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5.9.16

O Cavaleiro de Rubi, Vol. 02 - Trilogia Ellenium [David Eddings]

Trilogia Ellenium - David Eddings
Ed. Aleph 2016 - 376 páginas:
      Continuando as aventuras iniciadas em O trono de diamante, David Eddings mergulha o leitor no rico e surpreendentemente universo de Elenia, onde o mal-humorado e controverso Sir Sparhawk continua sua corrida contra o tempo atrás do artefato que irá salvar sua rainha. Enquanto Sparhawk segue numa épica jornada com seus amigos, forças ancestrais desse e de outro mundo seguem tramando contra o Campeão da Rainha e seus aliados. O cerco em torno dos heróis vai se fechando cada vez mais, e a rainha pode não ser a única a precisar de salvação. 

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Obediência e magia em doses cavalares

Passados dez meses da leitura do primeiro volume da trilogia Elenium , não via a hora de ler o segundo – O cavaleiro de rubi (Aleph, 376 páginas), por causa do enredo bem amarrado por David Eddings em “O trono de diamante” e a complexa construção de suas personagens que me ganharam facilmente e me fizeram perder várias horas de sono.

Dito tudo isso, pensei comigo: “Não será fácil retomar a leitura depois de tanto tempo”. Não me lembrava da maioria das personagens. Então Eddings, cuidadosamente, lança mão de um prólogo introdutório para nos orientar. Pronto, lá estava eu novamente viajando pelas terras de Eosia, mapa nas mãos, olhos atentos e vigilantes, ao lado do leal cavaleiro Sparhawk:

“— Eu sou o campeão da rainha — Sparhawk a lembrou. — Devo fazer o que me for possível para salvar sua vida. — Ele se levantou e caminhou em direção à pequena styrica. — E enquanto Deus me der forças, Sephrenia — ele declarou —, invadirei o próprio inferno para salvar aquela garota.”

Só para relembrar: a rainha Ehlana encontra-se em uma espécie de animação suspensa após ter sido envenenada, dentro de uma redoma de diamante, graças à styrica Sephrenia que com um feitiço conseguiu impedir sua morte à custa da vida de 12 Cavaleiros Pandions que vão perdendo a própria vida à medida que o tempo vai se esgotando. O único antídoto parece ser uma “pedra” preciosa de imenso poder.

A saga não perdeu o frescor inicial, mas sejamos pragmáticos: há inúmeros problemas com a fonte da edição, com caracteres estranhos no lugar de letras. Faltou cuidado da revisão ou na preparação do texto, não sei. Espero que nas próximas edições seja corrigido.

Voltemos à trama. Sir Sparhawk em companhia de seu grande amigo Kalten, sua mentora styrica Sephrenia, dos Cavaleiros da Igreja Berit, Bevier, Tynian, Ulath (passei e vê-lo com outros olhos, tomou o lugar de Kalten como o mais espirituoso deste livro), seu fiel escudeiro Kurik, mais Talen (filho bastardo de Kurik e personagem maravilhoso) e a estranha Flauta, partem em busca da única fonte de poder que poderá livrar a rainha Ehlana do mal que lhe aflige – a pedra Bhelliom.

O amigo Kalten está lá, com sua inteligência bronca, sua sutileza paquidérmica e seus diálogos amedrontadores, sempre se fazendo entender (é um dos personagens que mais gosto do primeiro livro e que ficou um pouco apagado neste):

“— Só mais uma coisa, meu senhor abade — Kalten acrescentou. — Poderíamos lhe pedir um pouco de comida, se não for muito estorvo? Estamos na estrada há algum tempo, e nossos suprimentos estão ficando escassos. Nada de muito exótico, é claro... algumas galinhas assadas, talvez, quem sabe uma peça de presunto ou duas, um pedaço de toucinho, quiçá lombo de boi.
— Claro, Sir Cavaleiro — o abade anuiu rapidamente.
...
— Você tinha que fazer aquilo? — Sparhawk perguntou a Kalten conforme eles se afastavam.
— Caridade é uma das virtudes cardinais, Sparhawk — Kalten respondeu altivamente.
— Gosto de encorajá-la sempre que posso.”

