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19.6.20

O Professor [Charlotte Brontë]

Charlotte Brontë
Clube de Leitores Pedrazul

Sou uma amante de romances históricos clássicos, pois este tipo de romance é uma inesgotável fonte de conhecimento, me permitindo aprender outros costumes, afinal não são livros baseados em pesquisas, eles foram escritos por autores que viveram aquele momento, logo escreviam conforme seus próprios comportamentos e condutas. Os conflitos internos dos personagens, gestos, linguajar, são conduzidos para as suas páginas, contextualizando e ampliando a sensação de se estar vivenciando outra realidade, como que transportada por uma máquina do tempo.

Tornando-me assinante do Clube de Leitores Pedrazul, que a cada dois meses me envia uma caixinha surpresa com um livro, preferencialmente clássicos ingleses inéditos, juntamente com um brinde surpresa e marcadores, estou tendo uma oportunidade única de conhecer novos clássicos. E o primeiro que recebi foi O Professor de Charlotte Brontë.

O Professor
Título: O Professor
Autor: Charlotte Brontë
Tradutor: Amanda Magri
Editora: Pedrazul
Gênero: Romance
Páginas: 255
Primeira Edição: Londres, 1857
Favorito
Onde comprar: Clube de Leitores Pedrazul

Já conhecia Charlotte Brontë pela sua mais famosa obra, Jane Eyre, ao qual sou apaixonada, já tendo lido o livro duas vezes e visto várias adaptações de séries e filmes. Confesso minha ignorância de não conhecer esta obra, nem sabia de sua existência. Talvez por isso a leitura me impressionou bastante, foge completamente do estilo de Jane Eyre, pois os personagens são todos a frente do seu tempo, a sua maneira simples, tentavam alcançar a tão almejada felicidade, diferentemente de Jane Eyre onde eles viviam reprimidos pelos ditames da sociedade.

Com isso, a trama, apesar de mais simples, tornou-se mais saborosa, pois muito era dito nas entrelinhas (sabemos, por exemplo, que não se podia declarar abertamente a sexualidade de um personagem, e nesta obra de Brontë, uns dos seus personagens é homossexual). Fiquei tão impressionada com a leitura que fui pesquisar mais sobre a autora no Google, li sua biografia e descobri que este livro foi escrito antes de Jane Eyre, mas infelizmente rejeitado por muitas editoras, só sendo publicado postumamente em 1857.

A fantasia envolvendo professor faz parte do imaginário de muitas alunas, inclusive na biografia da autora, dizem que ela se apaixonou por Constantin Heger, que dirigia juntamente com sua esposa, o internato para meninas onde Brontë ensinava inglês em Bruxelas, e que foi a fonte de sua inspiração para o livro, o que torna a leitura ainda mais interessante.

Para a autora, um herói deveria passar pela vida trabalhando, da mesma forma que homens reais o fazem, sem aceitar nem uma moeda que ele não tenha merecido. Assim nasceu William Crismsworth, um órfão inglês criado por tios aristocráticos, foi educado em Eton, e durante os dez anos que lá ficou, não teve mais nenhum contato com seu irmão mais velho, que soube, ter enriquecido no comércio.

Por não se entender bem com os tios, depois de formado pediu um emprego ao irmão mais velho. Chegou cheio de entusiasmo e alegre, mas encontrou um irmão frio e distante, que, entretanto, lhe arrumou o emprego, mas não o convidou a morar na sua mansão. Sem desanimar William alugou um pequeno quarto e estava determinado a provar ao irmão que era um bom trabalhador, mas embora se esforçasse, sempre era depreciado pelo irmão, até que a situação se tornou insuportável e ele, assim, aceitou a colocação de professor numa escola para meninos em Bruxelas, Bélgica.

Lá a situação mostrou-se mais favorável ao jovem. Adaptou-se bem ao novo trabalho e seu quarto tinha uma janela vendada porque dava de frente para o jardim de um internato feminino, inclusive a diretora deste estabelecimento estava precisando de um professor de inglês e contratou William, que se animou com a novidade de dar aulas para moças.

