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12.10.17

Sempre Vivemos no Castelo [Shirley Jackson]

Sempre Vivemos no Castelo
Ed. Suma De Letras, 2017 - 152 páginas
- "Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. 'Sempre vivemos no castelo' leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson."

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Há muito amor envolvido em cada gota de veneno

Algumas vezes me pergunto: o que realmente me impulsiona com um movimento rápido de olhar, braços, pernas e mãos, rumo a livros sombrios? Nunca obtive resposta e fico grato por estas questões controversas serem raras e terem curta duração, senão teria que viver em um consultório de psicanálise.

Com Sempre vivemos no castelo (Suma de Letras, 200 páginas) não foi diferente. Shirley Jackson era uma autora que sempre tive curiosidade em conhecer, desde “A assombração na casa da colina”, um dos raros livros da coleção Mestres do Horror e da Fantasia que não consegui adquirir e que choro por não tê-lo feito, já que atualmente só é encontrado em sebos e por valores pornográficos.

Muitos autores se espelharam e ainda se espelham em seus escritos para nos amedrontar/atormentar, influenciados por seu humor negro carregado de sarcasmo, daqueles que nos coloca um sorriso amarelo no rosto, entre eles Stephen King, Richard Matheson e Neil Gaiman. Ela deixou de ser escritora para se tornar escola, suas palavras transcenderam o simples ato de dizê-las.

Esta é a história da família Blackwood ou do que sobrou dela. Temos Mary Katherine (Merricat), a irmã mais velha Constance (Connie) e o tio Julian. A narrativa fica por conta de Merricat, sob seu olhar aguçado, e por que não dizer transviado, nada escapa.

“Nessa cidadezinha os homens permaneciam jovens e faziam as fofocas, enquanto as mulheres envelheciam com seu cansaço colorido por uma maldade cinzenta, esperando em silêncio que os homens se levantassem e fossem para casa.”

Constance é acusada de um crime, porém por falta de provas é absolvida. O grande problema é que a cidade não a absolveu e vivem de fazer observações sarcásticas e muitas vezes cruéis a este respeito.

“... já bastava senti-los todos atrás de mim sem ver seus rostos cinzentos e impassíveis com olhos cheios de ódio. Queria que todos vocês estivessem mortos, pensei, e senti ânsia de falar em voz alta... Gostaria de entrar no mercado uma manhã e ver todos eles, até os Elbert e as crianças, deitadas ali, chorando de dor e agonizando. Então pegaria os produtos por conta própria, imaginei, pisando em seus corpos, tirando o que quisesse das prateleiras, e iria para, talvez com um chute na sra.Donell, ali deitada. Nunca sentia remorso quando tinha pensamentos como esse: só queria que se tornassem verdade. “É errado odiá-los”, Constance dissera, “só serve para enfraquecer você”, mas eu os odiava mesmo assim, e me questionava até mesmo por que eles tinham sido criados.”

Saí em busca de um gótico clássico e me deparei com algo próximo ao claustrofóbico, uma sensação crescente de desconforto, o tom soturno da loucura. Muito macabro! Tio Julian é um dos poucos que conseguiram se salvar do episódio criminoso, mas não sem sequelas – ele está inválido. Vive de destilar suas mágoas, algumas vezes lúcido, outras completamente alucinado.

“Acho que se eu soubesse que seria o último café da manhã teria deixado ela comer mais linguiça. É uma surpresa, pensando nisso agora, que ninguém tenha desconfiado de que seria a última manhã deles; talvez não ficassem de má vontade porque minha esposa queria mais linguiça, se fosse o caso. Meu irmão às vezes tecia comentários sobre o que gente comia, minha esposa e eu; ele era um homem normal e nunca racionava a comida, contanto que a gente não pegasse demais. Ele ficou observando minha esposa se servir de linguiça naquela manhã, Constance. Eu vi que ele ficou olhando. Nós pegávamos bem pouco dele, Constance. Ele comeu panqueca e ovo frito e linguiça, mas senti que ele ia falar com a minha esposa; o menino comia sem parar. Me agrada que o café da manhã tenha sido especialmente bom naquele dia.”

Neste clima pouco acolhedor chega à cidade para visitá-los o primo Charles que irá desempenhar um papel desagregador ao que resta da família. Envolve-se com Constance e bajula tio Julian. A única que efetivamente consegue perceber o que está por trás de tanta atenção é Merricat que irá protegê-los a qualquer custo.

