da madrugada... abri a porta do quarto. De repente, fiquei sem fôlego com o choque. Jodie estava do lado de fora da porta, o rosto coberto de sangue... Num estado como que de transe, ela ergueu lentamente as mãos e mostrou as palmas. Estavam lambuzadas de sangue... Ela havia cortado o antebraço esquerdo, um corte com uns dois dedos de comprimento, que pingava um pouco de sangue... Ela não estava sequer perturbada, o que deixava tudo ainda mais preocupante. Exatamente como antes, quando passara o cocô no rosto, ela mantinha aquele distanciamento e aquela calma fria que eram tão estranhos para uma criança tão nova. Era como se ela não sentisse dor...”

Estes são recortes de suas atitudes, não quero contar aqui o que levou Jodie a se transformar em alguém tão perturbado. É de embrulhar o estômago, senti um asco profundo, difícil de explicar.

Por outro lado minha simpatia por Cathy aumentava a cada página. Notamos o quanto é difícil e muitas vezes frustrante o trabalho de uma acolhedora. Ela deveria ter a ajuda de uma assistente social, mas a mesma já estava anestesiada por anos nessa vida de problemas e não se solidarizava com a causa. Sei bem o que é isso, porque minha mãe trabalhou a vida toda em hospitais e poderia chegar qualquer caso que ela tratava da mesma forma, já não sentia mais nada, ainda mais trabalhando em São Paulo, onde a todo momento chegavam baleados no hospital. Não a culpo por isso, é preciso abstrair senão enlouquece.

Quanto ao livro, é preciso respirar fundo a cada capítulo e se indignar com tudo, assim como Cathy o fez:

“... Como é possível não terem percebido todos aqueles sinais – e por tanto tempo? Talvez tenham se concentrado nos indícios físicos de maus-tratos, socos, queimaduras, ossos quebrados, em vez de em algum mal perverso bem mais profundo.”

Sim, amigos, o mal existe e ele pode estar logo ali, pode ser o vizinho que entrega uma bala, pode ser o professor que elogia e, pior, pode ser o pai completamente desequilibrado e uma mãe conivente. Preparem-se para ingressar num pesadelo real!

Cortesia da Editora Fundamento

Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

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comentários pelo facebook:

58 comentários em "Infância Interrompida [Cathy Glass]"

  1. Meu Deus, sinceramente eu não sei se conseguiria ler esse livro.
    Me parece ser muito forte e, como inclui crianças, tenho certeza de que iria chorar, e muito. Você citou o caso do padrasto de Araçatuba, e eu não consegui ver todo o vídeo porque é muito chocante, fiquei me perguntando como alguém pode fazer tanta maldade com uma criança indefesa, e acabei trocando de canal todas as vezes que essa reportagem aparecia.
    Eu gostaria muito de ler esse livro mas acho que não vou conseguir.

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  2. Confesso que depois da tua resenha eu fiquei completamente receosa de ler o livro. Sou bastante sensível quando o assunto é crianças, e não consigo lidar com tanto absurdo junto, principalmente por não conseguir compreender. Acho que tu conseguiu passar muito bem teu sentimento horrível na resenha, e ainda bem que ela não tem mais detalhes. Não sei se leria, por medo de me impressionar demais, e acho definitivamente infeliz, para não dizer coisas piores, que tenhamos que conviver com histórias como essa em pleno século XXI, ainda.

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  3. Rodolfo!
    Primeiro quero parabenizá-lo por mais um blog ter sua presença como resenhista.
    E imagino o choque que é ler um livro desse tipo, o qual sabemos que vem com carga real inimaginável.
    Como psicóloga gostaria demais de ter a oportunidade de ler tudo que levou a construir uma personalidade malévola em Jodie e acompanhar o 'amor' de Cathy ao entrar de cabeça na situação.
    O mundo é cruel, infelizmente e vez por outro casos como esse estão em evidência pertinho de nós.
    Desejo uma semana carregadinha de luz e paz!!!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  4. Sinceramente, eu não tenho estômago para uma atrocidade dessas. Sei que isso existe e que é mais comum do que se imagina, mas não gostaria de trazer um pesadelo desses para o meu tempo livre.
    O que vou levar de positivo dessa história (pelo que li da resenha, pelo menos) é que apesar de toda a maldade que há nas pessoas, há também aquelas com bom coração, com vontade de ajudar, de se doar. De certa forma, isso é reconfortante.
    Parabéns pelo texto.
    bjs

