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10.4.19

O Tempo Desconjuntado [Philip K. Dick]

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

O que eu mais gosto sobre autores de ficção é que eles pensam em coisas que se identifica um bom autor de ficção: pelo nível de maluquice. Que foi? Vai me dizer que você acha perfeitamente normal alguém que consegue imaginar mirabolantes futuros distópicos em que robôs humanoides com problemas existenciais são caçados para serem “desativados”? Ou, em que uma espécie de organização secreta controla o destino das pessoas?
Estou dizendo: autores de ficção científica não dão normais. Todos birutas. Completamente lelés da cuca (ou seria “lelés-das-cucas”?). Mas como diria o gato da Alice, “somos todos loucos por aqui”.
E se a gente gosta desse tipo de livro é provavelmente porque a loucura deles encontra par na nossa própria.

Mas eu estou divagando e você veio aqui pra ler sobre o livro e não pra mergulhar nas minhas maluquices. Continuemos!

Título: O Tempo Desconjuntado
Autor: Philip K. Dick
Tradutor: Braulio Tavares
Editora: Suma de Letras
Gênero: Ficção Científica
Páginas: 272
Edição:
Ano: 2018
Onde comprar: Amazon, Submarino, Travessa

Eu sei que eu citei robôs humanoides ali em cima, mas pode esquecer tudo que falei porque esse livro aqui não tem nada a ver com isso. Exceto o autor, é claro. Caso não tenha entendido, eu explico: esse livro aqui foi escrito pelo Philip K. Dick que também é autor de “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?” Que deu origem ao filme Blade Runner dirigido por Ridley Scott e à sua continuação Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve.

Mas não há robôs em O Tempo Desconjuntando. Na verdade, toda a ambientação é bastante estranha não só para o gênero como para o autor, uma vez que tanto K. Dick quanto a ficção científica em si costumam preferir situar suas histórias em grandes cidades futurísticas e não é o que vemos aqui.

“A palavra não representa a realidade. Para nós, pelo menos. Talvez Deus chegue aos objetos. Nós, contudo, não.”

Pra começo de conversa, o protagonista Ragle Gumm, mora com a irmã, o cunhado e o sobrinho numa cidadezinha super pacata, no final dos anos 50. Ragle dedica seus dias a resolver os enigmas de um concurso de jornal muito estranho. Ele acerta sempre, o que garante que permaneça na competição e seja pago por isso. Você poderia pensar que a vida de Ragle e a própria história parecem tediosas, mas isso aqui é uma ficção científica e, como não poderia deixar de ser, nada é o que parece e nosso protagonista tem sentindo um certo estranhamento ultimamente. As coisas parecem não se encaixar e o próprio tempo parece “errado”. O desconforto gerado por esse estranhamento faz com que o nosso Ragle saia de sua zona de conforto e comece a investigar o que está acontecendo.


A expectativa é a mãe de todas as decepções e eu posso provar. Além do supracitado Blade Runner outras adaptações tiveram como base a obra de Philip K. Dick. Entre elas filmes como Minotory Report, Vingador do Futuro e Os Agentes do Destino. Então eu, como nerd e fã de ficção que sou, fui com toda sede ao pote esperando uma daquelas obras que tiram o fôlego e transformam vidas. Obviamente não foi nada disso.

Não me entenda mal, o livro é realmente muito bom e mereceu cada uma das quatro estrelinhas que eu dei ali em cima, no entanto, minha expectativa era bem alta.

Mas não se deixe contaminar por esse sentimento e te asseguro que vai ficar tudo bem. É muito divertido embarcar nas paranóias de Ragle e tentar entender junto com ele o que está acontecendo. E falhar miseravelmente, porque de todas as teorias mirabolantes que que criei na minha cabeça, só uma estava relativamente certa e mesmo assim passou longe de chegar ao que o autor criou. Outra coisa que eu achei bem legal no livro é que você realmente se pega prendendo a respiração nos momentos de tenção. E, é claro, torcendo para que Ragle descubra o que está havendo.


