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22.8.17

O Conto da Aia [Margaret Atwood]

O Conto da Aia
Ed. Rocco, 2017 - 368 páginas
- "Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano."

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No mundo de Atwood, a maioria das pessoas se tornaram inférteis e as taxas de natalidade diminuíram de forma alarmante graças à poluição, a doenças sexualmente transmissíveis e a métodos contraceptivos. Pouquíssimas crianças chegam a nascer, boa parte das que nascem tem algum tipo de deformação. Então, um grupo fundamentalista politico-religioso, assume o poder através de um golpe de Estado com a desculpa de fazer com que a sociedade retorne a “tempos mais prósperos”. Nesse futuro (não tão distópico assim, diga-se de passagem), os Estados Unidos se tonaram um Estado teocrático totalitário, no qual as mulheres perdem todos os direitos.

Margaret Atwood

As mulheres são divididas em castas de acordo com a função que desempenham na sociedade: as Esposas casadas com os Comandantes ou outros funcionários de alta patente, as Marthas que desempenham funções de domésticas, as Aias que nas palavras da personagem principal não passam de “úteros com pernas", as Econoesposas que desempenham funções das três castas anteriores (são casadas com homens menos importantes que não podem se dar ao luxo de ter Aias e Marthas) e as Tias responsáveis pelo treinamento das aias.

Como as mulheres férteis agora são raríssimas, as poucas restantes são tomadas pelo estado e transformadas em Aias, mulheres cuja única finalidade é a reprodução. Essas mulheres passam por uma espécie de treinamento/lavagem cerebral para aprender como se comportar nessa nova sociedade. Depois de treinadas elas são designadas para servir nas casas dos comandantes e dar-lhes os filhos que as Esposas não podem. O nome de uma Aia é determinado pela preposição “of” (no português “de”) + o nome do Comandante a serviço do qual ela está.

O Conto da Aia

O Conto da Aia é narrado em primeira pessoa por Offred (de Fred, que é o nome do comandante dela) e isso só torna a leitura ainda mais pesada, mais carregada de emoção. Acompanha-la tão de perto permite que você se coloque no lugar dela. Que sinta seu desespero em manter a sanidade, seu desejo de não esquecer e não ser esquecida, seus motivos para permanecer viva. As descrições de Atwood são ricas em detalhes e em poesia, e isso de alguma forma, torna as coisas mais reais, mais palpáveis. A história intercala fatos do presente e do passado de Offred. Assim é possível entrever como era a vida dela antes da República de Gilead ser instaurada, assim como fragmentos do treinamento no Centro Vermelho. É também através dos olhos dela que descobrimos como outros grupos são tratados pelo sistema. Gays, lésbicas, pessoas de outras religiões… não apenas as mulheres sofrem nesse novo regime, embora provavelmente sejam as que mais o fazem.

Margaret Atwood

A história foi adaptada para o cinema em 1990 e mais recentemente, pelo canal Hulu como série. Essa última, aliás, é uma excelente adaptação e está causando burburinho devido a qualidade da produção e das interpretações. A segunda temporada já foi confirmada e eu tô super ansiosa, uma vez que a primeira temporada termina mais ou menos igual ao livro e que a segunda promete desenrolar-se à partir daí. Como a série tem consultoria da autora, acredito que algumas das lacunas deixadas para especulação dos leitores serão finalmente preenchidas.

O Conto da Aia

Esse é, sem sombra de dúvida, o livro mais perturbador que eu li esse ano. O que choca em O Conto da Aia não são só as atrocidades desse regime totalitário, mas sim o paralelo que é possível traçar com a realidade. Com os dias atuais.

Assisti a série antes de ler o livro e me lembro de pensar, lá pelo terceiro ou quarto episódio que tudo aquilo era irreal demais e que nunca aconteceria com uma sociedade como a nossa, com pessoas que conheceram a liberdade. Então lembrei do Irã, onde as pessoas gozavam de liberdade, antes que um sistema teocrático assumisse o poder. Lembrei da Coréia do Norte. E de outros tantos países regidos por ditaduras e teocracias. E comecei a pensar que talvez não estejamos assim tão distantes de algo parecido.

Calma, não estou dizendo que algo assim aconteceria da noite pro dia. Nem estou profetizando para amanhã ou para semana que vem. Só estou dizendo que não acredito mais que seja algo assim tão distante de nós.

“Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta.”

Enquanto estudava para essa resenha descobri que Atwood não considera o livro tão futurista assim, na visão dela são apenas situações que já fazem (ou faziam em 1984, quando livro foi escrito) parte do cotidiano de muitas pessoas ao redor do mundo e ela apenas teria organizado vários abusos em um único regime ficcional.

Margaret Atwood

O Conto da Aia é um livro extremamente desconfortável. Não só pelas situações descritas, mas pela proximidade com a nossa realidade. Embora seja um livro difícil, acredito também que seja um livro necessário e recomendo veementemente a leitura.

“Nolite te bastardes carborundorum”

E até a próxima.


