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25.4.17

Os Meninos da Rua Paulo [Ferenc Molnár]

Os Meninos da Rua Paulo
Ed. Companhia Das Letras, 2017 - 280 páginas:
      Publicada em 1907, a história dos meninos que travam batalhas pela posse do “grund” da rua Paulo, um pedaço de terra cercado onde se brinca à vontade, é conhecida por leitores de todo o mundo. A luta pelo “grund” vai além da vontade de comandar o local: ali, infância e fantasia prevalecem sobre as imposições do mundo adulto. O espírito de aventura, amizade e heroísmo presente nesta obra é capaz de transpor qualquer barreira de tempo, espaço ou idade. Esta nova edição conta com, além dos textos presentes na anterior, uma orelha assinada por Luiz Schwarcz, um posfácio de Michel Laub e um glossário.

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Resenhar clássicos sempre é difícil, e mais difícil ainda quando este possui um valor sentimental para muitos que o leram e o carregam como livro de cabeceira, pois a partir disso, torna-se uma missão quase obrigatória de escrever uma resenha bem critica e profunda por se tratar de um livro conceituado. Mas não foi o que houve. Não foi nada obrigatório chegar aqui e expor minha opinião, pelo contrario, foi divertido, espontâneo e muito mais fácil do que eu imaginava.

A trama gira em si em torno de um grupo de crianças que em certo momento tem seu espaço de lazer ameaçado por um outro grupo de crianças que querem toma-lo. Pronto. Só isso, mas vamos lá. Basicamente sendo isso, o autor nos dá motivos, e diria milhares de motivos, para nos importarmos com esse pequeno grupo. Primeiro por que cada criança que compõe “Os Meninos da Rua Paulo”, são extremamente verossímeis, e a riqueza de detalhes presentes nos acontecimentos é engrandecedora. A ingenuidade da infância, os valores presentes no decorrer da trama como confiança, amizade, companheirismo, lealdade, amor, extrapola todas as razões para a leitura do livro.

Livros com crianças sempre possuem essa gama de envolver quem lê, justamente por nos transportar para algo que transcende nosso ser, e principalmente para nos reavaliarmos como adultos crescidos. O que somos hoje, se conseguimos o que queríamos quando jovem, se somos felizes... Esses são apenas alguns dos pensamentos que nos permeiam após leituras tão profundas e intensas assim. O que nos leva ao segundo motivo (de infinitos) para ler este livro de mais de 100 anos de publicação.

Quando você junta todos esses aspectos acima e coloca num contexto histórico de guerra, tudo se torna mais profundo ainda. O que chama atenção ainda é que ambos os grupos, “mocinhos e rivais” possuem uma peculiaridade, que são as regras. Eles têm uma hierarquia, do líder até o faz tudo. Tem deveres a ser feitos, punição de honras, como escrever o nome do integrante em letras minúsculas num caderno após um ato inapropriado, para que todos vejam a vergonha que é ter o nome escrito sem ser em maiúsculo, que é uma das maiores honras.

“À pág 17 dos autos há a seguinte anotação: ernesto nemecsek com minúsculas. Está anotação se anula com a presente por ter sido motivado por um erro [..].” Pag 219

Outro motivo é a linguagem coloquial. Conhecemos palavras novas que não são mais adequadas em nosso dia-a-dia, obviamente, mas que nos surpreende por tamanhas variedades de significados. No momento da leitura ia marcando uma a uma para pesquisar, mas eu não tinha percebido o glossário ao fim do livro, então indico que quando encontrarem algo desconhecido, corram ao final pra ver.

Sem falar também de como essa tradução e notas de rodapé do Paulo Rónai fizeram toda a diferença. Há uma espécie de feedback com o leitor, quando este expõe sua conclusões, como fato de que o próprio autor, Ferenc Molnár, em momentos do livro dizer “nós” ao se referir aos meninos da rua Paulo, que se entende que ele fizera parte do grupo. Ou o fato do pequeno erro de escrita do mesmo ao trocar as cores das bandeiras da pág 47 e na pag 182. Que não influencia em nada, mas que notamos e o Paulo Ronai divide isso com o leitor. Os nomes dos personagens são bem diferentes à sonoridade dos brasileiros. São nomes húngaros que não estamos habituados, mas logo nos acostumamos quando lemos a pronuncia correta.