Por último, mas não menos importante, queria reservar um momento pra enaltecer o trabalho de encadernação maravilho da Suma. Que capa linda, meus amigos! Coloridíssima, com elementos que fazem todo sentido dentro da trama e com as letras em baixo relevo (não sei você, mas eu sou 100% apaixonada por letras em baixo relevo). E é capa dura o que deixa qualquer amante de livros pra lá de feliz. Enfim uma encadernação pra leitor nenhum botar defeito.


Se você gosta de histórias de ficção, meu conselho é: vai fundo!
K. Dick é um autor indispensável para o gênero e, a meu ver, O Tempo Desconjuntado é uma obra indispensável do autor. Além do mais é bem curtinho, então você vai ler super rápido.

Ah, se quiser conhecer um pouco mais à respeito, existem duas séries da Amazon Prime (que é a Netflix da Amazon) baseadas em histórias de K. Dick. Uma é O Homem no Castelo Alto que se passa nos anos 60 em uma realidade onde o Eixo (Alemanha, Japão e Itália) venceu a segunda guerra derrotando EUA, Inglaterra e os outros países Aliados. A outra série é Eletric Dreams que é uma espécie de Black Mirror imaginado por Phillip K. Dick. As duas valem muito à pena. Leia outros livros dele também. Como eu disse, é um autor indispensável para a ficção científica.

É isso! Eu vou ficando por aqui.
Não esqueça de se hidratar e de seguir minhas dicas de leitura.
A gente se encontra na próxima resenha :D

comentários pelo facebook:

18 comentários em "O Tempo Desconjuntado [Philip K. Dick]"

  1. Philip Dick é um autor que escreve para selecionados! rs e não me leve a mal, mas para entrar no mundo doido que ele cria, tem que ter a mente muito aberta ou no mínimo, estar bem disposta(o) a se abrir ao desconhecido e muita gente, ainda se mantém bem fechado em relação a isso tudo.
    Ainda não pude ler esta obra do autor, mas já conheço um pouco de suas letras e dizem as más línguas que esta obra acima é uma das mais brandas dele..rs
    A capa realmente é um escândalo de linda e com certeza, quero muito me jogar na mente maluca e gostosa do autor!
    Beijo

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  2. Oi Andressa,

    Nunca li nada do Philip K Dick, mas tenho muita vontade! Não conhecia essa obra dele ainda, mas já adicionei na minha lista.

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  3. Olá, Andressa
    As edições da Suma são maravilhosas, eles estão caprichando nos livros de PKD.
    Não li nenhum livro do autor, mas quero muito poder conhecer sua escrita.
    Sobre seu comentário super me identifico, penso que todos temos um pouco de loucura, kkk.
    Gostei muito da trama e que o personagem saiu da sua zona de conforto e foi se aventurar para descobrir sua inquietação.
    Quero muito ler, beijos!

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  4. Oi Andressa,
    O que seriamos de nós se não tivéssemos um pouco de loucura no dia-a-dia, não é mesmo? Honestamente, autores como K. Dick, por mais malucas que sejam suas ideias, de uma forma muito estranha, são os que tem as que mais fazem sentido. Não tive contado com nenhuma obra do autor, mas gosto de ler as resenhas sobre seus livros. Diferentes de outras histórias do autor essa tem uma certa normalidade o que acaba deixando tudo bem mais estranho. Para deixar um leitor curioso com o final de uma trama é só criar um personagem paranoico com sua própria existência e, neste contexto, Philip K. Dick trouxe uma história bem interessante e mesmo que não tenha sido uma das melhores que escreveu, para alguém que não tem experiência com sua escrita, O Tempo Desconjuntado, pode ser um bom ponto de partida.

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  5. A edição está simplesmente linda!
    Sei muito bem como é ter altas expectativas em um livro e elas não serem alcançadas em sua totalidade.
    Achei a premissa bem interssante.Triste por saber que o autor não alcançou o sucesso merecido com esse livro que é bem interessante.
    Enquanto lia a resenha flashes de O Show de Truman, filme que aliás adoro. E por essa motivo fiquei com vontade de ler.

