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2.1.15

Espero Alguém: Crônicas [Carpinejar]

Ed. Bertrand Brasil, 2014 - 336 páginas:
      Com Espero Alguém, Carpinejar, mais maduro, tanto profissional quanto emocionalmente, apresenta crônicas escritas após um período difícil de sua vida: o abandono pela mulher amada. Com textos emocionantes, sinceros e, também, engraçados, o autor comprova que ninguém esta preparado para uma separação. Espero Alguém trabalha as duas separações do autor. Começa triste e, ao longo das paginas, o ânimo vai melhorando. No final, o alívio. As crônicas tratam da retomada - a superação do luto - provando que tudo passa. Um novo amor é quase uma certeza. E, se você não amar esse amor mais do que amou o que veio antes, provavelmente amará mais a si mesmo.    


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Esperar pode ser prazeroso

Escrevo ao som de “Change the world” de Eric Clapton. Por coincidência a canção expressa o que a escrita de Carpinejar pode fazer e faz. Lendo Espero alguém (Bertrand Brasil, 336 páginas) tenho a sensação que as pessoas necessitam carpinejar um pouco mais, para que carpinejando, nós, o mundo e a vida, possam ser um pouco mais sensíveis e emotivos, menos racionais.

Este livro de crônicas tem abertura de forma lapidar, belíssima. Um sentimento de esperança crescente:
    “Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim...”
Fez-me lembrar de imediato o final apoteótico do poema “Desejo” de Victor Hugo, amplamente divulgado e tão bem musicado por Frejat:
    “Desejo por fim que você sendo homem,
    Tenha uma boa mulher,
    E que sendo mulher,
    Tenha um bom homem
    E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
    E quando estiverem exaustos e sorridentes,
    Ainda haja amor para recomeçar.
    E se tudo isso acontecer,
    Não tenho mais nada a te desejar"
Não quero sair distribuindo frases ao acaso, tirando o prazer da leitura, mas é difícil me conter. Preciso ir pontuando, alimentando minha vontade de traduzir o que fui sentindo. Noto que após a esperança das primeiras linhas o chão vai se abrindo sob nossos pés. Primeiro vem a fossa:
    “Não há vontade de me matar, muito menos de acordar... Voltei a ser humilde, a escutar as canetas, as moedas, os objetos caindo no chão e recolhê-los aos seus donos desajeitados.”
A dor da separação que nos leva a perder o sentido e o sentimento das coisas:
    “Nunca sei quando vai doer — isso é o que mais dói.
    A dor é mais uma morte em mim. Não me separei de uma esposa, eu me separei do que eu era com ela. São duas separações ao mesmo tempo.
    Não duvido que o excesso de sensibilidade me torne insensível. Estou tão vulnerável que não sinto nada.”
A constatação de que você não é mais quem imaginara ser:
    “Você não me observa mais, você me anula diante de todos os homens que já fui. Vou pagando empréstimos com empréstimos.
    Ainda me procura alinhado, mas sou sua roupa solta pelo sofá.”
A lembrança do estrago feito pelo atropelamento da paixão e de como sua dor é saborosa, não há masoquismo nisso:
    “Não recomendo, muito menos desaconselho: é experiência para os fortes.
    Nada do que viveu antes terá sentido, nada do que poderá viver depois terá sentido. Conjugará interminavelmente o presente do indicativo.”
A descoberta da enorme diferença entre amor e paixão:
    “No amor, podemos pedir a mão ao destino. Na paixão, pedimos a mão dela para mergulhar no abismo.”
A ressignificação da união:
    “‘Já anoiteceu!’ é uma das expressões mais bonitas. Já anoiteceu significa que não controlamos as horas. Já anoiteceu é sinônimo de alegria, de esquecer o que há lá fora por aquilo que carregamos dentro.
    Casar é anoitecer...”
Carpinejar, através de observações sintéticas, verte poesia pelas entranhas das palavras:
    “palavras de amor não podem ser apagadas, nem corrigias. Palavras são destinos.”
E para finalizar, ele se transforma em confidente, depositário fiel dos segredos de sua companheira:
    “Sua confidências morrem comigo ou eu vou morrer nelas. Não podem retornar numa briga. Que eu morda a língua, queime a boca, mas não use jamais seus segredos. Aquilo que você me disse não é para ser devolvido. Todo segredo é um sino sem pêndulo.”
Nenhuma das crônicas passou por mim sem calar fundo, todas tocaram em um fio desencapado; choque, reconhecimento e empatia andaram de mãos dadas durante toda a leitura. É tudo isso e muito mais. Suas palavras reverberam no coração, encontram eco em meu corpo, é catártico tanto para ele quanto para mim. Sofro em conjunto, perdoo-me, purifico mácula há muito correndo venenosa pelas veias.

Com sua escrita ágil e moderna, própria dos nossos dias, vai ligando pontos entre memórias e objetos, concisamente, formando um mosaico supercolorido, porém cheio de sombras e dores de sua vida a dois. Aponta caminhos e muitas vezes diz não existir caminho algum:
    “contente-se em viver com o que tem, encontre beleza nisso, ou sofra as consequências”
Sabemos bem que o artista tem de ir aonde o povo está, mas quero, como um Sancho Pança dos Trópicos, subverter a ordem natural dos fatos: estarei onde Carpinejar estiver!


Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!

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comentários pelo facebook:

33 comentários em "Espero Alguém: Crônicas [Carpinejar]"

  1. Acho fantástico quando o autor consegue expressar o que sente e pensa e, ao mesmo tempo, se conectar tanto com o leitor. Essa "empatia" a que você se referiu é o que torna a experiência da leitura tão profunda e significativa.
    Gostei muito das frases que você selecionou. E espero ter a chance de ler esse livro um dia.
    bjs

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  2. Olá,

    Parece ser um livro bem interessante pelo pouco que passou pela resenha. A quote que mais me chamou a atenção foi a primeira. Que bom que aproveitou bem a leitura, espero um dia ter a oportunidade da leitura.

    Beijos.
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  3. Eu ainda não li nada de Carpinejar, mas sem dúvidas me parece que vale mais que a pena ein?! Parece ser um livro incrível, esse de crônicas. Parece que nos dá um misto de sensações... Preciso ler esse livro. Espero ter oportunidade de lê-lo em breve!
    Beijos
    Lendo & Apreciando

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  4. Conheço Carpinejar, meu conterrâneo, por meio de suas publicações, em sua coluna do jornal Zero Hora e gosto muito de sua escrita.
    Gostei muito de sua resenha Rodolfo e acho que o autor apreciaria muito também.
    Vc escreve muito bem e sempre temos uma obra, curta, mas muito boa quando lemos suas resenhas!
    Com certeza lerei este livro.

    Quem quiser saber mais do escritor, curta sua página no face: https://www.facebook.com/carpinejar?fref=ts e siga seu Blog: http://carpinejar.blogspot.com.br/

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  5. @Edna DiasMuito Bacana Edna, já fui nos links conferir.

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  6. Oie
    Não conhecia o livro, mas sua resenha me deixou com bastante vontade de acompanhar as crônicas. Pelos quotes já deu para perceber o quanto a escrita do autor é linda, vou procurar mais sobre ele.
    Bjs

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  7. Gostei da premissa do livro, mas não sei se leria. Não faz muito meu estilo.

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  8. Comprei esse livro no submarino junto com outros que estao na caixa esperando minha estante chegar, comprei pela capa e porque sao varias cronicas sobre um unico tema a separaçao. Depois dessa resenha e desses quotes vou tentar ler antes de dezembro chegar.

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  9. Rodolfo, querido, como você consegue fazer poesia da poesia de Carpinejar?

    Edna definiu bem quando disse - comentários acima - que suas resenhas são pequenas obras que expressam a emoção de outras obras.

    Este livro eu devorei avidamente numa manhã que prometia uma longa e tediosa espera - exames demorados. Mas levei Carpinejar comigo já imaginando que ele me tiraria da fria sala de espera e me conduziria, pela doçura de suas palavras, a outros lugares encantados. Onde a dor tem vez e beleza, graça e leveza. Onde o amor é deliciosamente esperado. Onde da desgraça faz-se o riso e do pranto nasce um novo homem.

    Carpinejar é um poeta-salvador, faz um bem enorme a leitores vários e comove os sensíveis.

    Assim como vc, tb passei pelas dores do autor como se minhas fossem. E renasci desta leitura com olhos cheios de outra luz. Poesia é magia e está também abrigada em crônicas viscerais assim.

    Agora me resta, como propôs o poeta-cronista, permanecer no presente do indicativo. Com Carpinejar, visto pelos seus olhos, amigo, eu espero, eu sinto, eu choro, eu sorrio, eu acredito.

    Carpinejemo-nos!

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  10. Olá. Não conhecia o livro.
    Amo ler cronicas. Pelo que vi nos quotes da resenha parece ser um livro bem emocionante.

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  11. @Manu HitzManu e Rodolfo, sinto-me grata por ter vocês dois aqui no blog, tanto como resenhistas como comentaristas. Tanto as resenhas (DOS DOIS) quanto os comentários são pura poesia. Vocês são uma inspiração para muitos, acreditem, além de serem pessoas lindas!!! Só espero poder conhecê-los pessoalmente um dia.
    Bjs
    Gisela

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  12. Tinha ouvido falar muito bem desse livro, mas nunca procurei por ele, agora após ler sua resenha com trechos do livro estou vendo que poderia ter desfrutado dessa leitura, que parece maravilhosa, a muito tempo.

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  13. Oi tudo bem, eu ainda não cheguei a ler nada do Carpinejar mas tenho muita
    curiosidade, uma hora começo rs.
    Mas confesso que cronicas não é meu genero preferido, mas ja ouvi falar deste antes e sempre bem classificado, ja tinha ficado de olho nele no skoob, quem sabe uma hora, eu me aventuro rs.
    Acho bom dar uma variada no estilo de livro lido, e este parece ótimo para começar,
    beijos.

