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7.2.18

Quando Ninguém Educa - Questionando Paulo Freire [Ronai Rocha]

 Quando Ninguém Educa - Questionando Paulo Freire
Ed. Contexto, 2017 - 160 páginas
- "A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca relevância do aumento dos anos de estudo na vida do aluno, a crescente evasão escolar em todos os níveis, o aumento da distorção idade-série e tantos outros problemas são evidências disso. Mas onde se localizam as raízes teóricas da atual crise educacional que vivemos? Neste livro, o professor Ronai Rocha se dedica a desvendar e a compreender o pensamento teórico dominante no cenário educacional e pedagógico brasileiro. O autor realiza um movimento esclarecedor sobre as raízes da reflexão sobre educação no país, que incidem até hoje na formação de nossos professores. E mostra como uma maneira peculiar de ler Paulo Freire afeta o ensino no Brasil."

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Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” Paulo Freire

É impossível você, nos dias atuais, nunca ter lido essa frase em algum lugar. Seja na escola, em um uniforme de conclusão, pelas redes sociais, na televisão ou em qualquer lugar, tenho certeza que você já viu em algum lugar. E o que pra você essa frase significa? Quem ensina a quem? Você acha que ensinamos uns aos outros diariamente? Que temos nossa formação em comunhão? Sem duvida alguma que sim. Aprendemos diariamente, com alguém, sozinhos, entre si. Aprendemos com quem nos ensina, com o que vemos, com o que sentimos, enfim, aprendemos com tudo!

Para falarmos sobre o livro de hoje é necessário falar primeiro de Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, livro ao qual inspirou Ronai Rocha a escrever Quando Ninguém Educa, com o subtítulo Questionando Paulo Freire. Na Pedagogia do Oprimido fica claro o quanto Paulo Freire criticava a “educação bancária”, ao qual significava que o aluno era uma espécie de banco, onde o professor ia lá e depositava diariamente seus conhecimentos adquiridos em sua formação. Um método tradicionalista que aos poucos foi se erradicando conforme os olhos à educação brasileira foram cada vez mais se aprimorando.

Freire almejava uma educação em que os conhecimentos prévios dos alunos fossem considerados em sala de aula. Sua convivência com o mundo antes da sala de aula deveriam ser levados para dentro da sala, onde docente e discente estariam sempre interagindo, comunicando-se entre si, visualizando uma educação mais próxima a realidade de ambos, proporcionando um aprendizado mais completo, satisfatório e claro.

No livro Quando Ninguém Educa – Questionando Paulo Freire, Ronai Rocha vai discorrer assuntos da educação brasileira, reflexões a cerca do comportamento dos professores, a grade curricular nacional, assim como a base nacional comum curricular, LDB 9394-96, e diversas teorias de renomados teóricos da educação que contribuíram e muito para a evolução da educação ao qual conhecemos hoje.

Eu, como um simples estudante de Pedagogia, mas um grande apaixonado por educação, pude constatar nesse livro alguns anseios em comum ao autor que carrego comigo após anos estudando a formação discente e por observação aos meus amigos docentes como, por exemplo, a questão de colocar nossos filhos em escolas particulares, sendo que damos aula em escolas públicas.

“Foi com desconforto que percebi que, enquanto eu levava meus filhos para a escola pública, a maioria dos companheiros de sindicato matriculava os seus em escolas da rede particular. As desculpas eram as mais diversas, mas não disfarçavam as verdadeiras causas: o absenteísmo docente e as greves dos outros incomodavam mais do que as nossas.”

Carrego comigo o pensamento de que ser professor é ser algo por amor, jamais por luxo, realização pessoal, ou apenas uma vaga de emprego a ser ocupada. Digo e repito a quem quiser que se alguém quiser ser professor por esses motivos, ele jamais será feliz em sua profissão, e por que seria? Além de ocupar uma sala de aula sem comprometimento com o seu futuro e o futuro dos alunos, ele estará fadado a viver uma vida de miséria. Estive em sala de aula, em escola pública ( e friso isso constantemente) e sei da realidade nua e crua. Pelo o não repasse de verbas para compra de merenda, material didático, carteiras, até as condições das famílias dos alunos. A realidade é dura, mas meu desejo por levar conhecimento, de querer mudar nosso país, era maior do que qualquer frustração. Sempre estive disposto a dar meu melhor. Ao ver meus colegas de trabalho colocar seus filhos em escolas particulares, era confirmar seus erros dentro de sala de aula. Ao fazerem isso, pra mim, estavam confirmando o quanto incompetentes eles eram, e que o que faziam em sala de aula para seus alunos de nada valiam. Discordem de mim ou não, essa é minha opinião, é minha critica aos professores que fazem isso.