“Até que enfim eu veria aquele misterioso jardim, contemplaria tanto os anjos quanto seu Éden.”

A trama é narrada pelo próprio William, que vai descrevendo os personagens como ele os vê, inclusive fazendo-lhes a análise de caráter. Ao frequentar o internato das meninas, mesmo não se achando um homem bonito, era jovem e precisou se impor para obter o respeito de suas alunas. Percebeu um certo interesse da diretora, Zoraide Reuter, em sua pessoa. Lá conheceu uma jovem professora de costura, Frances Evans, que ele já tinha reparado em sua dificuldade de se impor perante as ricas alunas, devido a sua posição social inferior. Animou-se em ajudá-la a superar esta barreira.

“- Monsieur Creemsvort, aquela jovem que acaba de entrar deseja ter aulas de inglês com o senhor. Ela não é aluna daqui. Na verdade, é uma professora que dá aulas sobre como remendar tecidos de renda e alguns bordados de tricô. Ela fez uma solicitação por um cargo mais elevado, e pediu permissão para assistir as suas aulas, a fim de aperfeiçoar seu inglês.”

O texto, diferente dos atuais, desnuda a alma dos personagens, trabalha sobre seus conflitos existenciais, desejos e restrições. Vi no livro a ânsia dos protagonistas de vencerem barreiras impostas pelas diferenças sociais e culturais, e todo este rico contexto me levou a apreciar cada parte da leitura. Charlotte Brontë não se absteve de alfinetar seus conterrâneos ingleses.

“Duas pessoas que possuem gostos simples podem viver bem em Bruxelas com uma renda que sequer poderia arcar com as despesas de uma acomodação descente em Londres: não porque as necessidades vitais são muito maiores naquela grande capital ou porque os impostos são muito mais caros, mas sim porque os ingleses são mais tolos do que todas as outras nações criadas por Deus. Eles são mais sujeitos a serem escravos dos costumes e das opiniões alheias, possuem um desejo em manter as aparências; tal sentimento suplanta o dos italianos com relação ao sacerdócio, ou dos franceses com relação à vaidade, ou dos russos ao czarismo, ou até dos alemães quanto à cerveja preta.”

Não são todas as pessoas que conseguem se adapta a leitura de clássicos, a maioria estranha o linguajar mais rebuscado, particularmente, isso é que os torna mais atraente para mim, pois como já disse anteriormente, me sinto vivenciando outra época.

Recomendo muitíssimo a leitura deste livro.

25 comentários em "O Professor [Charlotte Brontë]"

  1. Acho que foi uma das resenhas mais perfeitas que já li até hoje e que falam exatamente sobre o gênero. Muita gente torce o nariz de fato, pela linguagem mais rebuscada, costumes, palavras que hoje em dia nem existem mais.
    Mas é essa viagem ao passado de fato, que vale a passagem por um livro assim, carregado de passado, de história!
    Eu conheço bem pouco de Charlotte e esse livro era totalmente desconhecido para mim.
    Claro que essas caixinhas são recheadas de sonhos.
    Já preciso!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. Obrigada pelo comentário e "viagem ao passado" é realmente o meu sentimento ao ler clássicos.

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  2. Estou doida para ler as obras dessa autora que todos falam tão bem. Quero muito ler Jane e esse outro livro tem tudo para ser bom. Amei já a ideia do professor ajudar a aluna de posição social inferior e parece ser uma leitura enriquecedora e gostosa de se ler. Parece ser aquele livro que te prende logo no incio e com aquele desenrolar maravilhoso. Amo livros de romances históricos e clássicos ainda deve ser ainda mais perfeito

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  3. Olá Gisela!
    Adorei as criticas de Charlotte à sociedade inglesa, imagino mesmo que a obra não ia ser bem tolerada na época em que foi escrita. Eu não costumo ler muitos romances históricos, confesso que mais nova quando li Morro dos Ventos Uivantes não gostei nem um pouco, mas estou disposta a conhecer a escrita a outra irmão Bronte, ainda mais considerando que o personagens são menos caricatos nesse livro. E claro, sendo romance já atiça a minha vontade de ler.
    Beijos

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  4. Oi Gi!
    Como já falei em outro post, sou fã da Pedrazul!!!!
    Tenho imensa vontade de ler Charlotte Brönté. Inclusive acho que vou me aventurar a ler Jane Eyre.
    Vi quando divulgaram O Professor na caixa do Clube de Leitores. Infelizmente no momento não posso assinar o clube. Mas acho sensacional o fato deles resgatarem esses grandes clássicos.