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  14. Bela resenha Rodolfo, só por ela já consegui sentir um pouco da emoção do livro. Adorei as frases que você escolheu, são muito poéticas. Nunca tinha ouvido falar desse autor, mas já me encantei, mesmo crônicas não sendo um gênero que costumo ler.

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  15. Nunca li nada do Carpinejar mas tenho muita vontade de ler suas crônicas. Ele parece ser um ótimo escritor, vou dar uma chance.
    Adorei a resenha.
    Beijo
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  16. Oi, tudo bom?
    Nossa que livro profundo hein, eu ainda não tinha ouvido falar dele, mas me interessei muito pelo livro, não faz muito o meu gênero, mas pretendo dar uma chance ao livro.
    Beijos *-*

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  17. Gi, querida, vc sempre carinhosa conosco. Um dia vou dar um abraço bem apertado em você. É uma alegria imensa participar deste blog.
    Beijo!

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  18. Caro Rodolfo! Concordo com Manu quando ela diz que vc consegue fazer poesia da poesia de Carpinejar. Que resenha linda! Você consegue selecionar partes das cronicas que mexem com a gente mostrando como realmente precisamos de Carpinejar diariamente. Eu acabei de ler Me ajude a chorar (Carpinejar) que tambem é maravilhoso e ja li algumas cronicas do Espero alguém e confesso que amo a primeira...ela é linda e me toca profundamente. Com certeza irei ler o livro pois se ja me emocionei com a sua resenha imagina com o livro todo! Parabens!

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  19. Rodolfo é sempre um prazer supremo ler suas resenhas.
    Es um poeta a declarar seu amor pela literatura.
    A cada frase, sinto você de mãos dadas com o autor.
    Não posso deixar de ler essa obra.
    Muito do que li, calou fundo no meu ser.
    Obrigada querido!
    Abraços.

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  20. Ah! Quanto tempo que não leio crônicas ... mas acho que todos concordamos que uma vida só é pouca para dar conta de ler tanta coisa boa que tem por aí. De Carpinejar só conheço coisas avulsas, um ou outro texto que vou pegando aqui e ali e sempre parece que vêm no momento mais oportuno. Então fiquei aqui imaginando que delícia um livro todo de crônicas dele e de antemão já vou concordando com você, Rodolfo: tenho certeza que todas tocam na alma do leitor mesmo.
    Mais uma linda resenha, Rodolfo! Você sempre me impressiona pela forma como consegue expor os sentimentos de forma tão clara!

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  21. Um livro intenso e aparenta ser emocionante. Há tempos que não leio crônicas e através de sua resenha me fez apreciar novamente o gênero.
    Adoro ler suas resenhas, são sempre cheias de emoção e bleas pálavras.
    Adorei
    Bjos
    Ni
    Cia do Leitor

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  22. Eu Adorei a capa do livro e com certeza o livro deve ser o máximo só a resenha ,me deixou Bastante curiosa para ler <3

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  23. Não sei porque, mas tenho uma certa cisma com crônicas... Nunca fui muito chegada a esse tipo de livro. Mas achei a temática bem interessante e parece um livro muito bonito para ler.

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  24. Curto muito crônica e a escrita de Carpinejar, o livro parece ser ótimo, fiquei bastante interessada em ler.

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  25. Não gosto de crônicas e apesar da resenha não me senti nenhum pouco interessada e curiosa no livro. Mas ainda penso em le-lo, quem sabe ainda esse ano.

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  26. Ainda não tive oportunidade de ler nada do Carpinejar, mas sempre vejo o quão elogiado ele é. O que acho interessante em suas resenha, Rodolfo, é que você expressa tudo o que você sentiu ao ter a experiência ao ler. E não apenas no momento da leitura, mas as reflexões que ela deixou também. Espero muito ler esse autor algum dia.

    @_Dom_Dom

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  27. Muito bonita a resenha, transmitiu os sentimentos, na verdade as sensações que a leitura do livro despertou em você. Gosto muito de crônicas, mas não me vi muito interessada em ler esse livro, apesar de trazer boas reflexões.

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  28. Este comentário foi removido pelo autor.

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  29. Olá =D
    Não leio muitos livros de crônicas, mas alguns são bem interessantes.
    É bom quando um livro agrada tanto, e são várias resenhas positivas dele.
    Mas não fiquei interessada na leitura. =/

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  30. Ainda não li nada sobre Carpinejar, mas o livro aparenta ser bom. Adoro crônicas, e acho que irei gostar muito deste.

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  31. Oi, Rodolfo. É a primeira vez que vejo uma postagem sobre Carpinejar e me encantei totalmente com suas palavras definindo essa grande obra cheia de sentimentos e emoções. Gostei muito.

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  32. Este é o meu primeiro contato com Carpinejar e gostei bastante de conhecê-lo. Espero Alguém aparentou ser uma obra persuasiva e cheia de originalidade e boas intenções para o leitor, um livro sensacional capaz de distribuir inspiração para todos. Ótima resenha!

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  33. Oi, Rodolfo. Eu não sou um grande fã de crônicas, mas Carpinejar apresenta um leque infinito de reflexões e nos passa os mais variados sentimentos através dos seus textos. Eu, simplesmente, adorei ler suas conclusões sobre o livro.

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