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12.11.20

O Moinho à beira do Rio Floss [George Eliot]

George Eliot

Clube de Leitores Pedrazul

Quando início a leitura destes clássicos do Clube de leitores Pedrazul, não me delicio só com a história em si, quero sempre saber também sobre o autor(a) que a escreveu, porque muitas vezes os livros são escritos por mulheres que se escondem sob pseudônimos, como é o caso de George Eliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, que usava um nome masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. E durante a leitura percebemos o quanto a mente feminina ainda era menosprezada no século XIX, onde os homens acreditavam realmente que as mulheres não tinham inteligência suficiente para algo além de cuidar da casa.

Esta é uma obra profunda, que trabalha o âmago de cada personagem, o que consequentemente a torna de difícil leitura, mas depois dos primeiros capítulos, que são mais cansativos, principalmente porque estamos acostumados a leituras mas rasas e dinâmicas, torna-se belíssima e sublime, contudo, mesmo tendo me apaixonado pela história, sei que é um livro que vai agradar a poucos.

O Moinho à beira do Rio Floss
Título: O Moinho à beira do Rio Floss
Título Original The Mill on the Floss
Autor: George Eliot
Tradutor: Vários
Editora: Pedrazul
Gênero: Romance
Páginas: 466
Primeira Edição: Londres, 1860
Onde comprar: Clube de Leitores Pedrazul

O Moinho à Beira do Rio Floss tem toda sua trama baseada em relações familiares. Conviver em família é algo difícil, apesar do amor que une seus integrantes, não conheço nenhuma família que não tenha seus reveses, e com a família Tulliver, não é diferente, lá encontramos todos os tipos de adversidades normais a esse tipo de relacionamento.

A autora nos introduz em cada capítulo a um dos personagens, desnudando seu íntimo para o leitor, mostrando o que o impulsiona, suas mesquinharias mas também suas generosidades, ou seja, seus personagens são pessoas de verdade, gente como a gente.

A história se desenvolve em torno da família Tulliver, composta pelo Sr. Tullive, sua esposa Bessy e os dois filhos, Tom e Maggie, sua irmã e cunhado e uma penca de filhos, além das irmãs de sua esposa e respectivos maridos e uma sobrinha. Todos são peças importantes no desenvolvimento da história.

O Sr. Tulliver ganha seu sustento nas atividades do Moinho Dorlcote, localizado as margens do rio Floss, que já está na sua família há gerações, e que ele consequentemente passará a administração para mãos de seu filho Tom. Todo seu negócio depende do rio Floss, e o Sr. Tullive se envolve numa briga judicial em decorrência de uma barragem no rio. Reconhecendo seu quase analfabetismo, o Sr. Tulliver ambiciona que seu filho Tom seja superior a ele, desejando-lhe proporcionar uma boa educação.

Mas quem encanta o coração do Sr. Tulliver é sua filha Maggie, que aos olhos dos seus tios é teimosa, não muito bela (principalmente comparada com sua linda prima, loira de olhos azuis) e muito esperta, característica pouco desejada numa mulher, mas para o Sr. Tulliver, sua "camponesinha" é sua preciosidade e ele se preocupa com seu futuro.

“- Pobre camponesinha, Ela não terá ninguém além de Tom, quando eu partir.
(...)
Ocorreu em sua mente que se ele fosse duro com sua irmã, poderia levar Tom a ser duro com Maggie em algum dia distante, quando ele não estivesse mais lá para tomar partido dela. (...) e esse era seu modo confuso de explicar para si que seu amor e ansiedade pela "camponesinha" lhe dera uma nova sensibilidade para com a irmã.”

Maggie tem verdadeira adoração pelo irmão Tom, apesar de terem personalidades completamente diferentes. Tom é prático, objetivo e reservado, Maggie é de natureza livre, romântica e sonhadora. A medida que os dois vão crescendo, começam a vivenciar as adversidades da vida e cada um deles lida com elas de modos distintos, o que muitas vezes causa desentendimento entre eles. E quando Maggie descobre o amor, esse não vem de maneira fácil, ela é obrigada a fazer escolhas difíceis que podem afetar a sua felicidade e também das pessoas a quem mais ama.

George Eliot (ou Mary Ann Evans) criou um romance intimista e avassalador, que a todo momento mexeu com minhas emoções, trazendo-as a flor da pele. Foi uma leitura verdadeiramente impactante.

Vou finalizar com um quote em homenagem a minha filhota que se formou Direito e como podemos ver, a fama dos advogados é antiga...

“Eu não faria do menino um advogado (lamentaria se ele se tornasse um patife), mas um tipo de engenheiro ou um agrimensor.”

Se você quiser conhecer um pouco sobre os livros anteriores do Clube de Leitores Pedrazul, clique nas capas para ler as resenhas:

17 comentários em "O Moinho à beira do Rio Floss [George Eliot]"

  1. Olá! Eu também sempre fico muito curiosa para saber mais sobre os autores desses livros toda vez que vejo uma nova resenha desse clube, até porque ele/ela sempre tem uma história cheio de lutas e superações, a edição do livro parece estar lindíssima, e mais uma vez nos presenteia com um enredo riquíssimo.

