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25.11.19

Mãe, Me Ensina a Conversar [Dalva Tabachi]

Dalva Tabachi
Cortesia da Editora Rocco

Escrito em primeira pessoa, a Dalva Tabachi mãe de Ricardo e outros 3 meninos, descreve como lidou com o diagnóstico de seu primeiro filho e como foi para ela enfrentar as dificuldades geradas pelo Transtorno do Espectro Autista que seu filho está inserido. Ela começa com um “mea culpa” sua ausência nos primeiros anos da vida de seu filho por estar dividindo o seu tempo de maternidade com a vida profissional;

E assim, entendemos que o livro não é sobre o filho e sim sobre a luta de uma mãe, uma família para que seu filho conseguisse superar desafios e adversidades causados por sua condição de autista. A atitude dela de “se errei foi procurando fazer o melhor”, até entender que não era o melhor para ele e sim para mim o que ao invés de uma frustração gerava uma mudança de atitude, foi extremamente reconfortante. Afinal toda boa mãe que erra certamente é tentando acertar.

Mãe, Me Ensina a Conversar
Título: Mãe, Me Ensina a Conversar
Autor: Dalva Tabachi
Editora: Rocco
Gênero: Biografia, Memórias, Família
Páginas: 96
Edição:
Ano: 2016
Onde comprar: Amazon

Com diversos depoimentos de profissionais que assistem ou assistiram a família e ao Ricardo nessa caminhada, vemos a importância de a mãe não ter tentado esconder o filho diferente, ainda que os preconceitos alheios causem dor ou estranheza, afinal quem é mãe sabe que o fim de uma etapa significa apena o começo de outra etapa. E assim de etapa em etapa Dalva nos apresenta sua mãe e sua vida enquanto mãe de 4 filhos sendo um dentro do espectro do autismo, o eterno dilema entre a vida doméstica e a carreia, as conquistas e renuncias que são feitas e a culpa que acompanha a ambas na vida, em especial da mulher;

“Cada progresso por menor que seja, leva a outros. Nada se faz num piscar de olhos. Não existem milagres. Ricardo jamais parou de aprender. Continua aprendendo – e toda a nossa família aprende junto com ele.”

O foco de criar filhos focados na vida profissional, é retratado por Dalva como uma falha em não preparar para a vida doméstica, afinal ao sair da casa dos pais ainda existirá a necessidade de atividades como comer, vestir roupas limpas e dormir em uma casa asseada. O conselho que ela dá sobre o aprendizado por meio dos livros e da leitura de materiais informativos, para mim é de muita sabedoria e da qual sou entusiasta.

Tal afirmação aplica-se a livros como esse que mostram de maneira clara e precisa que apesar da dificuldade é possível, o que alimenta a experiência das mães que se veem pela primeira vez diante do diagnostico ou que já estejam nessa caminhada e durante a leitura desse depoimento sentem-se representadas ou retratadas.

As afirmações dela sobre o elo materno ao filho para mim além de verdadeiros são tocantes ao fato de Dalva em sua experiência ter tido a nítida constatação que o sentimento materno é sábio e que o afeto materno é insubstituível. Outro ponto destacado é que o papel da unidade familiar foi de suma importância para que cada conquista e vitória alcançada com Ricardo não foi só fundamental como imprescindível e que a própria saudade física e mental da mãe foi resguardada por essa mesma união.

“Experiência se adquire com vivência, mas também pode ser adquirida com a teoria. Ao menos em parte”

Depois do diagnostico cada mãe e família lida de uma maneira diferente, mas frequentemente como nossa protagonista o Drama e a Culpa são sentimentos presentes e por muitas vezes predominantes sobre todos os outros, mas nesse livro temos a atitude proativa da mãe que reconhece a ausência de utilidade dos outros sentimentos frente ao problema e que pouco ou nenhum proveito tem para que exista uma melhoria do quadro. Apenas a ação de “arregaçar as mangas” e utilizar todos os recursos disponíveis são atitudes que surtirão efeito a médio e longo prazo.

Com a ação a temática do livro passa a ser o caminho trilhado para que Ricardo e família conseguissem não apenas lidar como também vencer os obstáculos. Ela narra sobre a música foi um importante aliado para o caminho que leva o “mundo particular” do seu filho, caminho esse que varia de pessoa para pessoa, afinal cada mundo assim como seu “dono” é único. Fala também sobre a desinformação e palpites são prejudiciais para a família já em situação de stress, e como um simples beijo pode ser algo tão grandioso e surpreendente por se representar de uma imensa vitória diante a problemática.