Esperava que Constance não abrisse o escritório para Charles; ele já tinha o quarto de nosso pai, afinal, e o relógio de nosso pai e sua corrente de ouro e seu anel de sinete. Eu estava ponderando que ser um demônio e um fantasma devia ser bem difícil, mesmo para Charles; se ele acabasse esquecendo, ou deixasse a máscara cair por um instante, seria logo reconhecido e mandado embora; precisava tomar o cuidado extremo de usar sempre a mesma voz e apresentar o mesmo rosto e a mesma postura sem nenhuma derrapada; precisava estar sempre atento para não se trair. Eu ficava imaginando se ele retomaria sua verdadeira forma quando morresse.

Charles vai se intrometendo rapidamente no cotidiano da família transformando a vida de todos. Ele não demonstra nenhuma intenção de ir embora, mas Merricat irá convencê-lo a sua maneira. Ninguém é normal nesta família e Merricat vive num universo só dela (o mundo da Lua) e lá ela pode ouvir vozes, lá não há tristezas, lá ela é soberana e tem o poder sobre a vida e a morte.

“Eu pensava em Charles. Poderia transformá-lo em mosquito e jogá-lo numa teia de aranha e vê-lo enredado e indefeso e se debatendo, preso no corpo de um mosquito agonizante; poderia desejar sua morte até que ele morresse. Poderia amarrá-lo a uma árvore e deixá-lo lá até que virasse tronco e a casca cobrisse sua boca. Poderia enterrá-lo na cova onde minha caixa de moedas de prata estivera segura até ele chegar; se estivesse debaixo da terra eu poderia andar sobre ele pisando forte. “

Unindo ironia, sarcasmo e certa dose de insanidade, vamos navegando por almas sombrias e encontramos nesta novela a prova da resiliência do espírito humano sobre as adversidades da vida, mesmo que este espírito esteja soterrado em inúmeras psicopatias. Há algo diferente na mente de pessoas desequilibradas que as tornam capazes de cometer atrocidades sem sentir nenhum remorso.

O que acontecerá aos Blackwood? A cidade em um surto de histeria coletiva pode fazer justiça com as próprias mãos? Poderá Merricat livrá-los do primo usurpador? Charles e o restante da cidade conhecem de verdade a que níveis a psicopatia pode chegar?

Sempre teremos livros voltados para o suspense/horror psicológico, isso é fato. O que devemos observar é que meados da década de 60 estavam propícios ao aparecimento de temas soturnos. Uma espécie de obscurantismo dava suas caras novamente, uma nova Idade Média, fruto da apreensão causada pelo medo advindo da Guerra do Vietnã.

Em comunhão com este período e também fruto dele, temos em Shirley Jackson uma escritora extremamente imaginativa em tratamento psiquiátrico, sofrendo por sua obesidade mórbida e crises de ansiedade que a levavam à depressão e posteriormente à agorafobia. Muitos críticos chegaram a afirmar que suas histórias eram fruto de suas fantasias pessoais e neuroses.

Não entro neste mérito, afinal o que não se discute é o talento desta extraordinária escritora que conseguiu traduzir em palavras todas as angústias que levava dentro de si. Livro mais que recomendado, uma aula de como se criar climas e acorrentar o leitor.


Rodolfo Luiz Euflauzino
Ciumento por natureza, descobri-me por amor aos livros, então os tenho em alta conta. Revelam aquilo que está soterrado em meu subconsciente e por isso o escorpiano em mim vive em constante penitência, sem jamais se dar por vencido. Culpa dos livros!
Cortesia do Grupo Companhia das Letras
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comentários pelo facebook:

36 comentários em "Sempre Vivemos no Castelo [Shirley Jackson]"

  1. To louca pra ler Sempre Vivemos no Castelo, é o próximo em minha lista de leitura!
    Adorei ver sua resenha, Rodolfo, é tão bom colocar as mãos em livros sombrios.
    Interessante abordar também a vida da autora, não a conhecia e o contexto de suas angústias traz reflexões sobre sua escrita.