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  6. Eu assisti os filmes Blade Runner, mas não li nenhum livro do K. Dick.
    Realmente, livros de ficção científica são completamente fora da caixa. Os autores devem ser birutinhas mesmo, e, com certeza, leitores que gostam e entendem tudo isso devem ter a mente muuuuiiiiito aberta.
    Vou procurar ler esse livro para ser minha primeira leitura no universo de K. Dick.

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  7. Great review. I learned something new. Thank you for sharing this.

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  8. Juro que pelo nome do livro, não leria jamais, sei lá kkkkkk
    Mas depois de ler sua resenha, fiquei numa curiosidade imensa de conhecer essa história e criar várias teorias tbm, mesmo que seja pra errar.

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  9. Confesso que não é meu gênero favorito, mas fico fascinada com essas ideias geniais e originais (vulgo maluquice haha) que os autores criam.
    A premissa desse livro chama bastante atenção e sua resenha é muito convidativa.

    Beijos

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  10. Olá! Ainda não conhecia o livro e todo o enredo me deixou um tanto quanto confusa (risos), mas de uma forma positiva, já que só fez com que a vontade de conhecer mais sobre a história aumentasse, acredito que o autor tem uma maneira única de escrever, por isso, quero muito conhecer sua escrita.

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  11. Primeiramente: eu simplesmente adorei o fato de você ter citado a frase do gato de cheshire kkkk
    Confesso que ficção científica não é um dos gêneros mais requisitados por mim, porém gosto de me aventurar em novas leituras. A edição está realmente lindíssima, a suma fez um ótimo trabalho!

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  12. Andressa!
    A capa é realmente bela.
    Como amo ficção/distopia, já me interessei pelo tema e pela leitura, ainda mais sabendo que o livro é fechadinho, mesmo que na sua visão, o enredo empolgante traz o suspense e as reviravoltas.
    cheirinhos
    Rudy

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  13. Olá Andressa!
    Apesar de não ser uma grande fã de ficção científica tenho que admitir que gosto das teorias malucas. Concordo que a expectativa pode se tornar um grande problema quando não é saciada mas qual a graça de ler um livro sem expectativa nenhuma? A edição do livro está linda mesmo, uma verdadeira obra de arte.
    Beijos

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  14. Oi Andressa,
    Philip K. Dick é um autor que ainda não me aventurei, mas pretendo conhecer, como você comentou a influência dele está em muitos lugares.
    Vi alguns episódios do Eletric Dreams , mas não sabia que O Homem no Castelo Alto também é baseado nas histórias dele.
    Hum, gosto quando sou surpreendida e algo oposto das minhas teorias acontece, especialmente com personagens que apresentam muitas paranoias.

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  15. Olá Andressa!
    Estou há tempos com vontade de ler alguma obra de Philip K. Dick, porém com os preços exorbitantes que encontramos em suas obras nas livrarias fica difícil haha. Para alguém que espera uma ficção científica toda conceitual e com cenários grandiosos esta obra talvez não seja a mais indicada, porém é notório que o autor dá um show de caracterização e entrega um final satisfatória. Em relações a essas adaptações, só conferi todas as temporadas de The Man In The High Castle e simplesmente adoro! Só espero poder conhecer a escrita do autor em breve.
    Beijos.

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  16. Oi, Andressa!
    As idéias de alguns autores de ficção são tão mirabolantes que as vezes eu paro e penso "Nossa, como ele/a conseguiu imaginar isso?!" rsrs
    Em relação a O tempo Desconjuntado, confesso que não costumo ler ficção científica, mas se eu tiver a oportunidade vou arriscar a leitura sim, quem sabe no fim eu acabe gostando de acompanhar as aventuras do Ragle?!
    Bjos!

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  17. Eu gosto muito de ficção científica e essa parece bem diferente do que estou acostumado. Realmente diante de tudo o que o autor já nos apresentou e que tive contato fico imaginando o que exatamente está por detrás desse enredo aparentemente pacato. Fiquei bastante curioso. Dica anotada, com certeza.

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  18. Olá!
    Adoro bastante de livros de ficção cientifica, gosto muito desse mundo..O livro tem uma premissa ótima e fiquei um tanto curiosa por ele, mas a sua apresentação do livro me fez interessa por ele.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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