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27.10.16

Prince of Thorns, Vol.01 - Trilogia dos Espinhos [Mark Lawrenc]

Trilogia dos Espinhos - Mark Lawrenc
Ed. Darkside Books, 2013 - 360 páginas:
      Ainda criança, o príncipe Honório Jorg Ancrath testemunhou o brutal assassinato da Rainha mãe e de o seu irmão caçula, William. Jorg não conseguiu defender sua família, nem tampouco fugir do horror. Jogado à sorte num arbusto de roseira-brava, ele permaneceu imobilizado pelos espinhos que rasgavam profundamente sua pele, e sua alma. O príncipe dos espinhos se vê, então, obrigado a amadurecer para saciar o seu desejo de vingança e poder. Vagando pelas estradas do Império Destruído, Jorg Ancrath lidera uma irmandade de assassinos, e sua única intenção é vencer o jogo. O jogo que os espinhos lhe ensinaram.

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Prince Of Thorns inicialmente me chamou atenção não apenas pelo seu acabamento impecável, com capa dura, folhas de guarda, divisão de capítulos com folhas pretas, mas também pela proposta nova ao qual teríamos um anti-herói, saindo da zona de conforto do que já estamos acostumados com aquele herói que sofre muito e no final consegue derrotar e matar o malvado. Isso me atiçou de cara e hoje trago a minha opinião sobre.

Jorg Ancrath é um garoto na faixa dos 14 anos ao qual teve sua vida completamente mudada aos 9 anos quando sem entender presenciou a morte de sua mãe e de seu irmão. Fora jogado numa roseira-brava muito espinhenta ao qual ficou por muito tempo e o abandonaram acreditando que estava morto. Seus espinhos perfuraram mais do que sua pele, atingiram sua alma e o mais importante: sua personalidade futura.

Enquanto tentava sair do tormento dos espinhos, sua situação só se agravava o que foi moldando seu ser em torno do ódio e desejo de vingança quando ali praticamente morrendo viu o símbolo do Reino de Renar em um dos homens que covardemente assassinara sua família.

Depois de muito acabou sendo resgatado, os furos em seu corpo inflamaram chegando a sair pus e ficando desacordado por alguns dias. Quando conseguiu falar com seu pai, mal acreditou no que sairá de sua boca. Ao invés do desejo de vingança, seu pai queria apenas assinar um tratado de paz e esquecer tudo. Revoltado, Jorg foge do castelo, liberando um grande número de ladrões e estupradores presos das masmorras e acaba sendo o líder do bando. Seu desejo é matar o Conde de Renar, e isso ficou bem claro para o bando. E saem pelo Império Destruído saqueando, estuprando, e arrancando cabeças daqueles que os enfrentavam.

Quatro anos depois encontramos nosso protagonista possesso por vingança, sua personalidade não é mais a de um garotinho, e sim de um guerreiro já feito que não tem medo nenhum de empunhar uma espada. Pelo contrário, acompanhamos ele arrancando cabeças de inimigos, cenas de sexo, assim como um palavreado muito a frente para um garoto de 14 anos. Já pode-se notar que nosso "herói" tem seu caráter duvidoso, já que o mesmo possui pensamentos perversos que colocam à prova a pessoa que é. Ele é convicto com o que quer fazer, não se importa nenhum pouco com ninguém, e está disposto a tudo para conseguir o que tanto quis desde quatro anos atrás. Se precisar matar seu melhor amigo ele o fará, sem piedade alguma.

Depois desses anos todos Jorg decidi que está na hora de voltar para o castelo e enfrentar seu pai, prestes a completar 15 anos, idade de virar rei, ele quer assumir seu posto e fará de tudo para conseguir tal feito. Mas será que o pai o perdoará? E sua sede vingança será saciada?

Pois bem, Prince of Thorns atendeu todas as minhas expectativas, das mais variadas formas possíveis. Jorg me conquistou bastante, justamente por fugir dos padrões de heróis de livros medievais e por ter essa mente de sociopata tão fortemente desenvolvida por Mark Lawrewnce, realizando uma proeza sem tamanho ao construir um personagem complexo e muito a ser explorado. Ele é focado, destemido, direto ao ponto e sagaz. Em nenhum momento você verá ele se dar de coitadinho para conseguir algo, então ponto para isso.