O livro ainda possui ilustrações bem simples, mas que representam incrivelmente bem a cena em questão. A escrita do autor de inicio é confusa, como qualquer livro clássico, mas que agrada e se torna poesia depois de habituarmos os olhos a ela. É uma narrativa envolvente e viciante.

“Tinha o espírito cheio de uma porção de pensamentos tristes que antes nunca lhe haviam ocorrido, perguntas sobre a vida e a morte, para as quais não conseguia encontrar resposta.”

Antes de terminar, vale a pena pesquisar sobre o monumento inspirado nos meninos que foi construído em Budapeste. Retrata os meninos jogando bolinha de gude. Muito bonito por sinal.

Os Meninos da Rua Paulo
Por user:misibacsi - Obra do próprio, CC BY 3.0, Ligação

Indico sim o livro a qualquer tipo de leitor que se permita viver um romance delicado com uma lição de vida extraordinária. Ótima leitura.

 Cortesia do Grupo Companhia das Letras
Douglas Brandão
Geminiano, formado em Magistério e futuro professor de História. Mora na Bahia e louco por livros. Um pouco ciumento e orgulho. Fanático por Harry Potter e chegou a receber o apelido de "Vírgula" por sempre dar uma opinião ou comentário, porque sempre usa "Entretanto", "Contudo" e "Todavia" por ser sempre "Do Contra". Sincero ao extremo e venho para compartilhar meu gosto de leitura com vocês.
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comentários pelo facebook:

20 comentários em "Os Meninos da Rua Paulo [Ferenc Molnár]"

  1. OI Douglas.
    Você falou que resenhar clássicos é difícil, minha dificuldade estar em ler clássicos.
    Gostei bastante da premissa, mas confesso que ainda tenho um certo receio em ler livros como esse, uma pena que a escrita do autor no começo foi um tanto que confusa, e tenho que concordar com você, o monumento é realmente muito bonito.
    Bjs.

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  2. Olá!!! Li esse livro e assisti ao filme, meio que obrigada na Escola, porém achei os dois muito bons. O livro parece ser bobo, mas é muito bom, todos que tiveram a oportunidade de ler ficaram encantados, não deixem de lê-lo, vale a pena.

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  3. Douglas!
    O livro realmente é único e nem se preocupe, porque sua resenha ficou a altura.
    Adoro a linguagem coloquial e o aprendizado.
    E quando tem crianças, sempre é carregado de aventura, né?
    “Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença.” (Anatole France)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  4. Olá,
    Fiquei muito admirada com sua resenha, a histora e super perfeita, por mas que não tenha conhecido fala mas lendo sobre o que você expresou me fez perceber que livros com criança e sempre algo com aventuras, brincadeiras e etc..então gostei bastante, amei...Claro o monumento embaixo, me fez lembra quando eu era criança que brincava disso!!

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  5. Oi Douglas! Tramas com crianças são sempre mais envolventes mesmo! Eu não li Os Meninos da Rua Paulo ainda (que vergonha), mas quero conhecer e adoro edições com notas de rodapé, é sempre um plus <3 Adorei a resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante
    Sorteio A guerra que salvou a minha vida

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  6. Oi Douglas, tudo bem?
    Com certeza vou anotar sua sugestão. Você tem razão em dizer que livros que são narrados na visão de crianças tem a capacidade de nos envolver e nos colocar dentro do campo de visão delas, mostrando assim, mesmo que nas pequenas coisas, a enormidade de assuntos que valem a pena serem discutidos.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  7. Oi Douglas!
    Sendo sincera não tinha conhecimento desse clássico, mas me lembra muito uma obra que li quando estava no fundamental. Achei muito interessante mesmo, e estou disposta a procurá-lo em alguma biblioteca, gosto muito de histórias com crianças e também que se passam em outros países(sempre bom para ganhar conhecimento de outras culturas). Prevejo que o livro carrega consigo uma bela lição, e livros assim costumam ser os melhores.
    Obrigado pela indicação.
    Abraços

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  8. Tenho muita dificuldade em ler clássicos imagina resenhar, fico só nas resenhas mesmo conhecer cada livro e a opinião dos resenhistas, mas historias envolvendo crianças é sempre mais emocionante não conhecia o livro realmente ando bem por fora.
    Até mais!!!

