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11.7.22

Os Quatro Ventos [Kristin Hannah]

Kristin Hannah

Cortesia da Editora Arqueiro

Nossa estória se inicia no Texas em 1921. A Grande Guerra havia pouco que acabada e um tempo de abundância aparentemente estava próspero. Nossa protagonista, Elsa Wolcott passara anos em seu quarto solitário lendo livros de aventuras e romances.

Os Quatro Ventos
Título: Os Quatro Ventos
Autor: Kristin Hannah
Tradutor: Claudio Carina
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance Histórico
Páginas: 384
Edição:
Ano: 2022
Favorito
Onde comprar: Amazon

Quando pequena contraiu uma doença que quase a matou, e por isso seus pais sempre diziam que por conta da doença ela havia se tornado fraca e solitária. Prestes a fazer 25 anos, Elsa é considerada uma titia, já que não havia perspectiva de casamento ou coisa parecida. Algo que na época era de extrema valia para uma jovem, principalmente para como o mundo atual estava.

“Ao passarem dos 20 anos, a esperança começava a desvanecer. Aos 22, começavam os cochichos na cidade, e na igreja, os olhares longos e pesarosos. Aos 25, era a perdição. Uma mulher que não fosse casada era uma solteirona. 'Ficou para a titia', como diziam as pessoas, balançando a cabeça e lamentando as oportunidades perdidas.”

Elsa então conhece Rafe Martinelli, um rapaz bem-apessoado que vê a vida com outros olhos. Elsa fica encantada com Rafe e logo marcam de se verem de novo. Nesses encontros noturnos Elsa fica grávida e acaba sendo expulsa de casa, mas seus pais a levam até o pai da criança e a deixa com a família dele. Rafe era mal visto por ser italiano, e os pais de Elsa não queriam acordo com aqueles imigrantes!

Nossa trama então dá uma passagem de tempo e conhecemos Loreda, filha de Elsa e Rafe, assim como o pequeno Ant, outro filho que tiveram. A vida de Elsa se tornara o que sempre sonhara, se sentir pertencer a algum lugar. Com seus pais Elsa sempre fora a excluída, aquela ao qual ninguém se importava e ao qual lhe atribuía defeitos e culpas. Na fazenda dos Martinelli, Elsa passou a se sentir viva, amada, vista. No início sentira medo, jamais havia trabalhado com a terra, mas os pais de Rafe pacientemente foram lhe ensinando e a tratando até como filha. Elsa então estava feliz com a vida.

Mas nem tudo isso bastava para Rafe. Uma grande seca assolou o estado e na fazenda já não conseguiam mais plantar nada direito. Sem falas nas grandes tempestades de areia que sempre os castigavam da pior forma possível. Os tempos já eram outros e Rafe tinha seus sonhos guardados a muito tempo, e o Oeste parecia lhe oferecer o que tanto sonhava. É quando decide abandonar sua família e parti sozinho para Califórnia, em busca de emprego e seu sonho americano.

“Elsa sequer conseguiu chorar. O sofrimento já fazia parte da sua vida havia tanto tempo que se tornara tão familiar quanto a cor dos seus cabelos ou a leve curvatura da coluna. Às vezes eram as lentes pelas quais via seu mundo, outras vezes era a venda que usava para não ver nada. Elsa sabia que era sua culpa, por alguma razão, por alguma coisa que fizera.”

Vemos então uma situação cada vez mais crítica. Loreda que era muito apegada ao pai torna-se amarga e rabugenta, culpando a mãe pela partida do pai, e sempre angustiada por querer ter ido junto ao pai. Mas eram tempos difíceis, tempos que não se podiam ter planos ou questionar qualquer divindade. A fé era colocada a mesa, sempre testando nossos personagens. Até que a situação complica cada vez mais, e a única solução é irem para Califórnia em busca de uma vida melhor, já que todos diziam que por lá tinha emprego, comida e lugar para dormir.

Elsa então precisará tomar a maior decisão de sua vida. Ficar e aceitar sua vida na fazenda, a grande seca, a falta de emprego, a falta de comida, ou tentar buscar um futuro incerto no Oeste.

A trama do livro é esta: A busca incessante por felicidade, ou sequer um resquício de paz e uma vida digna. Nossos protagonistas são testados, humilhados, ameaçados, e sem veem perdidos num mundo cruel e cada vez mais desumano.

Elsa é daquelas personagens que dão um soco no estômago da gente. Sua história luta, de vida, de ser humana, que nos enche de orgulho e angústia ao mesmo tempo ao acompanhar sua trajetória de muita dor e lágrimas.

Loreda é uma personagem em crescimento durante todo o enredo, de forma figurada e literal. Sua fase infantil à adolescência é regada de muita abdicação, sofrimento e suor. É maravilhoso ver uma personagem em transformação, e quando entendemos suas convicções e pensamentos, sua mudança torna-se mais significativa.

O livro todo é carregado de história real. Se pesquisarmos alguns momentos cruciais de nosso mundo, entendemos mais ainda e nos sentimos inseridos naquela época. A grande Guerra, a grande depressão, a seca, o preconceito, a desigualdade social, está presente em nossas vidas até hoje. Me apaixonei ainda mais pela estória, pois amo essa combinação de realidade e ficção, sempre temos um novo ponto de vista de como realmente foi, mesmo sendo de forma ficcional, mas que tenta sempre nos transmitir os sentimentos vividos.

