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4.12.19

Na Hora da Virada [Angie Thomas]

Cortesia do Grupo Editorial Record

O Ódio que Você Semeia, livro de estréia da americana Angie Thomas, venceu as categorias Estreia de Autor e Jovem Adulto do Goodreads Choice Awards 2017. No ano seguinte, foi escolhido o Melhor dos Melhores na mesma premiação. Eu gostei tanto de O Ódio que Você Semeia que fiquei com medo de ler o novo livro da autora e me decepcionar.

Título: Na Hora da Virada
Autor: Angie Thomas
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Galera Record
Gênero: Jovem Adulto
Páginas: 378
Edição:
Ano: 2019
Onde comprar: Amazon

Em Na Hora da Virada, a autora negra (own voices) nos faz mergulhar na cultura do hip-hop americano. Bri é uma jovem de 16 anos que sonha em ser a maior rapper de todos os tempos. Ela é filha de uma lenda do hip-hop que foi morto por um Crown. Os Crowns fazem parte da gangue dos King Lords. Você se lembra deles? Então, a história se passa em Garden Heights, logo após os acontecimentos de O Ódio que Você Semeia.

“Foi nessa ocasião que eu aprendi que, quando as pessoas morrem, elas às vezes levam os vivos juntos.”

Depois da morte do pai, a mãe se viciou em drogas e ela deixou Bri e o irmão mais velho, Trey, morando com os avós para se tentar se tratar. Jay conseguiu a guarda dos filhos novamente há cinco anos, mas a vida não é fácil para uma ex-viciada. Bri espera fazer sucesso e conseguir ajudar a família, mas uma música que ela lançou na internet acaba viralizando pelos motivos errados e ela acaba sendo vista como uma marginal do gueto e uma ameaça social. Agora, Bri precisa de todo o seu flow para virar o jogo.

“Ter que fazer é uma responsabilidade. Querer fazer é amor.”

O que eu gosto na narrativa da Angie Thomas é que ela consegue misturar de forma coesa temas polêmicos com assuntos mais leves, como a amizade e o amor juvenil. Além da Bri estar descobrindo o amor, tem o romance virtual de Sonny com um outro rapaz. Apesar disso, a autora não levanta bandeiras, apenas narra uma história poderosa sobre uma protagonista cheia de raiva e frustrações que luta para tornar seus sonhos realidade.

“Às vezes as coisas são diferentes para as pessoas negras, flor. ”

Ler as coisas pelas quais a Bri é obrigada a passar é como levar um tapa na cara. Principalmente porque a gente sabe que a vida real é muito mais dura. Mesmo assim, a autora consegue que a gente tenha empatia pelos problemas de Bri e sua família. Amei Trey, o irmão mais velho de Bri, e Sonny.

A edição da Galera Record é muito boa, com ótima diagramação. As letras são de bom tamanho com espaçamento que facilita a leitura. A editora manteve a capa original, utilizando-se do mesmo design e lettering. O destaque editorial fica para a excelente tradução de Regiane Winarski. Não deve ter sido fácil traduzir as rimas sem que elas percam o flow do rap.

Estava com medo de ler Na Hora da Virada, mas Angie Thomas conseguiu mais uma vez. Fiquei totalmente imerso no mundo do hip-hop, acompanhando a garra de uma jovem mulher negra para descobrir quem ela realmente é no meio de uma guerra de gangues, mortes e ganancia.

O livro está concorrendo ao Goodreads Choice Awards 2019 na categoria Melhor Young Adult e já recebeu o meu voto.

Com amor, André

Caso queira ler a resenha de O Ódio que Você Semeia, clique na capa:


comentários pelo facebook:

12 comentários em "Na Hora da Virada [Angie Thomas]"

  1. Mesmo sem ter lido O Ódio Que Você Semeia, pude ver a adaptação e claro que amei. Um filme duro, cruel, poético em sua forma de judiar de todos nós. Daí claro que ainda pretendo ler o livro também, que foi elogiado demais da conta.
    Acho que esse tipo de "medo" em conferir outro trabalho da autora é bem real, pelo simples fato dela ter construído um mundo incrível no Ódio.
    Mas lendo acima, a gente entende fácil que ela caprichou mais uma vez, fazendo doer sim, a ferida do preconceito,mas também mais uma vez, deixando seu grito por igualdade!
    Espero de coração,ter e ler as duas obras!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. É cru, doloroso mas é a realidade do jovem afro descendente.
    Sofri por Bri que só queria ser uma artista, fazer sua música mas o preconceito venceu e ela ficou famosa pelos motivos errados.