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  5. Gi!
    Gosto também quando a linguagem é mais erudita, porque podemos aprender vários termos diferentes.
    Estou lendo um romance histórico do século XVII - Angélica Ultrajada e me deliciando com a leitura.
    Nunca li nada da BRonté, mais gostei da forma como ela mostra a personalidade das personagens.
    E adorei esse lance do clube de leitura da Pedra Azul, vou dar uma olhada.
    cheirinhos
    Rudy

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  6. Olá Gisela!
    Meus únicos contatos com livros clássicos foram as leituras obrigatórias na época do colégio, mas confesso que acabava me surpreendendo porque os livros de fato eram muitos ricos, o que não parece ser diferente com O Professor.
    Além de nos proporcionar uma visão ampla da época na qual se passa a história, é possível perceber que Charlotte Bronte sabe muito bem caracterizar seus personagens de modo a deixá-los críveis aos olhos do leitor. E para completar, essas críticas mascaradas elevam mais ainda a qualidade do material, permitindo uma ótima reflexão.
    Já anotei essa dica, beijos!

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  7. Estou gostando de ler clássicos, então é bom saber desse livro.
    Gostei de Jane Eyre, tenho vontade de ler outros livros da Charlotte - e das outras irmãs.
    Acho que li sobre esse livro na minha edição de Jane Eyre, mas não sabia o quanto ele é intenso.
    Gosto quando as coisas são ditas nas entrelinhas e esse livro me parece ter tanto sentimento.
    Preciso ler!

    Beijos

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  8. Oi, Gi
    Não li nada da autora, uma pena que esse livro só tem pelo clube de assinatura.
    Ler livros escritos em outra época nos leva para uma viagem no tempo, aprende os costumes e como funciona tudo e claro os preconceitos que existia também.
    William é um rapaz que mesmo jovem sofre com seus familiares e procura viver de um modo diferente através do seu trabalho.
    Beijos

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  9. Realmente, quando leio esse tipo de livro não costumo me adaptar tanto ao linguagar, o que acaba tornando a leitura um pouco arrastada em algumas partes. Mas concordo que livros assim nos fazem viajar no tempo e que é incrível conhecer os costumes e tudo mais da época. Achei muito legal o fato da autora ter trabalhado tão bem seus personagens.

    Beijos,
    Amanda Almeida

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  10. Olá,

    Confesso que não sou muito de ler clássicos, mas estou tentando mudar isso, por isso quero muito dar uma chance para esse livro.
    Não conhecia a autora, então vou pesquisar mais sobre ela com certeza.
    Sempre fico em dúvida se vale a pena assinar Clubes, pois sempre acho os valores bem altos, :/


    Beijos

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  11. ola
    não conhecia esse livro dessa autora só conheço Jane Eyre mas ainda não tive a oportunidade de ler
    realmente ler livros que foram escrito há muito tempo pode causar certa estranheza no inicio mas acho que depois que a gente se interage com o estoria a leitura se torna mais fluida

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  12. Olá! Ainda não li nada da autora, mas a resenha com certeza me animou a mudar isso, o livro parece ser muito bom, ainda mais porque temos a narração feita pelo protagonista masculino.