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  5. cara Iêda, é um livro chocante sim e que mexe com a gente. talvez seja preciso um certo preparo antes de iniciar a leitura. por outro lado é sempre conhecermos um pouco mais do que há a nossa volta. obrigado!

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  6. cara Patrini, também fui com muito receio ao livro, mexeu comigo e eu bem sabia que assim seria. por isso é preciso estar preparado pra enfrentar um livro dessa natureza. obrigado!

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  7. cara Rudynha, que bom você por aqui... Gi do "Ler para Divertir" me é uma amiga muito especial, por isso adoro postar por aqui também! este é um livro que nosso amigo Fabio provavelmente não leria, pois ele diria que carrega uma força negativa, por outro lado, como bom psicóloga que você é, sei que devoraria o livro, tentaria entender o que leva as pessoas a serem como são. e principalmente, de que forma você poderia ajudar a criança. conviver com a indiferença é pior que com a maldade. bjos querida e obrigado sempre!

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  8. cara Ana Paula Barreto, também pensei dessa forma no primeiro impulso, porém me deparar com uma família que distribui amor sem querer nada em troca trouxe minha fé de volta. por isso não me arrependo de tê-lo lido. obrigado pelo comentário e volte sempre!

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  9. Rodolfo, realmente parece ser um livro triste e chocante! Não sei se conseguiria lê-lo pois essas coisas me entristecem muito. É tão bom ter crianças por perto, essas criaturinhas lindas e indefesas e saber que pessoas conseguem fazer tamanha crueldade com elas me enoja. Ótima resenha e parabéns por ter conseguido ler o livro..rs nao sei se teria a mesma coragem apesar de ser curiosa e mesmo com medo to querendo saber da historia toda...rs Um grande abraço!

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  10. querida Karina, enfrentar livros assim não é tarefa fácil, mas quando me deparo com tantas injustiças pelo noticiário da TV, penso ser minha obrigação saber um pouco mais pra poder lidar com tudo isso dentro de mim mesmo. bjos e obrigado pelo comentário!!!

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  11. Eu com certeza não iria ler, você foi um guerreiro chegando até o final da história e ainda por cima relatando em uma resenha um assunto tão delicado!
    Parabéns ... rs

    Ass: Bia Magalhães

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  12. Eu tinha visto algo sobre esse livro, superficialmente. Mas não esperava algo tão forte, chocante como descrito por você nessa resenha. Eu fiquei embasbacada mesmo! Eu lembro desse caso que você citou e isso me deixou revoltada. Então imagino que na leitura é que irei sentir algo similar. Junto com toda a aflição que senti só ao ler a resenha.
    Quero muito ler esse livro, apesar de saber que irei fazê-lo em um momento propício. Não é um livro pra der devorado. Mas pra ser lido aos poucos né?!
    Abçs

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  13. sim querida Bia, realmente é um livro com uma carga negativa altíssima, mas basta assistirmos a um jornal da tv e pronto, estão lá todas as agruras num só horário. deprimente.

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  14. Certamente um livro que eu não conseguiria ler, é muito forte pra mim, você foi muito corajoso!

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  15. Nossa parece ser muito intenso a escrita, o tema é bem triste e dramático. Senti uma profunda tristeza e dor ao ler, realmente há várias crianças no mundo que são tratadas assim, e causam um profundo medo nas pessoas, os adultos conseguem tirar a inocência e ingerem a maldade na vida das crianças. A parte boa é que a mulher mesmo sabendo das coisas, e o que a garota passou e como é, ela mesmo assim decide cuidar da garota.
    Gostei da resenha e me deu uma grande breve noção do enredo. Praticamente esta foi uma das resenhas que mais me conquistou e mais me deixou abismada e aterrorizada.
    Quero comprar o livro, estou ansiosa para ler.
    Beijos Rodolfo, ThaynáQ.