O grande problema é que eles não estão sozinhos nesta empreitada e encontrá-la pode não ser assim tão fácil. O troll Ghwerig, que lapidou a pedra, lhe quer de volta e não é uma boa política se meter com um troll, mesmo que ele seja todo deformado e menor que seus pares:

“... as pessoas passaram a se perguntar o que exatamente os styricos estavam buscando. Foi assim que os boatos começaram sobre o tesouro. Aquele terreno foi arado e peneirado mais de cem vezes. Ninguém tem certeza sobre o que está realmente procurando, mas todo mundo em Lamorkand vai até lá uma ou duas vezes durante a vida.”

Terão que enfrentar perigos e emboscadas em toda a jornada. Os inimigos do primeiro livro estão lá, mas de forma velada, sem uma participação contundente (ficarão para o terceiro livro, com certeza). Lugares como Ghasek poderão ser a chave que abre a porta da descoberta, mas seria mesmo um bom lugar para se procurar?

“— Eles bebem sangue por lá... e se banham com ele... e até comem carne humana. É o lugar mais terrível do mundo. Só de ser mencionado, seu nome traz uma maldição sobre sua cabeça. — O homem estremeceu e começou a chorar.”

Sem contar que na caprichosa Idade Média, qualquer falha pode custar caro, muito caro. O gosto pelo sangue e pelo confronto faz parte do dia-a-dia de qualquer cidadão daquela época:

“— Bevier — Tynian falou —, você é realmente tão apegado àquele lochaber?
— É minha arma predileta — Bevier respondeu. — Por que você pergunta?
— É um pouco inconveniente quando chega a hora de arrumar a bagunça. Quando você arranca as cabeças desse jeito, significa que teremos de fazer duas viagens para cada morto. — Tynian se abaixou e pegou duas cabeças decepadas pelos cabelos, para enfatizar seu argumento."

Vários são os riscos a serem corridos e toda a ajuda será bem vinda, inclusive “acordar os mortos”, mas não falarei muito sobre isso. Para isso deverão contar com a força da aliança entre todos os envolvidos, inclusive o garoto Talen e suas tiradas sofismáticas, próprias da filosofia de um ladrão:

“— O senhor é um honrado Cavaleiro da Igreja, Sir Bevier — Talen apontou. — Eu sou apenas um ladrão de rua. Regras diferentes se aplicam a nós. O grande jardim de flores de Deus precisa de algumas ervas daninhas para contrabalancear o esplendor das rosas. Eu sou uma erva daninha. Tenho certeza de que Deus me perdoa por isso, já que faço parte de seu grande desígnio.”

O garoto é ótimo! Porém, em matéria de provocação Flauta e Sephrenia são campeãs. Provocar um Deus Ancião pode ser bastante perigoso, ainda assim Sephrenia o faz:

“— Isso já não está entre tuas capacidades, Azash, ou esqueceste de tua emasculação? Tu és uma abominação perante todos os deuses, por isso eles o baniram, o emascularam e o confinaram no local de teu tormento e arrependimento eternos.”

Os diálogos continuam sendo a peça fundamental de todo o livro – ácidos, mordazes, hilários, cheios de inteligência. Algumas vezes o poder incomensurável da pequena e enigmática styrica Flauta me incomodou, ela poderia ter resolvido tudo sozinha. Eu me interrogava: “bastam a força, a magia e o poder de comando de Flauta na busca da Bhelliom e mais nada. Pra que ficar batendo cabeça se possuem aliada tão poderosa com eles?”

O final do livro explica tudo sobre tal poder e me deixa aliviado (porque eu já estava ficando um pouco chateado com tanto poder em uma só personagem) e curioso quanto ao encerramento desta saga, que promete muita emoção. Então subam em seus cavalos peguem a arma que melhor lhes convier – espada, lança, mangal, machado, arco, maça ou porrete – e me acompanhe, porque ainda há muita aventura para se viver e os perigos estão à espreita em cada curva do caminho.

