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5.8.20

Cloro [Alexandre Vidal Porto]

Alexandre Vidal Porto

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Sabe aqueles livros em que o protagonista te conquista logo nas primeiras páginas? Pois é! Aqui está um belo exemplo. Mal começamos a leitura e Constantino já rouba todas as nossas atenções e torcidas.

“Muitos acham que fui um canalha. Talvez você, mesmo depois de ouvir meus argumentos, concorde com eles. Cometi erros e às vezes fui fraco, tenho de admitir. Mas as circunstâncias, em geral, não me ajudaram.” Posição 54


Cloro
Título: Cloro
Autor: Alexandre Vidal Porto
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Romance LGBTQ
Páginas: 152
Edição:
Ano: 2018
Onde comprar: Amazon

“Cloro” é narrado em primeira pessoa por Constantino. Mas, detalhe: É uma narração pós-morte. Nosso protagonista está em uma espécie de limbo e, de lá, ele vai nos conduzindo por sua vida, iniciando pela infância (dia em que um colega expos sua sexualidade, chamando-o de “bicha” e dando-lhe um soco na barriga na saída da escola, na frente de todo mundo), até o momento atual: Morto e em um lugar escuro, ao qual não sabe onde fica, nem sabe informação alguma sobre (uma espécie de dimensão espiritual)).

Desde esse grande momento constrangedor, Constantino resolveu reprimir sua sexualidade, criando uma nova personalidade (relacionar-se sexualmente/amorosamente apenas com mulheres, casar e ter filhos). É necessário falar que essa atitude não deu certo?! Mais cedo ou mais tarde a verdade aflora.

“Ele arremedava os meus gestos, ria de mim, me ridicularizava. Fez com que eu sentisse medo e vergonha. Tornou minha vida um inferno. Cheguei a pensar em suicídio.” Posição 116

Alexandre escreveu um verdadeiro mar de reflexões pra lá de pertinentes acerca de nossa sociedade atual: Vale a pena reprimir sua essência para se enquadrar em uma sociedade, mesmo que isso custe sua felicidade? Vale a pena enganar outras pessoas pra não sofrer com agressões, rejeições ou piadas de mau-gosto? Não ser apenas “LGBTQI+fóbico” é o bastante? O que eu posso fazer para que diminuam os conflitos de milhares de “Constantinos” espalhados ao meu redor?

São perguntas que não serão diretamente respondidas, mas são oferecidas para que os leitores reflitam seu papel em todo esse contexto. E sim, TODOS nós estamos inseridos nessa discussão. Basta apenas um pouco de sensibilidade para desempenharmos nosso papel nesse processo (a última parte é narrada por pessoas que conviveram com Constantino, e será impossível o leitor não se identificar com algum narrador desse livro).

“A felicidade dele era incompleta. A felicidade dela também. Foram infelizes juntos. O fim dos dois foi horrível. Ela sufocou. Ele morreu antes de sua vida acabar.” Posição 596

Outro grande ponto positivo é a escrita do autor. É uma leitura leve e direta, mas não menos intensa. O leitor se prende em suas páginas sem nem perceber. É uma trama que pode ser lida de uma só vez, mas aconselho a ser lida aos poucos, para que as reflexões sejam saboreadas com o máximo de carinho possível.

Em relação à parte gráfica, a editora está de parabéns. A capa é bonita, e não encontrei erros. Finalizo a resenha indicando a todos os leitores, independente de preferências de gêneros literários. A sociedade atual precisa debater e refletir sobre esse assunto.

19 comentários em "Cloro [Alexandre Vidal Porto]"

  1. Aquele misto de sentimento só em ler uma resenha! Primeira e espero de coração, já ter o livro em mãos em breve!
    Constantino parece trazer as dores de tantas pessoas que passam pelo que ele passou. Não falo da morte, do limbo ou sei lá de onde, mas da parte de ter que se esconder, como se isso fosse possível ou de fato, que fosse dar certo.
    Sonho em um dia ver um mundo onde coisas assim não deixem a gente triste, pois não existirão mais!!!
    Já quero muito me emocionar também!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. hhahaha adoro essas frases que o personagem conversa com o leitor. Fico me sentindo a própria amiga deles, sim :)
    Fiquei bem surpresa com o início da resenha, caramba, ele morto? Fiquei pensando que nunca li nada do tipo, ainda mais tendo um assunto tão importante ne?!
    Imagino que seja um livro bastante carregado emocionalmente, além de ter poucas páginas, deve ser bem legal de ler.
    Abraços

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  3. Realmente, o tema do livro deve ser de conhecimento de todos, principalmente no cenário atual, onde muitos reprimidos por causa de sua sexualidade, e o que acontece com o personagem, é o que acontece com muito fora do eixo ficcional (o que é triste). Esse livro traz consigo uma carga de reflexão muito grande sobre o assunto.

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  4. ingriD Figueiredo5 de agosto de 2020 18:31

    Uaaau que livro! Me interessou bastante!
    Felizmente tem crescido o numero de livros com foco LGBTQI+, e tem ajudado a entender um pouco mais como é a vivencia da pessoa dessa comunidade, esse autor aborda vários temas importantes e tabus, então imagino que deva trabalhar de forma pontual e inteligente já que o livro é curtinho, do tipo que se lê em uma tarde. Só é uma pena que muitas pessoas estão como o protagonista, escondidos pelo medo...
    Estou louca para saber o final.