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  16. que pena Wanessa, mas respeito sua decisão, é um livro indigesto.

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  17. cara Thayna fico exultante quando leio comentários como o seu. sei que fazemos uma resenha pra colocarmos pra fora o que temos dentro da gente, mas o melhor e perceber que somos lidos, que podemos travar um diálogo franco sobre o que mais nos tocou. então obrigado pelas palavras, fiquei emocionado.
    leia sim, mesmo que fique carregada de uma coisa negativa que embrulha o estômago, porque sempre haverá pessoas que não se deixarão abater e lutarão para que haja justiça em casos como o de Jodie. bjos pra ti!

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  18. Oiee
    Deve ser uma leitura bem pesada só de ler sua resenha já posso imaginar o quanto o livro vai mexer comigo,e o pior de tudo é ver que situações semelhantes acontecem ao nosso redor e muitas vezes não nos damos conta.Gostei da atitude da Cathy de não disistir da garota e até tentar ajudá-la.Como não me dou bem com toda essa carga emocional não sei se leria.
    beijos

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  19. Oi Rodolfo, fico imaginando o que você passou ao longo da leitura, pois fico do mesmo jeito com livros deste tipo. Não tem como não imaginar os fatos acontecendo. Mas é um livro que me interessa.
    Bjs, Rose.

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  20. O livro me chamou atenção por ser fato real. Adoro livros com histórias reais, que nos fazem pensar no que acontece a nossa volta, que nos tiram da nossa zona de conforto. Mas confesso que após ler tua resenha e ver o quanto densa e chocante é a história não sei se conseguiria ler. Fiquei bastante impressionada com tudo que foi narrado e assustada com o que mais posso encontrar ao ler o livro.

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  21. Geralmente gosto de livros "chocantes" mas definitivamente não tenho estômago pra ler Infância Interrompida :/ A sinopse já me deixou indignada com a covardia e falta de amor de alguns seres humanos, imagina lendo o livro...
    Adorei a resenha, mas passo.
    Beijo

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  22. cara Letícia, é preciso sim um preparo legal pra receber tamanha carga negativa. por outro lado devemos nos tornar atentos e uma das formas é através dos livros, de pessoas que passaram por este drama.

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  23. querida Rose, passei maus bocados sim, mas algo me redimiu no final, penso que as boas ações sempre trazem bons frutos e bons fluidos. então corra pra ler também.

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  24. cara Amália, o livro é no mínimo "punk", nem digo que me tirou da zona de conforto, foi mais radical, ele me tirou do prumo. por ser real que realmente quis lê-lo, mesmo sabendo o que viria pela frente. então não se sinta intimidada, enfrente o livro também.

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  25. obrigado Gabrielly, às vezes ainda não seja o momento oportuno para que leia, mas não descarte, um dia o bichinho do desejo pode picá-la. :D

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  26. querida Kamilla, você disse tudo, é preciso esperar o momento certo, não é pra ser devorado, é pra se refletir muito, buscar saídas, indignar-se. não podemos deixar que tudo isso continue acontecendo, nada de cruzar os braços, precisamos agir!

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  27. Uau Rodolfo!!
    Parece que temos uma leitura imperdível aqui hein!!
    Já tinha visto o livro e já tinha achado interessante mas agora quero pra ontem.
    Sabe o que sua resenha me fez lembrar?...
    O Serial Killers..foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
    Como você falou:um tapa na cara da sociedade!
    Triste saber que o que é descrito no livro é uma realidade na vida de muitas crianças né.
    Adorei a resenha!!Vou ler o livro com certeza!!
    Grande abraço amigo!