Outro problema que surge no âmbito escolar é como os pais veem as escolas hoje em dia, e como os professores estão cada vez mais entrando no joguinho que o autor descreve a seguir.

“Minha convicção é de que essa oscilação de identidade afetou profundamente não apenas o simbolismo do lugar do professor, mas também seu próprio desempenho, em um sentido profundo e com consequências trágicas. O estudante deixou de ser estudante para ver-se como cliente comprador do produto educacional oferecido pelo trabalhador; o diretor da escola deixou de ser o pedagogo e passou a ser um gerente de projetos; os pais deixaram de fazer o gesto de entrega do filho à responsabilidade formadora do professor para se verem como sócios na aquisição de um produto. O currículo, a Pedagogia e a avaliação foram rebaixados a dispositivos instrumentais de ocasião. Foi nesse progressivo esvaziamento pedagógico que a escola foi apostilada. Não importa aqui se pensamos em estabelecimentos escolares públicos ou particulares, pois em toda as partes o simbolismo foi tocado pela troca de identidade.”

É notável hoje o desinteresse da família pelos seus filhos na escola. Vejo diariamente pais que vão deixar seus filhos na porta da escola e sequer entram para acompanhar o desempenho dos mesmos. Sequer comparecem as reuniões escolares, não buscam saber o que se passar em território escolar, e quando recebem notificações sobre os filhos, vão desesperados na escola saber porque seus filhos fizeram o que fizeram, como se a culpa fosse dos professores e estes não executassem suas funções como devem ser executadas. É deplorável. A família é essencial!

Poderia ficar aqui discorrendo por diversos pontos do livro, mas esta resenha tornar-se-ia muito longa. É um livro de cabeceira para qualquer um, principalmente para os amantes da pedagogia, Uma leitura que expande os conhecimentos da educação, levantando pontos, teorias e teóricos, para uma pesquisa extensa e proveitosa.

A narrativa do autor é fluida e palpável. Ronai Rocha soube com maestria conduzir assuntos muito importantes com um olhar critico e analítico sobre o que queremos, para onde estamos caminhando, e para onde queremos chegar. Abra os olhos! Leitura indicadíssima.


Douglas Brandão
Geminiano, formado em Magistério e futuro professor de História. Mora na Bahia e louco por livros. Um pouco ciumento e orgulho. Fanático por Harry Potter e chegou a receber o apelido de "Vírgula" por sempre dar uma opinião ou comentário, porque sempre usa "Entretanto", "Contudo" e "Todavia" por ser sempre "Do Contra". Sincero ao extremo e venho para compartilhar meu gosto de leitura com vocês.
Cortesia da Editora Contexto
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comentários pelo facebook:

12 comentários em " Quando Ninguém Educa - Questionando Paulo Freire [Ronai Rocha]"

  1. Oi, Douglas.

    Assino em baixo!

    O desinteresse dos pais na vida escolar de seus filhos, é algo cada vez mais notório e constante. São poucos os que ainda fazem isso. Para os filhos terem um bom desenvolvimento escolar, é preciso a participação dos pais, para que nada se torne precário.

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  2. Oi Douglas.
    Eu adorei sua resenha e sinceridade, bonito ver seu ponto de vista a respeito da realização ou do ato de ser professor, isso certamente é bem interessante, normalmente não costumo ler esse tipo de livro, porém confesso que bateu uma certa curiosidade em conhecer essa obra, expandir o conhecimento é sempre bom, quando era mais nova tinha vontade de ser professora, porém hoje em dia já não acho que é uma profissão para mim, mas enfim, gostei e tenho interesse em ler.
    Bjs.

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  3. Interessante o livro, gera muitos questionamentos, pensando bem é verdade muitos professores de escola pública colocam os filhos em escolas particulares, não tinha prestado atenção a isso. Sempre digo que para ser professor tem que gostar, ter vocação, pois acho que não é para qualquer pessoa. Concordo com muitas coisas ditas na resenha.