Andressa Freitas
Mineira, aspirante à escritora e estudante de cinema. Se pudesse moraria em uma biblioteca, como não posso, estou empenhada em transformar minha casa no mais próximo disso possível. Viciada em séries e filmes, adoro ler, comer e viajar. Nerd assumida, fotógrafa de profissão, amo aprender coisas novas e imaginar histórias alternativas pra absolutamente tudo.
Cortesia da Editora Rocco
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comentários pelo facebook:

14 comentários em "O Conto da Aia [Margaret Atwood]"

  1. Olá Andressa! Tudo bem?

    Vi este livro em diversos igs, que pela capa tão pouco me agradou, mas sempre cometo este erro de julgar um título pela capa antes de conhece-lo a fundo. Após uma ou duas críticas eu fico totalmente caidinho pelo livro e este foi logo na primeira.

    Achei super interessante sua posição quanto ao livro, além da premissa que eu também nunca tinha chegado a ler.

    Grande abraço,
    www.cafeidilico.com

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  2. Oi Andressa, ouvi falar dessa história através do burburinho que a série do canal Hulu tem causado e fiquei bem interessada em ver a série e ler livro, mas pelo que li na resenha tenho que ir com o coração preparado pois esses momentos desconfortáveis devem ser bem difíceis de ler. ;) Ótima resenha.

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  3. Oi Andressa,
    Mesmo se tratando de uma distopia é impossível não vermos elementos da nossa realidade retratados neste livro de uma forma mais extrema e isso é bem chocante. A mulher ser tratada como um objeto trás um peso para a trama. Offred precisa lidar com sua nova realidade e a sociedade não leva em conta que ela é uma pessoa com sentimentos e teve que abrir mão de sua liberdade sem direito a escolhas. Me sinto comovida com a protagonista, mesmo sem ter lido o livro, pois sua história remete a tantas outras verídicas. Não conhecia este livro e nem a adaptação, mas estou agradecida por ter sido apresentada a ambos.

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  4. Deve ser uma leitura bem difícil e angustiante, pensar que uma coisa assim pode acontecer na nossas vidas é de dar ânsia. Deve ser muito comovente a leitura e nos deixar um desconforto devido a tudo que essas pessoas passam, coitada dessas mulheres, que lutam por seus direitos ter que regredir assim. Não sabia do filme e nem da série vou dar uma procurada pois quero assistir.

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  5. Andressa!
    Deve mesmo ser um livro chocante, principalmente na nossa atualidade, onde o empoderamento feminino e a liberdade de expressão, escola de gênero e religião, são bem mais abertos...
    Nesse regime totalitário relatado através de Offred, a angústia está bem presente, a vontade de sobreviver. E o mais chocante, é bem como falou, temos algumas sociedades pelo mundo onde as coisas são bem restritas.
    E gosto quando tem passado e presente, porque a leitura fica mais abrangente.
    "...Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições. Há momentos de alegria e desespero, confiança e falta de fé, mas vale a pena seguir adiante..."(Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  6. Oi Andressa.
    Eu não sei se teria coragem de ler esse livro, o fato de que ele mexe um pouco com a realidade já me deixou triste porque apesar de tudo é um cenário que vemos, eu sou uma pessoa que julga muito pela capa e tenho certeza que perderia uma ótima história por algo tao simples, enfim não tenho certeza se terei coragem de ler, mas esse vai para minha lista com toda certeza.
    Bjs.

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  7. Olá! Não conhecia esse livro, mas gostei bastante do enredo, apesar de ser um livro perturbador, que retrata fatos tão próximos à realidade, acho que isso foi o que mais me chamou a atenção. Espero poder começar a leitura o mais rápido possível.

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  8. Nossa eu não conhecia o livro ainda, e nem tinha conhecimento da série de TV, fiquei interessada em assistir e ler, realmente você pensa que não pode acontecer uma coisa dessas, uma vez que estamos acostumados com a liberdade, mas as vezes acontecem coisas que não podemos controlar e simplesmente temos que ir na barca, esse livro parece ser demais, e eu estou curiosa para conhecer mais sobre como eles vivem no livro.
    Beijos *-*

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  9. Olá!
    Não tinha conhecimento desse livro, ao ler a resenha fiquei perplexa com essa trama tão envolvente. A historia dessa personagem me fez pensar na situação dela de como dever ser horrível trata como objeto para obter filhos alguém superior. Interessante o livro, com certeza seria uma leitura muito maravilhosa e impressionante.

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  10. Por se tratar de um livro com temática forte não sei se leria no momento. Tenho buscado uma leitura mais leve, mas futuramente quero ler; pois me despertou interesse.

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  11. Primeiro vi a serie e fiquei alucinada,corri pra conseguir ler,recomendo demais ambas,são incríveis.
    Gosto de distopias,essa tem um toque diferente,sim,é exatamente o paralelo que é possível traçar com a realidade que choca,reflexões necessárias.

    Nolite te bastardes carborundorum!

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  12. Não conhecia o livro e nem sabia sobre a serie! Mas fiquei muito interessada.
    Gostos de livros com temáticas fortes, e que nos fazem parar para pensar realmente nas coisas.
    Quero ler e saber mais sobre esse regime totalitário.
    Ótima resenha!

    beijinhos

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  13. Oi, Andressa!!
    Conheci esse livro recentemente quando li outra resenha, fiquei bem interessada na premissa principalmente por que quero assistir a série. Achei fantástica a resenha desse estória distópicas e com um regime totalitário tão ferrenho!!
    Bjoss

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  14. Só em ler resenhas já me sinto um desconfortável. Mas é realmente necessário porque parece bem atual se for pensar bem. Achocolate que prefito ler o livro, do que assistir a série se for forte como imagino.

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