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  28. Rodolfo, meu corajoso amigo: que história é essa? Jesus, sofri ao ler sua resenha, de alguma forma me senti na pele de Cathy, esta mulher destemida, solidária e incrivelmente forte.
    Sou maternal demais, sensível demais, do tipo que muda o canal quan o assunto é violência contra crianças. Tanto que nem sabia desses detalhes sórdidos desse padrasto que vc citou e até pulei suas frases a respeito do caso, porque a crueldade veiculada todos os dias na tv me faz um tremendo mal.
    Nem posso imaginar as dificuldades que essas duas passaram, a julgar pelo apelido de Chuck que a criança recebeu...
    Desse elenco de sequelas que vc abordou, doeu ler sobre o "pouco respeito pelo corpo". Quantas possíveis violência auto-infringidas podemos ter a partir daqui? Quanto desamor é aprendido por uma criança nessa condição? Que adulto, meu Deus, sairá dessa experiência? Certamente sobrevivente, mas há alguma possibilidade de normalidade?
    O que salva é o amor. Talvez pudesse ler o livro - aos trancos e prantos - só por saber que a criança será acolhida. Pra alimentar a esperança de que outras serão salvas. Mas confesso que seria um exercício doloroso e cruel demais para mim.
    Sua resenha está impecável e comovente.

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  29. caro João, realmente o tapa na cara doi e faz a gente repensar atitudes e a própria vida. o que fazemos para ajudar estas pessoas vítimas de pais inconsequentes, ou melhor, loucos de pedra? não fazemos nada, ficamos no conforto de nossas casas, levando nossa vidinha mais ou menos. é preciso indignar-se, agir, há a necessidade de mais proatividade, senão corremos o risco de termos um monstro qualquer batendo em nossa porta.
    sei que assim como eu, suas leituras pautam também pelas mazelas do serial killer, mas há pessoas tão ou mais alucinadas que eles e o pior é que podem ser nossos vizinhos ou familiares. obrigado pelo comentário amigão!

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  30. querida Manuh, adorei você dizendo "aos trancos e prantos", foi bem assim mesmo. tentei lê-lo como se não fosse real, mas não dava. e eu ia lá, lia devagarinho, parava, tentava fazer outra coisa, me desvencilhar das atrocidades, mas elas vinham à memória me atormentando. a autopunição é algo inerente à esse tipo de psicopatia, chocante, mas com o profissional adequado acaba por cessar com o tempo. o problema é que até que haja punição aos infratores (digo, bandidos dementes) a criança já irá apresentar sequelas incuráveis.
    enfim, é um livro que me faz pensar como pai, como cidadão... o "Amor", este com "A" maiúsculo é algo que precisamos exercitar. amar um familiar é fácil, difícil é amar aquilo que nos causa asco, medo, vergonha. temos a mania de varrer pra debaixo do tapete algo que está fora de nossa esfera, sem saber que isso acontece ao nosso lado e pode bater à nossa porta.
    obrigado querida por ter vindo aqui expor seus sentimentos sempre sensatos.