Clique sobra a capa para ler a resenha do livro anterior:


 Cortesia da Editora Aleph
Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
*Sua compra através dos links deste post geram comissão ao blog!

19 comentários:

  1. Olá, Rodolfo.
    Eu achei esse livro um pouco inferior ao anterior. Achei tudo um tanto previsível, mas concordo que fica a promessa de uma boa conclusão.
    A evolução de Flauta me animou demais. Uma das melhores personagens.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de setembro. Serão três vencedores, cada um ganhando dois livros.

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  2. Desde que vi algumas resenhas do primeiro livro que quero lê-lo, mas por enquanto ainda não tive oportunidade. Agora que li a resenha do segundo, fiquei ainda mais curiosa, mesmo que a história não seja tão boa quanto a primeira, acho bem normal o livro do meio ser menos interessante. Pretendo ler com certeza.

    Abraços :)

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  3. Como não li o primeiro livro e no momento não me recordo de ter lido nada sobre a trilogia Elenium fiquei meio perdida com tanta informações sobre O cavaleiro de rubi, então vou dá uma pesquisada para conhecer um pouco mais dessa trilogia e ai então decidi se a lerei...
    Abraços!

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  4. Nunca tinha ouvido falar dessa saga, mas a capa me chamou bastante a atenção. Pelo que eu entendi, é uma história de fantasia, ou estou enganada? Acho que eu preciso mesmo é ler uma resenha do primeiro livro pra entender melhor. Mas pelos seus comentários, gostei bastante da proposta, uma pena que faltou cuidado ao revisar o livro. Quem sabe um dia eu tenha a oportunidade de conhecer?
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  5. Olá, Rodolfo! Não conhecia essa trilogia e fiquei bastante interessada. Gosto do gênero fantasia, mas confesso que ultimamente ando tendo dificuldade em encontrar alguma que desperte minha atenção. O fato de a história se passar na Idade Média já é algo que me agrada mto e fiquei curiosa para conhecer a trajetória dos personagens. A dica já está anotada e espero começar a ler em breve.

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  6. Rodolfo!
    Livros de fantasia sempre nos transportam para épocas incríveis e de realidade totalmente diferenciada da nossa. Gosto demais.
    Como não conhecia a série, fiquei bem curiosa em poder saber que tantos poderes são esses destinados a uma única personagem e por qual motivo ele os possuí..
    Suas resenhas sempre hilárias e me agradam muito.
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de SETEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  7. Nunca tinha lido nenhuma resenha dessa série, mas achei bem cuidadoso o autor publicar um livro para relembrarmos da trama. Percebo que os pontos fortes são a construção dos personagens e os diálogos. Gosto de livros com magia e reinos, tenho certeza que irei adorar

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  8. Meu caro Rodolfo, recuso as armas, não sei lidar com elas, mas já que estamos cheios de possibilidades em meio à fantasia - e já que a Idade Média pede um cuidado muito, muito maior -, vc poderia me arrumar uma armadura bem resistente, com poderes emprestados da onipotente Flauta para me dar uma boa invisibilidade? Só assim embarcaria nessa aventura tão empolgante. Vc conhece a minha total falta de coragem para ambientes assim.
    Gostei do tom sarcástico que vc me diz acompanhar o livro, teria sido vc tb mordido pela proposta quando diz que o pobre Kalten tem "inteligência bronca, sutileza paquidérmica"? Ri muito ao ler isso. Vc é criativo, está inspirado. Muitas armas citadas nem sei se são criação do autor ou se realmente existem, mas, por exemplo, 'lochaber' é algo tão novo quanto estranho para mim. Ponto pra série quando o autor dá uma aliviada no começo e rememora a trama anterior, refrescando a memória do leitor, o que, no meu caso, seria uma graça infinita, já que minha lembrança mal alcança o mês passado...
    Bom, temos de tudo aqui, para quem curte o gênero não faltarão elementos de completa imersão na obra. Uma pena que a revisão não tenha acompanhado o sucesso do enredo, mas vamos torcer para que a correção seja feita. Será que o autor fica sabendo de um erro desses? Muito chato.
    Vc sempre trazendo essas possibilidades novas de leitura, encantando o leitor, arrastando uma turma com vc, sabe como poucos fazer um convite para um novo livro. Parabéns mais uma vez, fico aqui admirando suas palavras e o domínio da escrita. Bj

