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26.1.26

Chama de Ferro, Vol. 02 - The Empyrean [Rebecca Yarros]


Como leitora ávida e completamente envolvida pela adrenalina de "Quarta Asa", a expectativa para "Chama de Ferro", o segundo volume da série The Empyrean de Rebecca Yarros, era estratosférica. Eu esperava uma continuação direta e explosiva, e o que recebi foi uma experiência de leitura polarizada, que me fez amar e me frustrar na mesma medida. Este livro não é apenas uma sequência; é uma mudança de tom, uma transição que, para mim, foi ao mesmo tempo necessária e desequilibrada. O que mais me impactou foi a mudança no foco narrativo. Se o primeiro livro era uma história de sobrevivência, este é, inegavelmente, uma narrativa de rebelião.

Título: Chama de Ferro
Autor: Rebecca Yarros
Série: The Empyrean
Editora: Planeta Minotauro
Gênero: Fantasia
Páginas: 784
Edição:
Ano: 2024
Onde comprar: Amazon

Ao iniciar, senti o peso confortável de retornar a um mundo já conhecido, Basgiath, com seus muros austeros e seus segredos queimando por baixo da pedra. Entretanto, ao contrário da fluidez elétrica de Quarta Asa, aqui minha leitura transcorreu de forma mais lenta, quase compassada, como se a narrativa exigisse de mim mais fôlego e paciência para avançar.

Logo nos primeiros capítulos, percebi que a autora deseja expandir o universo e aprofundar seus conflitos, tanto externos quanto internos. A voz narrativa continua envolvente, embora mais densa.

“O primeiro ano é quando alguns de nós perdemos nossas vidas. O segundo ano é quando o resto de nós perde nossas almas.”

Essa frase me perseguiu enquanto eu virava as páginas, esperando encontrar essa perda nos gestos, nas escolhas, nas feridas físicas e emocionais deixadas pela guerra.

Nossa protagonista, Violet continua intrigante; mais madura, mais marcada, e, por isso mesmo, mais humana. Senti sua insegurança, suas fraturas, especialmente quando seu corpo e sua mente parecem se negar a acompanhar o ritmo bruto de Basgiath. Acompanhar sua jornada é, ao mesmo tempo, admirar sua força e reconhecer seus limites.

Entretanto, algumas de suas indecisões me cansaram. Parecia, por vezes, que ela se debatia dentro de espirais emocionais já vistas que retardavam o avanço do enredo. Talvez por isso minha leitura tenha se arrastado em alguns momentos, não pelo desinteresse, mas pela repetição emocional, como se Yarros estendesse demais certos conflitos antes de permitir que respirassem.
E quanto a Xaden Riorson?

“Minha casa. Minha cadeira. Minha mulher”

Ah! ele continua maravilhoso, talvez a figura mais magnética de toda a série. É impossível negar sua presença literária: intensa, sombria, estrategista, sedutora sem ser óbvia. Se a narrativa, por vezes, falha em ritmo, é nele que encontrei equilíbrio.

Quando aparece, senti aquela energia que impulsiona a história, ele carrega consigo não apenas tensão romântica, mas camadas de mistério que, mesmo quando não se aprofundam totalmente, sustentam a expectativa. É como se sua figura dissesse, silenciosamente: “espere, há mais aqui do que você imagina”.

Do ponto de vista estrutural, o ritmo mais lento me parece resultado do esforço de Yarros em expandir o cenário político e mágico. Há mais nomes, mais lugares, mais ameaças, e, ao mesmo tempo, um aprofundamento emocional que pede atenção.

Em alguns trechos, senti como se a autora estivesse acumulando camadas demais sem necessariamente integrá-las de forma orgânica. Como leitora, tive que parar, respirar, relembrar eventos, buscar conexões que às vezes só se revelavam páginas depois. Não deixei de me envolver, mas minha imersão foi mais gradual, menos impulsiva.

As cenas de ação, quando vêm, são vibrantes. Há batalhas e descobertas que justificam o hype, mas senti falta de mais momentos verdadeiramente catárticos talvez porque a autora se detém muito nos conflitos internos de Violet, ou porque prepara terreno para um clímax futuro (continuo ansiosaa!).

De minha parte, fecho o livro com uma mistura de satisfação e inquietude. Sinto que o enredo amadureceu, mas ainda precisa encontrar melhor ritmo; ainda assim, continuo disposta a seguir adiante porque, apesar das brasas frias, ainda há fogo, e, sem dúvida, há muito mais para arder.

“Como uma chama atrai uma traça. - Estou mais do que disposto a deixar que me queimes.”

Se você quiser conhecer um pouco sobre os livros anteriores desta série, clique nas capas para ler as resenhas:


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