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  31. Nossa Rodolfo,
    Que livro forte! Eu não sei se teria condições de prosseguir. Já li livros cruéis, mas acho que agora que sou mãe, a coisa ficou mais intensa e frágil! Não existe condições de não colocar nossas crianças na pele de Jodi!
    Eu não consigo compreender como podem existir pessoas tão más, tão frias, tão sórdidas! Percebo a todo instante como nossas atitudes influenciam no comportamento das crianças e em como o comportamento de nossos pais influenciaram nos adultos que somos hoje e isso me deixa muito e muito mais revoltada, porque se uma simples atitude acarreta danos psicológicos intensos, que dirá crueldades físicas e terrorismos psicológicos!
    Acredito que tenha sido um parto ler essas atrocidades aos poucos, mas de uma vez o nó seria tão grande que você não iria engolir! Corajoso! Bravo!
    Acho que algumas realidades nos assustam e por isso muitas vezes evitamos, elas nos tiram da nossa zona de conforto do mundo cor de rosa e nos dão um tapa na cara mesmo! um choque de realidade, nua crua e cruel!
    Ufa!
    Parabéns pela resenha! Adorei e consegui através dos quotes visualizar bem o que você quis dizer e o que sentiu!
    Um super beijo e adoro suas resenhas, sempre livros tocantes, inteligentes ou até mesmo necessariamente desconfortáveis!
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  32. querida Chrysthie, há pessoas que aguardo com ansiedade pra prosear, você é uma delas. e por quê? provavelmente pela similaridade de pensamentos, pela característica inquietante de não se deixar alienar, de maneira de se indignar e partir para a ação. vejo tudo isso em você e em alguns amigos e amigas.
    tive problemas com o livro sim, ou melhor, com a leitura dele, porque como pais (você mesma lembrou bem disso), costumamos colocar nossos filhos neste mundo cão. o que mas me deixava incomodado é ficar pensando em minhas reações se acontecesse com um filho meu, penosamente eu só pensava em vingança e das mais crueis possíveis.
    então é preciso um preparo legal pra ler o livro e sinceramente não me arrependi em momento algum. obrigado querida por suas palavras... um beijão pra ti.

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  33. Elas são indefesas, fico pensando na Cathy, em como ela conseguiu lidar com esses fatos tão monstruosos, só pessoas com grande capacidade de amar conseguiriam , e a grande vontade que me deu de ler o livro foi seu relato nu e cru, sem máscaras , sem adjetos, acho que prepara quem quer ler , e ele entra com certeza na minha lista de desejados, gosto de livros fortes , reais , que me façam questionar o ser humano.
    Parabéns pela resenha
    Sara
    Blog Todas as Coisas

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    1. Bah comeu metade do meu comentário.

      Eu ja li um livro parecido , chama Viva para Contar te passo o link se vc quiser.
      Porém sua resenha vai além, é muito específica, eu não consigo prever um desfecho e muito menos acontecimentos e pensar até onde podemos ir , sou mãe e não da pra imaginar como pais , podem maltratar seus filhos.

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  34. nossa Sara, imensamente feliz de tê-la por aqui querida. realmente o relato é chocante e sem anestesia. revolta, embrutece e nos faz refletir sobre ações que muitas vezes temos e não paramos pra pensar nas consequências. a resposta está no "Amor"... e você bem sabe como mãe, que há amores e Amores. obrigado querida pelo comentário e pela indicação... já está anotado!

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  35. Rodolfo, sou extremamente covarde para encarar histórias com essa temática, simplesmente não consigo! Tenho uma filha de seis anos e tento me manter sempre atenta porque como você colocou muito bem, o perigo pode morar ao lado ou bem mais próximo do que gostaríamos. Sim, tenho consciência de que os monstros existem e estão soltos por aí, mas na literatura, não consigo encarar esse enredo e parabenizo você por ter encarado esse livro e ainda escrever uma resenha tão pertinente.

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  36. que Vanilda, não a recrimino, eu mesmo muitas vezes me perguntei: por que estou encarando essa pedreira? mas tinha a resposta dentro de mim: porque temos que nos solidarizar por bem ou por mal com estas crianças que vivem no meio de pais criminosos e impunes.
    obrigado querida por seu comentário, sempre espero por ele :D

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  37. Ah Rodolfo não conseguiria ler este relato... não dá, não tenho estrutura para isso, ainda mais agora.
    Se antes eu já era cismada com as coisas, imagina agora que tenho a minha filhota... nem gosto de pensar...
    Bj

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  38. realmente querida Gladys, agora não haveria como, é chocante demais, quem sabe quando sua princesinha Helena estiver mais crescidinha e você com o coração mais calmo e apaziguado. obrigado pelo coment :D

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  39. Esse livro está nos meus desejado do Skoob mas não imaginava que ele fosse tão forte assim! Mas acho que diferente das pessoas acima, eu tenho sim vontade de ler o livro ainda. Não sei se o final do livro é bonito, se há uma melhora, mas acho que podemos ver além do lado negativo, podemos ver como ainda existem pessoas boas nesse mundo dispostas a ajudar - no caso, a Cathy. Creio também que o livro mostra nada mais do que o que o ser humano pode ser, das atrocidades que ele pode fazer. É triste, é lamentável, é asqueroso mas é real. Espero que o livro fique como um alerta para as pessoas.

