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23.4.15

Brutal [Luke Delaney]

[Luke Delaney
Ed. Fábrica 231, 2015 - 416 páginas:
      O que levaria alguém a golpear outra pessoa na cabeça e, na sequência, esfaqueá-la 77 vezes? O garoto de programa Daniel Graydon jamais imaginaria que encontraria tamanha perversão nos clientes com quem saía. Mas viu seu fim se aproximar ao ir contra sua regra de ouro: nunca levar os homens para casa. Seu parceiro sexual e algoz, porém, tinha algo de sedutor e era difícil recusar a proposta de uma noite regada a sexo, e muito bem paga. Daniel tornara-se apenas uma das vítimas de um personagem sombrio, cuja pulsão pela morte o levava a matar com regularidade e método. Cada morte representando um passo adiante no aperfeiçoamento da macabra arte de tirar vidas: cruel, dolorosa, limpa e sem pistas. Um desafio para a polícia de Londres e sua divisão de Crimes Graves do Grupo Sul, liderada pelo atormentado detetive-investigador Sean Corrigan. 

Onde comprar:

Como bom amante de um thriller policial, foi fácil escolher esse livro entre as opções para resenha. Assim que bati os olhos nele, a capa, as frases de impacto impressas nela e na contracapa, e a sinopse, acabaram me convencendo por sua escolha.

Como já diz na sinopse, podemos ver que não há nada de novo nessa trama. Segue aquele padrão do gênero: Duas mentes brilhantes (assassino x detetive), “digladiando” para saber quem é o mais esperto e vence ao final da jornada. E, por ter essa essência clichê, podemos ver muitas ouras características típicas de um bom thriller: Cenas descritas com riquezas de detalhes (principalmente as dos assassinatos); Todas as etapas de um trabalho investigativo bem definidas; Corrida contra o tempo para prender o assassino; E umas boas pitadas da vida pessoal do Sean, o detetive principal responsável por essa força tarefa.

A Estrutura narrativa é bastante interessante, pois temos duas formas de narração: Uma é em terceira pessoa, acompanhando a perspectiva dos detetives envolvidos na investigação, Sally, Donnovan e Sean (sendo esse último responsável por aproximadamente 90% dessa parte), e narração em primeira pessoa, narrada completamente pelo serial killer.

Mas, como nem tudo são flores, duas coisas me incomodaram bastante durante a leitura. Vamos a elas:

A primeira diz respeito a “facilidade” com a qual os detetives fizeram as ligações entre os assassinatos. Explicando melhor: Cada morte foi realizada de uma forma diferente da outra (facada, enforcamento, etc.), aparentemente não se observava uma ligação entre elas, a não ser pela violência adotada, e pela total falta de provas nas cenas dos crimes. Então, para mim, ficou um pouco difícil de engolir a “intuição” dos detetives ao liga-los. Em meio a uma pilha de arquivos de assassinatos brutais, bateram os olhos em um deles, e logo trataram de fazer a conexão entre eles. Vamos combinar, sabemos muito bem que serial killer, geralmente, segue um padrão determinado por ele, seja na escolha do tipo de vítima, a forma com a qual ele mata, ou até a região a qual atua. Nesse caso, cada morte tinha um método/tipo de vítima/região completamente diferente do outro.

A segunda coisa que me incomodou foi o tamanho de alguns capítulos. Acho que, para livros desse gênero, capítulos entre 15 ou 20 páginas são de bom tamanho, mas, capítulos com aproximadamente 50 páginas (um chegou a ter 64), são excessivamente grandes. Em alguns momentos, fiquei com a sensação de que a trama não evoluía. Não sei dizer se foi porque a narrativa dava uma esfriada mesmo, ou se era porque, por mais que lesse, o capítulo não terminava.

Voltando a falar das qualidades, achei que a grande sacada do autor foi o motivo ao qual o serial matava suas vítimas. Sei que muitos leitores poderão não concordar comigo, pois sempre tendem a tecer respostas mirabolantes para explicar uma mente doentia, mas achei que o autor acertou ao não recorrer a teorias extravagantes, ou ate certo ponto clichês, para humanizar sua personagem. E, falando em humanizar personagens, também gostei de ver o autor dando um ar de normalidade a dois dos detetives da trama. Deixando claro que eles são incorruptíveis, mas também se utilizam de umas tramoiazinhas. (risos)

Em relação a edição em si, gostei bastante do trabalho realizado pela Fábrica 231. A capa está muito bonita e a diagramação simples, mas bem-feita. Encontrei pouquíssimos erros de digitação, mas que não atrapalham em nada na leitura.

Enfim, prós e contras apresentados, faço um balanço final dando quatro estrelas ao livro, e indicando a todas as pessoas que gostam de livros do gênero.

http://www.skoob.com.br/brutal-434314ed492064.html


Cortesia da Editora Rocco

Pernambucano, formado em Artes Cênicas e apaixonado por teatro e livros. Descobriu-se leitor depois de um empurrãozinho de uma amiga. Virginiano, pé no chão e que adora a calmaria. Leitor de quase todos os gêneros literários. Afinal, quando a trama é boa, o gênero é o que menos importa.