Sobre o quanto o autismo é uma visita e revisita a empatia. O quanto a dedicação e solidariedade costumam ser uma vida de mão dupla e acaba por ensinar tanto o professor quanto ao aluno autista, mas nem por isso um processo rápido e simples, costumeiramente longo, cansativo e demorado, mas que ao ter o objetivo alcançado traz uma sensação quase indescritível. Os desafios de lidar com uma criança, adolescente, jovem ou adulto (porque como bem pontuado no livro as crianças antes autistas continuaram a crescer e a serem autistas em cada fase de suas vidas) que não possuem e chega a inexistente a noção de perigo, mesmo existindo um medo profundo por objetos e situações que não causariam temor a nenhum não autista.

“A praticidade das ações foi muito mais eficaz que o sentimentalismo. Pouco a pouco, começamos a reverter o quadro. ”

O quanto a falta da mesma empatia, conhecimento são danosos nas situações em que os pais veem a si e seus filhos não “normais” sendo discriminados aberta e as vezes de forma acidiosa e o quanto isso é um peso ainda maior a quem já encara abertamente uma batalha pelo desenvolvimento de seu filho no dia-a-dia. E que o preconceito abre uma ferida que cicatriza, mas não sara em quem sabe que o comportamento pode ser melhorado, mas não é deliberado. Que a resiliência dos pais é re-testada nesse momento e que apenas o amor incondicional pelo filho é o combustível para passar por cima dessas situações e continuar.

Assim, espero que caso você se dê a chance de ler esse livro, como eu veja o lado de quem ama de forma incondicional e encontra em amigos e profissionais o apoio para dar uma chance a quem se ama de ser feliz e desenvolver todas as suas capacidades e trabalhar suas impossibilidades da melhor maneira visando que o autista conquiste sua indecência no sentido mais amplo e verdadeiro possível da palavra, vida de forma satisfatória em sociedade enquanto amigo, funcionário, namorado e seja na somatória dessas conquista alguém feliz.

comentários pelo facebook:

15 comentários em "Mãe, Me Ensina a Conversar [Dalva Tabachi]"

  1. É uma luta diária contra as dificuldades, preconceitos (seus e dos outros), limitações.
    Cada conquista deve ser celebrada.
    O que mais gostei é que Dalva conta tudo, tudo mesmo. Seus acertos e erros.
    Sempre com muito carinho e amor.

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  2. Eu já tentei me colocar no lugar dessas mães tantos dias. Não, não tenho nenhum autista na família, mas tenho uma amiga que é mãe de um garoto lindo, que hoje já tem 12 anos e aparentemente vive uma vida normal. Vai a escola, pratica esportes, mas ela diz que sempre foi e é um luta diária.
    Não só pelo bem estar do garoto, mas por ela também e pela irmã e o pai das crianças.
    Por isso, fiquei com o coração feliz ao ler a resenha acima, acredito que livros assim deveriam chegar nas mãos de tantas mães, irmãs, cuidadores, pessoas..que precisam aprender dia a dia a cuidar e proteger pessoinhas tão especiais!
    Vai pra listinha de desejados e vou recomendar ele para minha amiga.
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  3. Olá! Um livro que tem muito a nos ensinar, trabalhando em escola já tive a oportunidade de conviver com alguns alunos diagnosticados com o Autismo (graus variados), e realmente a maneira que os pais, família, amigos lidam com essa condição da criança varia muito (já vi casos em que os pais não aceitam, e preferem ignorar o assunto, tem aqueles que estão comprometidos em ajudar os filhos e tem aqueles que não tem ideia do que fazer), acredito que um relato tão verdadeiro ajudaria muito todos os que convivem com essas crianças a enxergar a melhor maneira de descartar o preconceito e aprender, a ajudar criança e família a se adaptarem.

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  4. Olá Elisabeth!
    Além de apresentar um história tocante, acredito que a obra pode ser muito útil para quem não sabe lidar com uma pessoa que possui o espectro do autismo.
    Gosto da forma com a qual o livro aborda o assunto, pois mostra que é errando e quebrando barreiras que vamos descobrindo métodos de cuidar dessas pessoas, que precisam de uma atenção especial e, claro, focada nas suas necessidades para viver bem em sociedade, de modo que não sejam excluídas.
    Beijos.

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  5. Nossa, o título me encantou. E saber do que se trata, torna a leitura tocante.
    Acredito que seja uma leitura necessária para quem se identifica com a vida da Dalva; é um apoio, um abraço através de um livro.
    Mas também acho necessário para quem não tem o convívio com uma criança/pessoa autista. Precisamos ter esse olhar de empatia, e esse livro é muito enriquecedor.
    Amei saber sobre.