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  13. Oi Gisela,
    Com as irmãs Bronte tive apenas uma experiência e não foi muito boa, na verdade nem conclui a leitura. Não conhecia esta obra, mas fiquei curiosa mesmo não tendo muita experiência com romances históricos que diferente dos romances de época atuais, são mais desafiadores para mim. Eu gosto de ler livros de romances com professores, mas estes sempre pesam no romantismo e não abordam muitos elementos reais. A obra de Charlotte me aprece trazer mais do que isso, vejo aqui que a autora se preocupou em mostrar detalhes muito importantes para a construção dos personagens e da história. Como, por exemplo, sua preocupação em criar um mocinho que não viesse de um berço de ouro, mas sim com uma história de vida cheia de desafios. Eu tinha uma curiosidade em conhecer a escrita de Charlotte por causa da obra Jane Eyre, que tanto já ouvi falar, mas acho que essa experiência se dará, primeiramente, com O Professor quando a oportunidade surgir.

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  14. Eu particularmente adoro classicos, mesmo com sua linguagem rebuscada. Ainda nao li nenhum livro da autora, mas espero começar em breve essa experiencia historica.

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  15. Oi, Gisela!
    Já tinha ouvido falar da Charlotte Brontë mas nunca li algum livro dela... Até curto personagens a frente de seu tempo, mas sinceramente não me interessei em ler sobre a história de William, o professor... Mas quem sabe futuramente eu arrisque e decida ler esse clássico da Charlotte?!
    Abraços!

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  16. Oiii ❤ Há alguns anos atrás eu gostava de ler mais livros clássicos, com escrita rebuscada e focados em mostrar a sociedade da época, ainda acho interessante este tipo de leitura, mas já faz bastante tempo que não leio.
    Já ouvi falar bem da escrita da Charlotte Brontë por causa de Jane Eyre, mas nunca li nada dela.
    Gostei da premissa da trama e fiquei curiosa para saber mais sobre a história de William e como é sua vida como professor.
    Beijos

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  17. Olá! ♡ É a primeira vez que vejo falar desse livro e já estou louca para fazer essa leitura!
    Faz tempo que não leio um clássico e acredito que vou adorar esse. Vai ser uma ótima oportunidade para conhecer a escrita da Charlotte Brontë.
    O que mais chamou minha atenção sobre este livro é que a autora parece trabalhar muito bem os personagens e dar destaque para a ânsia que eles têm de vencer estas barreiras sociais, estou curiosa para conferir isso.
    Muito obrigada pela indicação! Beijos! ♡

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  18. Amo romances históricos ainda mais com personagens a frente de seu tempo, são os meus favoritos. Fiquei muito interessada em conhecer mais a vida do Willian e como ele vai passar por todos esses obstáculos. Ansiosa por essa leitura!!

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  19. A linguagem dos livros clássicos são interessantes, porém a necessidade de ter muita atenção precisa ser redobrada para não perde o foco. Mas gostei desse livro, parece ser legal, mas me interessei mais pelo clube de assinantes.

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  20. Acho top esses clubes literários 😍
    Sobre o livro: acho que vou ler, entretanto não esse ano. Amo clássicos, principalmente quando estes têm adaptações cinematográficas. 😍

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  21. Eu também não conhecia esse livro da autora em questão, assim como desconhecia o gênero voltado para histórias reais e vivenciadas descritas em livros, adorei conhecer. Gostei bastante dessa narrativa, mas principalmente dos personagens e de como a Charlotte Bronte parece imergir em suas personalidades. Adicionei na wishlist!

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  22. Ahhhh que eu já amo esse clube, estou chocada que eu não conhecia! E sobre o livro só tenho uma palavra PERFEIÇÃO! Eu amo essas histórias que de fato aconteceram nessa época tão encantadora, ainda não conhecia esse livro, mas já quero muito ler e conhecer mais desses personagens tão únicos.

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  23. Oi, Gisela
    Ameeei a sua resenha!
    Ainda não conhecia esse livro, mas a história do William parece ser uma jornada muito interessante e viciante.
    A capa também é linda e achei legal esse clube. Quando der, quero assinar também.
    Bjs

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  24. Não faz muito tempo que comecei a me aventurar na leitura dos clássicos, gostei bastante por sinal, apesar de ser um pouco mais demorada a leitura.
    Tenho muita vontade de ler os livros das irmãs Brontë, principalmente Jane Eyre da Charlotte. Também não sabia da existência desse livro, mas achei interessante o enredo e curiosa para saber como ele termina.

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