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  40. cara Nathalia, que coisa deliciosa, alguém que irá ler, já estava me sentindo meio solitário nesta empreitada. seu raciocínio procede, devemos nos ater às pessoas que tratam tudo com "Amor", assim, dessa forma maiúscula, porque eles são a salvação. como bem disse thomas hobbes - "o homem é o lobo do homem", infelizmente. obrigado querida pelas palavras.

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  41. Nossa, Rodolfo, que história. Só de ler a resenha já me sinto abalada.
    Pior que o pouco que fiquei sabendo pela sua resenha já me faz ficar imaginando o que fizeram com essa menina, será que Cathy conseguirá salvá-la e já estou temendo pelo pior.
    Sem mais palavras...

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  42. nuuuussa Edna, minha língua fica coçando pra prosear a respeito, mas não posso fazer isso contigo. só posso dizer que o livro é um murro na boca do estômago. coragem menina... leia também e volte pra comentarmos a respeito. bjos

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  43. Rodolfo, sua resenha é no mínimo bem intensa. Acho que você conseguiu passar bem a essência do livro e por isso mesmo estou com receio de lê-lo. Requer um certo preparo e um pouco de sangue frio, se assim posso dizer, para conseguir ler cada página. Ainda mais sabendo que é baseado em uma história real. É muito triste perceber que existem pessoas tão más. Nem consigo imaginar como alguém pode maltratar seu próprio filho.

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  44. na realidade cara Luana, é a própria história real, um pouco mais do mundo cão em que vivemos. não digo que o livro não me provocou engulhos em determinados trechos, mas ainda assim, perceber que o "Amor" é a arma pra vencer o mal, pode nos redimir. obrigado pelo comentário!

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  45. Que história impactante. Histórias assim nos fazem pensar nas coisas horríveis que há no mundo. E para as crianças, que são indefesas, ainda é pior. Fiquei bastante curiosa pra saber mais sobre essa terrível historia e o que vai acontecer com a menina.

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  46. é cara Ingrid... a realidade pode ser bem mais violenta que a ficção. é sempre assim! quando a gente pensa que nada mais pode acontecer que não saibamos, daí acontecem barbaridades que nos deixam sem saber o que falar ou o que fazer. então leia querida, leia sim, você irá se surpreender com o "mal" e se enternecer com o "amor".

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  47. Rodolfo! Admiro sua coragem ao ler esse livro, mas confesso que não tenho estômago para isso. Há uns messes atrás, assisti um vídeo que estava sendo compartilhado no Facebook de um aparente "professor" (que estava mais para capeta), em que ele batia em todas as crianças que estavam na sala de aula. Fiquei muito mal durante dias. Ainda bem que aquela nojento foi preso. Por isso, sei que não teria condições psicológicas em ler um livro como esse.

    @_Dom_Dom

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  48. Eu fiquei curiosa pra ler o livro, a história me lembrou um documentário antigo bem famoso: A Ira de um Anjo (Child of Rage). Eu vi essa história da menininha, um absurdo. Acho que se fosse com a minha filha eu matava. O triste é saber que várias crianças enfrentam esses absurdos diariamente. Acho que o livro deve ser bom pra fazer os leitores refletirem sobre o assunto e lutarem contra.
    Só de imaginar, eu fiquei meio que chocada :'( Essas coisas me revoltam.
    Ótima resenha, beijos, ♫ Conversas de Alcova ♫

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  49. Depois que li a resenha fiquei com medo.rs
    No momento que estou não acho aconselhável ler esse tipo de livro, pois não me faria bem. Mas talvez leia mais para frente.