O amor materno é muito bem tratado na estória. O fato de ter sido rejeitada e indesejada por sua própria família, Elsa sempre quis ser uma mãe diferente para sua filha. E esse modo diferente se deu pelo amor recebido pela família de Rafe, mesmo esse tendo a amado pouco. A relação de Elsa e Loreda é muito conturbada, mas sempre cheia de amor e ternura.

“Você é parte de mim, Loreda, de um jeito que nunca poderá ser rompido. Nem por palavras, nem pelo tempo nem por ações. Eu te amo. Sempre vou te amar. - Ela apertou os ombros da filha. - Você me ensinou a amar. Você, mais que ninguém, e meu amor por você vão viver mais do que eu.”

Os Quatro Ventos é realmente daqueles livros que nos deixam emocionados, angustiados, mas sempre com aquele sorriso bobo no rosto. Que livro! Simplesmente uma das melhores leituras do ano.

Confesso que senti falta de alguma explicação sobre alguns personagens no fim do livro. O Final ficou aberto para alguns deles o que deu a impressão que podemos esperar a continuação. Mas algo completamente improvável, talvez apenas seja um desejo meu, rs!

Tudo no livro é extremamente visual, não conseguia parar de pensar que logo teremos uma adaptação desse romance. Tenho certeza que será apenas questão de tempo. Simplesmente leiam Os Quatro Ventos! Vocês vão se apaixonar por essa família!


14 comentários em "Os Quatro Ventos [Kristin Hannah]"

  1. Oi, Douglas! O tipo de leitura que mexe com as emoções do leitor. Fiquei tentando imaginar um final feliz para a Elsa, diante de tanta dificuldade e sofrimento descritos na resenha. Gosto de ficção que trazem recortes históricos assim. Se eu tiver oportunidade, quero ler.

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  2. Olá,

    Eu gosto muito da escrita da autora! Já li outro livro dela e gostei muito. Acho os livros dela muito profundos.
    Achei a história desse muito interessante, já quero ler.

    Beijos

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  3. Parece ser um belo livro mesmo, só fiquei receosa com esse final em aberto para alguns personagens, pois não gosto muito quando isso acontece.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

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  4. Me apaixonei pela escrita da Kristin com O Rouxinol.
    Os Quatro Ventos é um desejado.
    Quero muito conhecer a história dessa mãe e filha.
    O que me incomoda um pouco é esse final em aberto

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  5. Douglas!
    Os livros da autora trazem sempre essa carga emocional forte que parece realidade e unida a uma ficção bem elaborada, torna o livro um drama maravilhoso!
    E com esse não é diferente.
    cheirinhos
    Rudy

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  6. Terminei de ler A Grande Solidão da autora e simplesmente fiquei apaixonada por sua maneira de misturar tantos sentimentos dentro do mesmo enredo.
    Sofri e chorei rs
    E agora, este lançamento é super desejado e não vejo a hora de poder comprar ele e devorar mais esse drama lindo que Kristin mais uma vez desenhou com luta, dor, mas também, esperança!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  7. Que grande história, que emociona apenas com a resenha. Eu curti a resenha, e essa luta atrás do sonho americano que muitos procuraram. Espero que todos tenham finais felizes ou tenha uma continuação para sabermos de fato que aconteceu com os personagens.

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  8. Oi, Douglas!
    Não sou muito fã de romance histórico, e confesso que faz tempo que li um livro sobre as relações familiares, prefiro quando o romance foca na relação do casal rsrs... Mas se a oportunidade de ler Os Quatro Ventos surgir arriscarei a leitura sim, eu amei sua resenha.
    Bjos!

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  9. Douglas!
    Os livros da autora mexem sempre com nosso emocional, pois trazem dilemas e dramas que bem poderiam, ser reais e vividos por qualquer um perto de nós ou conosco mesmo.
    Romances históricos são ricos nas descrições e nos envolvem enquanto leitores por trazer uma ambientação bem envolvente.
    Fiquei curiosa para ver o final.
    cheirinhos
    Rudy

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  10. Eu sou completamente apaixonada pela escrita da Kristin, ela sabe como criar histórias fortes, intensas e emocionantes. Achei a premissa incrível, a ambientação e toda essa busca que provoca dor, ao mesmo tempo arranca um sorriso. Já é um desejado, e isso só aumentou.

    Abraços

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  11. Esse é um dos livros mais desejados. Amo romance histórico Gosto quando a autora insere acontecimentos reais na trama e sempre aprendemos mais sobre determinado período.Que bom seria de tivéssemos mais livros desse gênero Sinto falta de mais romances históricos.

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  12. Oi Douglas,
    Só de ler a resenha já ficamos envolvido, bonito, triste e real essa constante busca por felicidade, um resquício de paz~
    Fiquei curiosa para acompanhar a trajetória dos personagens, saber o que acontece com a Loreda, com a Elsa.

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  13. É incrível como alguns enredos por si só já carregam a força da obra. Acompanhando a resenha já senti a intensidade da obra, até mesmo comparando-a a grandes clássicos de época que também exploram a trajetória de personagens fortes que lutam pela sobrevivência e amor. Tomara que tenha uma continuação sim, pois com certeza é um livro que vai direto pra minha lista de desejos.

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  14. Muito legal observar como as coisas mudam (graças a Deus!! Eu aqui com meus 22 anos sem nem namorar, imagina casar como queriam antigamente hahah). Não esperava que o cara fosse abandonar a família, justo quando a moça estava feliz. Também adoro essa combinação de realidade e ficção, torna tudo mais interessante!! Acho esses livros que relatam as relações de mãe e filha muito especiais, que bom que você gostou.
    Beijos

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