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comentários pelo facebook:

12 comentários em "Brutal [Luke Delaney]"

  1. Igual a você amo thriller policial, mas confesso que sempre que leio um do gênero fico meio impressionada com a riqueza de detalhes das cenas de assassinato rsrs.
    Concordo com você, a forma que ligaram os assassinatos a uma mesma pessoa deveria ter sido mais trabalhada... Valeu pela dica, vou pesquisar mais sobre o livro pois como já disse amo esse gênero!
    Bjos!

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  2. Olá, Nardonio.
    Assim como você, sou fã de um bom livro policial e esse me chamou bastante a atenção. Mas, assim como você, acho que me sentiria incomodado pelos dois pontos negativos citados. Principalmente a questão da intuição. Não consigo engolir isso.
    Porém, ainda sim acredito que a leitura seja proveitosa.
    Lerei, certamente.

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  3. Esse livro está na minha estante e estou meio desanimada para lê-lo, mas a resenha me deixou bem curiosa e pretendo ler em breve. Faz parte do meu gênero favorito e espero não me decepcionar.

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  4. Eu adoro livros sobre serial killers, eles são personagens ricos e muito interessantes. Então, acho que realmente deve ser ponto positivo conhecer seus motivos através da narrativa em primeira pessoa.
    Mas concordo com você, a falta de realidade no desenrolar dos casos e os capítulos longos demais são ambos pontos negativos. De qualquer maneira, parece que não foi o suficiente para deixar a história ruim.
    bjs

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  5. Oi, Nardonio! Gosto muito de thrillers. E concordo que o excesso de páginas em um capítulo pode atrapalhar a leitura, principalmente em livros do gênero. Não gostei também de as coisas parecerem fáceis para os detetives, sabe? Gosto mais quando o autor mostra as coisas como impossíveis de se descobrir o que está por trás dos assassinatos. Realmente não tinha como deduzir tão facilmente que os assassinatos estavam interligados. Fiquei curiosa para descobrir o motivo dessas mortes. Fora isso, não me senti muito atraída em ler esse livro.

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  6. ficando o livro, bem ao estilo dan brown. mas confesso que não ligo muito pra isso não, ainda mais vindo de leituras de não-ficção em que o livro inteiro muitas vezes têm apenas dois ou três capítulos, a gente se acostuma. agora, como você tocou no assunto a capa é qualquer coisa mesmo hein, adorei. e o título é tremendamente sugestivo. o problema maior de livros assim é que o mote vai ficando batido e precisamos mudar de ambiente (diga-se estilo de leitura) pra não acabarmos enjoando. tenho a maior vontade de ler este livro, por enquanto está em stand by, mas não deixa de ser uma ótima dica!

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  7. Olá, esse livro é bem macabro, não há como negar isso!
    Mas ainda assim, não sei se vou ler, gostei da sinopse, achei bem amedrontadora e sua resenha confirmou minha opinião, acho que ficou meio pesado demais para o momento da minha vida agora!
    Quem sabe em uma próxima!
    Abraços
    www.estantedepapel.com

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  8. Já fiquei super curiosa para saber o que se passa por traz dos assassinatos, a capa já nos deixa com essa impressão de que o livro vai te amedrontar, sabe kkk só não gostei muito do titulo, mas isso é irrelevante se a história for bem construida né?! Espero gostar ainda mais que você. Beijos.

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  9. Nossa eu também fiquei pensando como os detetives deduziram tão rapidamente que se tratava de um serial killer se não havia uma ordem exata de acontecimentos iguais e capítulos muito grandes as vezes nos dá aquela desanimada,você lê,lê e parece que não sai do lugar.Mas assim como você eu gostei da proposta do livro e estou precisando de um thriller policial para ler ultimamente.
    beijos

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  10. Domdom!
    Carecemos de bons thrillers policias e pelo visto esse é um dos bons, apesar da facilidade com que os detetives chegam ao assassino.
    Não gosto também de capítulos longos porque ficam cansativos de ler.
    Gostei demais.
    “Acredite na justiça, mas não a que emana dos demais e sim na tua própria.” (Código Samurai)
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  11. Pois então... eu adoro suspense, mas curto quando a trama é ágil, com capítulos curtos e um final surpreendente.
    Este livro até parece bacana, mas faltou algo e estes elementos que citem talvez deixem que fique menos atraente pra mim.
    A falta de ligação dos crimes é esquisito, porque como vc mesmo citou um serial age meio que metodicamente, né?!
    mas quem sabe eu leia um dia.

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  12. Li em uma resenha que "Brutal é um dos melhores livros de investigação criminal que li nos últimos tempos. Fugindo do óbvio e das descrições excessivas, consegue ir no ponto das questões, sem se perder em tramas paralelas. A diversidade de vozes por dentro da obra nos dá a percepção total do universo criado por Delaney. O que se percebe, ao fim, é que a brutalidade mais do que um sentimento, é um instrumento, um objeto que mata sem nenhuma culpa" e isso me fez sentir vontade de lê-lo no mesmo instante. E agora ao ler a sua resenha vi que você esperava mais da história, mas mesmo assim pretende continuar a ler os outros livros... bom com isso vou ler o livro e ver se ele vai me agradar. Confesso que thrillers me assustam as vezes, passo dias após ler pensando como funciona realmente a cabeça de um assassino.

    Beijos e parabéns pela resenha!
    Viviane Gonçalves
    vsg_caue@hotmail.com

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