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  9. Olá!
    Qro mto ler essa trilogia! O gênero ajuda mto, faz com que a obra torne mais rica e agradável. Me surpreendi com a sua resenha, espero gostar tanto qto vc!
    Bjs!

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  10. Olá.
    Não lembro de já ter lido algo sobre essa trilogia, creio que fui apresentada a ela, agora. Gosto desse gênero, mas não sei se vou ler. Talvez, se surgir oportunidade. Sua resenha está muito bem explicada e suas palavras motivam a conhecer mais da obra. Obrigada. Abraços.

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  11. Olá Rodolfo!!
    Já estava sentindo falta das suas resenhas.
    Não lembro de ter lido resenha do primeiro livro.
    Achei bem interessante os diálogos do livro.
    A trama também me chamou a atenção.Mas tem quantos livros ainda pra sair?
    Parabéns pela resenha!!Instigante como sempre!
    Grande abraço!

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  12. Olha Rodolfo tô de olho nessa série algum tempo e sempre me chamou a atenção por ser medieval e por essas capas. Amo livro assim e vc sabe disso. Fantasia me fascina, apesar de eu estar querendo fugir um pouco dessa área ultimamente. Bom saber que o livro mantém o mesmo ritmo, fiquei mais atraído por essa trilogia. Abraços amigo. Belíssima resenha como sempre.

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  13. Nunca ouvi falar dessa trilogia, confesso que esse gênero de fantasia não me interessa como leitora (mas daria uma ótima adaptação cinematográfica no estilo "Senhor dos Anéis). Posso estar errada, mas deve ser complicado ler um livro e esperar a continuação por muito tempo pela riqueza dos detalhes, creio que se fosse ler esperaria pela trilogia completa para ler um após o outro e não ficar perdida na história. Que bom que o autor colocou um resumo para situar o leitor novamente na trama, tantos personagens e poderes ficariam perdidos na memória se o intervalo entre um livro e outro for grande.

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  14. Ah,que bom ver a continuação! =]
    Para quem gosta de fantasia essa é uma capa bem chamativa,a construção de bons diálogos também são um ponto extremamente positivo,uma pena os problemas da revisão.
    É bom ter um prólogo,no geral acaba tendo um espaço grande entre a continuação,trazer os fatos importantes para situar é importante.

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  15. Não costumo ler esse tipo de livro, mas sua resenha me conquistou. Vou adicionar a minha lista e espero ter a oportunidade de ler.

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  16. Oi..
    Nossa quando tempo de espera pra ler a continuaçao,que pena que tenha tido algumas problemas com a revisao,a capa é linda,e a premissa é bem interessante,confesso que nao conhecia o livro,gosto bastante de livros de fantasia mas esse infelizmente nao me agradou.
    Um abraço e muito sucesso :)

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  17. Bom, não vou tentar só ser simpática e dizer que adorei a história e fiquei super interessada em ler... Na verdade, adoro fantasias, mas quando envolvem linguagem rebuscada (pelo o que percebi nos trechos, esse é o caso); Idade Média, trolls e tudo mais, meu interesse morre. Achei a parte inicial da pedra e dos cavaleiros semelhante com Cavaleiros do Zodíaco e a flecha no coração de Athena, dá pra acreditar? kkkk Enfim, sem desmerecer a história, não me interessei.

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  18. Oi.
    Eu amei a resenha, irei ler a do primeiro assim que der, o livro me parece ser bom apesar de ser uma continuação, a capa é linda a do primeiro também, fiquei muito curiosa para conferir acho que Irei ler com certeza.
    Boa Tarde.

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  19. Existe algum lugar que a gente consiga ler online?

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