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  50. Eu não daria conta de ler um livro como esse... Com a sinopse eu me interessei bastante, mas ela não passa 1/3 das coisas terríveis que essa história tem para contar... O que me assusta mais ainda é o fato de ser uma história real... Como a crueldade de fazer alguma coisa chega a esse ponto de levar uma criança a agir dessa forma... É preciso ter muito estômago para fazer isso e também para ler todos os relatos... Fiquei chocada apenas por ler a resenha... Parece mostrar uma verdadeira lição de vida, e até onde chega a maldade humana, mas eu não dou conta de ler algo assim...
    Kisses =*

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  51. Parabéns pela resenha Rodolfo, e não só porque vc escreve muito bem, como também por conseguir transmitir o que vc sentiu, pois fiquei chocada ao ler seu relato!
    Sei do fundo do meu coração que não estou minimamente preparada para ler esse livro! Sou estagiária da promotoria criminal da minha cidade e vejo muita coisa bárbara e sei o quanto as pessoas podem ser frias e cuéis, mas não é isso que me impede de ler esse livro e sim o fato de vivenciar essa história que com certeza iria me desestabilizar! Boa leitura aos preparados!

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  52. Nossa.... o livro parece intenso demais...
    Toda a temática é interessante de se debater e acho o assunto bem delicado.
    Não sei se o leria agora, pois estou querendo leituras mais leves e divertidas... mas tenho interesse sim em ler futuramente. Uma leitura chocante como essa tem de ser lida em um momento adequado, se não eu posso até largar nas primeiras páginas.

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  53. Definitivamente esse livro não é para mim. Acho importante ele existir para nos alertar ainda mais sobre o assunto forte, mas não conseguiria lê-lo.

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  54. Olá, cheguei até aqui pq a minha psicóloga me indicou esse livro.
    Sou uma adulta q sofreu abuso sexual pelo avô e hoje aos 34 anos pela primeira vez estou tentando reconstruir minha vida e restaurar o q me foi tirado.
    Vindo aqui fiquei com mais vontade de lê-lo pois no fundo até me conforta saber q eu fui a única a passar por isso. Talvez um dia vc leia o meu livro!
    Obrigada por dividir seu ponto de vista
    F.

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  55. depois de quase dois anos do lançamento desta resenha, deparar-me com um testemunho deste, faz com que valha à pena expormos tudo aquilo que nos causa asco ou estranheza, mesmo que nos deixe cabisbaixos e temerosos, porque esta exposição pode ser alívio e compreensão para outra vida.
    queria neste momento poder abraçar F., confortá-la de alguma maneira. espero um dia poder ler seu livro e se possível conversarmos sobre o medo, sobre superação e o grande desafio que é viver.
    Gi e o Blog Ler para Divertir têm grande parcela nisso. obrigado!

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  56. Olá, Rodolfo. Puxa, esta resenha me deixou inquieta, angustiada. Uma miscelânea de sensações me invadiram... Escárnio, medo, estranheza, difícil sintetizar tudo em uma única palavra. Como é contraditório quando nos deparamos com estas situações em que o que deveria ser protegido, cuidado, amado é negligenciado e devastado em todas suas instâncias: física e psicológica. O impulso é de acalentar Jodie, de se aproximar... A dureza da narrativa do livro entremeada pela suas impressões me conquistou. Parabéns, suas resenhas sempre me remetem ao trabalho dos tecelões. Quero muito ler o livro! Um abraço.

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  57. querida Fernanda, esta não foi uma resenha fácil de se confeccionar e nem o livro foi de leitura agradável, era muita tristeza pra pouco espaço. é um livro forte, indigesto, mas absolutamente necessário. ele nos dá alguma esperança de que o ser humano pode ser bruto, mas também pode ser acolhedor e fraternal. é resenha antiga e fiquei feliz de vê-la comentando por lá. se quiser o livro pra ler está a sua disposição. obrigado de coração!

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