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    1. cara Helen, este livro é de outra cepa, de uma categoria mais elevada. é tão reflexivo quanto sombri. não se deixe enlouquecer menina, porque este livro vai te tirar de um manicômio pra te colocar numa camisa de força. é mais que recomendado pra ti, é obrigatório! penso que os livros são fruto de imaginação, vivências e angústias de cada autor, é a forma que eles encontram de purgar seus males e tornar públicas as alegrias. bjos e brigaduuuuuu

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  4. Oi Rodolfo, essa parece ser uma história bem sombria e eu que não sabia nada sobre sua autora e curti que a resenha falou um pouco sobre ela e seu talento. A história não é tão longa, o que imagino seja positivo e a torne dinâmica, e todos os personagens parecem ser no minimo excêntricos e interessantes. Ótima resenha e espero ter a oportunidade de ler o livro futuramente ;)

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    1. eiiiii Lili querida, nunca saberemos até onde um história é ficção ou vida real travestida de ficção. a vida de nossa escritora não foi fácil e sua escrita é reflexo disso (magistralmente contada). não sei se excêntricos seria mesmo o nome que daria para as personagens da casa (mas posso adiantar que o buraco é mais fundo, rs). obrigaduuuu pelo comentário!!!

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  5. Rodolfo!
    O livro foi lançado antes de eu nascer, bacana! Nasci em 1965.
    Difícil viver de passado e se trancar em uma redoma, não permitindo que a atualidade e a realidade se façam presentes.
    O mundo pela visão de Mary parece bem ilusório e confuso, fico me perguntando se ela não tem algum distúrbio psicológico?
    Agora todo livro que traz reflexão sobre a vida, acredito que valaha a pena ler, pois podemos questionar nossos pontos de vista.
    Um feriado alegre e feliz!
    “Não há nada que faça um homem suspeitar tanto como o fato de saber pouco.” (Francis Bacon)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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    1. cara Rudyinha, é um livro antigo sim, mas atemporal porque as psicopatias são assim mesmo (ops, não quero dar nenhum spoiler). o livro tem um que de fantasioso porque é narrado por alguém que vive um mundo só dele. na verdade chega a ser assustador. corra pra ler, você irá se deliciar. bjos

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  6. Olá Rodolfo!
    Conhecia apenas pela capa esse livro, ainda não tinha lido resenha dle, gostei mto do enredo exatamente pelo assunto abordado, eu qro conhecer com toda ctz!
    Bjs!

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    1. cara Aline, não perca mais tempo e leia este e todos os outros livros da autora, são claustrofóbicos e insanos, uma verdadeira aula sobre criação de enredos. brigaduuuu.

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  7. Olá Rodolfo! Mais uma vez nos apresentando um livro bacana, cheio de suspense e macabro! Gostei de saber sobre a autora e tudo que ela passou, realmente isso vai me fazer ler o livro pensando se tem algo a ver com suas neuroses. Pelo enredo parece ser um livro bem envolvente daqueles que nos prendem a atenção e nao nos deixam parar de ler (adoro livro assim). Parabéns pela resenha, me cativou e to achando que na minha estante terá mais uma autora predileta a partir desse livro! Bjos!

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    1. cara Sophia, este é um de meus queridinhos, é um livro macabro mesmo (palavra mais que acertada). também fiquei assim, corria os olhos pelas páginas e também por sua biografia, tentando ligar os pontos, mas nunca haveremos de saber se há muita verdade na ficção que lemos. se ela se tornará sua autora predileta o futuro dirá, mas digo que é impossível não nos tornarmos fãs. bjos e brigaduuuuuu

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  8. Ainda não li o livro, mas já vi várias resenhas positivas para ele.
    Muito macabro e não sei se conseguiria ler.
    Gosto mais de livros leves e divertidos, porém gosto muito de explorar novos gêneros.
    Talvez eu leia.

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    1. cara Herica, não sei se é tão macabro assim, mas causa um incômodo danado na gente. dê uma chance a ele, você não irá se arrepender. brigaduuu

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  9. Muito bom ler algo a respeito da obra de uma autora tão consagrada. Confesso que ainda não tinha lido sobre esse livro e a capa me enganou bastante. Jurei que era de outro gênero, mas foi uma grata surpresa. Também achei interessante que a realidade da autora se mistura com a própria obra.

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    1. cara Mariana e não somos todos assim? nos misturamos entre realidade e ficções inventadas por nós mesmos. é muito gratificante quando um escritor consegue traduzir o universo a sua volta, mesmo que ele não seja tão lúcido e saudável. leia também e brigaduuuu

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  10. Oi Rodolfo.
    Eu li esse livro, e a sensação de desconforto não foi uma das melhores, o livro realmente brinca com seu psicológico, uma coisa que você falou e que achei interessante é o fato de que ao que tudo indica a autora usou esse livro para libertar os seus sentimentos, isso realmente torna tudo tão real, eu gostei da leitura, porém não acho que seja para qualquer um.
    Bjs.