O livro contém um mapa para nos situarmos na história, contudo ele poderia ter sido mais detalhado possibilitando um melhor posicionamento dos fatos. Quando vocês lerem vão concordar. Apesar de se tratar de um enredo com estória medieval e presumivelmente acharmos que é uma fantasia com um mundo inventado, é quando somos surpreendidos e descobrimos que a mesma aparentemente se passa no nosso mundo, numa época pós apocalíptica ao qual somos apresentados à fatos superficiais que não satisfazem nossa curiosidade sobre o assunto. Acredito que será mais explorado ao decorrer da trilogia e agradeceria muito se sim, pois o leitor fica encantado com isso. O que sabemos é que os famosos Construtores abandonaram o Império Destruído após o dia que ficou conhecido como Mil Sóis.

É então que vemos na trama Elementos da atualidade como alguns objetos eletrônicos. Sem falar que ao longo do livro nosso protagonista cita diversos filósofos famosos como Nietzsche. E o leitor fica "Como assim? O que?"

Mark Lawrence tem uma narrativa frenética que prende o leitor da primeira à última página, quando você começa a ler não quer parar, entretanto ele pecou na forma de contar sua história. A narrativa é em primeira pessoa, vemos tudo pelo ponto de vista do Jorg e acompanhamos alguns capítulos no presente e outros no passado e isso se estende em todo o livro. Achei que foi necessário, porém foi em demasia. Sem falar que ele se estendeu tanto e esqueceu dos personagens secundários, dando apenas características por cima sobre cada, um dificultando uma imaginação mais fluida de cada integrante de seu bando. É como se tivéssemos a obrigação de saber quem cada um e pronto.

"Você podia confiar no irmão Algazarra. Ele conseguia fazer disparos longos usando um arco pequeno. Ao sair de um duelo de facas, sua camisa sempre estaria manchada com sangue de outro. Você podia confiar nele para mentir, trapacear, roubar e para cobrir sua retaguarda, Mas não podia confiar no seus olhos seus olhos. Eram muito gentis e você não podia confiar neles."

Em suma, Prince of Thorns foi um livro sensacional com um enredo incrível, com uma estória fantástica a ser explorada, e personagens maravilhosos que te cativam da primeira à última página. Seria um livro 5 estrelas mas acabei dando quatro pelo a motivos acima citados.

Temos ainda o enlace amoroso, que não é o foco principal, mas que está ali presente. Acredito que o mesmo se desenvolverá mais adiante também, assim como a magia dos necromantes que deixou o livro mais sombrio do que já é.

Mark Lawrence me surpreendeu com sua estreia na literatura, e tem tudo para se tornar um dos meus autores favoritos também. Indico fortemente para que ama o gênero, só não esperem aquele padrão de livro de estória medieval ao qual estamos acostumados a ver, tem cenas aqui que vai mexer até com seu estômago. Boa leitura!
Douglas Brandão
Geminiano, formado em Magistério e futuro professor de História. Mora na Bahia e louco por livros. Um pouco ciumento e orgulho. Fanático por Harry Potter e chegou a receber o apelido de "Vírgula" por sempre dar uma opinião ou comentário, porque sempre usa "Entretanto", "Contudo" e "Todavia" por ser sempre "Do Contra". Sincero ao extremo e venho para compartilhar meu gosto de leitura com vocês.
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16 comentários:

  1. Olá!
    A Trilogia dos Espinhos está na minha wishlist há um bom tempo. Sabe quando você ainda nem leu o livro mas já se apaixona por ele? Aconteceu exatamente isso comigo. Sempre vi comentários muito positivos sobre esse livro, então tenho certeza de que estou no caminho certo. Essa obra me parece maravilhosa <3
    Abraços!
    Venha para o Lado Escuro 💀

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  2. caro amigo Douglas, assim como você tenho um fraco por anti-heróis, os macunaímas da vida, aqueles personagens cheios de vícios e defeitos (próximos a nossa natureza) com os quais nos identificamos. e se o protagonista tem um viés filosófico com tendências nietzschianas, melhor ainda, agora já estou completamente ligado. sua resenha conseguiu me pegar pelo que mais gosto, aquele gostinho de quero um pouco mais, que me deixa inquieto. parabéns!