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  5. Um livro que desperta inúmeros sentimentos no leitor.... ao mesmo tempo que é uma história triste, é forte, real e tem pitadas de humor.

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  6. Que engraçado, olhando pela capa e nome, a última coisa que eu esperava era que se tratasse de um romance. Muito interessante a ideia de uma narração pós-morte, mas bem triste a vida do personagem, aparentemente. Que bom que o livro traz essas reflexões extremamente necessárias, só de ler já estou pensativa sobre "Não ser apenas “LGBTQI+fóbico” é o bastante?"..
    Beijos

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  7. Olá! Confesso que quando vi o post, fiquei bem intrigada com o nome do livro, não conseguia imaginar qual seria o enredo para uma história de título Cloro, e eis que lendo a resenha, percebo que a história é tão intrigante quanto o título, com certeza quero muito ler, pois o livro parece realmente nos fazer refletir sobre o nosso papel na luta de tantos outros Constantinos que existem por aí.

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  8. Olá, Nardonio

    Estava procurando algum livro com a temática LGBT, então já fiquei super empolgada com seu post.
    Fiquei super intrigada em saber que o personagem já morreu, e que está narrando a sua vida.
    O nome do livro não da muitas pistas pra gente ter uma ideia Hhahah

    bEIJOS

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  9. Olá Nardônio!
    Imagino que a obra deve ser extremamente sensível e delicada, justamente por abordar um assunto que sempre rende muita discussão, não é verdade? A situação de Constantino é de partir o nosso coração, pois sabemos que vivemos em uma sociedade muito preconceituosa que insiste perpetuar uma intolerância injusta e antiquada.
    E o protagonista parece expressar bem como é a vida de uma pessoa que ignora seus sentimentos para poder ser aceito socialmente. Com certeza a leitura deve render bastante reflexão, mesmo com o número limitado de páginas.
    Beijos.

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  10. Olá Nardonio!
    Eu nem imaginava que a história seria um romance LGBT, achei que seria uma coisa mais humorística. Saber que Constantino é um "difunto autor" me impactou bastante e me deixou curiosa pra saber como se deu a sua morte e se teve alguma relação com sua sexualidade. A resposta natural para as três primeiras indagações que você fez na resenha seria Não, mas sabemos que não é tão simples assim. Acho importante sim que todos leiam o livro e refletam, ainda mais (me corrija se eu estiver errada, deduzi pelo nome do autor e do personagem) se tratando de uma obra nacional.
    Beijos

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  11. Dom!
    Acho que é um tema que devemos abordar sempre que possível e discutir de todas as formas possíveis, porque não me conformo que em pleno século XXI, ainda exista algum tipo de proconceito, principalmente em relação a opção sexual das pessoas. Todos são livres para viver suas vidas e ver que agressão pode até tentar mudar o ponto de vista do protagonista, mesmo que sem sucesso, acho um tremendo absurdo.
    cheirnhos
    Rudy

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  12. Amoo livros em que gostamos do protagonista logo de cara. Me deixou curiosa pelo fato de ele ser narrado pós morte dele e em primeira peeesoa, isso me deixou querendo ler e conhecer essa bela história. Adoro quando o autor vai direto ao ponto e que seja uma leitura fluida, e quando a editora capricha no livro, aí fica perfeito. Já quero ler

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  13. Que resenha interessante, nunca li um livro em narração pós morte, é algo muito diferente. Não gostei muito do título, mas a história curti bastante e seria um bom livro para ler em breve.

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  14. Pela capa, não iria imaginar tanta reflexão. Já gostei disso. E é maravilhoso quando a história/personagem nos conquista logo no início, né?
    Gostei dessa premissa, desse tom reflexivo e dos temas abordados.

    Abraços

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  15. ola
    nunca li um livro assim narrado pos morte
    bastante reflexivo. e tem tantos Constantinos procurando a felicidade e o respeito

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  16. Oi, Nardonio!
    Acredito que nunca li um livro com narração pós-morte, deve ser algo interessante e ao mesmo tempo triste caso o personagem tenha "errado" e não tido a oportunidade de corrigir suas atitudes, no caso do Constantino, não ter assumido o que sentia por causa do preconceito da sociedade... Não conhecia Cloro, mas achei a capa muito bonita também, e estou aqui me perguntando qual o significado do título do livro... Só lendo pra saber, né?! rsrs
    Bjos!

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  17. Bem difícil acreditar que se trata de uma leitura leve, ainda mais por trazer um tema tão forte e que infelizmente ainda precisa ser debatido e o mais importante refletido. Acho que o que mais falta na sociedade é nós nos colocarmos no lugar do próximo.

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  18. Oi!
    A capa é bem interessante, adoro esse tom de azul.
    Não vi nenhum livro que o narrador é uma pessoa falecida, e tem outros personagens que narram também podemos ver o ponto de vista deles sobre Constantino.
    Infelizmente a forma como Constantino escolheu viver não foi fácil casou e teve filhos, anulando sua sexualidade.
    Quero ter oportunidade de ler, beijos.

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  19. Oi, Domdom
    Muito triste tudo o que aconteceu com o Constantino.
    É horrível pensar que muitas pessoas precisam se reprimir e serem infelizes por medo da violência da sociedade.
    E o pior é saber que podemos reproduzir esses preconceitos sem nem pensar direito.
    Vou querer ler com certeza.
    Bjs

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