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    1. cara Marlene, então você bem sabe do que estou falando. este desconforto percorre o livro todo e não tem solução, acabamos nos perdendo na fantasia da personagem. também senti isso e quando um livro mexe assim com a gente é sinal que atingiu seu objetivo. como você bem disse é provável que não seja para qualquer pessoa ou melhor não é um livro pra qualquer momento, é preciso a vibração correta. bjos

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  11. Olá Rô!
    Sou sua fã, sabia?
    Sempre me trazendo bons livros, livros estes que nunca ouvira falar. Caramba, fiquei encantada por essa obra, graças a sua super-mega-resenha-hipnótica! Anotado a dica para uma futura compra.
    Bjos
    Nizete
    Cia do Leitor

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    1. eiiiiiiiiiiiii Ni, a recíproca é verdadeira, adooooro seu jeito de encarar a vida e tento me espelhar nele. que bom que gostou da resenha, é um livro bem desconfortável, mas ainda assim incrível. espero que você possa lê-lo pra gente prosear um tiquinho a respeito. bjos e brigaduuuuuu

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  12. Esse livro foi muito citado em um outro que li então fiquei curiosa em ler. Parece bem intrigante a personagem aliás parece que todos da família rs. Parece ser uma leitura que mexe com a gente e nos deixa questionando sobre os acontecimentos e a vida. Achei bem estranho essa família viver isolada desse jeito, o que será que escondem e do quem tem medo achei bem misterioso rs.

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    1. cara Maria Alves, agora quem ficou curioso fui eu - qual é o livro que cita este? e respondendo parte de seus questionamentos este livro é mesmo intrigante, mas não posso entregar mais nada senão perderá um pouco da graça, rs. leia também e brigaduuuu pelo comentário.

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    2. Juntando Os Pedaços da Jennifer Niven

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    3. menina, fui correndo no skoob pra ver e não é que li um livro há pouco tempo em que o personagem também tinha prosopagnosia? é muita coincidência né? o livro em questão chama-se "barba ensopada de sangue", inclusive fiz resenha dele por aqui.

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  13. Oi, Rodolfo!
    Como não curto livros sombrios não me interessei em conhecer a história de Merricat e Constance Blackwood, por isso dificilmente eu leria Sempre Vivemos no Castelo...
    Mas gostei da sua resenha, e não tenho dúvidas de que essa é uma ótima dica para quem gosta do gênero.
    Abraços!

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    1. ahhhh que pena cara Any, mas tudo bem, o universo literário tem uma infinidade de gêneros não é mesmo? sempre há um que se encaixa perfeitamente ao nosso gosto. qual é o gênero que você aprecia?

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  14. Rodolfo, é com grande alegria que lhe digo: este livro eu encaro! Veja só, sou medrosa por natureza, fujo de livros que me assombrem tanto ou mais que meus fantasmas de estimação, haha, mas eu tenho uma quedinha por thriller psicológico. De vez em quando me rendo a eles, desde que não sejam sangrentos ou bizarros. Se ficar só nessa tensão psicológica já me ganha. É este o caso?
    Não sei se foi a capa somada ao título, mas tive a impressão que seria um livro juvenil, o macabro da trama tb me remete à mesma ideia...
    O que gostei foi do clima da história, esse isolamento, essa alteração do estado normal que parece que abraçou a todos os sobreviventes da família, seriam já perturbados antes da tragédia ou a desgraça familiar foi o gatilho? O fato da autora ter seus problemas psicológicos (quem não os têm, me diga?) me deixa ainda mais curiosa, exatamente pelo que vc observou, certamente a literatura de horror foi um escape para suas dores mais profundas, o verniz para tanta criatividade. Sempre me pergunto como um escritor de suspense/terror cria, de onde tira tanta maldade, medo, estratégias, loucuras... se não está ali mesmo dormindo, latente, todo um arsenal que utiliza para criar o estado de caos psicológico... se não são os próprios monstros internos que alimentam personagens inimagináveis, originais, perversos e todos os outros adjetivos que vc puder imaginar, uma vez que é fã do gênero... Da mesma forma, tb me pergunto por que prefiro os dramas, apesar de saber - ou imaginar saber - a razão. Vc lançou a pergunta lá no comecinho da resenha e acho que se questionar o porquê é absolutamente saudável e pode ser uma boa busca.
    Quer saber? Eu quero ler. Não sei se seguirei até o fim (se o medo me dominar), mas como é curtinho, vou adicionar à minha minúscula lista de suspense. Sim, faço psicanálise e esta pode ser uma pauta, ha, os lugares mais sombrios que gosto de visitar estão dentro de mim.
    Me diverti com sua resenha. Este livro é um candidato a primeira leitura de horror que dividirei com você!