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  3. Oi, tudo bom?
    Curti a resenha e estou curiosa para ler o livro, achei super legal termos um herói diferente né, não gosto de personagens que ficam se fazendo de coitados, espero ter a oportunidade de ler, e que eu goste do livro e que pena que não temos uma descrição mais precisa dos personagens secundários para facilitar a imaginação.
    Beijos *-*

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  4. Li este livro quando lançou, e não sei por que não dei seguimento na trilogia :( Agora lendo a resenha me deu uma saudade do Jorg... Acho que vou voltar a ler ele.
    Adorei!!

    Bjks

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  5. Oiiii.
    Achei essa resenha bemm legal.
    E essa capa é realmente maravilhosa e ainda é de capa dura!!! Ammoo, já vou comprar.
    Nunca li livros com esse tipo de tema, e esse me chamou atenção.
    Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro e essa é a primeira resenha que leio dele e já vou confessar que chamou bastante a minha atenção!
    Bejãooooooooooo.

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  6. Oi, Douglas!
    Tava lendo a resenha e mal me interessando até que você falou de ele ser sobre o nosso mundo mas num futuro distante, fiquei instantaneamente intrigada em saber como esse livro medieval é também uma distopia (?) se é que pode se falar assim.
    Achei interessante por esse ponto, e dar mais atenção ao livro.

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  7. Olá! Conhecia apenas por nome, fiquei super curiosa pra conhecer de perto essa trilogia q ouço fla mto bem...
    O enredo parece bom msm!
    Bjs

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Oi, tudo bem?
    Capa linda, mas sendo DarkSide, só poderia! A premissa me deixou bem curiosa, espero poder ler em breve. Gosto desse estilo de leitura. Sua resenha está muito bem elaborada e me deixou mais motivada para fazer a leitura.
    Obrigada. Abraços.

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  10. Olá, Douglas
    Já li a trilogia dos espinhos,mas ela não atendeu minhas expectativas,alguns pontos não bateram pra mim...já o universo em si eu gostei.
    Espero que aproveite os próximos,pra mim o segundo livro teve a melhor narrativa.

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  11. Oi Douglas.
    Estou lendo a trilogia, e concordo com você o caráter do mocinho é um pouco duvidoso, e eu adorei história, estou muito ansiosa para segundo livro.
    Boa Tarde.

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  12. Um anti-herói!? Nossa, achei isso bastante diferencial e interessante, mas mesmo que por um lado eu entenda a sede de vingança do Jorg não simpatizo pela forma com que ele se comporta para realizar sua vinganca... mas Mark Lawrewnce está de parabéns pela criação desse personagem, e eu não tenho dúvidas de que Prince of Thorns será um sucesso entre aqueles que curti o estilo...

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  13. Douglas!
    Tão jovem o protagonista e já com uma sede de vingança grande o bastante para se arriscar por lugares desconhecidos.
    Enredo interessante e intenso.
    "O conhecimento chega, mas a sabedoria demora."(Alfred Tennyson)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  14. Oi!
    Estou bem curiosa sobre esse livro pois geralmente sempre temos um herói e achei interessante como o autor nos trás um anti-herói complexo, esse livro também acabou me surpreendendo por ser uma trilogia pois pensava que serie um livro unio e sendo um distopia pois sempre imaginei a historia acontece em um outro mundo, com certeza irei ler essa historia !!

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  15. Olá Douglas!
    Alguma coisa no livro também me incomodou. Curti muito o personagem mas a história não cativou.
    Bjs

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  16. Li este livro e não gostei tanto quanto você. Em algumas parte Jorg me conquistou, mas em outras me assustou muito, via nele um menino mimado e raivoso. Concordo que o mapa deveria mesmo ser mais detalhado e gostei de apresentar passado e presente, isso não me incomodou. Ótima resenha.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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