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19.9.22

Ensaio Sobre a Cegueira [José Saramago]

José Saramago

Cortesia do Grupo Companhia das Letras

Finalmente chegou a grande oportunidade de conhecer o tão falado/aclamado Saramago. E, ao finalizar a leitura, fiquei me perguntando o motivo de ter demorado tanto para embarcar nessa experiência.

Ensaio Sobre a Cegueira
Título: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Distopia
Páginas: 432
Edição:
Ano: 2022
Favorito
Onde comprar: Amazon

Ensaio Sobre a Cegueira” é, sem dúvidas, o livro mais intrigante que li até hoje. Foi o que mais sensações diferentes me causaram a cada página virada. Amor, dor, esperança, desespero, felicidade, tristeza, ódio, aflição, luz, trevas, incertezas, agonia, ansiedade, vão misturando-se e infiltrando-se em nossas mentes, e a única coisa que nós, leitores almejamos é avançar na leitura, para obtermos respostas e alívio para nossas mentes, que já estão quase explodindo de tantas reflexões profundas que essa trama nos causa.

O que posso garantir é que ninguém finaliza da mesma maneira que iniciou. Caso isso não aconteça, sinto te informar, mas você leu errado (risos). É o tipo de obra em que não existe o meio termo. Ou você gosta, ou odeia.

“A insolência atingiu o médico como uma bofetada. Só passados alguns minutos teve serenidade bastante para repetir à mulher a grosseria com que fora tratado. Depois, como se acabasse de descobrir algo que estivesse obrigado a saber desde muito antes, murmurou, triste, É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade.” Posição 485

A partir de uma determinada parte da trama, passei a fazer um paralelo entre ficção e a nossa realidade atual. Foi impossível não associar o que estava lendo com esse período tenebroso de pandemia ao qual ainda estamos passando, infelizmente. E não falo apenas em relação as situações narradas, falo também em relação as personalidades marcantes das personagens. Aliás, quanta potência na criação de cada uma delas. Todas despertam algum sentimento, seja ele bom ou ruim. Perdi as contas de quantas vezes desejei ter o poder de entrar na história e abraçar aquela personagem, ou simplesmente entrar e esganar tantas outras. Sim! Esse livro causa tudo isso.

“então a mulher do médico compreendeu que não tinha qualquer sentido, se o havia tido alguma vez, continuar com o fingimento de ser cega, está visto que aqui já ninguém se pode salvar, a cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.” Posição 2726

Como foi o primeiro contato com o autor, o ponto negativo, pelo menos para mim, fica por conta da característica narrativa que ele usa. Não existe uma construção textual convencional. Pontuação, diálogos, narração, misturam-se no mesmo parágrafo, como se fosse um fluxo de pensamento que só para no ponto final do parágrafo. Passado essa dificuldade inicial, essa característica deixa de ser prejudicial, e passa a ser o diferencial.

Não é uma leitura fácil, e nem para qualquer leitor. É bastante densa, e aconselho apenas para quem está com seu estado de espírito em dias (risos). Confesso que essa trama mexeu tanto comigo, que acabei ficando com uma bela ressaca literária. Precisei de uns dias para digerir tudo, e o que desejo agora é embarcar em uma leitura bem água com açúcar para recuperar as energias. O bom é que o final me causou um alívio na sensação de aflição que me acompanhou durante uma boa parte das páginas. Enfim, só digo uma coisa: “LEIAM, vocês não se arrependerão”.

“Tinha sangue nas mãos e na roupa, e subitamente o corpo exausto avisou-a de que estava velha, Velha e assassina, pensou, mas sabia que se fosse necessário tornaria a matar, E quando é que é necessário matar, perguntou-se a si mesma enquanto ia andando na direção do átrio, e a si mesma respondeu, Quando já está morto o que ainda é vivo.” Posição 2500”

Finalizo a resenha indicando para os amantes de tramas densas, com personagens marcantes e reflexões de tirar o sono de qualquer um.

9 comentários em "Ensaio Sobre a Cegueira [José Saramago]"

  1. Oi, Nardonio! Saramago possui um estilo de escrita muito próprio e que, a princípio, pode ser um desafio e tanto. Dele, li apenas O evangelho segundo Jesus Cristo e foi uma das leituras mais incríveis que já fiz. Tive essa estranheza inicial com a narrativa, mas superada diante da grandeza da obra. Ensaio sobre a cegueira já assisti ao filme e tenho muita vontade de ler. Conheço algumas citações e são fantásticas. Fazem um paralelo muito forte com a atualidade. Com certeza um livro de questões importantes e que marca o leitor.

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  2. Li ano passado no projeto #LendoClassicosCP e confesso que não foi fácil.... por vezes pensei em desistir.
    Mas apesar de tudo eu curti muito a leitura

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  3. Ola
    Por tudo o que li na sua resenha já vi que se eu decidir ler o livro nâo vai ser nesse momento. Já li mesmo sobre essa característica de escrita do autor.

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  4. Eu amo, amo!!!A narrativa é complicada à princípio sim, mas logo os olhos se adaptam.
    Eu amei essa leitura, eu amei o filme na época.
    Por ter uma doença nos olhos que pode me fazer perder a visão do dia pra noite, apesar de fazer um tratamento quase que diário para que isso não aconteça, o livro tem um sabor ácido melhor a mim, mais próprio, mais meu.
    Eu tomo banho de olhos fechados há anos, eu me troco de olhos fechados há anos, eu tento cozinhar de olhos fechados há anos, para que tudo isso não me afete se acaso a cegueira me pegar.
    E tem dado certo, apesar de parecer mórbido rs
    Deu vontade reler, com uma nostalgia não tão boa, mas muito forte!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  5. Olá,

    Faz uns anos que esse livro está na minha lista de leitura, e eu não sei porque, mas sempre fico adiando a leitura kkkk
    Parece ser muito bom! E todo mundo que já leu, só fala coisas positivas sobre ele.


    Beijos

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  6. Ainda não li Saramago, mas assisti o filme inspirado em sua obra. É bom quando um livro mexe assim com o leitor, fazendo fluir seus sentimentos e não o deixado imune às suas palavras. Uma vez li uma obra nesse estilo onde parecia que o autor despejava seus pensamentos; no início causa estranheza mesmo, mas quando a gente assimila o ritmo é mais fácil compreender a intenção.

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  7. Acho que essa característica narrativa do autor de misturar tudo pode dar o tom do sentimento, mas deve incomodar um tanto o leitor acostumado com tudo certinho.
    Tenho medo de não conseguir superar esse ponto e acabar não curtindo tanto a leitura.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

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  8. Oi, Nardonio!
    Nunca li nada do José Saramago, e confesso que não gosto de tramas densas... Mas pelos seus comentários Ensaio Sobre a Cegueira te causou uma montanha russa de emoções, hein?!
    Bjos!

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  9. Eu já estava pensando em conhecer a escrita do Saramago, agora você me fez ter certeza de que preciso conhecer essa obra; mas vou esperar pelo momento certo.
    Dependendo do gênero, eu curto histórias mais densas, e o fato dessa despertar tantos sentimentos me atrai. Parece que provoca muitas reflexões.

    Abraços

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