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  9. Olá.
    Sinto-me envergonhada por nunca ter ouvido falar desse livro.
    Achei bacana o monumento inspirado no livro, dá pra ver a grandiosidade que a obra alcançou.
    Deve ser um livro bacana, afinal a inocência da infância recheia suas páginas. Vou procurar saber mais da obra e o que ela tem a me acrescentar.

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  10. Já vi este livro e fiquei interessada em ler, embora não sou fã de clássicos. Melhor fase da vida é essa de ser criança, brincar e se divertir na rua, infelizmente isso hoje não é mais possível, acho que a leitura nos leva ao nosso tempo de criança.

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  11. Nossa que legal, gostei muito da resenha, eu gosto muito de ler livros com crianças, e essa ideia do autor se referir a "nos" as vezes é bem interessante. 100 anos de publicação? Deve ser incrivel ler um clássico desses.

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  12. Oi!
    Gostei muito da resenha, esse é um livro que ainda não conhecia, mas que já me deixou curiosa, não leio muito os clássicos, porém a cada ano tento ler um pouco mais do que no ano passado, porém esse é um livro que quero dar uma oportunidade para conhecer essa historia !!

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  13. Oi Douglas
    Muito bonito ler um livro onde podemos ver a simplicidade das crianças. Com certeza deve ser bem descontraído. Sobre o monumento eu achei maravilhoso!
    Beijos

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  14. Glossários são muito úteis quando o livro tem palavras mais rebuscadas.
    Caramba,tem até um monumento em homenagem e eu não conhecia essa obra!Fiquei curiosa.

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  15. Oii Douglas!
    Já tinha ouvido flar desse livro mas é a primeira vez que leio resenha sobre ele, gostei mto de conhecer, vou anotar pra tentar ler em breve.
    Bjs

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  16. Olá, Douglas!!
    Agora eu entendi esses monumentos, pois quando vi não tive curiosidade de pesquisar sobre o que era. Gostei muito do livro, que se conta a história dessas crianças alegres, e aventureiras.
    Deve ser muito bom o livro.
    Abraço!

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  17. Confesso que nunca tinha ouvido/lido nada sobre esse clássico e sinceramente a trama de Os meninos da Rua Paulo não me interessou, não curto livros onde os personagens principais são crianças, por esse motivo esse é um livro que eu não leria.
    Abraços!

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  18. A leitura de clássicos é sempre difícil para mim, perincipalmente se for original em outro idioma. Sempre que dou a oportunidade para este tipo de leitura sou surpreendida com historias maravilhosas. Não conhecia este livro e achei a historia cativante. Amo livros com crianças e quando os personagens e a historia é verossímil a leitura é sempre agradável. Dica anotada.

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  19. Oi Douglas,
    Não conheço este livro, na verdade nunca ouvi falar a respeito desta história. Na minha infância eu tinha uns grupinhos também que se reunia na rua e compartilhava milhares de ideias e brincadeiras. Algo inocente, mas que levávamos muito a sério. Os meninos da Rua Paulo, me lembraram desta época e me trouxe uma satisfação muito grande em saber que tive este tipo de infância. Se eu tiver a oportunidade, com certeza, vou querer realizar esta leitura.

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  20. Esse livro parece ser sinceramente PERFEITO, so ouso coisas boas sobre ele, certamente tenho q pesquisar para ler, e foi bom saber que é so ir no final do livro para saber o significado de alguma palavra, pq as vezes tenho preguiça de pesquisar na hr da leitura. Adorei a resenha.

    Bjs.

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