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    1. eiiii Manuh, que notícia mais boa menina. realmente este livro não é um terror clássico, não há vísceras sanguinolentas espalhadas pelas páginas, é apenas uma família, um núcleo pequeno, quase uma novela, soterrada em seu próprio universo. diria que é um livro próximo a "Psicose" ou um bom Poe, mas com uma escrita mais objetiva, Shirley Jackson sabe como criar um clima desconfortável. é tenso, muito tenso. a autora e o marido sempre afirmaram que não havia nada da vida da autora que pudesse explicar tamanha facilidade em retratar os fantasmas internos, mas acredito que não é bem assim, o livro se aproxima demais dos dramas pessoais vivenciados por ela (com um empurrãozinho das infidelidades do marido). enfim, é um prato cheio pra discussões psicanalíticas ou mesmo para conversas com os amigos de frente para o mar, rs. agora não vejo a hora de você também lê-lo e se prepare - o desconforto irá bater a sua porta. bjos

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  15. Oi Rodolfo,
    Ultimamente tenho lido mais suspense psicológico, por isso,me vi muito interessada na leitura desta obra. Livros clássicos sempre me deixam preocupada sobre a narrativa e a história (principalmente um escrito por uma autora que virou referência para o gênero), pois muitas vezes este tipo de narrativa refere-se a obras de leitura mais "difícil". Famílias abaladas por uma tragédia sempre rendem um enredo interessante e envolvente de acompanhar. Cada personagem é afetado de uma maneira e tem lembranças diferentes dos fatos. Seguindo esta linha, Sempre Vivemos no Castelo é uma leitura para confundir o leitor, para o fazer duvidar e questionar todos os acontecimentos. Na certa é um livro que me agradaria e espero poder lê-lo um dia.

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    1. cara Gislaine, se esta é a sua praia então não deixe de ler este livro. é um clássico sim, mas não tem narrativa datada dessas com leitura arrastada e difícil, muito pelo contrário. é cheia de diálogos e é atemporal.
      você acertou em cheio - cada um foi atingido de forma diferente pela tragédia. não quero falar mais sobre ele pra não tirar seu prazer da leitura. se vier a lê-lo volte pra gente prosear mais. brigaduuuuu

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  16. Meu tipo de leitura favorita, será que ela é tão inocente quanto diz? será que é tão culpada quanto parece?Adoro essas histórias envolventes...

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    1. cara Paola, de inocente ela não tem nada... o desconforto está presente no livro todo, uma aula de como se criar um clima claustrofóbico.

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  17. Oi Rodolfo
    Não há um livro que você cite que não me deixe curiosa com a leitura, e com esse não foi diferente. Não sei se a autora de fato colocou os fantasmas que a pertubavam nessa história, mas se fez isso, a mente dela deveria ser pura confusão. A premissa está incrível, a pertubação que a família vive, parece que nunca foram felizes. Ah, me diga que no fim descobrimos quem é o verdadeiro assassino ?
    Outro detalhe: o nome do livro realmente combina com a história.
    Bjs .

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    1. eiiii Vitória, assim como você também fico imensamente curioso quando leio algumas resenhas, os olhos brilham, o coração acelera, sabemos bem o que é isso né?
      o que posso adiantar é que a autora sofreu bastante, então seus escritos podem ser reflexo destes perrengues. o assassino fica nítido bem antes de seu final, mas não é isso o que realmente importa neste livro, mas sim os conflitos de mentes em combustão, além das besteiras que o inconsciente coletivo pode proporcionar. é uma obra densa com escrito potente e de fácil assimilação.
      e respondendo sua pergunta: combina sim... o nome é bem isso, o que talvez não harmonize com o conteúdo seja a capa, ela não representa muito bem o que é o livro, parece um chick-lit.
      enfim, leia o livro sim, você irá se surpreender. bjos e brigaduuuuuu

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  18. Olá! Gente que resenha foi essa, Brasil! Não sei se estou mais receosa ou curiosa para começar a leitura. Adorei e ao mesmo tempo me assustei demais com os quotes escolhidos. Não li nada da autora ainda, mas isso é algo que vou tentar mudar o quanto antes.

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    1. cara Elizete, os quotes escolhidos foram propositais, rs. mas é bom que saiba que a carga psicológica é grande. não deixe de ler, é uma aula de criação de climas densos. brigaduuuuu

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