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  3. André!
    Bom quando uma autora consegue mesclar assuntos importantes e necessários com algumas amenidades .
    Poder entrar na realidade dos jovens afro americanos em uma sociedade tão cehia de preconceitos, deve tornar a leitura interessante.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá! Nunca li nada da Angie Thomas, mas quero muito, os livros dela parecem nos fazer refletir bastante.
    Gostei que ela consegue criar tramas que envolvam assuntos polêmicos e assuntos leves, sem perder a coesão.
    Quero muito conhecer Bri, ela parece uma personagem muito inspiradora, que não deixa de lutar pelos seus sonhos.
    Adorei a resenha! Beijos! ♡

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  5. Oiii ❤ Eu quero muito ler O ódio que você semeia e Na hora da virada, já que sempre leio resenhas falando muito bem dos livros da Angie Thomas.
    Quantos quotes incríveis tem nesse livro, são bem reflexivos, eu adorei.
    Estou curiosa para ver como Bri vai dar a volta por cima depois da sua música ter viralizado pelo motivo errado e ver como ela vai lutar pelos seus sonhos.
    Gostei que a autora trata de temas importantes na trama, mas também de momentos normais na vida de um adolescente.
    Beijos ❤

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  6. Esse livro se tornou o melhor do ano.
    Angie permanece criando histórias incríveis e necessárias, e sinto que nesse ela foi mais fundo ao abordar o racismo.
    Também gosto da leveza que conduz as histórias.
    Amo demais!

    Beijos

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  7. Olá André!
    Angie Thomas possui uma escrita poderosa, que apresenta um equilíbrio perfeito entre crítica e evolução dos personagens. Em Na Hora da Virada o leitor já começa a história com uma diferença gritante em relação ao O Ódio Que Você Semeia, pois enquanto no segundo temos uma protagonista que possui uma estabilidade financeira e até certos privilégios, no primeiro temos Bri, que passa por dificuldades financeiras e possui um grande sonho de poder mudar de vida.
    Acredito que o grande acerto de Thomas é retratar o racismo e a desigualdade de forma impactante, nos inspirando a plantar a semente da mudança, que pode começar com pequenos gestos.
    Beijos.

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  8. Sou louca pra ler esse livro,já li o ódio que você semeia e quero ver se algo mudou após a repercussão do final do primeiro,aquela cena chocante de uma criança com uma arma.

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  9. Olá! Muito bom que a autora tenha nos presenteado com outro livro, com uma história tão boa quanto a do primeiro, me animou bastante, em finalmente, conhecer a escrita da Angie e conferir como ela consegue fazer essa mistura de tantos assuntos importantes, sem perder a leveza de um bom Young Adult.

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  10. Oi André,
    Conheci a escrita de Angie Thomas este ano com o livro O Ódio que você semeia e foi uma leitura incrível. Então, é claro, que eu estou muito curiosa com seu novo lançamento. Bri é o retrato da realidade, talvez não exatamente da minha, mas a de muitas pessoas por aí. Ela carrega um peso que foi imposto a ela. O fato de seu pai ter sido um nome importante na indústria do hip-hop levanta aquela questão sobre legado. Este que nem sempre é algo bom ou desejado. A representatividade é o que mais me chama atenção e uma real, algo que tem caracterizado as obras da autora e amo isso. Mesmo sendo um livro voltado para um público mais jovem, os elementos abordados pela autora fazem com que essa história deva ser lida por todos e espero poder realizar esta leitura o mais breve possível.

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  11. Olá André!
    O Ódio que Você Semeia é um dos melhores livros que já li na vida, e recomendo pra todas as pessoas que conheço pois a autora sabe como chamar a atenção para os temas atuais. Estou muito ansiosa pra ler esse novo livro, ah e como adorei saber que voltaremos ao universo do Garden. Ao envolver a música a autora deixou a história ainda mais interessante, e é claro que o romance é muito bem vindo.
    Beijos

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  12. Não li nada da Angie Thomas, mas tenho muita vontade, principalmente por saber que a autora aborda assuntos delicados de uma forma mais leve mas sem perder a importância.
    Quero muito ler o livro, tanto para saber se a Bri consegue alcançar o que almeja, e tanto para saber como a autora abordou a trama do preconceito e do racismo, já que o cenário se passa em um bairro violento de periferia.

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