    Beijos

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  6. Olá Elizabeth!
    Acho bem importante divulgar livros com esse tema, afinal o autismo é pouco discutido no Brasil, e toda informação é bem vinda. O que me chamou a atenção foi clareza com que Dalva expõe sua humanidade, sem querer se passar pela mãe perfeita. Com certeza é um grande desafio para a família toda, principalmente a questão do preconceito, mas com paciência, cuidado e afeto podemos vencer essa barreira.
    Beijos

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  7. Olá! ♡ Precisamos de livros assim, tão enriquecedores, que nos ensinam tanto! ♡ Que mostram a importância da empatia, de sabermos nos colocar no lugar dos outros.
    Quero muito poder fazer essa leitura, e acompanhar Dalva por essas páginas, suas lutas, erros e acertos, sempre procurando fazer o melhor por seu filho, é lindo ver como amor, carinho, compreensão fazem toda a diferença e são essenciais para que obstáculos sejam superados ♡
    Muito obrigada pela indicação, espero muito ter a oportunidade de fazer essa leitura!
    Beijos! ♡

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  8. Elizabeth!
    Acho importante podermos aprender com as experiências de quem passa por 'problemas' como esse demonstrado no livro.
    Gosto demais quando os livros trazem essa abordagem mais psicológica de algum distúrbio e de como é o relacionamento tanto com a mãe como com os familiares.
    Já comprei.
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Acredito que essa é uma leitura bastante válida, de um relato muito verdadeiro de uma mãe que entre acertos erros busca o melhor para o seu filho, achei muito bacana essa sua iniciativa de compartilhar com outras pessoas suas experiências.

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  10. Não costumo fazer leitura de livros assim. Mas acho bastante importante ter livros que abordam assuntos assim.
    Nunca paramos para pensar o quão difícil deve ser para uma família, especialmente para a mãe enfrentar todas as dificuldades e preconceitos da sociedade.
    Achei importante o livro retratar os erros e os acertos, e acima de tudo a busca sempre pelo melhor na criação da Dalva com o filho.

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  11. Olá!
    Um livro muito interessante que com certeza deve ser lido. Ser mãe não é fácil, mesmo que eu não seja não quer dizer que não sei, mas percebo muito isso com as minhas amigas ao redor que já são mãe. Sendo mãe de um filho normal é complicado imagina com um filho que tem autismo, sempre ver pessoas ao redor com olhar torto, sofre preconceito e principalmente a criança sofre isso. Gostei muito do livro, de ele mostra a vida dessa mãe que procura o melhor pro filho. Espero muito ler!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  12. Oi, Elisabeth!
    Que livro mais incrível e sem dúvida muito interessante, e que bom que temos livros com esse tema, pois cada vez mais temos pessoas na sociedade com transtorno neurológico e precisamos saber mais sobre elas para poder conviver harmoniosamente com todos.
    Bjs

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  13. Oiii ❤ Nossa, acho que nunca li um livro que tratasse esse tema, então adoraria fazer a leitura desse.
    Gostei que se trata de o que uma mãe fez ao saber que o filho tinha autismo, gostei que ela não tentou esconder o filho do mundo, coisa que sabemos que muitas mas fazem por medo dos filhos sofrerem.
    Também acho que os filhos precisam aprender sobre a vida doméstica, toda criança deveria ser ensinada sobre isso.
    Achei essa frase da capa muito bonita, "vencendo o autismo com amor".
    Beijos ❤

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  14. Olá, Elizabeth
    Não conhecia o livro, vai para a lista de desejos.
    É uma leitura de grande importância para país, irmãos, parentes em geral, professores, nas escolas.
    Como o autismo tem graus variados e cada ser humano tem o "seu mundo" é bom termos conhecimento sobre o transtorno e como o autista é afetado.
    Na semana passada li uma reportagem de pais que levou o filho para assistir o jogo do Corinthians e quando o barulho começou o menino claro se sentiu incomodado, forneceram uma sala anti-ruído para os pais e o filho.
    A esperança que exista mais lugares com essa acessibilidade para os autistas.
    Quero muito fazer a leitura em breve.
    Beijos

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  15. Oi, Elizabeth
    Nossa, eu não conhecia esse livro, mas quero pra hoje!
    Que história de vida, imagino tudo que a Dalva passou com medo de não estar ajudando o filho, de não estar fazendo o melhor.
    É uma leitura importantíssima, que com certeza, nos ajuda a olhar para todos de uma maneira diferente e como agir e ajudar quem tem autismo, ao invés de atrapalharmos, mesmo que sem querer!
    Vou querer ler!
    bjs

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