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  4. Douglas!
    Achei importante todas as colocações do autor sobre o ambiente escolar, as grades curriculares e os questionamentos que faz em relação ao Paulo Freire, embora acredite que seja um livro mais técnico, voltado para os que estão em formação ou para os docentes, bacana mas não tenho vontade de ler.
    “Quer você acredite que consiga fazer uma coisa ou não, você está certo.” (Henry Ford)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  5. A cada dia que passa esta relação pais/escola anda mais se perdendo no meio da jornada. Dificilmente vemos pais indo atrás da escola, para acompanhar o andamento de seus filhos. Até nas reuniões, hoje com inúmeras cadeiras vazias,pois os pais sempre tem um compromisso inadiável ou simplesmente pelo fato de se esquecerem.
    Deveres escolares mal feitos, isso quando são feitos, brigas e até o famoso bullyng onde a maioria dos pais só fica sabendo quando acontece o pior.
    É preciso educar uma criança sim,mas num conjunto pais e escola!
    Só assim, se formará homens de bem!
    Beijo

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  6. Oi Douglas!!
    Esse livro tem um valor inestimável msm, gostei do tema e da proposta do autor, me chamou bastante atenção.
    Flando em pedagogia estou eu aqui tentando recupera o tempo perdido e tentando voltar á estudar tbm, espero conseguir pois essa profissão me fascina e mto!
    Bjs!

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  7. Oi Douglas, o livro parece abordar assuntos bem importantes e ser um livro pra se ler po todos que devem e se preocupam com a educação, pais, professores, estudantes... Achei interessante o teu posicionamento sobre os professores que ensinam em escola pública mas não colocam seus filhos nela e a questão da falta de interesse da família na vida escolar dos alunos, o que é necessário e super importante. Gostei da dica e da resenha do livro ;)

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  8. E ai Douglas! Tudo bem?

    Adorei a resenha e a sinceridade que dispôs nela. É realmente um assunto bem interessante de se ver.

    Grande abraço!
    http://www.cafeidilico.com/

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  9. Oi, Douglas!
    Livros sobre a educação brasileira, reflexões a cerca do comportamento dos professores, enfim, sobre pedagogia, não faz o meu estilo de leitura, por isso eu não leria Quando Ninguém Educa... Mas eu curti sua resenha, e concordo totalmente, principalmente sobre ser professor é ser algo por amor, é nitido ver esse sentimento presente em alguns professores, pena que nem todos pesam assim...

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  10. Oi Douglas!
    Eu, como professora, sempre critiquei essa atitude de ser professor por dinheiro. Na verdade, várias profissões são escolhidas por dinheiro e a facilidade de conseguí-lo através da profissão. Uma que sempre critiquei foi a medicina. Quer ser médico? Vá para a Africa, viaje o mundo com os médicos sem fronteiras e ajude as pessoas porque você quer salvar vidas e não apenas status e salário. Não faça greves quando há pessoas morrendo que dependem de você.
    A visão dos brasileiros de "ser algo para ter dinheiro" é o que faz vivermos em um governo corrupto, gerenciado por pessoas que entraram na política por dinheiro e não porque querem fazer algo de bom pelo povo.
    Adorei o livro. Com certeza vou lê-lo.
    Beijos!
    Nerd Fox

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  11. Oi Douglas!
    Não sabia que você estudava Pedagogia, eu também estudo... É um curso maravilhoso né?
    Como estudei LDB sei que tudo é muito bonito no papel, a lei em si até que é boa, mas na prática já é outra coisa e sabemos disso, sem dúvidas hoje o aluno é apenas um baú onde o professor deposita informações e mais informações, e claro que isso se torna algo falho. Concordo com você, nossa profissão tem que ser por amor e com muita dedicação para mudarmos uma realidade de hoje, é um livro que pretendo ler.
    Beijos

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  12. Oi Douglas,
    Legal trazer livros do seu curso,Paulo Freire sempre citado.
    Quem é professor sabe a realidade que enfrenta e o amor para continuar na profissão.
    É tão triste ver pais que não se envolvem na vida escolar, encarregam o professor sem entender que a família é uma peça chave para o aprendizado.

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