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  2. Namoro essa caixinha da Editora faz tempo, aliás, por sua culpa, já que a gente não vê uma divulgação tão grande destes presentes!
    E eu acho maravilhoso isso de sempre trazer autores(as) que normalmente, tinham isso:serem mulheres maravilhosas, com mentes brilhantes e mesmo assim, terem que se esconder por conta do machismo.
    Mudou? Muito! Por isso, sempre lindo ver os nomes delas ganharem o prestígio que merecem!
    Adorei o que li acima e com certeza, é um livro que quero muito ter oportunidade de ler!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  3. Oi, Gisela! É mto triste e revoltante essa visão de que o sexo define a capacidade de alguém. Há tantas mulheres incríveis escondidas atrás de pseudônimos, que têm tanto a nos dizer. Sobre o livro, eu não conhecia. Gosto mto de obras que abordam as relações familiares, os conflitos e a essência de cada um. Acredito ser uma excelente leitura.

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  4. Acompanho o Clube de Leitores Pedrazul desde o começo.
    Ainda não tive a oportunidade de ser um membro do clube.
    Essa história me parece muito linda e repleta de sensibilidade.

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  5. Oi, Gisela!

    Uau! Me pareceu uma história com personagens bem profundos e o melhor: reais. Esse não é meu gênero favorito, mas eu super daria uma chance por causa disso, personagens reais. Acho que falta muito isso nos livros, problemas e sentimentos mais reais, de modo que a gente se identifique, de alguma forma com a personagem. Acho isso muito legal!

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  6. Amei saber sobre esse clássico.
    A Pedra Azul tem um belo trabalho em trazer clássicos não tão conhecidos, né?
    Gostei muito desse, gosto de leituras intimistas e profundas.

    Beijos

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  7. Esses livros mostram tanta história, mesmo que seja de ficção né? Incrível mesmo! Uma pena que o nome próprio da autora não vem em seus livros, ainda mais por ser um tão bom, pelo que você falou. Gosto dos clássicos, acho que o ritmo de leitura é diferente, mais calmo, até para que se possa entender toda a história.

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  8. Eu adoro um romance, embora esse assim não seja o tipo de livro que eu gosto de ler, mas a leitura deve ser bem proveitosa para os fãs de clássicos. Sucesso na carreira da sua filha!! Conheço muitas pessoas que fazem esse curso e ele tem certa fama mesmo.
    Beijos

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  9. Oi, Gisela!
    Faço parte dos leitores que preferem leituras mais rasas e dinâmicas, obras profundas como O Moinho à Beira do Rio Floss não me atraem, por isso dificilmente eu leria esse livro com sua trama sobre as relações familiares... Mas não tenho dúvidas de que pra quem gosta do estilo essa é uma ótima dica. Abraços!

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  10. O nome e a capa ja me apaixonaram... tem uma vibe maravilhosa esse livro. Adoro familias grandes em séries de livros, sempre trazem uma caracterização muito grande pros personagens e fica gostoso de ler

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  11. Gi!
    Nem me imagin0 em uma época dessas onde nós mulheres não éramos reconhecidas por nossas habilidadees além do lar.
    Deve ser interessante , ainda mais porque s personalidades são aperfeiçoadas.



    cheirinhos
    Rudy

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  12. ola
    amo um romance assim onde tem conflitos familiares. A gente se sente mais proximas dos personagens eu pelo menos sinto mais proxima .
    mais um livro que vai para minha enorme lista de desejados

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  13. Olá Gisela!
    Lendo a resenha eu lembrei da quinta temporada de Outlander, na qual a Claire teve que fingir ser um médico para que as pessoas confiassem nas suas indicações terapêuticos. Fazendo um paralelo, é notório que a série expressa bem a realidade quando paramos para refletir sobre a trajetória de Mary Ann Evans, que precisou de muita força de vontade e coragem para seguir sua vocação numa época tão limitada para a mulheres.
    A obra parece ser extremamente sensível, com personagem que nos conquistam pela construção gradual. Acredito que o leitor deve sofrer ao lado de Maggie e sua jornada, sendo que a protagonista parece ser aquele tipo de pessoa que queremos fazer amizade.
    Beijos.

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  14. Olá.
    No século XIX éramos muito reprimidas e por esse motivo entendo bem o que a Mary fez se passando por um homem.
    Muito interessante e um pouco cansativa essa história.

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  15. Olá Gisela!
    Estou fazendo planos pra ano que vem colocar alguns clássicos como meta de leitura, e esse me parece um forte candidato. Eu gosto de dramas familiares, e por mais que alguns costumes da época sejam difíceis de engolir, são importantes de serem conhecidos, principalmente para valorizarmos a liberdade que conquistamos. Muito interessante saber que os advogados já eram temidos nos séculos 18 e 19.
    Beijos

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  16. A princípio, julgando pela capa, pensei que fosse poesia. Gostei bastante da resenha, um livro tão familiar que senti impulsionada a ler e refletir. Triste como a fama dos advogados é tão antiga e até os dias de hoje não foi mudada. Um dia quem saber muda...

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  17. Oi, Gi
    Parabéns pela formatura de sua filha!
    Infelizmente muitas mulheres tiveram que usar pseudônimos masculinos para publicar seus livros.
    A trama é fascinante com muitos personagens que podemos conhecer cada um em seu íntimo, os irmãos Tom e Maggie mesmo sendo diferentes são unidos.
    Estou curiosa para poder ler, adorei a capa.
    Beijos

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